Entre Lençóis e Suspiros

Primeira VezPor Tonkix5 leituras
Entre Lençóis e Suspiros
**Entre Lençóis e Suspiros** A galeria respirava um ar denso, carregado de pigmentos e murmúrios. As paredes brancas, imaculadas, serviam de tela para o caos controlado das pinceladas—manchas de azul petróleo que se esparramavam como ondas prestes a quebrar, riscos vermelhos que cortavam o espaço como veias pulsantes, e um amarelo ocre que, em algum ponto, se dissolvia em sombras quase imperceptíveis. Era uma exposição coletiva, mas uma pintura em particular parecia sugar a atenção de quem passava por ela, como se guardasse um segredo entre as camadas de tinta. Lucas ajustou os óculos de armação fina, os dedos levemente trêmulos ao segurar a taça de espumante quase intocada. Arquitetura, para ele, sempre fora uma questão de linhas precisas, de cálculos que não deixavam margem para o acaso. Mas ali, diante daquela tela, sentia-se desarmado. As formas não obedeciam a nenhuma lógica cartesiana; eram puro instinto, pura emoção derramada sobre a tela. E, no entanto, havia algo de *familiar* naquilo—como se as cores soubessem mais sobre ele do que ele próprio. — Você também está preso nela, não está? A voz surgiu ao seu lado, baixa e levemente rouca, como se tivesse sido arrastada por entre as mesmas pinceladas que os prendiam ali. Lucas virou-se devagar, sentindo o peso do olhar antes mesmo de vê-lo. Sofia estava ali, os cabelos castanhos caindo em ondas soltas sobre os ombros, os lábios entreabertos em um sorriso que não era bem um sorriso—era um convite, ou talvez um desafio. Usava um vestido preto, simples, mas que moldava seu corpo de um jeito que fazia o tecido parecer uma extensão de sua pele. Os olhos, verdes como musgo úmido, brilhavam com uma intensidade que o fez prender a respiração. — É difícil não estar — ele admitiu, voltando os olhos para a pintura. — Parece que ela está respirando. Sofia inclinou a cabeça, os dedos finos segurando uma taça de vinho tinto que já deixara marcas rubras no cristal. Ela não bebeu; apenas girou o líquido devagar, como se medisse as palavras antes de deixá-las escapar. — Ou que está nos observando. — Sua voz era um fio de seda arrastado sobre a pele. — Às vezes, a arte não é sobre o que vemos, mas sobre o que ela *nos faz sentir*. E essa aqui… — ela fez uma pausa, os lábios se curvando em algo mais perigoso — …essa aqui parece saber exatamente o que quer de nós. Lucas sentiu o calor subir pelo pescoço. Não era apenas a proximidade física—embora ela estivesse perto o suficiente para que o perfume de jasmim e tinta a óleo chegasse até ele, misturado a algo mais primitivo, como suor fresco e pele aquecida. Era a *certeza* naquelas palavras, como se Sofia já soubesse o que ele estava pensando. Como se já o conhecesse. — E o que ela quer de nós? — ele perguntou, a voz mais baixa do que pretendia. Sofia não respondeu de imediato. Em vez disso, deu um passo à frente, tão perto que o tecido de seu vestido roçou na perna dele. O contato foi breve, quase imperceptível, mas suficiente para que Lucas sentisse o corpo inteiro reagir—um arrepio subindo pela espinha, o sangue pulsando mais rápido nas veias. — Talvez a mesma coisa que *nós* queremos dela — ela murmurou, os olhos fixos nos dele. — Uma desculpa para deixar de fingir que não sentimos isso. Isso. A palavra pairou entre eles, carregada de significado. Lucas não precisava perguntar o que era *isso*. Ele sabia. Era a tensão que enrijecia seus músculos sempre que ela se aproximava, era o calor que se acumulava na base de sua coluna, era a vontade absurda de estender a mão e tocar aquela pele exposta no decote do vestido, de descobrir se ela era tão macia quanto parecia. Era o desejo, cru e inegável, de fechar a distância entre eles. Mas antes que pudesse responder, um grupo de visitantes passou entre os dois, rindo alto, quebrando o momento como um copo se estilhaçando no chão. Sofia recuou um passo, o sorriso ainda nos lábios, mas agora com um traço de ironia. — A galeria está cheia — ela disse, como se aquilo explicasse tudo. — Talvez a gente deva continuar essa conversa em algum lugar menos… público. Lucas engoliu em seco. O convite era claro. E, Deus, como ele queria aceitar. Mas algo em seu peito apertou—medo, talvez, ou a simples consciência de que, uma vez cruzada aquela linha, não haveria volta. — Tem um bar aqui perto — ele sugeriu, a voz mais firme do que se sentia. — O dono é amigo de um amigo. Tem uma vista boa da cidade. Sofia arqueou uma sobrancelha, divertida. — Vista da cidade, é? — Ela inclinou a cabeça, os olhos brilhando com malícia. — Ou você só quer me levar para algum lugar onde a gente possa fingir que não está olhando um para o outro? Lucas sentiu o rosto queimar. Mas antes que pudesse se defender, Sofia riu—um som leve, musical, que fez seu estômago dar um salto. — Relaxa, arquiteto. — Ela estendeu a mão, os dedos roçando os dele ao pegar a taça vazia de sua mão. — Eu também quero ver a cidade. E, com isso, ela se virou, o vestido balançando com o movimento dos quadris, deixando-o ali, parado, com a sensação de que acabara de ser desafiado para algo muito mais perigoso do que uma simples conversa. Lucas a seguiu com os olhos enquanto ela se afastava, misturando-se à multidão. A pintura ainda estava lá, as cores agora parecendo mais vivas, mais urgentes. Como se soubesse que algo estava prestes a acontecer. E ele também sabia. Só não sabia se estava pronto para o que viria depois. O bar era um daqueles lugares que pareciam ter sido arrancados de um filme francês dos anos 60—luzes âmbares filtradas por cortinas de veludo vermelho, mesas de madeira escura com marcas de copos antigos, e um balcão de mármore onde o barman, de suspensórios e olhar cansado, servia drinques com a precisão de um cirurgião. O ar cheirava a cigarro apagado, a uísque derramado e a algo mais sutil, quase