Sombras do Desejo Noturno

AcademiaPor Tonkix14 leituras
Sombras do Desejo Noturno
A academia *Iron & Fire* fechava suas portas ao público às vinte e duas horas, mas para Clara Mendes, o verdadeiro trabalho só começava depois que o último aluno deixava o estacionamento vazio. Ela gostava daquele silêncio, da maneira como os espelhos refletiam apenas sua sombra enquanto ajustava os pesos nas máquinas, como se o espaço inteiro lhe pertencesse. Casada há oito anos com Ricardo, um advogado bem-sucedido que passava mais tempo no escritório do que em casa, Clara havia encontrado naquelas paredes de concreto e metal uma espécie de refúgio. Ali, não era apenas a esposa dedicada, a mulher que organizava jantares para clientes do marido ou sorria educadamente nas festas da firma. Ali, ela era forte. Era desejada. E, acima de tudo, era vista. O horário pós-expediente tinha se tornado seu segredo mais delicioso. Enquanto os funcionários da limpeza passavam pano nos aparelhos e esvaziavam as lixeiras, Clara se dedicava a clientes particulares que pagavam a mais pelo privilégio de treinar com ela quando a academia estava vazia. Eram poucos, selecionados a dedo — homens que entendiam que o preço incluía discrição, além de resultados. Ela gostava de controlar cada detalhe: a música baixa, o cheiro de desinfetante misturado ao suor fresco, a maneira como a luz dos refletores deixava sua pele dourada ainda mais brilhante sob o tecido justo do top esportivo. Mas naquela noite, algo estava diferente. Ou melhor, alguém. Daniel havia chegado duas semanas antes, recomendado por um amigo em comum. Alto, ombros largos, o tipo de corpo que não precisava de academia para chamar atenção, mas que claramente sabia como esculpir cada músculo com precisão. Ele tinha trinta e quatro anos, era divorciado e, segundo as poucas informações que ela conseguira arrancar, trabalhava com importação de vinhos. Nada disso importava. O que importava era a maneira como seus olhos verdes a acompanhavam enquanto ela demonstrava os movimentos, como se cada curva de seu corpo fosse um enigma que ele estava determinado a decifrar. E, Deus, como ele cheirava. Um perfume amadeirado, com um toque de algo cítrico, que parecia grudar na pele dela sempre que ele se aproximava para corrigir sua postura. — Você está inclinando demais o quadril — ele murmurou, a voz rouca, enquanto suas mãos grandes envolviam sua cintura para ajustar o movimento. — Assim, veja. Clara sentiu o calor das palmas dele através do tecido fino do short, os dedos pressionando levemente a curva de seu quadril. Ela engoliu em seco, tentando se concentrar na série de agachamentos, mas o contato era como uma corrente elétrica, fazendo sua respiração falhar por um segundo. Daniel não se afastou. Em vez disso, seus dedos deslizaram um pouco mais, traçando uma linha lenta até a parte baixa de suas costas. — Melhor? — ela perguntou, a voz saindo mais ofegante do que pretendia. — Muito — ele respondeu, mas seus olhos não estavam no exercício. Naquela noite, Clara dispensou os funcionários da limpeza mais cedo, alegando que terminaria de fechar a academia sozinha. Era mentira, mas uma mentira necessária. Quando a última porta se fechou com um clique, ela se virou para Daniel, que estava sentado no banco de supino, secando o suor da testa com uma toalha. O silêncio entre eles era carregado, como o ar antes de uma tempestade. — Você sempre treina tão tarde? — ele perguntou, jogando a toalha de lado. — Só quando tenho clientes especiais — ela respondeu, aproximando-se devagar. — E o que faz de mim especial? Clara não respondeu com palavras. Em vez disso, parou entre as pernas dele, seus joelhos quase tocando os dele. Daniel ergueu o rosto, os olhos verdes escurecidos, a respiração já acelerada. Ela podia ver o contorno do desejo dele pressionando o tecido da calça de treino, e a visão fez seu próprio corpo responder, um calor úmido se acumulando entre suas coxas. — Você sabe exatamente o que faz — ela sussurrou, inclinando-se para frente até que seus lábios estivessem a centímetros dos dele. — Ou precisa que eu mostre? Daniel não esperou pela resposta. Suas mãos subiram pelas coxas dela, puxando-a para mais perto, até que Clara estivesse montada em seu colo, os joelhos apoiados no banco. O primeiro beijo foi faminto, como se ambos estivessem esperando por aquilo há semanas. A língua dele invadiu