Paredes Finas, Desejos Mais Fortes

VizinhosPor Tonkix2 leituras
**Paredes Finas, Desejos Mais Fortes** A mudança chegou como um suspiro aliviado depois de meses de sufoco. Clara arrastou a última caixa pelo corredor estreito do prédio, os saltos finos ecoando no piso de mármore frio, cada passo um lembrete de que, finalmente, estava sozinha. Não no sentido triste da palavra, mas naquele alívio agudo de quem tira um sapato apertado depois de horas de reunião. O divórcio tinha sido limpo, quase asséptico — nenhum grito, nenhum prato quebrado, apenas a assinatura fria no papel e a sensação de que algo dentro dela havia se descolado, como uma pele velha caindo sem dor. O apartamento era pequeno, mas perfeito. Paredes brancas, janelas largas que deixavam a luz da tarde se espalhar em poças douradas sobre o piso de madeira clara. Ela passou a mão pelo batente da porta, sentindo a aspereza da tinta descascada em alguns pontos, e sorriu. Era real. Era dela. E, mais importante, era silencioso. Pelo menos, durante o dia. A primeira noite foi um choque. Clara tinha acabado de se deitar, o corpo ainda tenso com a lembrança dos últimos meses — as noites em claro, os olhares de pena dos colegas, a forma como Daniel a olhava agora, como se ela fosse uma peça de porcelana rachada. O edredom cheirava a lavanda, o travesseiro ainda guardava o perfume do sabão em pó, e ela fechou os olhos, pronta para mergulhar no esquecimento. Foi então que ouviu. Um gemido baixo, quase um suspiro, mas carregado de algo que fez seu corpo reagir antes mesmo que sua mente processasse. Veio da parede ao lado da cama, aquela que dividia seu quarto do apartamento vizinho. Clara abriu os olhos, o coração batendo mais rápido. Outro som, mais longo这次, mais profundo, como se alguém estivesse tentando conter algo que não podia ser contido. Ela se sentou, os dedos apertando o lençol. Não era possível. Mas era. Os sons continuaram, ritmados, crescendo em intensidade até se transformarem em algo quase musical — uma melodia de prazer que atravessava a parede fina como se não houvesse barreira alguma. Clara sentiu o calor subir pelo pescoço, as coxas se apertando involuntariamente. Era errado ouvir, era invasivo, mas ela não conseguia se mexer. Cada suspiro do vizinho ecoava dentro dela, despertando uma fome que ela pensava ter enterrado junto com o casamento. No dia seguinte, Clara acordou com a sensação de ter sido tocada. Não por mãos, mas por algo mais sutil — o eco de um desejo que não era seu, mas que agora habitava sua pele. Ela se levantou devagar, as pernas ainda trêmulas, e foi até a parede. Encostou a palma da mão no reboco, como se pudesse sentir o calor do outro lado. — Quem é você? — murmurou, a voz rouca de sono e algo mais. O prédio era antigo, desses que guardam segredos nas frestas do piso e nos murmúrios dos canos. Ela conhecia os vizinhos de vista — a senhora do 302, que sempre carregava sacolas de feira e cumprimentava com um aceno tímido; o casal do 401, que discutia em voz alta aos domingos; o homem do 503, que nunca olhava nos olhos de ninguém. Mas o 204, aquele ao lado do seu, era um mistério. Ela só o tinha visto uma vez, de relance, quando chegou com a mudança. Alto, cabelo escuro um pouco bagunçado, como se tivesse acabado de acordar — ou de fazer outra coisa. Usava uma camisa de botões aberta no colarinho, as mangas arregaçadas revelando antebraços fortes, marcados por veias que Clara imaginou serem quentes ao toque. Ele carregava uma caixa de som portátil, os fones de ouvido pendurados no pescoço como um colar. Quando seus olhares se cruzaram no corredor, ele hesitou por um segundo, como se quisesse dizer algo, mas então apenas assentiu e seguiu