doce: o perfume de Sofia, que agora se misturava ao dele como se já pertencessem à mesma atmosfera. Ela estava sentada em um banco alto, as pernas cruzadas de um jeito que fazia o vestido subir levemente pela coxa, revelando a curva suave da pele morena. Lucas hesitou por um segundo antes de se aproximar, como se o espaço entre eles fosse uma fronteira que, uma vez cruzada, não teria volta. Mas então ela ergueu os olhos, e o sorriso que lhe dirigiu foi como um convite assinado a tinta. — Você demorou — disse ela, empurrando uma taça de vinho tinto na direção dele. — Pensei que tivesse desistido. — Eu tive que pagar a conta — mentiu ele, sentando-se ao lado dela. A verdade era que tinha parado na calçada por um minuto inteiro, tentando acalmar a respiração, como se o simples ato de estar perto dela exigisse um preparo físico. — E você? Não me diga que já estava aqui esperando. Sofia riu, levando a taça aos lábios. O vinho deixou uma marca rubi no copo, e ele se pegou imaginando como seria sentir o gosto daquilo diretamente da boca dela. — Eu vim porque este lugar tem o melhor vinho da cidade — disse ela, com um tom que sugeria que a resposta era apenas metade da verdade. — E porque, depois de ver você parado na frente daquela pintura como se ela fosse te engolir, achei que precisava de uma bebida forte. — Engolir? — Lucas arqueou uma sobrancelha, fingindo indignação. — Eu estava *analisando*. — Claro. — Ela rodou o vinho na taça, observando as pernas do líquido escorrerem pelas paredes de cristal. — Analisando como um arquiteto analisa uma planta baixa. Ou como um homem analisa uma mulher que ele quer, mas não sabe como pedir. O comentário o atingiu como um soco no peito. Não pela ousadia—afinal, Sofia não parecia do tipo que se preocupava com sutilezas—, mas pela precisão. Era exatamente isso. Ele a queria. E o pior (ou melhor) era que ela sabia. — E você? — ele devolveu, aproximando-se um pouco mais, até que o joelho dela roçasse o dele por baixo do balcão. — Está aqui porque gosta de vinho ou porque gosta de ver homens se contorcendo? Ela não recuou. Em vez disso, inclinou-se para frente, os lábios quase tocando a orelha dele quando respondeu: — Eu gosto de ver homens inteligentes se contorcendo. É mais divertido. O hálito dela era quente, com um leve traço de canela do vinho. Lucas sentiu o corpo inteiro reagir—os dedos dos pés se encolhendo dentro dos sapatos, a pele formigando como se cada terminação nervosa tivesse sido ligada de uma só vez. Ele precisou de toda a sua força de vontade para não puxá-la para si ali mesmo, no meio daquele bar lotado. — Então você acha que eu sou inteligente? — perguntou, tentando manter a voz firme. — Acho que você é o tipo de homem que pensa demais — ela respondeu, recostando-se no banco, mas sem afastar o joelho do dele. — O tipo que planeja cada passo, cada palavra, como se o mundo fosse um projeto arquitetônico. Mas o problema, arquiteto, é que a vida não é feita de linhas retas. — E o que ela é feita, então? Sofia sorriu, como se ele tivesse acabado de cair em uma armadilha. — Curvas. — Ela passou a ponta do dedo pela borda da taça, desenhando um círculo lento. — Ângulos inesperados. Coisas que você não consegue controlar. Lucas segurou o copo com mais força, sentindo o vidro frio contra a palma da mão. Ele queria argumentar, dizer que sim, que sabia lidar com imprevistos, que era mestre em antecipar problemas. Mas então ela estendeu a mão e, como se fosse a coisa mais natural do mundo, tocou o pulso dele. Um contato leve, quase inocente, mas que o atravessou como uma corrente elétrica. — Você está tremendo — ela murmurou. — Não estou. — Está. — Ela virou a mão dele, expondo a palma, e traçou uma linha com a unha, do centro até a base do dedo indicador. — Aqui. E aqui. — Outra linha, descendo pelo pulso, onde o sangue pulsava visível sob a pele. — Seu corpo está gritando o que sua boca não diz. Ele engoliu em seco. Não havia como negar. Não quando cada célula do seu ser parecia sintonizada com ela, como se Sofia fosse uma estação de rádio e ele, um aparelho antigo, captando cada frequência. — E o que minha boca deveria dizer? — perguntou, a voz rouca. Ela se aproximou de novo, os lábios tão perto dos dele que ele podia sentir o calor, mas não o toque. Ainda não. — Que você quer me beijar. — Ela fez uma pausa, o hálito dançando contra a boca dele. — Que você quer me tocar. Que você quer saber como é sentir minha pele contra a sua, sem tecidos, sem desculpas, sem essa dança de quem vai ceder primeiro. Lucas fechou os olhos por um segundo. Quando os abriu, ela ainda estava ali, esperando. Não com impaciência, mas com uma certeza tranquila, como se soubesse que era apenas uma questão de tempo. — E se eu disser que sim? — ele murmurou. — Então eu vou te levar para um lugar onde a cidade inteira pode ver a gente. — Ela sorriu, maliciosa. — Ou talvez para um lugar onde ninguém possa. O barman escolheu aquele momento para se aproximar, quebrando o feitiço com um tilintar de copos. — Mais uma rodada? — perguntou, olhando de um para o outro com um sorriso cúmplice. Sofia não tirou os olhos de Lucas. — Não — disse ela, sem pressa. — Acho que já bebemos o suficiente. Ela deslizou do banco, o vestido moldando-se ao corpo enquanto se levantava, e estendeu a mão para ele. Lucas a segurou, sentindo a maciez da pele, a firmeza dos dedos entrelaçados nos seus. Quando se levantou, percebeu que o mundo ao redor tinha ficado mais lento, mais borrado. Só ela estava nítida. — Para onde vamos? — perguntou, embora não se importasse com a resposta. Sofia sorriu, puxando-o em direção à saída. — Para algum lugar onde a vista seja tão bonita quanto a companhia. E, com isso, ela o guiou para fora do bar, deixando para trás o cheiro de álcool e o murmúrio das conversas, em direção à noite quente e às promessas que ela carregava. O elevador subiu