Suor e Desejo: O Vestiário Proibido
**Suor e Desejo: O Vestiário Proibido**
O ar dentro da academia *Iron & Fire* era denso, carregado com o cheiro de suor, borracha queimada dos halteres e aquele perfume cítrico que alguém sempre deixava no ar condicionado. Lucas ajustou a alça da mochila no ombro, os olhos percorrendo o salão quase vazio agora, as luzes fluorescentes refletindo nos espelhos em tons frios de azul. O horário de pico tinha acabado, e os últimos alunos se arrastavam para os vestiários com a lentidão de quem sabe que o treino foi mais pesado do que o corpo queria admitir.
Ele gostava desse momento. O silêncio que se instalava depois do caos controlado de pesos batendo no chão, grunhidos abafados e músicas eletrônicas competindo com o som dos passos na esteira. Era quando conseguia observar sem pressa, sem a obrigação de corrigir posturas ou incentivar repetições. E foi assim, com a calma de quem domina o ambiente, que seus olhos encontraram Clara pela primeira vez.
Ela estava no canto da sala de musculação, os fones de ouvido enfiados nas orelhas, os dedos finos ajustando a alça do top esportivo. O tecido preto, justo demais para ser ignorado, moldava-se às curvas dos seios pequenos e firmes, enquanto o short de lycra deixava à mostra pernas longas e torneadas, marcadas por um leve brilho de suor. Mas não era só o corpo que chamava atenção. Havia algo no jeito como ela se movia—determinada, quase agressiva, como se cada repetição fosse uma batalha pessoal. Os ombros largos, levemente caídos para frente, denunciavam horas de treino, mas a postura ainda guardava uma elegância natural, como se soubesse que estava sendo observada e não se importasse.
Lucas cruzou os braços, encostando-se no batente da porta que separava o salão da recepção. Não era de se impressionar fácil—anos como personal trainer o haviam acostumado a todo tipo de corpo, de atletas a iniciantes inseguros—, mas Clara tinha algo diferente. Talvez fosse a maneira como ela mordia o lábio inferior quando a série ficava difícil, ou como os cabelos castanhos, presos em um rabo de cavalo alto, balançavam com o ritmo dos exercícios, revelando a nuca úmida. Ou talvez fosse o fato de que, mesmo suada e com o rosto levemente vermelho, ela não parecia cansada. Parecia *faminta*.
— Você tá olhando pra ela como se ela fosse o próximo desafio do seu treino — a voz de Mariana, a recepcionista, cortou seus pensamentos. Ela estava encostada no balcão, os braços cruzados sobre o uniforme azul-marinho, um sorriso malicioso nos lábios pintados de vermelho.
Lucas não desviou o olhar. — E se for?
Mariana riu, um som baixo e rouco. — Cuidado, *chefe*. Ela é nova. E novatas costumam ser complicadas.
— Complicadas ou interessantes?
— As duas coisas. — Ela jogou uma toalha limpa na direção dele, que a pegou no ar. — O vestiário feminino tá vazio. Se quiser arrumar uma desculpa pra entrar lá, agora é a hora.
Ele arqueou uma sobrancelha. — Desde quando você me dá ideias assim?
— Desde que você parou de agir como se tivesse medo de sujar as mãos. — Ela piscou e voltou para o computador, deixando-o com a toalha nas mãos e uma pergunta no ar.
Lucas respirou fundo, sentindo o peso da decisão. Não era como se nunca tivesse pensado nisso antes—o vestiário feminino era território proibido, mas também um lugar onde a privacidade e o calor dos corpos criavam uma atmosfera carregada de possibilidades. Ele sabia que Clara ainda estava lá. Tinha visto quando ela se dirigiu para os chuveiros, os passos firmes, a toalha pendurada no ombro. E agora, com a academia quase deserta, o risco era mínimo.
A porta do vestiário feminino rangeu levemente quando ele a empurrou, o som abafado pela música que ainda ecoava nos fones de ouvido de alguém—provavelmente Clara. O ambiente estava úmido, o ar pesado com o vapor dos chuveiros e o perfume doce de xampu de coco. As luzes eram mais fracas ali, criando sombras alongadas nos azulejos brancos, e o cheiro de sabonete líquido se misturava ao suor residual das paredes.
Ele se moveu devagar, os passos silenciosos no piso molhado, os olhos percorrendo os armários entreabertos e as roupas esquecidas sobre os bancos. Não estava ali por acaso—tinha uma desculpa pronta, caso fosse necessário. Um haltere de 10kg que havia sido deixado no canto errado, um problema com a fechadura de um dos armários. Mas a verdade era que queria ver Clara de perto. Queria sentir o calor do corpo dela sem a barreira dos olhares curiosos da academia.
E então ele a viu.
Ela estava de costas para ele, parada em frente a um dos espelhos, os braços erguidos enquanto prendia os cabelos em um coque desleixado. O top tinha sido tirado, deixando à mostra as costas nuas, marcadas por uma fina camada de suor que brilhava sob a luz amarelada. A pele era dourada, levemente avermelhada nas áreas onde o sutiã esportivo tinha pressionado, e as omoplatas se moviam com uma graça quase felina. Ela se inclinou para frente, apoiando as mãos no balcão de granito, e o short subiu um pouco, revelando a curva suave das nádegas.
Lucas sentiu o corpo reagir antes mesmo de perceber. Um calor familiar se espalhou pela virilha, e ele teve que ajustar a postura para disfarçar. Não era só desejo—era algo mais primitivo, uma necessidade de tocar, de provar, de sentir o gosto salgado da pele dela sob a língua. Ele pigarreou, baixinho, só para chamar a atenção.