em frente. Clara passou o dia tentando não pensar nele. Ou melhor, tentando não pensar *naquilo*. Mas os sons da noite anterior voltavam em flashes — o ritmo, a respiração entrecortada, a forma como o prazer parecia se enrolar em torno dele como uma corda. Ela se pegou mordendo o lábio enquanto organizava os livros na estante, os dedos escorregando nas lombadas de couro como se fossem outra coisa. À noite, ela se deitou mais cedo do que o habitual, o corpo ainda sensível ao menor toque. O apartamento estava silencioso, mas ela sabia que era apenas uma questão de tempo. E então aconteceu. Primeiro, um som abafado, como se alguém estivesse se movimentando no escuro. Depois, um suspiro longo, seguido por um gemido que fez Clara se arrepiar. Ela fechou os olhos, as mãos se fechando em punhos ao lado do corpo. Não era justo. Não era justo que ele estivesse ali, tão perto, tão *vivo*, enquanto ela se sentia como uma estátua de gelo derretendo aos poucos. Os sons se intensificaram, e Clara não resistiu. Deslizou a mão por baixo do edredom, os dedos encontrando a pele quente da barriga, descendo devagar até a borda da calcinha. Ela estava molhada. Mais do que esperava. Mais do que admitiria. Do outro lado da parede, o ritmo acelerou, e Clara acompanhou, os dedos se movendo em círculos lentos, pressionando onde doía. Ela mordeu o lábio para não fazer barulho, mas um gemido escapou mesmo assim, baixo, quase inaudível. E então, do outro lado, houve uma pausa. Silêncio. Clara congelou. Será que ele tinha ouvido? O coração batia tão forte que ela teve certeza de que ele poderia escutar. Mas então os sons recomeçaram, mais urgentes, como se ele também tivesse sido pego de surpresa. E dessa vez, Clara não se conteve. Deixou os dedos trabalharem mais rápido, a respiração se tornando irregular, até que o prazer a atravessou como uma onda, deixando-a trêmula e ofegante. Do outro lado da parede, um último gemido ecoou, longo e satisfeito, antes que o silêncio voltasse a reinar. Clara ficou deitada, os dedos ainda úmidos, o corpo inteiro vibrando com a intensidade do que tinha acabado de acontecer. Ela não sabia o nome dele. Não sabia nada sobre ele. Mas agora, de alguma forma, eles estavam conectados. E ela tinha a sensação de que aquilo era apenas o começo. Clara acordou com o sol batendo em cheio no rosto, a lembrança da noite anterior ainda latejando entre as pernas. O lençol estava embolado aos seus pés, a pele úmida de suor, e por um instante ela se perguntou se tudo não passara de um sonho. Mas então, ao virar o corpo, sentiu o latejar suave no ventre, a memória dos próprios dedos explorando-se com uma urgência que nunca antes tivera. E o silêncio do outro lado da parede. Ou melhor, o silêncio *antes* do silêncio. Ela se levantou devagar, os músculos protestando levemente, como se o corpo ainda guardasse a tensão da noite. No banheiro, ao se olhar no espelho, notou as marcas leves dos dentes no lábio inferior, a vermelhidão nos mamilos, o brilho nos olhos. *Ele ouviu*, pensou, e a ideia a fez estremecer. Não de vergonha, mas de algo mais quente, mais perigoso. Algo que a fazia querer repetir. O café da manhã foi rápido, quase mecânico. Clara ligou a TV enquanto preparava uma torrada, zapeando pelos canais sem interesse, até que parou em um filme antigo de romance. A cena era banal: um casal se beijando na chuva, os corpos colados, as mãos explorando por baixo das roupas molhadas. Mas algo na forma como a câmera captava o desejo, na maneira como os atores se olhavam, fez seu estômago se contrair. Ela aumentou o volume, só um pouco, o suficiente para que o som dos gemidos abafados preenchesse a sala. E então, como se fosse um teste, deixou