Sob o Sol Escaldante

VizinhosPor Tonkix13 leituras
Sob o Sol Escaldante
O sol do meio-dia caía como um martelo sobre a cidade, transformando o asfalto em um espelho trêmulo de calor. As árvores, imóveis, pareciam prender a respiração, e até os pássaros haviam se refugiado nas sombras mais densas dos galhos. Na rua tranquila de condomínio fechado, onde as casas se alinhavam como joias em um colar, a residência dos Mendonça destacava-se pelo jardim impecável, um oásis de verde que contrastava com o amarelo queimado do gramado dos vizinhos. Era ali, sob o peso daquele verão implacável, que Clara passava suas tardes, observando o mundo através das cortinas de linho branco que dançavam preguiçosamente com a brisa. Ela tinha trinta e cinco anos, o corpo moldado por anos de ioga e natação, a pele dourada pelo sol filtrado das piscinas de clubes. Casada com Ricardo, um executivo que passava mais tempo no escritório do que em casa, Clara preenchia seus dias com a rotina meticulosa de uma dona de casa de classe alta: almoços com as amigas, aulas de francês, compras em boutiques que exibiam vitrines impecáveis. Mas havia algo de inquieto nela, uma faísca que o tédio não conseguia apagar. Talvez fosse o jeito como os homens a olhavam quando ela passava, ou a maneira como seu corpo respondia a esses olhares, mesmo que ela fingisse não notar. Ou talvez fosse apenas o calor, esse calor sufocante que fazia até os pensamentos mais inocentes se transformarem em algo mais denso, mais urgente. Foi em uma dessas tardes escaldantes que ela viu Thiago pela primeira vez. Ele chegou em uma caminhonete branca, o veículo velho mas bem cuidado, com uma caçamba cheia de ferramentas e sacos de terra. Devia ter uns vinte e poucos anos, a pele morena marcada pelo sol, os braços fortes e cobertos por uma fina camada de suor que brilhava como óleo. Quando ele saltou da cabine, o short cargo revelou coxas grossas, e a camiseta regata, já colada ao corpo, deixava pouco à imaginação. Clara o observou da janela da cozinha, onde lavava uma taça de vinho da noite anterior. O jeito como ele se movia, com uma confiança tranquila, como se o mundo inteiro fosse seu território, fez algo dentro dela se contrair. — Bom dia — ele disse, tirando o boné e passando a mão pelos cabelos escuros, ainda úmidos. — A senhora é a dona Clara? Ela assentiu, secando as mãos no avental que usava por cima do vestido leve de algodão. — Sim. Você é o jardineiro que o síndico recomendou? — Thiago. — Ele estendeu a mão, e quando ela a apertou, sentiu o calor da palma áspera, calejada pelo trabalho. — Vou dar uma olhada no que precisa ser feito. O senhor Mendonça disse que o jardim tá meio abandonado. — Meu marido viaja muito — ela explicou, como se precisasse justificar a negligência. — Eu tento cuidar, mas não tenho jeito com plantas. Thiago sorriu, um sorriso lento e preguiçoso que fez covinhas aparecerem em suas bochechas. — Não se preocupe. Eu cuido disso. Nos dias seguintes, Clara passou a esperar pelas visitas de Thiago com uma ansiedade que disfarçava mal. Ele chegava sempre no mesmo horário, quando o sol estava a pino, e trabalhava com uma eficiência silenciosa, podando, regando, replantando. Ela o observava da varanda, fingindo ler um livro, mas na verdade atenta a cada movimento: o jeito como os músculos das costas se contraíam quando ele levantava um saco de adubo, como os dedos longos e ágeis manipulavam as tesouras de poda. Às vezes, ele tirava a camiseta, e ela podia ver o suor escorrendo pelo peito definido, desaparecendo na linha escura que descia até a cintura do short. — A senhora quer que eu faça alguma coisa diferente? — ele perguntou certa tarde, notando que ela o observava com mais intensidade do que o normal. Clara sentiu o rosto esquentar, mas sustentou o olhar. — Você está fazendo um ótimo trabalho. O jardim nunca esteve tão bonito. — Obrigado. — Ele secou o suor da testa com o dorso da mão. — Mas se tiver alguma preferência, é só falar. — Na verdade… — ela