A Noite em que Tudo Mudou

Lucas nunca tinha sido o tipo de cara que chamava atenção nas festas. Com vinte e um anos, cursando o quarto período de engenharia, ele ainda carregava aquela timidez que o acompanhava desde a adolescência. Não era feio — tinha olhos castanhos expressivos, ombros largos de quem nadava três vezes por semana — mas algo nele travava quando uma mulher bonita se aproximava.
Naquela sexta-feira de outubro, seus amigos praticamente o arrastaram para a festa no apartamento do Rodrigo. Era um daqueles apês de república, com móveis empurrados contra a parede, luzes baixas e música alta demais para qualquer conversa decente.
— Relaxa, cara — disse Thiago, empurrando um copo de cerveja na mão dele. — Ninguém vai te morder.
Lucas deu um gole longo, tentando afrouxar o nó no estômago. Encostou-se na parede da sala, observando as pessoas dançarem, conversarem, flertarem com uma naturalidade que ele invejava.
Foi quando viu Camila.
Ela estava do outro lado da sala, rindo de algo que uma amiga disse. Cabelos escuros e ondulados caindo sobre os ombros, vestido preto simples que abraçava as curvas certas. Camila era da turma dele — sentava duas fileiras à frente no anfiteatro de Cálculo III. Ele já tinha reparado nela antes, claro. Todo mundo reparava.
O que Lucas não esperava era que ela reparasse nele.
Camila virou a cabeça, e seus olhos encontraram os dele. Ela não desviou. Sorriu — um sorriso lento, quase provocador — e levantou o copo numa saudação silenciosa. Lucas sentiu o rosto esquentar. Levantou o copo de volta, desajeitado.
Ela disse algo para a amiga e começou a caminhar na direção dele. Lucas engoliu em seco.
— Oi, Lucas. — A voz dela era mais suave do que ele imaginava de perto. — Não sabia que você vinha nessas festas.
— Normalmente não venho — admitiu, e imediatamente se arrependeu. Que tipo de resposta era essa?
Mas Camila riu, genuinamente.
— Eu também não. Minhas amigas me obrigaram. — Ela se encostou na parede ao lado dele, ombros quase se tocando. — Pelo menos achei alguém interessante pra conversar.
Eles conversaram por quase uma hora. Sobre a faculdade, sobre filmes, sobre como o professor de Cálculo era insuportável. A cada minuto, Lucas sentia a tensão diminuir e algo diferente crescer no lugar — uma eletricidade entre eles que ele nunca tinha sentido antes.
Camila estava cada vez mais perto. A mão dela tocava o braço dele quando ria. Os olhos dela desciam para a boca dele com uma frequência que até Lucas, inexperiente como era, conseguia notar.
— Tá muito barulho aqui — disse ela, inclinando-se para falar no ouvido dele. O perfume dela invadiu seus sentidos. — Quer ir pra um lugar mais quieto?
O coração de Lucas disparou. Ele assentiu, sem confiar na própria voz.
Camila pegou a mão dele e o guiou pelo corredor. Abriu uma porta — um quarto com uma cama de solteiro, uma escrivaninha cheia de livros, luz fraca de um abajur. Ela trancou a porta atrás deles.
O silêncio repentino depois do barulho da festa era quase ensurdecedor. Lucas ficou parado no meio do quarto, sem saber o que fazer com as mãos.
Camila se virou para ele. Não havia mais ambiguidade no olhar dela.
— Lucas — disse ela, se aproximando devagar. — Eu percebi que você me olha na aula. Faz tempo.
— Eu... desculpa, eu não queria...
— Não pede desculpa. — Ela colocou a mão no peito dele. — Eu gosto.
E então ela o beijou.
Foi como se alguém tivesse ligado um interruptor dentro dele. A boca dela era quente, macia, com gosto de vodka com limão. Lucas hesitou por um segundo antes de responder, suas mãos encontrando a cintura dela quase por instinto.
O beijo começou suave mas rapidamente ganhou urgência. As mãos de Camila subiram pelo pescoço dele, puxando-o mais perto. As dele desceram pelas costas dela, sentindo o tecido fino do vestido, o calor da pele por baixo.
— Espera — ele murmurou, se afastando um centímetro. — Eu preciso te falar uma coisa.
Camila olhou para ele, lábios inchados, olhos escuros de desejo.
— O que foi?
— Eu nunca... — Ele engoliu. — Essa é minha primeira vez.
Ele esperou o julgamento. A risada. Mas Camila apenas sorriu, tocando o rosto dele com carinho.
— Tudo bem — sussurrou ela. — Eu cuido de você.