devagar, como se cada andar fosse um suspiro contido. Sofia apertava a mão de Lucas com uma pressão suave, os dedos entrelaçados aos dele, os nós dos dedos roçando de leve na palma quente. O espelho fosco das paredes refletia apenas silhuetas borradas, mas ela sentia o peso do olhar dele sobre si, como se Lucas pudesse enxergar através do tecido do vestido, como se já soubesse de cor o contorno das curvas que se escondiam sob o linho fino. — Você mora aqui há muito tempo? — perguntou ela, a voz baixa, quase perdida no zumbido mecânico da caixa metálica. — Uns dois anos — respondeu ele, aproximando-se um passo. O perfume cítrico da colônia misturava-se ao cheiro de couro do elevador, e Sofia sentiu o calor do corpo dele invadir o espaço entre os dois. — Mas nunca trouxe ninguém para ver a vista. Ela ergueu uma sobrancelha, um sorriso brincando nos lábios. — Nem as suas conquistas? Lucas riu, um som rouco que reverberou no peito dela. — Especialmente elas. A vista é minha desculpa para quando não quero que fiquem. Sofia inclinou a cabeça, estudando-o. Os olhos dele, escuros sob a luz amarelada do elevador, tinham um brilho de provocação. — E eu? — murmurou. — Sou uma exceção? O elevador parou com um solavanco suave. As portas se abriram, revelando um corredor estreito e mal iluminado, mas antes que ela pudesse dar um passo, Lucas a puxou de leve, fazendo-a colidir contra o peito dele. A respiração dela falhou. — Você — disse ele, a boca tão perto da orelha dela que o hálito quente fez cócegas na pele sensível — é um risco que eu quero correr. Sofia não respondeu. Não precisava. O corpo dela já tinha entendido. O apartamento de Lucas era pequeno, mas arrumado com uma precisão quase arquitetônica. As paredes brancas contrastavam com móveis de madeira escura, e uma estante repleta de livros e maquetes de projetos antigos ocupava quase toda a parede da sala. Mas Sofia mal teve tempo de observar os detalhes. Assim que a porta se fechou atrás deles, Lucas a guiou em direção a uma porta de vidro que dava para o terraço, os passos apressados, como se temesse que ela mudasse de ideia. — Espere — disse ela, parando de repente. — Preciso ver uma coisa. Antes que ele pudesse perguntar, Sofia se aproximou da estante, passando os dedos pelas lombadas dos livros, parando em um exemplar de *O Amor nos Tempos do Cólera*. Tirou-o da prateleira, folheando as páginas com um sorriso. — Você lê García Márquez? — Gosto das histórias que não têm pressa — respondeu ele, aproximando-se por trás. O corpo dele roçou no dela, e Sofia sentiu o calor atravessar o tecido fino do vestido. — E você? — Gosto das que terminam com alguém esperando por alguém — murmurou ela, fechando o livro e colocando-o de volta no lugar. Lucas não disse nada. Apenas segurou a mão dela novamente e a levou para fora. O terraço era pequeno, mas a vista compensava. A cidade se estendia diante deles, um mar de luzes douradas e prateadas que piscavam como estrelas caídas. O ar estava quente, pesado com o cheiro de asfalto aquecido e jasmim, e uma brisa leve fazia as folhas de uma trepadeira balançarem contra o muro baixo. Sofia se aproximou da grade, apoiando os cotovelos no metal ainda morno do dia, e respirou fundo. — É lindo — disse, sem olhar para ele. Lucas parou ao lado dela, os braços cruzados, os olhos fixos no perfil dela. — Não tanto quanto você. Ela riu, um som leve que se perdeu no vento. — Você é péssimo nisso. — Em quê? — Em elogios. Eles soam como linhas ensaiadas. — Então me ensine a fazer melhor — desafiou ele, virando-se para encará-la. A luz da cidade iluminava metade do rosto dele, deixando a outra metade na sombra, como se ele fosse duas pessoas: o homem seguro e o garoto inseguro por trás dos olhos escuros. Sofia mordeu o lábio inferior, sentindo o gosto doce do vinho que ainda persistia na boca. Então, sem aviso, estendeu a mão e tocou o peito dele, os dedos deslizando pelo tecido da camisa até encontrar o botão superior. Desabotoou-o devagar, sentindo o calor da pele por baixo, o ritmo acelerado do coração dele sob a palma. — Melhor assim? — perguntou, a voz rouca. Lucas não respondeu. Apenas segurou o pulso dela, puxando-a para mais perto, até que os corpos se encaixassem como peças de um quebra-cabeça. A respiração dele estava quente contra o rosto dela, e Sofia sentiu o desejo crescer entre eles, espesso como mel, lento como a noite que se estendia à frente. — Você tem medo? — murmurou ele, os lábios quase tocando os dela. — De quê? — De não querer parar. Ela sorriu, os dedos ainda brincando com o botão aberto da camisa dele. — E se eu não quiser? Lucas fechou os olhos por um segundo, como se estivesse absorvendo as palavras. Quando os abriu novamente, havia algo selvagem neles, algo que fez o estômago de Sofia se contrair. — Então não pare. E então, finalmente, ele a beijou. Não foi um beijo suave, nem hesitante. Foi um beijo de fome, de lábios se moldando aos lábios, de línguas se encontrando em uma dança antiga e urgente. Sofia gemeu contra a boca dele, as mãos subindo para enroscar nos cabelos curtos da nuca, puxando-o para mais perto, como se pudesse fundir os corpos em um só. Lucas a pressionou contra a grade do terraço, o metal frio nas costas dela contrastando com o calor do corpo dele, e ela sentiu cada centímetro dele, cada músculo tenso, cada respiração entrecortada. — Sofia… — sussurrou ele, afastando-se apenas o suficiente para olhar nos olhos dela. — Se você não quiser… Ela o silenciou com outro beijo, mais profundo, mais desesperado. As mãos dele deslizaram pelas costas dela, puxando-a para longe da grade, em direção ao sofá estreito encostado na parede. Mas antes que pudessem chegar, Sofia o empurrou de leve, fazendo-o recuar até que as pernas dele batessem no assento. — Senta — ordenou, a voz firme, mas os olhos brilhando com algo que não era apenas desejo. Lucas obedeceu, os olhos