o filme rodando. O apartamento estava em silêncio, exceto pelo murmúrio sensual da televisão. Clara se sentou no sofá, as pernas dobradas sob o corpo, e fingiu ler um documento jurídico que trouxera do escritório. Mas seus olhos não conseguiam se fixar nas palavras. Em vez disso, ela ouvia. Esperava. Nada. Talvez ele não estivesse em casa. Talvez estivesse dormindo. Talvez— Um som abafado veio da parede. Clara prendeu a respiração. Não era um gemido, não exatamente. Era mais como… uma nota musical? Um acorde baixo, quase um ronronar, vindo de um instrumento que ela não reconhecia. *Ele está tocando*, percebeu, e a ideia a fez sorrir. Lucas, o músico reservado, respondendo à provocação sem nem saber que era uma provocação. Ela se levantou, aproximou-se da parede que os separava, e encostou a palma da mão ali, como se pudesse sentir as vibrações da música através do gesso. A melodia era lenta, sinuosa, cheia de curvas e pausas calculadas. Era o tipo de música que fazia o corpo se mover sozinho, que convidava os quadris a balançarem, os dedos a percorrerem a própria pele. Clara fechou os olhos e deixou que o som a envolvesse. --- Lucas estava sentado no chão do estúdio improvisado, as costas apoiadas na parede que dividia seu apartamento do dela. O violão descansava em seu colo, mas não era ele que estava tocando agora. Era o piano elétrico, cujas teclas respondiam ao toque mais leve com uma suavidade quase pecaminosa. Ele não planejara compor nada naquela manhã. Na verdade, acordara com uma ereção dolorida, a lembrança dos gemidos da noite anterior queimando em sua mente. *Ela*, pensou, sem saber seu nome, sem ter ideia de como era seu rosto. Apenas uma voz, um suspiro, um corpo que se entregava ao prazer do outro lado da parede. E agora, essa música. Ele não sabia de onde tinha vindo. As notas simplesmente surgiram, como se já estivessem escritas em algum lugar dentro dele, esperando para serem libertadas. Era uma melodia sensual, quase hipnótica, com um ritmo que imitava o pulsar do sangue, o subir e descer de uma respiração acelerada. Ele tocava devagar, deixando os dedos deslizarem pelas teclas, sentindo o prazer de criar algo que parecia vivo. Então, de repente, um gemido. Lucas parou, o coração batendo forte. *Não*, pensou. *Não pode ser.* Mas ali estava, inconfundível: o som abafado de uma mulher se entregando ao prazer. E vinha do apartamento ao lado. *Ela está fazendo de propósito.* A ideia o atingiu como um soco no estômago. Ele se levantou, o violão quase caindo no chão, e encostou a orelha na parede. O som da TV estava mais alto agora, e entre os diálogos e a trilha sonora, ele conseguia distinguir os suspiros, os movimentos ritmados, o som de tecido sendo arrastado. *Ela está me provocando.* E, Deus, como estava funcionando. Lucas voltou para o piano, mas agora suas mãos tremiam. A música que saía dali não era mais apenas uma melodia—era uma resposta. Cada nota era um convite, um desafio, uma promessa. Ele tocava mais alto, mais intenso, deixando que o som preenchesse o espaço entre eles, como se pudesse atravessar a parede e tocar *ela* diretamente. --- Clara não aguentou. O som do piano era demais. A forma como ele se entrelaçava com os gemidos da TV, como se os dois estivessem dançando juntos, era insuportavelmente erótico. Ela se levantou, as pernas trêmulas, e foi até a cozinha pegar um copo d’água. Mas a mão escorregou no balcão, e o copo caiu na pia com um *clink* alto. Ela congelou. Do outro lado, o piano parou abruptamente. Silêncio. Clara prendeu a respiração, os dedos apertando a borda da pia. *Ele ouviu*, pensou. *Ele sabe que estou aqui.* E então, como se para confirmar, o som voltou—mas agora diferente. Mais lento. Mais deliberado. Quase… *pessoal.