hesitou, brincando com a alça do vestido. — Eu estava pensando em colocar umas flores perto da piscina. Algo que dê cor. — Que tipo de cor? — Vermelho. — A palavra saiu antes que ela pudesse pensar, e Thiago ergueu uma sobrancelha, como se soubesse exatamente o que ela estava sugerindo. — Vermelho é bom — ele disse, a voz mais baixa. — Atrai atenção. Naquela noite, Clara sonhou com mãos calejadas percorrendo seu corpo, com o peso de um corpo jovem e forte sobre o dela. Acordou com os lençóis embolados, o coração batendo forte, o corpo úmido de um suor que não era só do calor. No dia seguinte, quando Thiago chegou, ela estava na cozinha preparando limonada. Serviu dois copos e levou até ele, que estava ajoelhado perto dos canteiros, as mãos enterradas na terra. — Está muito quente hoje — ela disse, estendendo o copo. — Pensei que você pudesse precisar. Thiago aceitou a bebida, os dedos roçando nos dela por um segundo a mais do que o necessário. — Obrigado. — Ele tomou um gole longo, os olhos fixos nela por cima da borda do copo. — A senhora tá com calor também. Não era uma pergunta, mas uma constatação. Clara sentiu o ar ficar mais denso entre eles, como se o próprio verão tivesse prendido a respiração. — Um pouco — ela admitiu, passando a língua pelos lábios. Thiago colocou o copo de lado e se levantou devagar, a terra ainda grudada nas mãos. — Eu poderia ajudar com isso. — Como? Ele deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. — Tem uma mangueira ali. Água fria. Clara riu, nervosa. — Você quer me molhar? — Só se a senhora quiser. Ela não respondeu com palavras. Em vez disso, tirou o vestido pela cabeça, deixando-o cair no chão de pedra da varanda. Por baixo, usava apenas um biquíni branco, tão fino que mal escondia o contorno dos mamilos, já duros. Thiago a observou, os olhos escuros percorrendo cada curva, cada sombra, como se estivesse memorizando cada detalhe. — Tem certeza? — ele perguntou, a voz rouca. Clara assentiu. — Tenho. Thiago pegou a mangueira e abriu a torneira devagar. A água jorrou fria, e ele a direcionou para ela, começando pelos pés. Clara estremeceu quando o jato tocou sua pele, um arrepio percorrendo suas pernas. Ele subiu devagar, molhando suas panturrilhas, os joelhos, as coxas. Quando a água atingiu a virilha, ela soltou um gemido baixo, os dedos dos pés se curvando contra o chão quente. — Isso é bom? — Thiago perguntou, a voz um sussurro. — Sim — ela gemeu. — Mais. Ele obedeceu, movendo a mangueira para cima, molhando seu ventre, os seios. A água escorria por seu corpo, deixando trilhas brilhantes que refletiam a luz do sol. Clara arqueou as costas, oferecendo-se ao jato, e Thiago não resistiu. Deixou a mangueira cair no chão e se aproximou, as mãos substituindo a água. Ele segurou seus seios, os polegares roçando os mamilos por cima do tecido molhado do biquíni, e Clara gemeu, jogando a cabeça para trás. — Você é linda — ele murmurou, a boca perto do ouvido dela. — Tão linda que chega a doer. Clara não conseguiu responder. Em vez disso, puxou a cabeça dele para baixo, beijando-o com uma fome que a surpreendeu. Thiago respondeu com a mesma intensidade, a língua invadindo sua boca, as mãos descendo para apertar sua bunda. Ela sentiu a dureza dele contra sua coxa e gemeu contra seus lábios, o corpo inteiro vibrando de desejo. — Preciso de você — ela sussurrou, as unhas cravadas nos ombros dele. Thiago não precisou de mais incentivo. Ele a pegou no colo, as pernas dela envolvendo sua cintura, e a levou até a espreguiçadeira de vime perto da piscina. Deitou-a com cuidado, os olhos nunca deixando os dela enquanto tirava o short e a cueca. Clara observou, fascinada, enquanto ele se revelava, a pele morena contrastando com o branco da espreguiçadeira. Ele era lindo, perfeito, e quando se ajoelhou entre suas pernas, ela soube que não havia volta. Thiago puxou a parte de baixo do biquíni para o lado, expondo-a completamente. Clara sentiu o ar quente contra sua pele úmida, e então a boca