Clara se virou lentamente, os olhos encontrando os dele no reflexo do espelho. Não houve surpresa no rosto dela, apenas uma espécie de reconhecimento, como se estivesse esperando por aquele momento. Os lábios se entreabriram, e por um segundo, Lucas pensou ter visto um sorriso—rápido, quase imperceptível—antes que ela se virasse completamente, cruzando os braços sobre os seios nus.
— Você tá perdido, *personal*? — A voz dela era rouca, mas firme. Não havia medo, nem vergonha. Apenas uma provocação calculada.
Lucas deu um passo à frente, sentindo o piso frio sob os tênis. — Esqueci um equipamento aqui. — Ele ergueu a toalha que Mariana tinha jogado para ele, como se fosse a prova de sua mentira. — Mas acho que você já terminou de usar.
Ela inclinou a cabeça, os olhos percorrendo o corpo dele de cima a baixo, demorando-se nos ombros largos, na camiseta justa que marcava os músculos definidos. — Terminei. Mas não estou com pressa de sair.
O ar entre eles ficou mais denso, carregado com algo que ia além das palavras. Lucas podia ouvir o próprio coração batendo, ou talvez fosse o dela. Não importava. O que importava era a maneira como ela o olhava—como se quisesse devorá-lo ali mesmo, no chão molhado do vestiário.
— Você treina duro — ele disse, aproximando-se mais um passo. — Gosto disso.
— E você gosta de observar — ela retrucou, sem desviar os olhos. — Ou só de ser pego no flagra?
Ele sorriu, lento, perigoso. — Depende. Você gosta de ser observada?
Clara não respondeu. Em vez disso, ela se virou de costas para ele novamente, apoiando as mãos no balcão e arqueando levemente o corpo, como se oferecendo uma visão melhor. O short subiu mais um pouco, e Lucas sentiu a boca secar.
— Melhor você ir embora — ela murmurou, mas não havia convicção na voz. — Antes que alguém entre.
Lucas deu mais um passo, agora perto o suficiente para sentir o calor do corpo dela, para ver os pequenos pelos da nuca se eriçarem com a proximidade. — Alguém como quem?
Ela não respondeu. Mas quando ele estendeu a mão, hesitante, os dedos roçando de leve a curva da cintura, Clara não se afastou.
E então, como se fosse a coisa mais natural do mundo, ela deixou a toalha cair no chão.
O ar no vestiário feminino estava carregado com o cheiro de suor limpo, shampoo de coco e o leve toque metálico dos armários recém-encaixados. Clara respirou fundo, sentindo o peso do treino ainda latejar nos músculos—pernas trêmulas, ombros queimando, a pele úmida grudando no tecido do top esportivo. Ela havia empurrado os limites naquela aula, como se cada repetição fosse uma promessa silenciosa para si mesma, uma forma de domar a inquietação que a acompanhava desde que chegara à academia. E agora, sozinha entre as paredes de azulejos claros, deixava o cansaço escorrer junto com a água do chuveiro, gota a gota, enquanto enrolava a toalha ao redor do corpo.
Foi ao se inclinar para pegar a nécessaire no banco que aconteceu. Um movimento desajeitado, talvez por causa do cansaço, ou talvez por algo mais—uma distração, um pressentimento. A toalha escorregou dos dedos antes que ela pudesse segurá-la, caindo no chão com um baque surdo, como se o próprio tecido tivesse decidido se render. Clara congelou por um segundo, os cabelos ainda molhados pingando sobre os ombros nus, o ar frio do vestiário arrepiando sua pele exposta. Foi então que ouviu.
Passos.
Não os passos apressados de uma mulher saindo do banho, nem o arrastar de chinelos no piso. Eram passos firmes, deliberados, masculinos. O som ecoou entre os armários, reverberando na umidade do ambiente, e Clara soube, antes mesmo de se virar, quem estava ali.
Lucas.
Ele parou na entrada do vestiário, a mão ainda na maçaneta da porta entreaberta, como se tivesse sido surpreendido pela própria ousadia. Seus olhos—escuros, intensos—varreram o espaço rapidamente, como se procurassem algo, até encontrarem Clara. E então, não se moveram mais.
Ela não se cobriu. Não imediatamente. Havia algo no modo como ele a olhava que a fez hesitar, algo que ia além da surpresa ou do constrangimento. Era como se o ar entre eles tivesse se adensado, carregado de uma eletricidade que fazia sua pele formigar. Clara se abaixou devagar, os dedos roçando o piso frio enquanto apanhava a toalha, mas não se levantou. Manteve-se naquela posição, os joelhos levemente dobrados, as costas arqueadas em um convite silencioso, os olhos fixos nos dele.
— Esqueceu alguma coisa? — perguntou ela, a voz baixa, quase um sussurro.
Lucas não respondeu de imediato. Seus olhos deslizaram pelo corpo dela, demorando-se onde a toalha não alcançava—o vão entre as coxas, a curva das costas, a linha da coluna que desaparecia sob os cabelos úmidos. Ele engoliu em seco, e Clara viu o movimento de sua garganta, a forma como os músculos do maxilar se contraíram.
— O halter — disse ele, finalmente, a voz rouca. — Deixei um halter aqui mais cedo.
Ela sorriu, lenta, sabendo que ele estava mentindo. Ou, pelo menos, não dizendo toda a verdade. Ninguém entrava no vestiário feminino por um halter esquecido. Mas Clara não se importava. Naquele momento, não queria saber dos motivos. Queria apenas que ele ficasse.
— Ah — murmurou, levantando-se devagar, a toalha ainda solta nas mãos. — Então deve estar por aqui.