sua boca com urgência, explorando, provando, enquanto suas mãos apertavam sua bunda, puxando-a contra seu corpo. Clara gemeu contra seus lábios, sentindo a dureza dele pressionando exatamente onde ela mais precisava. Ela se moveu instintivamente, rebolando devagar, sentindo o atrito delicioso através das camadas de tecido. — Porra, Clara — ele rosnou, afastando-se apenas o suficiente para respirar. — Você vai me matar antes do fim do treino. Ela sorriu, mordendo o lábio inferior. — Então vamos pular a parte chata. Com um movimento rápido, Clara desceu do colo dele e se ajoelhou no chão, entre suas pernas. Os olhos de Daniel se arregalaram, mas ele não protestou quando ela puxou o elástico da calça de treino, liberando-o. Ele estava duro, a pele quente e sedosa sob seus dedos. Clara não hesitou. Inclinou-se para frente e o envolveu com a boca, sentindo-o pulsar contra sua língua. Daniel gemeu alto, as mãos se enroscando em seus cabelos, puxando levemente enquanto ela o levava mais fundo. — Caralho, assim — ele murmurou, a voz rouca. — Chupa devagar… isso. Ela obedeceu, movendo a cabeça em um ritmo lento, alternando entre chupadas profundas e lambidas preguiçosas na ponta. Cada vez que ele gemia ou apertava seus cabelos, uma onda de prazer percorria seu corpo, fazendo seu próprio desejo crescer. Ela podia sentir sua umidade escorrendo pelas coxas, o short grudando em sua pele. — Chega — Daniel disse de repente, puxando-a para cima. — Eu quero você agora. Antes que ela pudesse protestar, ele a levantou com facilidade, como se ela não pesasse nada, e a carregou até o espaldar, pressionando suas costas contra a estrutura de metal frio. Clara ofegou com o contraste de temperaturas — o calor do corpo dele contra o frio do aço. Daniel não perdeu tempo. Com uma mão, puxou o top dela para cima, expondo os seios, enquanto a outra deslizava por dentro do short, encontrando-a molhada e pronta. — Sempre tão preparada — ele murmurou, os dedos deslizando para dentro dela com facilidade. Clara arqueou as costas, gemendo alto quando ele começou a movê-los devagar, depois mais rápido, enquanto seu polegar pressionava o ponto certo. — Você gosta de ser tocada aqui, não é? — Sim — ela gemeu, as unhas cravando em seus ombros. — Mais forte. Daniel obedeceu, aumentando o ritmo, mas antes que ela pudesse chegar ao limite, ele parou. Clara abriu os olhos, confusa, e o viu sorrindo de forma perversa. — Ainda não — ele disse, puxando os dedos para fora e lambendo-os lentamente, sem desviar os olhos dos dela. — Eu quero sentir você gozando em mim. Com um movimento rápido, ele puxou o short dela para baixo, deixando-o cair no chão. Clara chutou-o para longe, as pernas tremendo de antecipação. Daniel se ajoelhou diante dela, as mãos segurando suas coxas com firmeza. — Segure no espaldar — ele ordenou. Ela obedeceu, os dedos se fechando em torno das barras de metal enquanto ele inclinava a cabeça e a beijava entre as pernas. A primeira lambida foi lenta, deliberada, fazendo seu corpo inteiro estremecer. Daniel não tinha pressa. Ele explorou cada centímetro dela com a língua, alternando entre movimentos circulares e chupadas leves, até que Clara estivesse se contorcendo, os gemidos ecoando pelas paredes vazias da academia. — Por favor — ela implorou, puxando seus cabelos. — Eu preciso… — Do quê? — ele perguntou, afastando-se apenas o suficiente para olhar para ela, os lábios brilhando. — Diga. — De você dentro de mim — ela admitiu, a voz trêmula. Daniel não precisou ouvir duas vezes. Ele se levantou, puxando-a para um beijo profundo, deixando que ela provasse seu próprio gosto em sua boca. Então, com um movimento rápido, ele a virou de costas para ele, pressionando-a contra o espaldar. Clara sentiu as mãos dele em seus quadris, posicionando-a, e então ele entrou nela com um único movimento firme. — Ah, Deus — ela gemeu, as unhas arranhando o metal enquanto ele começava a se mover. Daniel não foi gentil. Cada estocada era profunda, possessiva, como se ele quisesse marcá-la por dentro. Clara arqueou as costas, empurrando-se contra ele, sentindo-o atingir cada ponto certo. O som de seus corpos se chocando ecoava pela academia, misturado aos gemidos e respirações ofegantes. — Você é minha agora — ele rosnou em seu ouvido, a voz rouca de desejo. — Diga. — Sua — ela repetiu, sentindo o orgasmo se aproximando como uma onda. — Só sua. Daniel