dele estava lá, quente e úmida, lambendo, sugando, explorando cada centímetro com uma paciência que a enlouquecia. Ela agarrou os cabelos dele, puxando-o para mais perto, os quadris se movendo em um ritmo antigo, instintivo. — Por favor — ela implorou, a voz quebrada. — Eu preciso de você dentro de mim. Thiago não a fez esperar. Ele se posicionou entre suas pernas, os olhos fixos nos dela enquanto a penetrava devagar, centímetro por centímetro. Clara gemeu, o corpo se ajustando ao dele, sentindo-o preenchê-la completamente. Ele começou a se mover, primeiro devagar, depois com mais força, cada estocada arrancando um gemido dela. O som da pele se chocando ecoava no jardim silencioso, misturando-se ao canto dos pássaros e ao farfalhar das folhas. — Você gosta disso? — Thiago perguntou, a voz rouca de desejo. — Sim — ela gemeu. — Não para. Ele obedeceu, aumentando o ritmo, os quadris batendo contra os dela com uma força que a fazia ver estrelas. Clara sentiu o prazer se acumulando dentro dela, uma pressão deliciosa que ameaçava explodir a qualquer momento. Thiago segurou seus quadris, levantando-a ligeiramente para ir ainda mais fundo, e foi o suficiente. Ela gozou com um grito, o corpo inteiro tremendo, as unhas cravadas nas costas dele. Thiago não parou. Continuou se movendo, prolongando o prazer dela até que ele mesmo não aguentou mais. Com um gemido rouco, ele se retirou e gozou sobre o ventre dela, os jatos quentes marcando sua pele. Clara o observou, os olhos semicerrados, o corpo ainda tremendo com os últimos espasmos do orgasmo. Por um momento, nenhum dos dois falou. O único som era o da respiração ofegante e o zumbido distante de um cortador de grama em alguma casa vizinha. Thiago se deitou ao lado dela, puxando-a para perto, e Clara descansou a cabeça em seu peito, ouvindo o coração dele bater forte. — Isso foi… — ela começou, mas não conseguiu encontrar as palavras. — Inesperado — Thiago completou, beijando sua testa. — Sim. — Clara sorriu, traçando círculos preguiçosos no peito dele com os dedos. — Mas não me arrependo. — Nem eu. Eles ficaram ali, deitados sob o sol, o corpo ainda úmido de suor e água, até que o som de um carro se aproximando os fez se sobressaltar. Clara olhou para o relógio na parede da casa e praguejou baixinho. — Meu marido — ela disse, levantando-se às pressas. — Ele chegou mais cedo hoje. Thiago se vestiu rapidamente, pegando a mangueira e fingindo que estava trabalhando. Clara correu para dentro, trocando o biquíni por um vestido limpo e secando o corpo às pressas com uma toalha. Quando Ricardo entrou na cozinha, ela estava parada perto da pia, lavando uma maçã, o rosto ainda corado. — Oi, amor — ele disse, beijando-a na bochecha. — Como foi o seu dia? — Normal — ela respondeu, forçando um sorriso. — E o seu? — Cansativo. — Ricardo suspirou, tirando a gravata. — Mas valeu a pena. Fechei aquele contrato com os chineses. — Que ótimo — Clara murmurou, os olhos indo involuntariamente para a janela, onde Thiago trabalhava, alheio à tensão que pairava no ar. Ricardo seguiu o olhar dela e franziu a testa. — Quem é esse? — O jardineiro novo — ela explicou, tentando manter a voz calma. — O síndico recomendou. — Hum. — Ricardo não parecia muito interessado. — Desde quando a gente precisa de jardineiro? Você sempre cuidou do jardim. — Eu estava ocupada — ela mentiu. — E ele é bom. O jardim nunca esteve tão bonito. Ricardo deu de ombros e foi até a geladeira, pegando uma cerveja. — Se você diz. Mas não quero esse cara aqui quando eu estiver em casa. Entendeu? Clara assentiu, o coração batendo forte. — Claro. Mas enquanto observava Thiago trabalhar, os músculos das costas se contraindo sob o sol, ela sabia que não seria tão simples assim. Algo havia mudado entre eles, algo que não poderia ser desfeito com uma simples ordem. E, pela primeira vez em muito tempo, ela sentiu uma emoção que há muito não experimentava: excitação pelo desconhecido.

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