Ela se virou, dando-lhe as costas, e ouviu o som da porta se fechando atrás dele. O clique da fechadura foi quase imperceptível, mas ela sentiu o peso do gesto como se fosse uma carícia. Lucas deu um passo à frente, depois outro, até que estivesse perto o suficiente para que Clara sentisse o calor de seu corpo, mesmo sem tocá-la.
— Você treinou bem hoje — ele disse, a voz próxima ao seu ouvido, o hálito quente roçando a pele sensível de seu pescoço.
Clara fechou os olhos por um instante, deixando que a sensação a invadisse. O contraste entre o frio do vestiário e o calor dele era quase insuportável.
— Você assistiu — ela respondeu, virando-se para encará-lo.
Os olhos de Lucas brilharam, escuros e famintos.
— Não consegui evitar.
Ela não desviou o olhar. Em vez disso, deixou a toalha cair novamente, desta vez de propósito. O tecido se amontoou aos seus pés, e Clara ficou ali, nua, os mamilos rígidos pelo ar gelado, a respiração acelerada. Lucas não se moveu. Não tocou. Apenas a observou, como se estivesse memorizando cada detalhe—o modo como a luz do teto refletia nos pontos úmidos de sua pele, a forma como seus lábios se entreabriram quando ele finalmente ergueu a mão, os dedos roçando o contorno de seu quadril.
— Você é linda — ele murmurou.
Clara sorriu, mas não disse nada. Em vez disso, estendeu a mão e puxou-o para mais perto, até que seus corpos se tocassem, pele contra pele, suor contra suor. O contato foi elétrico, uma descarga que percorreu cada centímetro de sua pele, fazendo-a arquejar.
— E você fala demais — ela sussurrou, antes de puxá-lo para um beijo.
Os lábios dele eram quentes, exigentes, e Clara sentiu o gosto de café e menta em sua língua. As mãos de Lucas deslizaram por suas costas, apertando-a contra si, como se quisesse fundir seus corpos em um só. Ela gemeu contra sua boca, o som abafado pelo próprio desejo, e então ele a ergueu, sem esforço, sentando-a sobre o balcão de mármore ao lado da pia.
O frio da pedra contra sua pele nua a fez estremecer, mas o calor do corpo dele logo a aqueceu. Lucas se posicionou entre suas pernas, as mãos explorando cada curva, cada vale, como se estivesse mapeando um território desconhecido. Clara arqueou as costas, oferecendo-se, e ele aceitou o convite, os lábios deixando um rastro de fogo em seu pescoço, descendo até os seios, onde sua língua brincou com os mamilos antes de sugá-los com força.
Ela gemeu, os dedos enroscando-se nos cabelos dele, puxando-o para mais perto. O som de sua própria voz, rouca e desesperada, ecoou no vestiário, misturando-se ao som de suas respirações ofegantes e ao rangido do balcão sob o peso dos dois.
— Lucas… — ela sussurrou, mas não conseguiu terminar a frase.
Ele sabia o que ela queria. Sabia o que ambos queriam.
E então, com um movimento rápido, ele a puxou para a beira do balcão, as mãos firmes em seus quadris, posicionando-a exatamente onde queria. Clara sentiu a pressão de sua ereção contra o tecido fino de sua calça, e o desejo a atravessou como uma onda, fazendo-a arquejar.
— Você quer isso? — ele perguntou, a voz baixa, os olhos queimando nos dela.
Clara não hesitou.
— Sim.
Foi tudo o que precisou dizer.
Lucas a puxou para si, os lábios encontrando os dela em um beijo faminto, enquanto suas mãos deslizavam por suas coxas, abrindo-as ainda mais. Clara sentiu o ar frio contra sua pele úmida, mas não se importou. Tudo o que importava era o calor dele, a pressão de seus dedos, a promessa do que estava por vir.
E então, quando ele finalmente a tocou, quando seus dedos encontraram o ponto exato onde ela mais precisava, Clara deixou escapar um gemido longo, profundo, o corpo inteiro tremendo com a intensidade da sensação.
— Porra — ele murmurou, os lábios contra seu ouvido. — Você está encharcada.
Ela sorriu, as unhas cravando-se em seus ombros.
— É o que acontece quando você me toca.
Lucas gemeu, o som gutural, quase animalesco, e então a ergueu novamente, carregando-a para longe do balcão, em direção aos armários. Clara sentiu o metal frio contra suas costas quando ele a pressionou contra um deles, os lábios devorando os dela enquanto suas mãos exploravam cada centímetro de seu corpo.
— Preciso de você — ele murmurou, a voz rouca de desejo. — Agora.
Clara não respondeu. Em vez disso, puxou-o para mais perto, as pernas enroscando-se em sua cintura, os corpos se moldando um ao outro em um encaixe perfeito.
E então, quando ele finalmente a penetrou, quando sentiu o calor dele preenchendo-a por completo, Clara soube que não havia mais volta.
O vestiário nunca mais seria o mesmo.
O ar no vestiário estava denso, carregado com o cheiro de suor limpo e o perfume cítrico que Clara usava—algo que agora parecia feito sob medida para ele. Lucas deu um passo à frente, os tênis rangendo levemente contra o piso úmido, e observou como ela se endireitava devagar, a toalha ainda enrolada no corpo, os dedos dos pés se curvando contra o azulejo frio. Havia algo de deliberado no modo como ela se movia, como se cada gesto fosse uma provocação calculada. Ou talvez fosse só o jeito que ela respirava, fundo e entrecortado, o peito subindo e descendo sob o tecido felpudo.
— Você foi incrível hoje — ele disse, a voz baixa, quase casual, como se não estivesse ciente do modo como suas palavras reverberavam entre eles. Mas estava. Cada sílaba era uma isca, e ele sabia disso. — Nunca vi alguém tão focada num primeiro dia.