nunca deixando os dela. Sofia se aproximou devagar, as mãos pousando nos ombros dele antes de deslizar para os joelhos, sentando-se sobre as coxas dele. O vestido subiu um pouco, revelando a pele macia das pernas, e ela sentiu o corpo dele reagir sob o dela, duro e insistente. — Você é linda — murmurou ele, as mãos subindo pelas coxas dela, os polegares traçando círculos lentos na pele sensível. — Você já disse isso — provocou ela, inclinando-se para beijar o pescoço dele, sentindo o gosto salgado da pele, o cheiro de sabonete e suor limpo. — Preciso dizer de novo. Sofia riu, mas o som se transformou em um suspiro quando as mãos dele encontraram a barra do vestido e começaram a puxá-lo para cima. Ela ergueu os braços, permitindo que ele tirasse a peça, deixando-a apenas de calcinha e sutiã de renda preta, o ar da noite fazendo os mamilos endurecerem sob o tecido fino. Lucas não disse nada. Apenas a puxou para mais perto, a boca encontrando um dos seios, os lábios quentes e úmidos através da renda. Sofia arqueou as costas, os dedos enroscando-se nos cabelos dele, gemendo quando a língua dele traçou círculos lentos ao redor do mamilo. — Lucas… — sussurrou, a voz trêmula. Ele ergueu a cabeça, os olhos escuros cheios de uma pergunta silenciosa. — Sim? — Não pare. E ele não parou. As mãos dele exploraram cada centímetro dela, como se estivesse memorizando o formato do corpo dela com os dedos. Sofia retribuiu, desabotoando a camisa dele com mãos trêmulas, revelando o peito largo, os músculos definidos, a pele morena marcada por uma cicatriz fina perto da clavícula. Ela a tocou, curiosa, e Lucas prendeu a respiração. — O que é isso? — Um acidente de infância — respondeu ele, a voz rouca. — Queda de bicicleta. Ela sorriu, inclinando-se para beijar a marca, sentindo o corpo dele estremecer sob os lábios. — Gostei. — Eu também — murmurou ele, as mãos deslizando para as costas dela, encontrando o fecho do sutiã. Com um movimento rápido, soltou-o, deixando os seios dela livres. — Gosto de tudo em você. Sofia não respondeu. Apenas o puxou para outro beijo, as mãos descendo para o cinto dele, os dedos trabalhando com urgência. Quando finalmente conseguiu abrir a calça, deslizou a mão para dentro, sentindo a dureza dele, o calor pulsante. Lucas gemeu contra a boca dela, os quadris se movendo instintivamente em direção ao toque. — Sofia… — sussurrou, a voz quebrada. — Se continuarmos assim… — Eu sei — interrompeu ela, beijando-o novamente. — Eu quero. E então, com um movimento rápido, ela se levantou, tirando a calcinha e deixando-a cair no chão. Lucas a observou, os olhos escuros de desejo, a respiração acelerada. Sofia se ajoelhou entre as pernas dele, as mãos pousando nos joelhos, os dedos traçando linhas lentas até a virilha. — Você tem certeza? — perguntou ele, a voz rouca. Ela não respondeu. Apenas segurou a base dele, sentindo o peso na palma da mão, antes de inclinar-se e tomar a ponta na boca. Lucas arqueou as costas, um gemido escapando dos lábios, as mãos enroscando-se nos cabelos dela. — Porra… — murmurou, a voz quase um rosnado. Sofia sorriu, a boca ainda ocupada, os olhos fixos nos dele. Lentamente, começou a mover a cabeça, os lábios e a língua trabalhando em um ritmo torturante, sentindo cada pulsação, cada tremor. Lucas apertou os dedos nos cabelos dela, mas não a forçou, deixando que ela ditasse o ritmo, que o levasse à beira do abismo. — Sofia… — gemeu ele, os quadris se movendo involuntariamente. — Eu não… eu não vou aguentar… Ela o soltou com um estalo suave, os lábios brilhantes, os olhos escuros de desejo. — Então não aguente. Lucas não precisou de mais incentivo. Com um movimento rápido, puxou-a para cima, fazendo-a sentar sobre ele novamente, os corpos se encaixando com uma urgência que os deixou sem fôlego. Sofia sentiu a ponta dele roçar na entrada, molhada e pronta, e mordeu o lábio inferior, os olhos fixos nos dele. — Tem camisinha? — perguntou ela, a voz rouca. Lucas assentiu, estendendo a mão para a carteira no bolso da calça, jogada no chão. Tirou um envelope prateado, rasgando-o com os dentes antes de colocá-lo com mãos trêmulas. Sofia o observou, o coração batendo tão forte que parecia que ia sair pela boca. Quando ele terminou, segurou os quadris dela, guiando-a para baixo, devagar, tão devagar que Sofia sentiu cada centímetro dele preenchendo-a, esticando-a, fazendo-a gemer alto. — Isso… — sussurrou ele, os olhos fechados, a testa encostada na dela. — Porra, Sofia… Ela não respondeu. Apenas começou a se mover, os quadris balançando em um ritmo lento e torturante, sentindo cada centímetro dele dentro dela, cada pulsação, cada ponto de prazer que a fazia arquear as costas e gemer. Lucas segurou os seios dela, os polegares brincando com os mamilos, e Sofia acelerou o ritmo, as mãos apoiadas nos ombros dele, os dedos cravando na pele. — Mais rápido — gemeu ele, a voz rouca. — Por favor… Sofia obedeceu, os quadris se movendo em círculos, os corpos colidindo em um ritmo cada vez mais frenético. O sofá rangia sob eles, o vento da noite acariciando a pele suada, os gemidos se misturando ao som da cidade lá embaixo. Sofia sentiu o orgasmo se aproximar, uma onda quente e pulsante que começou no ventre e se espalhou por todo o corpo, fazendo-a tremer. — Lucas… — gemeu, a voz quebrada. — Eu vou… — Goza pra mim — sussurrou ele, os lábios encontrando os dela em um beijo desesperado. — Goza, Sofia. E ela gozou. O orgasmo a atingiu como uma onda, fazendo-a arquear as costas, os músculos se contraindo ao redor dele, os gemidos abafados contra a boca de Lucas. Ele a segurou com força, os quadris se movendo em espasmos, até que finalmente gemeu alto, o corpo tremendo enquanto encontrava sua própria liberação. Por um momento, não houve nada além do som das respirações entrecortadas, o cheiro de suor e sexo misturado ao aroma da noite, o peso dos corpos