* Era como se ele estivesse tocando *para ela.* Ela fechou os olhos e deixou a cabeça pender para trás, os lábios entreabertos. O som a envolvia, a penetrava, fazia seu corpo reagir de maneiras que ela não sabia serem possíveis. Sem pensar, levou a mão ao botão da calça de moletom que usava, deslizando os dedos para dentro. Um gemido escapou antes que pudesse se conter. Do outro lado, o piano respondeu com uma nota longa, vibrante, como se ele tivesse sentido o som em sua própria pele. --- Lucas não conseguia mais pensar. A música havia se transformado em algo primitivo, instintivo. Cada vez que ele ouvia o suspiro de Clara—*sim, ele já sabia que era ela*—suas mãos se moviam mais rápido, mais urgentes. Ele imaginava como ela estaria: deitada no sofá? Sentada no chão, as costas contra a parede, como ele? Estaria nua? Ou ainda de roupa, os dedos trabalhando sob o tecido? Ele queria saber. Precisava saber. Então, sem aviso, parou de tocar. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Lucas prendeu a respiração, esperando. Um segundo. Dois. Três. E então, como se fosse um sinal, um som suave veio do outro lado: o ranger de uma porta se abrindo. Clara estava saindo de casa. Ele se levantou num pulo, o coração martelando no peito. *Ela vai embora*, pensou, em pânico. *Ela vai embora e eu nunca vou saber quem é.* Mas então ouviu outro som: o tilintar de chaves, o clique da fechadura. Ela estava *voltando.* Lucas correu para a porta do apartamento, mas parou antes de abri-la. O que diria? *Oi, sou o seu vizinho que ouviu você se tocando ontem à noite e agora está obcecado por você*? Não. Isso seria loucura. Mas então a porta de Clara se fechou com um *clack* suave, e ele ouviu seus passos se aproximando. Ela estava no corredor. Ele estava no corredor. E, de repente, o mundo pareceu parar. O corredor do prédio cheirava a cera de piso e algo mais sutil, quase imperceptível—o perfume cítrico que Clara havia borrifado no pescoço naquela manhã, misturado ao suor limpo de quem acabara de voltar da academia. Ela parou diante da porta do 302, os dedos ainda trêmulos ao encaixar a chave na fechadura. O metal rangeu levemente, um som que ecoou no silêncio oco do espaço estreito. Foi então que ouviu. Passos. Não os passos apressados de alguém que desce as escadas correndo, nem o arrastar preguiçoso de quem carrega sacolas. Eram passos lentos, deliberados, como se quem os dava estivesse medindo cada movimento. Clara virou o rosto devagar, o cabelo ainda úmido do banho caindo sobre os ombros, e o viu. Lucas. Ele estava parado a poucos metros, a mão apoiada na parede como se precisasse de apoio. Usava uma camisa preta de mangas compridas, os botões superiores abertos revelando a curva da clavícula, e calças de linho que caíam soltas nos quadris. Os olhos—escuros, quase pretos—estavam fixos nela com uma intensidade que fez o ar entre eles vibrar. Clara sentiu o peso daquele olhar como um toque físico, algo que deslizava pela sua pele, deixando um rastro de calor. — Oi — ele disse, a voz rouca, como se tivesse acabado de acordar. Ou como se tivesse passado a noite inteira acordado, pensando. Ela engoliu em seco. *Ele sabe.