Clara inclinou a cabeça, um sorriso lento se abrindo nos lábios. Os cabelos molhados escorriam pelas costas, deixando marcas escuras na toalha, e ela não fez menção de secá-los. Em vez disso, levou uma mão ao pescoço, os dedos brincando com a corrente fina de prata que usava, o medalhão caindo entre os seios. O movimento fez a toalha se abrir levemente na altura das coxas, revelando a curva suave da pele ainda corada pelo esforço.
— É fácil se concentrar quando o professor é… motivador — ela respondeu, a voz um pouco rouca, como se tivesse gritado mais do que deveria durante os exercícios. Ou talvez fosse só o efeito do ar pesado entre eles.
Lucas riu, um som grave que vibrou no peito. Ele deu mais um passo, diminuindo a distância, e agora podia sentir o calor irradiando dela, misturado ao vapor que ainda se desprendia da pele úmida. O vestiário estava quase vazio—apenas o zumbido distante dos chuveiros ecoando como um lembrete de que o mundo lá fora ainda existia. Mas ali, naquele espaço confinado, entre armários de metal e espelhos embaçados, era como se só os dois restassem.
— Motivação é meu segundo nome — ele murmurou, os olhos fixos nos dela, desafiando-a a desviar o olhar primeiro. Não desviou. Clara sustentou o contato, os lábios entreabertos, a língua passando rapidamente para umedecê-los. — Mas você… você não precisa de motivação. Você já tem fogo dentro de você.
Ela soltou uma risada baixa, quase um suspiro, e deu um passo para trás, encostando-se no balcão de mármore onde as toalhas limpas estavam empilhadas. O movimento fez a toalha se abrir ainda mais, revelando a linha escura da cicatriz fina na coxa esquerda—uma marca antiga, talvez de uma queda de bicicleta na infância, ou de algo mais recente. Lucas não perguntou. Em vez disso, deixou os olhos percorrerem o caminho até os quadris estreitos, a cintura marcada, o umbigo levemente saliente, como se convidando a ser tocado.
— Fogo? — ela repetiu, a voz saindo mais suave, quase um sussurro. — Ou só suor demais?
— Os dois — ele respondeu, aproximando-se o suficiente para que o tecido da camiseta roçasse na toalha dela. O contato foi mínimo, mas suficiente para fazer Clara prender a respiração. — E eu gosto dos dois.
O sorriso dela se alargou, mas havia algo de perigoso nele agora, como se ela estivesse testando até onde podia ir. Com um movimento lento, deliberado, Clara ergueu a mão e passou os dedos pelo próprio ombro, afastando a alça fina da regata que usava por baixo da toalha. A pele ali estava quente, quase febril, e quando ela arrastou as unhas levemente para baixo, em direção ao vale entre os seios, Lucas sentiu o próprio corpo reagir, a respiração ficando mais curta.
— Você sempre elogia suas alunas assim? — ela perguntou, a provocação clara na voz.
— Só as que merecem — ele respondeu, a voz rouca. — E você merece mais do que elogios.
Clara mordeu o lábio inferior, os dentes afundando na carne macia, e por um segundo, Lucas pensou que ela fosse recuar. Mas então ela estendeu a mão, os dedos roçando no cós da calça dele, logo acima do elástico da cueca. O toque foi leve, quase inocente, mas o suficiente para fazer o sangue dele correr mais rápido.
— E o que mais eu mereço, professor? — ela murmurou, erguendo os olhos para ele por baixo dos cílios úmidos.
Lucas não respondeu de imediato. Em vez disso, inclinou-se para frente, o nariz quase tocando o dela, e inalou fundo. O cheiro dela—suor, sabonete de coco, algo doce e feminino que ele não conseguia identificar—encheu seus pulmões, e por um momento, ele se perguntou se ela conseguia sentir o próprio coração batendo tão forte quanto o dele. Então, com uma lentidão torturante, ele ergueu a mão e segurou o queixo dela entre os dedos, inclinando seu rosto para cima.
— Você merece alguém que saiba exatamente o que fazer com esse fogo — ele sussurrou, os lábios pairando a centímetros dos dela. — Alguém que não tenha medo de se queimar.
Clara não se moveu. Não respirou. Os olhos dela estavam fixos nos dele, escuros e brilhantes, e por um segundo, Lucas pensou que ela fosse fechar a distância, que fosse puxá-lo para um beijo e acabar com aquela tensão insuportável. Mas então ela sorriu, um sorriso lento e perverso, e empurrou-o levemente para trás, os dedos pressionando contra o peito dele.
— E você acha que é esse alguém? — ela perguntou, a voz baixa, quase um desafio.
Lucas sentiu o corpo inteiro tensionar, o desejo pulsando em cada veia. Ele sabia que ela estava brincando com ele, testando seus limites, e porra, ele adorava isso. Com um movimento rápido, segurou o pulso dela e puxou-a para perto, até que seus corpos estivessem colados, até que ela pudesse sentir exatamente o quanto ele a queria.
— Eu não acho — ele murmurou, os lábios roçando a orelha dela. — Eu tenho certeza.
Clara estremeceu, o corpo inteiro reagindo ao contato, e por um segundo, ele pensou que ela fosse ceder. Mas então ela riu, um som leve e provocante, e se desvencilhou dele com um movimento ágil, recuando até a parede oposta, onde os espelhos refletiam os dois em ângulos distorcidos.
— Então me prove — ela disse, os olhos brilhando com uma mistura de desafio e desejo. — Mas não aqui. Não assim.
Lucas ergueu uma sobrancelha, o corpo ainda latejando com a necessidade de tocá-la. — Não?