exaustos. Sofia desabou contra o peito dele, os braços enlaçando o pescoço, os lábios encontrando a pele quente do ombro. — Isso foi… — começou ela, mas as palavras falharam. — Eu sei — murmurou Lucas, beijando a testa dela. — Eu também senti. Sofia sorriu, os dedos traçando círculos preguiçosos no peito dele. — E agora? Lucas não respondeu de imediato. Apenas a segurou com mais força, como se temesse que ela desaparecesse. — Agora — disse ele, finalmente, a voz rouca — a gente vê o nascer do sol. E depois, a gente decide se isso foi só uma noite… ou o começo de algo maior. Sofia ergueu a cabeça, olhando nos olhos dele. Havia algo ali, uma vulnerabilidade que ela não esperava, uma pergunta que ainda não tinha resposta. — E se eu disser que não quero só uma noite? — perguntou ela, a voz suave. Lucas sorriu, os dedos acariciando o rosto dela. — Então a gente inventa um jeito de fazer durar. E, com isso, ele a puxou para mais perto, os corpos ainda entrelaçados, os corações batendo no mesmo ritmo. Lá fora, a cidade começava a despertar, mas ali, O elevador subiu devagar, como se o prédio inteiro soubesse que eles não tinham pressa. As portas se abriram com um *ding* suave, revelando o corredor estreito que levava ao apartamento de Lucas. Sofia sentiu o peso do olhar dele nas costas enquanto caminhavam, os passos sincronizados, quase como se dançassem. O ar estava carregado, denso, cada respiração mais profunda que a anterior. — Chegamos — Lucas murmurou, a voz baixa, rouca, enquanto enfiava a chave na fechadura. A porta se abriu para um espaço iluminado apenas pela luz âmbar dos postes da rua, filtrada pelas cortinas de linho. O apartamento era exatamente como ela imaginara: linhas limpas, móveis de madeira escura, paredes brancas com algumas obras de arte penduradas—mas nenhuma delas prendeu sua atenção. Não agora. Seus olhos encontraram os dele, e o mundo ao redor pareceu se dissolver. Lucas fechou a porta com um clique suave. O som ecoou entre eles, marcando o início de algo que nenhum dos dois ousava nomear. — Quer beber alguma coisa? — perguntou ele, já se movendo em direção à cozinha. Sofia o observou por um instante, a maneira como os músculos das costas se moviam sob a camisa, a forma como os dedos longos se fechavam ao redor da garrafa de vinho que ele pegou do balcão. Ela não respondeu. Em vez disso, deu um passo à frente, os saltos dos sapatos afundando no tapete felpudo. — Não — disse, finalmente, a voz um sussurro. — Eu não quero beber. Lucas se virou, a garrafa ainda na mão. Seus olhos escuros a estudaram, como se tentasse decifrar o que ela realmente queria. Sofia sorriu, um sorriso lento, provocante, os lábios pintados de vermelho se curvando de um jeito que fez o estômago dele se contrair. — O que você quer, então? — perguntou ele, a voz mais grave do que antes. Ela não respondeu de imediato. Em vez disso, caminhou até ele, os quadris balançando levemente, como se o próprio ar a empurrasse em sua direção. Quando estava perto o suficiente para sentir o calor do corpo dele, parou. Seus dedos roçaram o rótulo da garrafa, deslizando até a mão de Lucas, que ainda a segurava. — Eu quero que você me beije — disse ela, os olhos fixos nos dele. — Mas só se você tiver coragem. O desafio pairou entre eles, pesado, elétrico. Lucas não se moveu. Por um segundo, Sofia pensou que ele recuaria, que a tensão se quebraria em risadas nervosas ou em um comentário desajeitado. Mas então ele colocou a garrafa sobre o balcão com um movimento deliberadamente lento, como se cada gesto fosse uma promessa. — Coragem? — repetiu ele, a voz um rosnado baixo. — Você acha que eu não tenho? Sofia ergueu uma sobrancelha, os lábios ainda curvados em um sorriso. — Não sei. Você tem? Ele não respondeu com palavras. Em um movimento rápido, segurou o pulso dela e a puxou contra si, as costas de Sofia colidindo suavemente com o peito dele. Ela soltou um suspiro surpreso, mas não resistiu. Lucas inclinou a cabeça, os lábios roçando a concha da orelha dela enquanto falava, a respiração quente fazendo-a estremecer. — Eu tenho — murmurou. — Mas eu quero ter certeza de que você também tem. Sofia virou o rosto, os lábios quase tocando os dele. O hálito de Lucas cheirava a vinho e a algo mais doce, mais perigoso. — Eu não teria vindo até aqui se não tivesse. Foi o suficiente. Os lábios de Lucas encontraram os dela em um beijo que não era suave, não era hesitante. Era fome pura, uma necessidade que os dois vinham reprimindo desde o momento em que se viram na galeria. Sofia gemeu contra a boca dele, os dedos se enroscando nos cabelos escuros de Lucas, puxando-o para mais perto. Ele a segurou pela cintura, as mãos grandes espalmadas nas costas dela, como se quisesse memorizar cada curva. O beijo se aprofundou, línguas se encontrando em uma dança lenta e molhada. Sofia sentiu o gosto do vinho, do desejo, da promessa de algo que ia além daquela noite. Lucas mordeu o lábio inferior dela de leve, e ela respondeu com um gemido baixo, os quadris se arqueando involuntariamente contra os dele. — Porra — ele murmurou contra a boca dela, a voz rouca de desejo. — Você não faz ideia do que está fazendo comigo. Sofia sorriu, os lábios inchados pelo beijo. — Eu tenho uma ideia — disse ela, os dedos deslizando pelo peito dele, sentindo o coração bater acelerado sob a camisa. — Mas eu quero ver. Lucas não precisou de mais incentivo. Com um movimento rápido, ele a ergueu, as mãos firmes sob as coxas dela, e a sentou sobre o balcão da cozinha. Sofia soltou um gritinho surpreso, mas logo se acomodou, as pernas se abrindo para acomodar os quadris dele. Lucas se encaixou entre elas, o corpo pressionando o dela de uma forma que fez os dois gemerem. — Isso é trapaça — ela sussurrou, os dedos traçando o contorno da mandíbula dele. — Eu nunca disse que jogava limpo — ele respondeu, os lábios descendo pelo pescoço dela, deixando