Sede de Aço e Desejo

A academia *Iron Forge* ficava num prédio de esquina no centro da cidade, um daqueles lugares que pareciam mais um templo do aço do que um simples espaço de musculação. As paredes de vidro refletiam a luz dourada do fim de tarde, tingindo os equipamentos de um tom âmbar enquanto os últimos raios de sol se infiltravam pelas persianas entreabertas. Era uma daquelas noites em que o ar pesava, carregado de promessas não ditas, e o silêncio após o horário de pico deixava apenas o zumbido baixo dos ventiladores e o ocasional rangido de uma barra de ferro sendo apoiada no suporte.
Larissa ajustou os fones de ouvido, mas não ligou a música. Gostava de ouvir os sons da academia quando estava sozinha—o som dos pesos caindo, o assobio da respiração controlada, o estalo suave dos dedos estalando antes de um novo set. Como personal trainer, passava horas ali, mas havia algo diferente naquela noite. Talvez fosse o fato de que, pela primeira vez em semanas, seu último aluno do dia era Daniel, um homem que ocupava mais espaço em seus pensamentos do que deveria.
Ele estava no canto da sala de musculação, terminando uma série de agachamentos com a barra nas costas. O suor escorria pelas têmporas, desenhando trilhas brilhantes sobre a pele morena, e os músculos das coxas se contraíam a cada movimento lento e controlado. Larissa observou-o por alguns segundos antes de se aproximar, os passos abafados pelo piso de borracha. Daniel ergueu os olhos quando ela parou ao seu lado, um sorriso preguiçoso curvando os lábios.
— Terminou? — ela perguntou, cruzando os braços sobre o top esportivo que moldava os seios firmes. O tecido era fino o suficiente para deixar transparecer o contorno dos mamilos, já endurecidos pelo ar-condicionado.
— Quase. — A voz dele era rouca, como se tivesse engolido areia. — Só mais duas.
Larissa assentiu, mas não se afastou. Ficou ali, observando-o descer e subir, os glúteos se contraindo sob o short de compressão, as veias dos antebraços saltando a cada impulso. Quando ele finalmente apoiou a barra no suporte e se endireitou, o peito largo subia e descia em ritmo acelerado.
— Bom trabalho — ela murmurou, estendendo a garrafa de água para ele. — Bebe.
Daniel pegou a garrafa, os dedos roçando nos dela por um segundo a mais do que o necessário. Bebeu um longo gole, os olhos nunca deixando os dela, e quando abaixou a garrafa, uma gota de água escorreu pelo canto da boca. Larissa sentiu o calor subir pelo pescoço.
— Preciso de um alongamento hoje — ele disse, passando a língua pelos lábios. — As costas estão travadas.
Ela sabia que não era apenas nas costas que ele estava tenso. Desde que começara a treiná-lo, três meses antes, havia notado a forma como ele a olhava—não com a admiração inocente de um aluno, mas com algo mais faminto. E, Deus a perdoasse, ela também o observava. A forma como os bíceps inchavam quando ele segurava os halteres, como os ombros largos se curvavam levemente ao se concentrar, como o suor fazia a pele brilhar sob as luzes frias da academia.
— Vamos para o tatame — ela disse, tentando manter a voz firme. — Lá atrás.
O espaço dos alongamentos ficava num canto mais isolado da academia, separado por uma parede baixa de vidro jateado. Quando entraram, o ar parecia mais denso, como se o próprio ambiente estivesse prendendo a respiração. Larissa acendeu apenas uma luminária de chão, deixando o resto do espaço na penumbra. O brilho suave destacava os contornos dos músculos de Daniel, as sombras dançando sobre a pele úmida.
— Deita — ela ordenou, apontando para o colchonete.
Ele obedeceu, estendendo-se de bruços, os braços esticados acima da cabeça. Larissa ajoelhou-se ao lado dele, as coxas pressionando levemente contra o quadril dele. O contato foi breve, mas suficiente para fazer o sangue latejar entre as pernas dela.
— Relaxa — ela murmurou, pressionando as palmas das mãos contra as escápulas dele. — Respira fundo.
Daniel soltou o ar devagar, os músculos das costas cedendo sob o toque. Larissa deslizou as mãos para baixo, seguindo a linha da coluna, os polegares pressionando pontos de tensão. Ele gemeu baixinho quando ela alcançou a lombar, um som que fez o estômago dela se contrair.
— Aqui? — ela perguntou, massageando em círculos lentos.
— Isso… — A voz dele saiu abafada pelo colchonete. — Mais forte.
Larissa aumentou a pressão, as unhas curtas arranhando levemente a pele. Daniel arqueou as costas de leve, como um gato se espreguiçando, e ela sentiu o calor do corpo dele se infiltrar no dela. Quando suas mãos desceram até a cintura, os dedos roçando a borda do short, ele virou a cabeça de lado, os olhos escuros fixos nela.
— Você gosta de me torturar, não é?
Ela sorriu, os lábios se curvando num canto.
— Só estou fazendo meu trabalho.
— Seu trabalho não inclui isso — ele disse, a voz rouca, enquanto os dedos dela deslizavam por baixo do elástico do short, tocando a pele nua da bunda.
Larissa não respondeu. Em vez disso, inclinou-se para frente, os seios pressionando contra as costas dele enquanto suas mãos exploravam mais fundo. Daniel soltou um suspiro entrecortado quando ela encontrou o ponto exato onde a tensão se acumulava, os dedos massageando em movimentos circulares.
— Porra… — ele gemeu, os quadris se movendo involuntariamente contra o colchonete.