Ela balançou a cabeça, um sorriso malicioso nos lábios. — Ainda não. — E então, com um movimento rápido, desfez o nó da toalha, deixando-a cair no chão com um ruído suave. O corpo dela estava ali, exposto, glorioso—os seios firmes, os mamilos já rígidos, a pele marcada pelas gotas de água que ainda escorriam pelas curvas. — Primeiro, eu preciso de um banho.
Lucas engoliu em seco, o olhar percorrendo cada centímetro dela, como se estivesse memorizando cada detalhe. — E depois?
Clara deu um passo para trás, em direção aos chuveiros, e ligou a água, deixando o jato quente cair sobre a pele. O vapor começou a se espalhar, envolvendo-os numa névoa densa, e ela olhou para ele por cima do ombro, os olhos semicerrados.
— Depois… — ela murmurou, a voz quase perdida no som da água. — Depois a gente vê.
E então, com um sorriso que prometia tudo e mais um pouco, ela entrou debaixo do chuveiro, deixando Lucas ali, com o corpo em chamas e a certeza de que aquela noite estava longe de acabar.
O vapor do chuveiro ainda dançava no ar quando Clara se virou, os cabelos molhados grudados na nuca, os olhos brilhando com uma ousadia que fez o estômago de Lucas se contrair. Ela não disse nada. Apenas estendeu a mão, os dedos úmidos roçando os dele num convite silencioso, mas impossível de ignorar. O toque foi leve, quase hesitante, mas carregava a promessa de algo que ambos sabiam que não poderiam mais conter.
Lucas sentiu o calor da pele dela antes mesmo de puxá-lo para perto. O cheiro de sabonete misturado ao suor fresco do treino invadiu suas narinas, um perfume intoxicante que fez seu corpo reagir instantaneamente. Ele não resistiu. Seguiu-a, os passos abafados pelo piso úmido, enquanto Clara o guiava para trás de uma fileira de armários, onde a luz era mais fraca e o eco das vozes distantes da academia se perdia entre as paredes azulejadas.
O canto era estreito, quase claustrofóbico, mas isso só aumentava a tensão. Quando ela parou, Lucas não teve tempo de pensar. Clara agarrou a barra de sua camiseta, puxando-o contra si com uma força que surpreendeu os dois. Seus lábios se encontraram num beijo faminto, urgente, como se estivessem esperando por aquele momento desde o primeiro dia em que seus olhares se cruzaram entre os halteres e as esteiras. O gosto dela era doce, com um traço salgado do suor que ainda marcava sua pele, e Lucas gemeu contra sua boca, as mãos deslizando pelas costas dela, sentindo a umidade da água misturada ao calor do corpo.
— Você não faz ideia do quanto eu quis isso — Clara murmurou entre beijos, a voz rouca, os dedos enroscando-se nos cabelos dele. — Desde a primeira vez que te vi olhando pra mim.
Lucas riu baixinho, mordiscando o lábio inferior dela antes de responder.
— Eu estava tentando ser profissional.
— Mentiroso. — Ela puxou a camiseta dele para cima, as unhas arranhando levemente a pele do abdômen. — Você me observava como se quisesse me devorar.
Ele não negou. Como poderia? Cada vez que Clara se alongava, cada vez que seus músculos se contraíam sob o tecido justo do top esportivo, ele sentia o desejo se enroscar em seu peito, uma cobra pronta para dar o bote. Agora, com ela ali, pressionada contra ele, o corpo ainda vibrando do esforço do treino, não havia mais espaço para negações.
Suas mãos exploraram o contorno das costas dela, descendo até a curva firme das nádegas, apertando-a contra si para que sentisse o quanto a queria. Clara arqueou-se com um suspiro, os quadris roçando nos dele num movimento lento e deliberado. O tecido da calça de Lucas era uma barreira irritante, e ela não perdeu tempo em desfazer o botão, os dedos ágeis puxando o zíper para baixo.
— Porra — ele gemeu quando ela envolveu sua ereção com a mão, acariciando-o com uma pressão que fez seus joelhos fraquejarem. — Você vai me matar antes mesmo de começarmos.
Clara riu, um som baixo e satisfeito, enquanto o empurrava contra a parede. O azulejo frio contrastava com o calor do corpo dele, e Lucas estremeceu quando ela se ajoelhou à sua frente, os lábios deixando um rastro de beijos úmidos pela linha do abdômen. Quando sua boca quente o envolveu, ele teve que se apoiar nos armários para não cair. A visão dela ali, entre suas pernas, os lábios rosados deslizando sobre sua pele sensível, era quase demais.
— Clara… — Seu nome saiu como um aviso, mas ela não parou. Apenas o olhou por baixo dos cílios molhados, a língua traçando círculos lentos que o deixavam louco. — Se você continuar assim, eu não vou durar.
Ela sorriu, satisfeita com o poder que tinha sobre ele, e se afastou apenas o suficiente para sussurrar:
— Então não dure.
Foi o suficiente. Com um movimento rápido, Lucas a puxou de volta para cima, girando-a de modo que agora fosse ela a estar encostada na parede. Suas mãos deslizaram pelas coxas dela, erguendo-a até que suas pernas se enroscassem na cintura dele. Clara gemeu quando sentiu a pressão de sua ereção contra o tecido fino da calcinha, os quadris se movendo instintivamente em busca de mais.
— Você é insuportável — ela murmurou, mordendo o lóbulo da orelha dele.
— E você adora isso — ele respondeu, a voz rouca, enquanto uma das mãos se infiltrava por baixo do elástico da calcinha. Seus dedos encontraram a umidade que já escorria entre as pernas dela, e Clara arqueou-se com um suspiro, as unhas cravando-se nos ombros dele.