Ela o empurrou gentilmente até ele sentar na borda da cama. Ficou de pé entre as pernas dele, olhando de cima. Cruzou os braços e puxou o vestido pela cabeça num movimento fluido. Por baixo, lingerie preta simples. O corpo dela era ainda mais bonito do que ele imaginava — pele morena, curvas suaves, uma pintinha no quadril esquerdo.
Lucas não conseguia parar de olhar.
— Pode tocar — disse ela, pegando as mãos dele e colocando na cintura dela.
As mãos dele tremiam levemente enquanto exploravam. A pele dela era incrivelmente macia. Ele subiu pelos lados, sentindo as costelas, a lateral dos seios. Camila suspirou, fechando os olhos.
Ela se inclinou e o beijou de novo, empurrando-o para trás na cama. Subiu em cima dele, uma perna de cada lado. O peso dela sobre ele, o calor entre os corpos — Lucas sentiu que ia explodir.
Camila tirou a camiseta dele, passando as unhas de leve pelo peito. Desceu beijando o pescoço, a clavícula, o abdômen. Cada toque era uma descarga elétrica.
— Relaxa — ela sussurrou contra a pele dele. — Só sente.
Ela abriu o botão da calça dele. Lucas levantou o quadril para ajudá-la. Quando a mão dela o envolveu, ele soltou um gemido que nem sabia que tinha dentro de si.
Camila sabia exatamente o que fazer. Cada movimento era preciso, alternando pressão e velocidade de um jeito que deixava Lucas à beira da loucura. Ele agarrou o lençol, tentando se controlar.
— Não ainda — ela disse com um sorriso, parando. — Quero sentir você.
Ela alcançou a bolsa no chão e tirou um preservativo. Colocou nele com habilidade e se posicionou sobre ele. Olhou nos olhos dele enquanto descia, lentamente.
A sensação era indescritível. Calor, pressão, umidade. Lucas agarrou os quadris dela, a boca aberta num gemido silencioso.
— Tá bom? — perguntou ela, imóvel por um momento.
— Muito — foi tudo que ele conseguiu dizer.
Ela começou a se mover. Devagar no início, encontrando um ritmo. Os olhos dela não saíam dos dele. Lucas nunca tinha se sentido tão conectado com outra pessoa — tão vulnerável e tão vivo ao mesmo tempo.
As mãos dele aprendiam o corpo dela em tempo real. Os seios, os mamilos enrijecidos, a curva das costas. Cada lugar que ele tocava arrancava um som diferente dela, e ele queria memorizar todos.
Camila aumentou o ritmo. A respiração dela ficou mais pesada, entrecortada. Ela se inclinou para frente, apoiando as mãos no peito dele, e o ângulo mudou de um jeito que fez os dois gemerem juntos.
— Lucas... — A voz dela era quase um sussurro rouco.
Ele sentiu o corpo dela se contrair ao redor dele, as coxas tremendo, um gemido longo escapando dos lábios dela. Ver Camila assim — perdida no prazer, por causa dele — foi demais.
Lucas segurou os quadris dela com força e se deixou ir. O orgasmo veio como uma onda, partindo do centro do corpo e se espalhando até as pontas dos dedos. Ele fechou os olhos, a cabeça jogada para trás, completamente entregue.
Ficaram assim por um longo momento. Camila deitada sobre o peito dele, os dois respirando pesado, corações batendo descompassados. Ela traçava círculos preguiçosos no ombro dele com o dedo.
— E aí — disse ela finalmente, levantando a cabeça com um sorriso travesso. — Valeu a espera?
Lucas riu — uma risada leve, genuína, cheia de alívio e felicidade.
— Você não tem ideia.
Camila beijou o queixo dele.
— Isso foi só o começo, Lucas.
Eles se vestiram devagar, trocando beijos entre peças de roupa. Antes de abrir a porta, Camila pegou o celular dele e digitou o próprio número.
— Me liga amanhã — disse ela. — Quero te ensinar mais coisas.
Lucas saiu daquele quarto uma pessoa diferente. Não porque tinha perdido a virgindade — mas porque tinha descoberto que a conexão com outra pessoa podia ser tão intensa, tão natural, tão boa.
Na segunda-feira seguinte, quando entrou no anfiteatro de Cálculo III, Camila já estava lá. Duas fileiras à frente, como sempre. Mas dessa vez, quando ela olhou para trás e sorriu, Lucas sorriu de volta sem hesitar.
E quando ela apontou discretamente para o celular, ele já sabia: aquela noite tinha sido só o primeiro capítulo.