um rastro de beijos molhados e mordidas leves. Sofia inclinou a cabeça para trás, dando-lhe mais acesso. Cada toque dos lábios de Lucas enviava ondas de prazer pelo seu corpo, fazendo-a arquear contra ele. Ela sentiu as mãos dele deslizarem pelas suas coxas, os dedos traçando círculos lentos sobre o tecido do vestido, cada vez mais perto do centro do seu desejo. — Lucas… — ela gemeu, o nome dele saindo como uma súplica. — O quê? — ele murmurou, os lábios agora no vale entre os seios dela. — Você quer que eu pare? — Não ouse. Ele riu, um som baixo e satisfeito, antes de puxar o decote do vestido para baixo, expondo o sutiã de renda preta. Os olhos de Lucas escureceram ainda mais quando ele viu os mamilos dela endurecidos sob o tecido fino. — Linda — ele murmurou, antes de abaixar a cabeça e capturar um deles com a boca, a língua quente e úmida fazendo-a gemer alto. Sofia agarrou os cabelos dele, puxando-o mais para perto, enquanto o prazer se espalhava pelo seu corpo em ondas. Lucas alternava entre os seios, os dentes roçando de leve, a língua acalmando a ardência, até que ela estava ofegante, os quadris se movendo contra os dele em busca de alívio. — Você gosta disso — ele disse, mais uma afirmação do que uma pergunta. — Sim — ela admitiu, a voz trêmula. — Mas eu quero mais. Lucas ergueu a cabeça, os lábios brilhantes, os olhos queimando de desejo. — Onde? — perguntou ele, os dedos deslizando pela coxa dela, cada vez mais perto do calor entre suas pernas. — Aqui? Sofia mordeu o lábio, os olhos se fechando por um instante. — Sim. Ele não hesitou. Com um movimento rápido, puxou a calcinha dela para o lado e deslizou um dedo para dentro, sentindo o quão molhada ela já estava. Sofia gemeu alto, os quadris se arqueando contra a mão dele, buscando mais. — Porra, você está encharcada — ele murmurou, os lábios roçando a orelha dela enquanto adicionava outro dedo, movendo-os em um ritmo lento e torturante. — Lucas, por favor… — ela implorou, as unhas cravando nos ombros dele. — Por favor o quê? — ele provocou, os dedos parando por um instante. Sofia abriu os olhos, encontrando o olhar dele. — Não pare. Ele sorriu, um sorriso perverso, antes de começar a mover os dedos novamente, agora mais rápido, mais fundo. Sofia se agarrou a ele, os gemidos se tornando mais altos, mais urgentes, enquanto o prazer se acumulava dentro dela, prestes a explodir. — Eu quero que você goze — ele murmurou, os lábios contra os dela. — Quero sentir você tremer nos meus dedos. As palavras foram o suficiente. Sofia gemeu alto, o corpo se contraindo ao redor dos dedos dele enquanto a onda de prazer a varria. Lucas a segurou firme, os lábios capturando os gemidos dela em um beijo profundo, enquanto ela cavalgava as últimas ondas do orgasmo. Quando ela finalmente se acalmou, ofegante, ele retirou os dedos devagar, levando-os aos lábios e provando-a com um gemido baixo. — Você é deliciosa — disse ele, a voz rouca. Sofia o observou, os olhos ainda nublados pelo prazer, antes de puxá-lo para mais perto, os lábios encontrando os dele em um beijo lento e profundo. — Sua vez — ela murmurou contra a boca dele. Lucas não precisou de mais incentivo. Com um movimento rápido, ele a ergueu do balcão, carregando-a em direção ao quarto. Sofia riu, os braços enroscados ao redor do pescoço dele, enquanto ele a deitava sobre a cama, os corpos se encaixando perfeitamente entre os lençóis. — Você não faz ideia do que está por vir — ele prometeu, os lábios descendo pelo pescoço dela, enquanto as mãos começavam a explorar cada centímetro do seu corpo. Sofia sorriu, os dedos já trabalhando nos botões da camisa dele. — Então me mostre. Lucas não perdeu tempo. Com um movimento ágil, desabotoou a camisa que Sofia já começara a soltar, revelando o peito nu sob o tecido, a pele bronzeada contrastando com o branco dos lençóis. Ela arqueou as costas ao sentir os lábios dele percorrerem a clavícula, descendo devagar, como se cada centímetro merecesse uma atenção especial. Os dentes roçaram de leve o mamilo, provocando um arrepio que a fez gemer baixo, as unhas cravando-se nos ombros dele. — Você é tão sensível — ele murmurou, a voz rouca contra a pele dela, enquanto a mão deslizava pela cintura, puxando-a para mais perto. Sofia respondeu com um sorriso preguiçoso, os dedos enredando-se nos cabelos dele, guiando-o para mais perto. Não havia pressa, apenas a certeza de que cada toque era uma promessa, cada beijo um juramento silencioso. Ela sentiu as mãos de Lucas explorarem suas curvas, lentas e deliberadas, como se memorizassem cada detalhe—o contorno dos quadris, a suavidade da coxa, a umidade entre as pernas que já o esperava. — Você gosta disso? — ele perguntou, os dedos traçando círculos preguiçosos na parte interna da coxa, aproximando-se do centro sem nunca tocá-lo. — Sim — ela sussurrou, a respiração entrecortada. — Mas eu quero mais. Lucas riu baixo, um som que vibrou contra a pele dela antes de sua boca descer, substituindo os dedos. Sofia arqueou-se com um gemido, os dedos apertando os lençóis quando a língua dele encontrou seu clitóris, lenta e torturante. Ele a saboreou como se fosse um vinho raro, cada movimento calculado para prolongar o prazer, para fazê-la tremer antes mesmo de chegar ao ápice. — Lucas… — ela gemeu, o nome dele saindo como uma súplica. Ele ergueu os olhos, os lábios brilhantes, o olhar escuro de desejo. — O que você quer, Sofia? — Você — ela respondeu, sem hesitar. — Dentro de mim. Ele não precisou ouvir duas vezes. Com um movimento fluido, posicionou-se entre as pernas dela, o corpo quente pressionando contra o seu. Sofia sentiu a ponta do pau dele roçar sua entrada, úmida e pronta, e gemeu ao antecipar a sensação. Mas Lucas não a penetrou de imediato. Em vez disso, segurou o rosto dela entre as mãos, beijando-a profundamente, como se quisesse provar cada suspiro, cada tremor. — Eu quero que