Desejos entre Halteres

AcademiaPor Tonkix12 leituras
Desejos entre Halteres
A academia *Iron & Fire* ficava no décimo andar de um prédio espelhado no coração da cidade, um espaço onde o aço polido e os espelhos refletiam não só os corpos em movimento, mas também os desejos que muitos preferiam manter ocultos. Era ali, entre o cheiro de suor limpo e o som abafado das batidas eletrônicas, que Larissa Viana reinava como a personal trainer mais requisitada do lugar. Aos trinta e dois anos, ela tinha o corpo esculpido por anos de disciplina—pernas longas e definidas, braços que exibiam a força sem perder a feminilidade, e um abdômen que parecia esculpido à mão. Seu cabelo castanho, sempre preso em um rabo de cavalo alto, balançava ao ritmo dos movimentos, e seus olhos verdes, intensos como esmeraldas, não deixavam escapar nenhum detalhe quando corrigia a postura de um aluno. A rotina de Larissa era tão rigorosa quanto os treinos que ministrava. Acordava antes do amanhecer, tomava seu café preto sem açúcar e chegava à academia às seis da manhã, quando os primeiros frequentadores ainda bocejavam sonolentos. Ela adorava essa hora—o silêncio quase sagrado, interrompido apenas pelo ranger das máquinas e pelo som de sua própria respiração. Durante o dia, atendia clientes de todos os tipos: executivos estressados, donas de casa em busca de autoestima, jovens inseguros tentando se encaixar em padrões irreais. Mas havia um aluno que sempre a deixava com o pulso acelerado: Daniel. Daniel Mendes tinha vinte e oito anos, um corpo que parecia ter sido esculpido para o pecado—ombros largos, costas largas que se afunilavam em uma cintura estreita, e pernas poderosas que sustentavam cada movimento com uma graça quase felina. Ele chegara à *Iron & Fire* três meses antes, depois de uma lesão no joelho que o afastara do futebol amador. Larissa fora designada para sua reabilitação, e desde o primeiro dia, algo entre eles mudou. Não era apenas a forma como ele a olhava—como se quisesse devorá-la ali mesmo, entre os halteres e as esteiras—mas também a maneira como seus corpos pareciam se reconhecer. Um toque acidental na hora de ajustar a postura, um olhar demorado quando ele se alongava, a respiração que ficava mais pesada quando ela se aproximava para corrigir um movimento. Os treinos de Daniel eram sempre no final da tarde, quando a academia já estava mais vazia. Larissa gostava desse horário porque podia se concentrar nele sem distrações. Eles conversavam pouco—apenas o necessário para o treino—, mas os silêncios entre eles eram carregados de algo que nenhum dos dois ousava nomear. Uma tarde, enquanto ele fazia agachamentos com a barra, ela se aproximou para ajustar a posição de seus pés. Suas mãos roçaram a pele quente de suas panturrilhas, e ela sentiu o músculo se contrair sob seus dedos. Daniel soltou um grunhido baixo, e quando ela ergueu os olhos, encontrou os dele fixos nela, escuros de desejo. — Desculpa — ela murmurou, afastando-se um pouco, mas sem conseguir tirar os olhos dele. — Não precisa se desculpar — ele respondeu, a voz rouca. — Eu gosto quando você me toca. Larissa sentiu o calor subir pelo pescoço, mas não disse nada. Apenas assentiu e continuou o treino, tentando ignorar o modo como seu próprio corpo reagia à presença dele. Aquela sexta-feira começou como qualquer outra. Larissa terminou seu último treino do dia às oito da noite e, como de costume, ficou para organizar os equipamentos e conferir a agenda do dia seguinte. A academia já estava vazia, as luzes principais apagadas, deixando apenas o brilho suave das lâmpadas de emergência e o reflexo das luzes da cidade através das janelas de vidro. Ela estava no escritório, digitando no computador, quando ouviu a porta se abrir. Virou-se, esperando encontrar um funcionário da limpeza, mas deu de cara com Daniel, parado na entrada, com uma toalha pendurada no ombro e uma garrafa de água na mão. — Oi — ele disse, sorrindo. — Esqueci meu celular aqui mais cedo. Achei que ainda encontraria alguém. Larissa olhou para o relógio na parede. Eram quase nove da noite. — Você sempre treina tão tarde? — Só quando não consigo dormir — ele respondeu, dando de ombros. — E hoje foi uma dessas noites. Ela assentiu, tentando