— Lucas… — Seu nome saiu como uma súplica, e ele não precisou de mais nada.
Com um movimento rápido, ele afastou o tecido da calcinha e a penetrou com dois dedos, sentindo o calor apertado envolvê-lo. Clara jogou a cabeça para trás, os lábios entreabertos num gemido silencioso, e ele aproveitou para capturar sua boca novamente, engolindo cada som que ela tentava soltar. Seus dedos se moviam em um ritmo implacável, curvando-se dentro dela enquanto o polegar pressionava o ponto que a fazia tremer.
— Isso… — ela arfou, os quadris se movendo em sincronia com a mão dele. — Não para.
Ele não tinha intenção de parar. Queria vê-la se desmanchar ali, contra aquela parede, com o vapor do chuveiro ainda pairando no ar e o cheiro de suor e desejo misturando-se ao perfume do sabonete. Clara estava perto, ele podia sentir pelo modo como seu corpo se contraía ao redor de seus dedos, pelo jeito que seus gemidos se tornavam mais urgentes, mais desesperados.
— Goza pra mim — ele ordenou, a voz um rosnado baixo. — Agora.
E ela obedeceu. Com um grito abafado, Clara se agarrou a ele, o corpo estremecendo enquanto o orgasmo a atravessava. Lucas não tirou os dedos, prolongando cada onda de prazer até que ela estivesse mole em seus braços, a respiração ofegante contra o pescoço dele.
Por um momento, só houve o som de suas respirações entrecortadas e o gotejar distante da água do chuveiro. Então, Clara ergueu a cabeça, os olhos escuros brilhando com uma promessa perigosa.
— Isso foi só o começo — ela murmurou, os dedos traçando círculos preguiçosos no peito dele. — Eu ainda não terminei com você.
Lucas sorriu, a ereção latejando dolorosamente contra o tecido da calça.
— Nem eu com você.
E antes que ela pudesse responder, ele a puxou para mais perto, os lábios buscando os dela em um beijo que deixava claro que a noite estava longe de acabar.
O beijo que se seguiu foi voraz, como se ambos tivessem guardado anos de fome nos lábios. Lucas a ergueu sem esforço, as mãos firmes sob as coxas dela, enquanto Clara enlaçava as pernas em sua cintura, os calcanhares pressionando a curva de suas nádegas. O banco de madeira do vestiário rangeu sob o peso dos dois, mas nenhum deles se importou. O que importava era a pele—quente, úmida, grudando-se onde se tocavam.
— Você é linda — ele murmurou contra a boca dela, os dentes roçando o lábio inferior antes de descer pelo queixo, pelo pescoço, até encontrar o ponto onde o pulso batia desenfreado. Clara arqueou as costas, os dedos se enroscando nos cabelos curtos da nuca dele, puxando-o mais para perto. — Toda suada, toda minha.
Ela riu, um som rouco e satisfeito, e mordeu o lóbulo da orelha dele.
— E você é todo *meu* — respondeu, a voz arrastada, enquanto as mãos desciam pelo peito largo, sentindo os músculos se contraírem sob a camiseta justa. — Mas ainda está vestido demais.
Lucas não precisou de mais incentivo. Com um movimento rápido, puxou a camiseta pela cabeça e a jogou no chão, revelando o torso esculpido, marcado por uma fina camada de suor que brilhava sob a luz fria dos refletores. Clara passou a palma da mão pelo peitoral, sentindo o calor irradiar dele, os mamilos endurecidos sob seu toque. Ele gemeu quando ela os beliscou de leve, os dedos deslizando em seguida para a linha de pelos que descia até a cintura da calça.
— Porra — ele rosnou, segurando o pulso dela antes que ela pudesse ir mais longe. — Se você fizer isso, eu não vou conseguir me controlar.
Clara sorriu, maliciosa, e se inclinou para lamber uma trilha úmida do umbigo até o pescoço dele.
— E quem disse que eu quero que você se controle?
A resposta foi um grunhido gutural enquanto Lucas a empurrava contra o espelho atrás deles. O vidro frio contrastava com o calor do corpo dela, e Clara estremeceu quando ele prensou os quadris contra os seus, a ereção evidente mesmo através do tecido da calça. As mãos dele subiram pelas coxas, puxando o short de lycra para baixo com um movimento brusco, expondo a pele macia e úmida. Ela não usava nada por baixo.
— Caralho — ele sussurrou, os dedos já explorando a umidade entre as pernas dela. Clara mordeu o lábio, os olhos se fechando por um segundo antes de se fixarem nos dele, refletidos no espelho. — Você está *encharcada*.
— É o que acontece quando você me toca — ela admitiu, a voz trêmula, enquanto ele deslizava dois dedos para dentro dela com facilidade. O gemido que escapou de sua garganta foi alto demais, ecoando pelo vestiário vazio, e Clara se agarrou aos ombros dele, as unhas cravando-se na pele. — *Mais*.
Lucas obedeceu, aumentando o ritmo, os dedos curvando-se dentro dela enquanto o polegar pressionava o clitóris em círculos lentos e torturantes. Clara se contorceu contra o espelho, as pernas tremendo, mas ele a manteve no lugar, os lábios encontrando os dela em um beijo faminto.
— Você gosta disso? — ele perguntou, a voz rouca, os dentes mordiscando o pescoço dela. — Gosta de ser tocada assim, onde qualquer um poderia entrar e te ver?
A ideia a excitou ainda mais. Clara gemeu, assentindo, e ele riu, baixo e perverso.
— Boa menina.