você sinta cada centímetro — ele murmurou contra os lábios dela, a voz rouca de desejo. E então, devagar, ele entrou. Sofia soltou um gemido longo, os dedos cravando-se nas costas dele enquanto o corpo se ajustava à invasão. Era uma sensação avassaladora—o calor, a pressão, a plenitude. Lucas parou por um momento, os olhos fixos nos dela, como se quisesse gravar cada expressão, cada reação. — Você está bem? — ele perguntou, a voz tensa pelo esforço de se conter. — Melhor do que bem — ela respondeu, erguendo os quadris em um convite silencioso. Ele começou a se mover, devagar no início, cada estocada profunda e deliberada. Sofia acompanhou o ritmo, os corpos sincronizados como se dançassem uma música só deles. Os gemidos dela se misturavam aos suspiros dele, a cama rangendo levemente sob o peso dos dois. Lucas acelerou o ritmo, as mãos segurando os quadris dela com firmeza, guiando-a para receber cada investida. — Você é tão apertada — ele gemeu, os lábios roçando a orelha dela. — Tão perfeita. Sofia não respondeu com palavras. Em vez disso, envolveu as pernas ao redor da cintura dele, puxando-o para mais perto, mais fundo. O prazer crescia dentro dela como uma onda, cada movimento os levando mais perto do limite. Ela sentiu os músculos dele tensionarem, os gemidos se tornando mais urgentes, e soube que ele estava perto. — Goza comigo — ela pediu, a voz entrecortada. Lucas não resistiu. Com um último impulso, ele a penetrou fundo, o corpo tremendo enquanto o orgasmo o atravessava. Sofia sentiu o calor dele dentro de si, os espasmos que a levaram ao próprio clímax, os corpos se entregando juntos, em uma explosão de prazer que parecia não ter fim. Quando finalmente se acalmaram, Lucas desabou sobre ela, o peso reconfortante, os corações batendo em uníssono. Sofia passou os dedos pelos cabelos dele, os lábios encontrando a têmpora em um beijo suave. — Isso foi… — ela começou, sem encontrar palavras. — Inesquecível — ele completou, erguendo-se para olhar nos olhos dela. Sofia sorriu, os dedos traçando o contorno do rosto dele. — E ainda não acabou. Lucas riu baixo, rolando para o lado e puxando-a para junto de si, os corpos ainda entrelaçados. — Não — ele murmurou, os lábios roçando o ombro dela. — Ainda não. Do lado de fora, o céu começava a clarear, mas ali, entre os lençóis desarrumados, o tempo parecia ter parado. E nenhum dos dois tinha pressa de que ele recomeçasse. A luz da manhã se infiltrava pelas frestas da cortina, pintando listras douradas sobre a pele ainda quente de Sofia. Ela se espreguiçou devagar, os músculos levemente doloridos, mas de um jeito bom—como se cada fibra do corpo guardasse a memória da noite anterior. Ao seu lado, Lucas respirava fundo, o peito subindo e descendo em um ritmo preguiçoso, os cílios projetando sombras finas sobre as maçãs do rosto. Por um instante, nenhum dos dois se moveu, como se temessem quebrar o encanto daquele silêncio cúmplice. Foi ele quem falou primeiro, a voz rouca de sono e de algo mais—algo que ainda vibrava entre eles. — Você está acordada. Sofia sorriu, virando-se de lado para encará-lo. Os lençóis escorregaram até a cintura, revelando os seios marcados por chupões leves, lembranças visíveis do que haviam compartilhado. — Dormi o suficiente para saber que não quero sair daqui. Lucas estendeu a mão, os dedos traçando uma linha preguiçosa do ombro dela até o quadril, como se precisasse confirmar que ela era real. A pele de Sofia se arrepiou sob o toque, um arrepio que não tinha nada a ver com o frio da manhã. — Eu tenho café — ele murmurou. — E pão. E aquela geleia de framboesa que você gostou ontem. Ela arqueou uma sobrancelha, divertida. — Você se lembra disso? — Eu lembro de tudo. O jeito como ele disse aquilo, com uma intensidade que ia além das palavras, fez o coração dela bater mais rápido. Sofia se aproximou, roçando os lábios nos dele em um beijo suave, demorado, como se ainda estivessem descobrindo o gosto um do outro. — Então vamos — ela sussurrou. — Antes que eu decida que café da manhã é superestimado. Lucas riu, baixo e rouco, e se levantou da cama com um movimento fluido. Sofia não pôde deixar de admirar a maneira como os músculos das costas dele se contraíam enquanto ele vestia uma calça de moletom, o tecido caindo baixo nos quadris. Ele estendeu a mão para ela, os olhos brilhando com uma promessa que não precisava ser dita. — Vem. O apartamento estava banhado em uma luz âmbar, as paredes claras refletindo o sol que já subia no horizonte. Sofia seguiu Lucas até a cozinha, os pés descalços sobre o piso frio, o corpo ainda envolto no lençol que arrastava atrás de si como uma cauda de seda. Ele abriu a geladeira, pegou ovos, manteiga, uma garrafa de suco de laranja recém-espremido. O cheiro de café fresco se misturava ao aroma cítrico, e Sofia se apoiou no balcão, observando-o trabalhar. — Você cozinha? — ela perguntou, curiosa. — Só o básico. — Ele quebrou um ovo na frigideira com uma precisão que a fez sorrir. — Mas faço um café da manhã decente. — Decente? — Ela se aproximou, passando os braços ao redor da cintura dele por trás, os seios pressionados contra as costas largas. — Acho que você subestima suas habilidades. Lucas riu, virando-se para beijá-la, a mão livre segurando a nuca dela com uma possessividade suave. — Talvez eu só esteja tentando impressionar você. — Já conseguiu. Ele a puxou para mais perto, o beijo se aprofundando até que Sofia sentiu o calor da frigideira atrás de si, o cheiro de manteiga derretida se misturando ao perfume da pele dele. Quando se afastaram, os lábios dela estavam inchados, o corpo pulsando com uma necessidade que não havia desaparecido—apenas adormecido. — Senta — ele ordenou, apontando para a pequena mesa de jantar perto da janela. — Antes que eu decida que comida é superestimada. Sofia obedeceu, rindo, e se acomodou na cadeira. O sol batia diretamente sobre