ignorar o modo como seu coração acelerou. Daniel estava usando uma regata preta que deixava à mostra os braços musculosos e uma bermuda cinza que caía baixa nos quadris. O suor ainda brilhava em sua pele, e ela sentiu o cheiro dele—uma mistura de sabonete, suor limpo e algo mais primitivo, que fez seu estômago se contrair. — Eu já estava indo embora — ela mentiu, fechando o computador. — Mas posso te ajudar a procurar. — Obrigado. Eles saíram do escritório e caminharam em direção à sala de musculação. A academia parecia diferente à noite, mais íntima, como se as paredes tivessem se fechado ao redor deles. O ar-condicionado estava no mínimo, e o calor do corpo de Daniel parecia irradiar em ondas, envolvendo-a. Larissa se abaixou para olhar embaixo de um banco, e quando se levantou, encontrou-o parado bem à sua frente, os olhos fixos nela. — Não está aqui — ela disse, tentando manter a voz firme. — Não — ele concordou, mas não se moveu. — Mas eu não me importo. O silêncio entre eles se estendeu, carregado de tensão. Larissa podia ouvir sua própria respiração, rápida e superficial, e o som do sangue pulsando em seus ouvidos. Daniel deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles, e ela não recuou. Ele ergueu a mão devagar, como se pedisse permissão, e quando seus dedos roçaram a pele exposta de seu braço, ela estremeceu. — Larissa — ele murmurou, a voz rouca. — Eu não aguento mais fingir que não quero isso. Ela deveria ter dito não. Deveria ter se afastado, lembrado das regras, do profissionalismo, de tudo o que poderia perder. Mas quando ele se inclinou e seus lábios se encontraram, ela não pensou em nada disso. Apenas fechou os olhos e deixou que o desejo a consumisse. O beijo foi lento no começo, exploratório, como se ambos estivessem testando os limites do que era permitido. Mas então Daniel a puxou para mais perto, suas mãos grandes envolvendo sua cintura, e o beijo se tornou mais profundo, mais urgente. Larissa sentiu o gosto dele—menta e algo mais escuro, mais primitivo—e gemeu contra sua boca. Suas mãos subiram pelo peito dele, sentindo os músculos firmes sob a regata, e quando ele a empurrou contra a parede mais próxima, ela não resistiu. — Eu quero você — ele sussurrou contra seus lábios, as mãos deslizando por suas costas, puxando-a para mais perto. — Desde o primeiro dia. Larissa não respondeu com palavras. Em vez disso, puxou a regata dele para cima, arrancando-a com um movimento rápido. A pele de Daniel estava quente, úmida de suor, e ela não conseguiu resistir—seus lábios encontraram o peito dele, beijando, lambendo, sentindo o gosto salgado enquanto ele gemia e enredava os dedos em seu cabelo. — Porra, Larissa — ele grunhiu, puxando-a de volta para um beijo mais intenso. — Você não faz ideia do que eu quero fazer com você. Ela fez. Porque ela queria a mesma coisa. Daniel a ergueu sem esforço, suas mãos grandes segurando suas coxas enquanto a carregava até a sala de massagem no fundo da academia. As luzes estavam apagadas, mas a lua cheia entrava pela janela, banhando o ambiente em um brilho prateado. Ele a deitou na maca, seus corpos ainda colados, e por um momento, apenas se olharam, ofegantes. — Tem certeza? — ele perguntou, a voz rouca. Larissa respondeu puxando-o para baixo, seus lábios se encontrando novamente em um beijo faminto. Não havia mais espaço para dúvidas. Daniel desceu as alças do top esportivo dela com uma lentidão agonizante, seus dedos traçando um caminho de fogo pela pele exposta. Quando o tecido caiu, revelando seus seios, ele soltou um gemido baixo, como se estivesse diante de algo sagrado. Seus lábios encontraram um mamilo, sugando com força, e Larissa arqueou as costas, um gemido escapando de sua garganta. — Você é linda — ele murmurou, passando a língua pelo bico rígido antes de se mover para o outro. — Tão perfeita. Larissa não conseguia falar. Apenas enredou os dedos em seu cabelo, puxando-o para mais perto, sentindo o calor de sua boca, a pressão de seus dentes, a umidade de sua língua. Daniel desceu as mãos por seu corpo, puxando a legging para baixo junto com a calcinha, deixando-a completamente nua. Ele se ajoelhou entre suas pernas, seus olhos escuros fixos nos dela enquanto seus dedos