acelerou o ritmo, as mãos apertando seus quadris com força suficiente para deixar marcas. Clara sentiu o prazer explodir dentro dela, seu corpo inteiro tremendo enquanto o orgasmo a atravessava. Ele não parou. Continuou se movendo, prolongando a sensação, até que ela sentiu-o pulsar dentro dela, um gemido rouco escapando de seus lábios enquanto ele gozava. Por um momento, nenhum dos dois se moveu. Clara estava pressionada contra o espaldar, os braços tremendo, a respiração ainda acelerada. Daniel estava atrás dela, o peito colado em suas costas, a testa apoiada em seu ombro. Então, lentamente, ele se afastou, puxando-a para um abraço. Clara se virou, envolvendo os braços em torno do pescoço dele, sentindo o suor misturado em suas peles. — Isso foi… — ela começou, mas não conseguiu encontrar as palavras. — Intenso — ele completou, beijando sua testa. — E vai acontecer de novo. Clara sorriu, mas antes que pudesse responder, o som de uma chave girando na fechadura da porta da frente fez os dois congelarem. Daniel olhou para ela, os olhos arregalados. — Você disse que tinha fechado a academia. — Eu fechei — ela sussurrou, o coração batendo forte. — Mas Ricardo tem uma cópia da chave. Os passos ecoaram pelo corredor, cada vez mais próximos. Clara se afastou de Daniel, pegando suas roupas do chão com mãos trêmulas. Ele fez o mesmo, vestindo-se rapidamente enquanto lançava olhares nervosos para a porta. — O que você vai fazer? — ele perguntou, a voz baixa. Clara respirou fundo, tentando acalmar o pânico crescente. — Eu cuido disso. Vá para os vestiários. Tem uma saída pelos fundos. Daniel hesitou por um segundo, mas então assentiu, desaparecendo pelo corredor. Clara terminou de se vestir, arrumando o cabelo com os dedos, quando a porta se abriu e Ricardo entrou, o terno impecável, a expressão cansada. — O que você está fazendo aqui tão tarde? — ele perguntou, franzindo a testa. Clara forçou um sorriso, tentando ignorar o suor ainda fresco em sua pele e o cheiro de sexo que pairava no ar. — Treinando um cliente. Você sabe como é, horários flexíveis. Ricardo olhou ao redor, os olhos estreitando-se levemente. — E onde ele está? — Já foi embora — ela respondeu, cruzando os braços. — O que você está fazendo aqui? — Esqueci uns documentos no carro — ele disse, aproximando-se. — E achei estranho as luzes ainda estarem acesas. Clara sentiu o coração na garganta, mas manteve a expressão neutra. — Eu ia desligar agora. Quer que eu te acompanhe até o estacionamento? Ricardo a observou por um longo momento, como se estivesse tentando ler algo em seu rosto. Então, balançou a cabeça. — Não precisa. Eu já estou indo. Ele se virou para sair, mas parou na porta, olhando para trás. — Clara. — Sim? — Você está diferente. Ela sustentou o olhar dele, sentindo o peso daquelas palavras. — Como assim? Ricardo hesitou, como se estivesse escolhendo as palavras com cuidado. — Mais… viva. E então, sem esperar por uma resposta, ele saiu, deixando-a sozinha na academia vazia. Clara ficou parada por um momento, ouvindo o som dos passos dele se afastando, o motor do carro ligando, os pneus rangendo no asfalto. Quando teve certeza de que ele havia ido embora, ela soltou o ar que estava prendendo, as pernas fraquejando. Daniel apareceu no corredor, já vestido, a expressão preocupada. — Ele suspeitou de alguma coisa? Clara balançou a cabeça, mas não respondeu. Em vez disso, caminhou até ele, envolvendo os braços em torno de sua cintura. — Da próxima vez — ela murmurou contra seu peito —, vamos para um lugar onde não corramos o risco de sermos pegos. Daniel sorriu, inclinando o rosto para beijá-la. — Eu conheço um hotel bem discreto perto daqui. Clara riu baixinho, mas então seu sorriso desapareceu quando uma ideia cruzou sua mente. Uma ideia perigosa, tentadora. — Ou… — ela disse, os dedos deslizando pelo peito dele. — Podemos continuar aqui. Só precisamos ser mais cuidadosos. Daniel ergueu uma sobrancelha, intrigado. — O que você está sugerindo? Clara olhou para o espaldar, lembrando-se da sensação do metal frio contra sua pele, do peso do corpo dele dentro dela. — Que a gente use a academia inteira. Cada aparelho. Cada canto. Os olhos de Daniel escureceram, o desejo voltando com força total. — Você é perigosa, Clara Mendes. Ela sorriu, puxando-o para mais perto. — Você ainda não viu nada.

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