Mas ela não queria ser apenas boa. Queria ser *dele*. Com um movimento rápido, empurrou Lucas para trás, fazendo-o sentar no banco, e se ajoelhou entre as pernas dele. Os olhos escuros dele brilharam de antecipação quando ela desabotoou a calça, puxando-a para baixo junto com a cueca, liberando a ereção grossa e pulsante. Clara não hesitou. Envolveu a base com os dedos e passou a língua pela cabeça, sentindo o gosto salgado do pré-sêmen.
— *Porra* — Lucas gemeu, as mãos se enroscando nos cabelos dela, mas sem forçar. Apenas guiando, como se soubesse que ela queria isso tanto quanto ele. Clara o levou fundo na boca, os lábios se fechando ao redor da carne quente, a língua trabalhando em movimentos circulares enquanto as mãos massageavam as bolas pesadas. Ele estava duro como aço, latejando em sua boca, e ela adorou a sensação de poder—o jeito como ele tremia sob seu toque, como os músculos das coxas se contraíam.
— Chega — ele rosnou depois de alguns minutos, puxando-a para cima. Clara protestou, mas ele a silenciou com um beijo, as mãos descendo para agarrar suas nádegas, erguendo-a. — Eu preciso estar dentro de você. *Agora*.
Ela não discutiu. Envolveu as pernas na cintura dele enquanto Lucas a carregava até o banco mais próximo, deitando-a sobre a superfície fria. Clara arqueou as costas quando ele se ajoelhou entre suas pernas, os dedos traçando círculos preguiçosos na parte interna das coxas antes de se posicionar na entrada dela. O primeiro impulso foi lento, deliberado, como se ele quisesse sentir cada centímetro dela se abrindo para ele.
— *Lucas* — ela gemeu, as unhas cravando-se nos ombros dele quando ele finalmente a preencheu por completo. Ele parou por um segundo, os olhos fechados, a respiração irregular, como se estivesse se controlando para não perder o pouco de sanidade que ainda lhe restava.
— Você é tão apertada — ele murmurou, começando a se mover. Os primeiros movimentos foram lentos, profundos, cada estocada arrancando um gemido dela. Clara se agarrou aos braços dele, sentindo os músculos se flexionarem sob seus dedos, enquanto o ritmo aumentava. O banco rangia sob eles, o som se misturando aos gemidos abafados e ao som úmido dos corpos se encontrando.
— Mais rápido — ela pediu, a voz quebrada. — *Por favor*.
Lucas não precisou de mais incentivo. Ele a puxou para cima, sentando-se no banco com ela montada em seu colo, as mãos segurando seus quadris enquanto a fazia descer sobre ele em movimentos rápidos e profundos. Clara jogou a cabeça para trás, os cabelos úmidos grudando na pele, os seios balançando com cada movimento. Ele se inclinou para capturar um mamilo na boca, sugando com força, e ela gritou, o prazer se espalhando em ondas pelo corpo.
— É isso — ele murmurou, os dentes roçando o bico sensível antes de soltá-lo. — Goza pra mim, Clara. Quero sentir você apertando meu pau.
As palavras foram o suficiente. Clara se agarrou a ele, o corpo se contraindo enquanto o orgasmo a atingia com força, as paredes internas apertando-o em espasmos. Lucas gemeu, os dedos cravando-se em sua pele enquanto ele a seguia, o calor explodindo dentro dela em jorros quentes.
Por longos segundos, só houve o som de suas respirações ofegantes e o cheiro de suor e sexo no ar. Clara desabou contra o peito dele, os lábios encontrando o pescoço úmido, depositando beijos preguiçosos na pele salgada. Lucas passou os dedos pelos cabelos dela, os dois ainda conectados, os corações batendo no mesmo ritmo acelerado.
— Isso foi… — ela começou, mas não conseguiu encontrar as palavras.
— Inacreditável — ele completou, beijando o topo de sua cabeça. — E ainda não acabou.
Clara ergueu a cabeça, os olhos brilhando de curiosidade e desejo renovado.
— Ah, não?
Lucas sorriu, lento e perverso, e a ergueu com cuidado, colocando-a de pé.
— Não. Ainda temos toda a academia pra explorar.
Ela riu, mas o som morreu em sua garganta quando ele a puxou para mais um beijo, as mãos já explorando novos caminhos em seu corpo. O vestiário, antes apenas um lugar de passagem, agora parecia um território inteiramente deles—e eles mal haviam começado a desbravar.
O ar no vestiário ainda vibrava com a energia do que acabara de acontecer, densa como o vapor que se agarrava às paredes azulejadas. Clara sentia o peso do próprio corpo contra o banco de madeira, as pernas trêmulas, a pele marcada pelos dedos de Lucas—algumas marcas vermelhas, outras apenas uma memória quente sob a superfície. Ele estava de pé à sua frente, os músculos das coxas ainda tensionados, a respiração finalmente desacelerando, mas os olhos nunca deixando os dela. Havia algo de predatório naquele olhar, mas não da forma que assusta. Era o tipo de fome que reconhece a própria saciedade e, mesmo assim, já antecipa o próximo banquete.
Ela se apoiou nos cotovelos, o movimento fazendo os seios balançarem levemente, o suor escorrendo entre eles como um rastro de desejo que ainda não havia secado. Lucas acompanhou o movimento com os olhos, a língua passando devagar pelo lábio inferior, como se pudesse provar o gosto dela apenas com a memória.
— Você sempre some depois do treino — ele disse, a voz rouca, quase um rosnado. — Eu já tinha desistido de te encontrar aqui.
Clara sorriu, um sorriso lento, de quem sabe exatamente o efeito que causa. Passou a mão pelo próprio corpo, como se estivesse se apresentando de novo, os dedos deslizando pela barriga, pelos quadris, até se enredarem no elástico da calcinha que ele havia puxado para o lado minutos antes.