exploravam a pele sensível de suas coxas. — Eu quero provar você — ele disse, a voz rouca de desejo. — Quero sentir você gozar na minha boca. Larissa não teve tempo de responder. Daniel abaixou a cabeça, sua língua encontrando o centro de seu prazer com uma precisão devastadora. Ela gritou, as mãos agarrando os lençóis enquanto ele a devorava, sua língua movendo-se em círculos lentos e torturantes. Cada movimento era calculado, cada lambida uma promessa de mais, e ela sentiu o orgasmo se aproximando como uma onda, pronta para quebrar sobre ela. — Daniel… — ela gemeu, seu corpo tremendo. — Eu vou… — Goza pra mim — ele ordenou, seus dedos se juntando à língua, penetrando-a enquanto sua boca continuava o ataque implacável. E ela gozou. Com um grito rouco, seu corpo se arqueou, os músculos se contraindo enquanto o prazer a atravessava em ondas. Daniel não parou, prolongando o orgasmo até que ela estivesse mole, ofegante, completamente entregue. Quando ele se levantou, Larissa viu o brilho de sua própria excitação em seus lábios e sentiu uma nova onda de desejo. Ela se sentou, puxando-o para perto, seus lábios encontrando os dele em um beijo profundo, sentindo o gosto de si mesma em sua boca. Suas mãos desceram para a bermuda dele, puxando-a para baixo junto com a cueca, liberando sua ereção. Daniel estava duro, a pele quente e sedosa sob seus dedos. Larissa o envolveu com a mão, movendo-se devagar, sentindo-o pulsar enquanto ele gemia contra seus lábios. — Porra, Larissa — ele grunhiu, suas mãos agarrando seus quadris. — Eu preciso estar dentro de você. Ela não respondeu. Apenas o empurrou de volta para a maca, montando nele com um movimento fluido. Daniel a segurou pelos quadris, guiando-a enquanto ela o envolvia, centímetro por centímetro, até que estivessem completamente unidos. Os dois gemeram ao mesmo tempo, o prazer tão intenso que quase doía. Larissa começou a se mover, devagar no começo, sentindo cada centímetro dele dentro de si. Mas logo a necessidade tomou conta, e ela acelerou o ritmo, seus quadris batendo contra os dele enquanto ele a segurava com força, seus dedos deixando marcas em sua pele. Daniel se sentou, envolvendo-a em seus braços, sua boca encontrando um seio enquanto ela continuava a se mover, cada estocada mais profunda, mais intensa. — Você é minha — ele grunhiu contra sua pele, suas mãos descendo para agarrar suas nádegas, puxando-a com mais força contra ele. — Toda minha. Larissa não respondeu. Apenas jogou a cabeça para trás, sentindo o orgasmo se aproximando novamente, mais forte desta vez. Daniel sentiu também, e seus movimentos se tornaram mais urgentes, mais desesperados. Quando ela gozou, ele a seguiu, seu corpo se contraindo enquanto o prazer o atravessava, seus gemidos se misturando aos dela em uma sinfonia de desejo saciado. Eles ficaram ali, ofegantes, os corpos entrelaçados, o suor misturando-se enquanto a realidade lentamente voltava. Larissa se deitou sobre o peito dele, sentindo o ritmo acelerado de seu coração, e por um momento, tudo pareceu perfeito. Mas então a realidade se impôs. Ela se afastou, olhando ao redor da sala de massagem, as luzes da cidade refletindo em seus olhos. — Isso não pode acontecer de novo — ela murmurou, mais para si mesma do que para ele. Daniel não respondeu. Apenas a puxou de volta para seus braços, seus lábios encontrando os dela em um beijo suave. — Já aconteceu — ele disse, simplesmente. — E não vou deixar você fingir que não quer isso tanto quanto eu. Larissa sabia que ele tinha razão. Mas isso não tornava as coisas mais fáceis. Enquanto se vestiam em silêncio, o peso do que haviam feito pairava entre eles. A academia, que antes era apenas um lugar de trabalho, agora parecia diferente—carregada de memórias, de promessas não ditas. Quando saíram juntos, a noite já estava avançada, e as ruas da cidade brilhavam sob as luzes dos postes. Daniel segurou a mão dela por um momento, seus dedos entrelaçados, antes de soltá-la com um suspiro. — Até segunda — ele disse, sorrindo. Larissa assentiu, mas não respondeu. Apenas o observou se afastar, sabendo que, na segunda-feira, tudo seria diferente. E que, de alguma forma, nada seria o mesmo.

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