Larissa sentiu o calor se espalhar pelo próprio corpo, a umidade se acumulando entre as pernas. Ela se inclinou ainda mais, os lábios roçando a orelha dele.
— Você está duro — ela sussurrou.
Daniel virou a cabeça, os olhos queimando nos dela.
— E você está molhada.
Ela não negou. Em vez disso, puxou o short dele para baixo, expondo a pele bronzeada e os músculos definidos das coxas. Ele se virou de lado, o corpo inteiro tenso, e Larissa não perdeu tempo. Desceu os lábios pelo pescoço dele, os dentes mordiscando de leve a clavícula, enquanto as mãos deslizavam pelo peito, sentindo o coração bater acelerado sob a pele.
— Larissa… — ele murmurou, os dedos enroscando nos cabelos dela.
— Shhh — ela silenciou, a boca descendo pelo abdômen, os lábios traçando cada sulco dos músculos. Quando alcançou o cós do short, puxou-o para baixo com os dentes, liberando a ereção que já se projetava, grossa e pulsante.
Daniel soltou um gemido rouco quando ela envolveu a base com os dedos, a língua deslizando pela ponta em movimentos lentos e deliberados. Larissa o tomou na boca devagar, sentindo-o preencher cada centímetro, os lábios se esticando ao redor da espessura. Ele gemeu, os quadris se erguendo levemente, e ela o segurou com firmeza, os dedos apertando a base enquanto a boca trabalhava em movimentos ritmados.
— Caralho… — ele arfou, os dedos se enroscando mais forte nos cabelos dela. — Assim você me mata.
Larissa o soltou com um estalo molhado, os lábios brilhando.
— Ainda não — ela disse, subindo pelo corpo dele, as mãos apoiadas no peito largo. — Quero mais.
Daniel não precisou de mais incentivo. Em um movimento rápido, rolou os dois, prendendo-a sob o peso do próprio corpo. Larissa arqueou as costas quando ele rasgou o top esportivo, expondo os seios. Os lábios dele encontraram um mamilo, sugando com força enquanto as mãos exploravam o corpo dela, arrancando gemidos baixos.
— Você é linda — ele murmurou contra a pele dela, os dentes mordiscando de leve o vale entre os seios. — Tão linda que dói.
Larissa enroscou as pernas ao redor da cintura dele, os calcanhares pressionando a bunda firme.
— Então me faz sentir — ela pediu, a voz rouca de desejo.
Daniel não hesitou. Com um movimento rápido, arrancou o short dela, deixando-a completamente nua sob o corpo quente. Larissa sentiu o ar frio da academia contrastar com o calor da pele dele quando ele se posicionou entre as pernas, a ponta da ereção roçando a entrada úmida.
— Porra, você está encharcada — ele gemeu, os dedos deslizando para dentro dela com facilidade.
Larissa arqueou as costas, os quadris se movendo em busca de mais.
— Daniel… — ela implorou, os dedos cravando nos ombros largos.
Ele não a fez esperar. Com um impulso firme, entrou nela, preenchendo-a por completo. Larissa soltou um grito abafado, as unhas arranhando as costas dele enquanto ele começava a se mover, cada estocada lenta e profunda. O som dos corpos se chocando ecoava pelo espaço vazio da academia, misturando-se aos gemidos roucos e aos suspiros entrecortados.
— Mais forte — ela pediu, as pernas apertando a cintura dele.
Daniel obedeceu, aumentando o ritmo, os quadris batendo contra os dela com força. Larissa sentiu o prazer se acumular no ventre, cada movimento dele levando-a mais perto do limite. Quando ele mudou o ângulo, atingindo um ponto que fez estrelas explodirem atrás das pálpebras, ela não conseguiu segurar.
— Vou gozar — ela arfou, o corpo inteiro tremendo.
— Goza pra mim — ele ordenou, os dentes mordendo o lóbulo da orelha dela.
O orgasmo a atingiu como uma onda, o corpo se contraindo ao redor dele enquanto gritava o nome dele. Daniel não parou, continuando a se mover até que sentiu o próprio clímax se aproximar. Com um gemido rouco, ele se retirou no último segundo, derramando-se sobre o ventre dela, os jatos quentes marcando a pele.
Os dois ficaram ali, ofegantes, os corpos suados colados um ao outro. Larissa passou os dedos pelos cabelos úmidos dele, sentindo o coração bater acelerado contra o peito.
— Isso foi… — ela começou, mas não terminou a frase.
— Inesperado — ele completou, beijando-a devagar.
Larissa sorriu, mas havia algo nos olhos dele que a fez hesitar. Antes que pudesse perguntar, o som distante de uma porta se abrindo ecoou pela academia.
— Merda — ela sussurrou, levantando-se rapidamente. — Tem alguém aqui.
Daniel se vestiu em segundos, os olhos varrendo o espaço como se procurasse uma saída. Larissa pegou o top rasgado, tentando cobrir os seios, mas sabia que era tarde demais. Os passos se aproximavam, e quando a porta do espaço de alongamento se abriu, ela encontrou o olhar surpreso de Marcos, o dono da academia.
— Larissa? — ele disse, os olhos indo dela para Daniel e voltando. — O que está acontecendo aqui?
Ela abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu. E então, como se o universo estivesse conspirando contra ela, o celular de Daniel vibrou no chão, iluminando a tela com uma mensagem de uma mulher chamada *Ana*: *"Vai demorar? Estou esperando você em casa."*
Larissa sentiu o chão se abrir sob os pés. Daniel pegou o celular, o rosto pálido.
— Larissa, eu posso explicar…
Mas ela já estava se afastando, os olhos ardendo.
— Não precisa — ela disse, a voz fria. — Acho que já entendi tudo.