ela, aquecendo sua pele nua, e por um momento, ela fechou os olhos, deixando que a luz a envolvesse. Quando os abriu, Lucas estava colocando um prato na sua frente: ovos mexidos cremosos, torradas douradas, fatias de abacate e uma xícara de café fumegante. — Isso parece delicioso — ela murmurou, pegando o garfo. — Espero que seja. — Ele se sentou ao lado dela, os joelhos roçando os seus por baixo da mesa. — Porque eu planejo fazer isso de novo. Muitas vezes. Sofia mordeu o lábio inferior, os olhos fixos nos dele. — Muitas vezes? — Quantas você aguentar. Ela riu, mas o som morreu na garganta quando ele estendeu a mão e passou o polegar sobre o lábio inferior dela, puxando-o levemente. — Você é perigoso, sabia? — Só com você. Eles comeram em silêncio por alguns minutos, os olhares se encontrando de vez em quando, as pernas se tocando sob a mesa. Sofia sentia cada movimento dele como se fosse uma carícia—o jeito como os dedos seguravam a xícara, como os lábios se fechavam ao redor do garfo, como a língua passava discretamente para lamber uma migalha do canto da boca. — Você está me olhando — ele disse, sem desviar os olhos do prato. — Estou. — Por quê? — Porque eu gosto do que vejo. Lucas sorriu, lento e satisfeito, e empurrou a cadeira para trás, estendendo a mão para ela. — Vem cá. Sofia não hesitou. Ela se levantou, deixando o lençol cair no chão, e se sentou no colo dele, as pernas abertas sobre as coxas musculosas. Lucas segurou sua cintura, os dedos afundando na carne macia, e a puxou para mais perto, até que ela sentisse a ereção matinal pressionando contra o ventre. — Você não acabou de comer? — ela provocou, roçando os lábios no pescoço dele. — Não era isso que eu estava comendo. Sofia riu, mas o som se transformou em um gemido quando ele mordeu de leve o mamilo, a língua quente e úmida fazendo-a arquear as costas. As mãos dele subiram pelas costas dela, segurando-a com firmeza enquanto a boca explorava cada centímetro de pele exposta. — Lucas… — ela sussurrou, as unhas cravando nos ombros dele. — A gente ainda nem terminou o café. — Eu já terminei o meu. Ele a levantou com facilidade, colocando-a sentada na mesa, e se ajoelhou entre as pernas dela. Sofia prendeu a respiração quando sentiu o hálito quente contra a parte interna da coxa, os dedos dele abrindo-a com uma lentidão deliberada. — O que você está fazendo? — Finalizando o café da manhã. A primeira lambida foi lenta, exploratória, a língua dele traçando um caminho úmido desde a entrada até o clitóris. Sofia agarrou a borda da mesa, os nós dos dedos ficando brancos, enquanto ele a saboreava com uma devoção que a deixava sem ar. Os gemidos escapavam dela sem controle, misturando-se ao som molhado dos lábios dele contra sua pele. — Porra, Lucas… — ela gemeu, jogando a cabeça para trás. — Isso é… é… — Delicioso? — ele murmurou, a voz vibrando contra ela. — Sim. Deus, sim. Ele não parou. A língua dele se movia em círculos lentos, pressionando, provocando, até que Sofia sentiu o orgasmo se construindo dentro dela como uma onda. Quando ele sugou o clitóris entre os lábios, ela gozou com um grito abafado, o corpo tremendo, as pernas apertando os ombros dele com força. Lucas se levantou devagar, os lábios brilhando, e a beijou, deixando que ela provasse a si mesma na boca dele. Sofia o puxou para mais perto, as mãos deslizando para dentro da calça de moletom, segurando-o com firmeza. — Agora é a minha vez — ela sussurrou contra os lábios dele. Ele não protestou quando ela o empurrou para a cadeira, ajoelhando-se entre as pernas dele. O pau estava duro, latejando, e Sofia o segurou com uma mão, passando a língua pela cabeça antes de levá-lo inteiro à boca. Lucas gemeu, os dedos enroscando-se nos cabelos dela, guiando-a sem pressa. — Caralho, Sofia… Ela o chupou devagar, saboreando cada centímetro, a mão trabalhando em sincronia com a boca. O gosto dele era salgado, masculino, e ela adorava a maneira como ele reagia—os quadris se movendo levemente, os gemidos roucos, as mãos apertando seus cabelos quando ela o levava até o fundo da garganta. — Para — ele pediu, a voz tensa. — Eu quero gozar dentro de você. Sofia se levantou, lambendo os lábios, e montou nele novamente, guiando-o para dentro de si com uma lentidão torturante. Os dois gemeram quando ele a preencheu por completo, os corpos se encaixando como se tivessem sido feitos um para o outro. — Assim — ela murmurou, começando a se mover. — Assim mesmo. Lucas segurou seus quadris, ajudando-a a encontrar um ritmo, os olhos fixos nos dela enquanto se entregavam ao prazer. A mesa rangeu sob o peso deles, mas nenhum dos dois se importou. O mundo lá fora podia esperar. Ali, entre ovos frios e café esquecido, só existiam eles—os corpos entrelaçados, os suspiros misturados, o prazer crescendo até se tornar insuportável. Quando gozaram, foi juntos, os corpos tremendo, os lábios se encontrando em um beijo desesperado. Sofia desabou sobre ele, o coração batendo tão forte que ela tinha certeza de que ele podia sentir. — Ainda não acabou — ela murmurou, repetindo as palavras da noite anterior. Lucas riu, baixo e satisfeito, e a beijou de novo. — Não. Ainda não. Eles ficaram ali por um longo tempo, abraçados, os corpos grudados pelo suor, os batimentos cardíacos aos poucos voltando ao normal. Quando finalmente se levantaram, o café da manhã estava frio, mas nenhum dos dois se importou. Lucas preparou mais café, e eles se sentaram no sofá, enrolados em um cobertor, observando a cidade acordar pela janela. — O que acontece agora? — Sofia perguntou, apoiando a cabeça no ombro dele. Lucas beijou o topo da cabeça dela. — Agora a gente vive. Ela sorriu, fechando os olhos, sabendo que, fosse o que fosse, eles enfrentariam juntos. E que, entre lençóis e suspiros, haviam encontrado algo que ia muito além de uma primeira vez.

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