— E agora? — perguntou, arqueando uma sobrancelha. — Vai me deixar ir embora assim?
Lucas riu, um som grave que reverberou no espaço confinado. Aproximou-se em dois passos, as mãos grandes envolvendo os tornozelos dela, puxando-a para a beira do banco. O corpo de Clara reagiu instantaneamente, os mamilos endurecendo sob o tecido úmido do top, a pele arrepiada pelo contato com o ar frio do vestiário—ou talvez pelo modo como ele a olhava, como se ela fosse a única coisa no mundo que valesse a pena ser vista.
— Eu não sou idiota — murmurou, inclinando-se para beijar a parte interna da coxa dela, os lábios quentes contra a pele ainda sensível. — Mas também não sou de desperdiçar oportunidades.
Ela gemeu baixinho quando a língua dele traçou um caminho úmido até o joelho, depois subiu de volta, devagar, como se tivesse todo o tempo do mundo. Clara se inclinou para trás, apoiando as mãos no banco, os dedos cravando na madeira. O espelho à sua frente refletia os dois: ela, seminua, os cabelos escuros grudados na testa, os lábios entreabertos; ele, de joelhos, os ombros largos bloqueando parte da visão, mas não o suficiente para esconder o modo como suas mãos a seguravam, possessivas.
— Você é perigoso — ela sussurrou, mas não havia medo na voz. Apenas um desafio.
— E você adora isso — ele respondeu, erguendo os olhos para encontrar os dela. — Não finja que não.
Clara não negou. Em vez disso, estendeu a mão, puxando-o para cima, até que ele estivesse de pé entre suas pernas. O tecido da calça de Lucas estava tenso contra a virilha, e ela não resistiu ao impulso de esfregar a palma da mão ali, sentindo-o pulsar sob o toque. Ele gemeu, um som gutural, e agarrou os cabelos dela com força, puxando-a para um beijo que era mais um aviso do que uma carícia.
— Segunda-feira — ele disse, quando se afastou o suficiente para respirar. — Mesmo horário.
— Você está me dando ordens agora? — ela provocou, mas o corpo traía a excitação. As pernas se abriram um pouco mais, como se convidassem.
— Estou te dando uma chance de pensar nisso — ele corrigiu, a mão deslizando para dentro da calcinha dela, os dedos encontrando o calor úmido que ainda os esperava. — Porque eu já sei que vou passar o fim de semana inteiro imaginando como vai ser te ver suada de novo, te tocar de novo, te ouvir gemer meu nome como se fosse a única palavra que você sabe dizer.
Clara arquejou quando ele enfiou dois dedos dentro dela, o polegar pressionando o clitóris com uma precisão que a fez tremer. O espelho refletia a cena agora: ela, de olhos fechados, a boca aberta em um gemido silencioso, as costas arqueadas; ele, atrás dela, uma mão nos cabelos dela, a outra trabalhando entre suas pernas, os lábios no pescoço dela, mordiscando, lambendo, marcando.
— Você é um filho da puta — ela conseguiu dizer, mas não havia raiva na voz. Apenas rendição.
— E você é minha — ele respondeu, aumentando o ritmo dos dedos, sentindo-a se apertar ao redor deles. — Pelo menos até segunda-feira.
Clara não aguentou mais. O orgasmo a atingiu como uma onda, forte e inesperada, e ela se agarrou aos ombros dele, as unhas cravando na pele, os dentes mordendo o lábio para não gritar. Lucas a segurou enquanto ela tremia, os dedos ainda dentro dela, prolongando o prazer até que ela estivesse mole em seus braços, os olhos semicerrados, a respiração irregular.
Quando ele finalmente tirou a mão, levou os dedos à boca, lambendo-os devagar, sem desviar os olhos dos dela. Clara sentiu o corpo inteiro estremecer de novo, como se ele a tivesse tocado de novo, só com aquele gesto.
— Segunda-feira — ela repetiu, a voz fraca, mas firme. — Mas não aqui.
Lucas ergueu uma sobrancelha, curioso.
— Não?
— Não — ela confirmou, empurrando-o para trás com um sorriso malicioso. — Eu quero você na minha cama. Quero acordar com você em cima de mim. Quero que a academia seja só o começo.
Ele riu, baixo e satisfeito, e a puxou para um último beijo, longo e lento, como se estivessem selando um pacto. Quando se afastaram, Clara se levantou, pegando a toalha do chão e enrolando-a no corpo. Os olhos de Lucas a acompanharam, famintos, mas ele não a impediu.
— Segunda-feira — ele concordou, observando enquanto ela se vestia, peça por peça, como se estivesse se despindo para ele de novo. — Mas até lá… — Ele se aproximou, a mão deslizando pela cintura dela, puxando-a para perto. — Não se esqueça de quem te fez gozar hoje.
Clara riu, empurrando-o de leve, mas não resistiu quando ele a beijou mais uma vez, as mãos apertando sua bunda com força.
— Como se eu pudesse — ela murmurou contra os lábios dele. — Agora vá embora, antes que eu mude de ideia e te arraste para o chuveiro.
Lucas obedeceu, mas não sem antes dar um tapa brincalhão na bunda dela, o som ecoando pelo vestiário. Clara o viu sair pela porta, o corpo ainda formigando, a mente já antecipando os dias que viriam. Quando a porta se fechou atrás dele, ela se olhou no espelho, passando os dedos pelos lábios inchados, pelo pescoço marcado, pelos mamilos ainda duros sob o tecido do top.
A academia nunca mais seria a mesma.
E isso, ela percebeu, era exatamente o que ela queria.