* A certeza a atingiu como um soco no estômago. Não havia como não saber. As paredes finas, os gemidos abafados, a música que ela deixava tocar tarde da noite—tudo isso era um diálogo silencioso entre eles, uma dança de provocações e respostas. E agora, ali, no corredor, o jogo estava prestes a mudar. — Oi — respondeu, tentando soar casual. Mas sua voz saiu mais baixa do que pretendia, quase um sussurro. Ela limpou a garganta, fingindo procurar algo na bolsa. — Você… mora aqui também? Lucas sorriu. Não era um sorriso largo, daqueles que mostram os dentes, mas algo mais contido, quase perigoso. Como se soubesse que ela estava mentindo. — Terceiro andar — disse, apontando para cima com o queixo. — 303. Clara assentiu, como se não soubesse exatamente onde ele morava. Como se não tivesse passado as últimas noites imaginando a disposição do apartamento dele, tentando adivinhar onde ficava a cama, onde ele se tocava quando a ouvia gemer do outro lado da parede. — Clara — ela se apresentou, estendendo a mão. — 302. Ele olhou para a mão dela por um segundo a mais do que o necessário antes de apertá-la. Seus dedos eram longos, calejados nas pontas—dedos de músico, ela pensou. E quentes. Tão quentes que Clara sentiu o calor se espalhar pelo braço, subindo até o pescoço, fazendo sua pele formigar. — Lucas — ele disse, finalmente soltando-a. Mas não antes de passar o polegar levemente sobre o pulso dela, um gesto quase imperceptível, mas que a fez prender a respiração. O corredor pareceu encolher. O ar ficou mais denso, carregado com o cheiro de ambos—o perfume dela, o sabonete dele, o suor recém-lavado de dois corpos que sabiam o que era desejo. Clara se apoiou na porta, as costas pressionadas contra a madeira fria, como se precisasse daquele contraste para não se derreter ali mesmo. — Você… — ela começou, mas hesitou. *O que dizer?* *Perguntar se ele ouviu?* *Se gostou?* *Se também se tocou pensando nela?* Lucas inclinou a cabeça, como se lesse seus pensamentos. — Eu estava compondo — disse, devagar. — Uma música nova. — Ah. — Clara mordeu o lábio. — Deve ser… interessante. Ele riu, um som baixo e gutural que reverberou no peito dela. — É. Interessante é uma palavra. Silêncio. Um daqueles silêncios carregados, em que cada segundo parece durar uma eternidade. Clara sentiu o coração bater tão forte que teve certeza de que ele podia ouvir. Então, de repente, Lucas deu um passo à frente, diminuindo ainda mais a distância entre eles. — Quer ouvir? — perguntou, a voz quase um murmúrio. Ela piscou. — O quê? — A música. — Ele sorriu, mas seus olhos não deixavam dúvidas: não era só pela música que ele a estava convidando. — Posso tocar para você. Clara sabia que era uma desculpa. Sabia que, se aceitasse, estaria cruzando uma linha da qual não haveria volta. Mas o desejo já havia tomado conta dela, quente e pulsante, e a ideia de estar sozinha com ele, de sentir aquele corpo perto do seu, de ouvir o que ele criava quando a tensão entre eles se tornava insuportável… era demais. — Eu… — Ela respirou fundo. — Gostaria. Lucas não disse nada. Apenas estendeu a mão, os dedos levemente curvados, como se a convidasse para dançar. Clara olhou para aquela mão—forte, capaz, a mão de um homem que sabia como usar o corpo—e sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Então, sem pensar duas vezes, colocou a sua sobre a dele. O toque foi elétrico. Como se uma corrente passasse entre eles, acendendo cada terminação nervosa. Lucas fechou os dedos ao redor dos dela, firme, mas sem apertar, e a puxou suavemente em direção ao seu apartamento. O caminho até a porta do 303 foi curto, mas pareceu durar uma vida inteira. Clara sentia cada passo como se estivesse caminhando sobre brasas. O cheiro dele ficou mais forte—madeira, couro, algo doce e masculino que ela não conseguia identificar, mas que a fazia querer se aproximar ainda mais. Quando chegaram à porta, Lucas hesitou por um segundo, como se também estivesse percebendo que, a partir daquele momento, não haveria mais volta. Então ele abriu a porta. O apartamento era menor do que ela imaginava, mas arrumado com uma precisão quase obsessiva. Havia um piano de cauda preto no centro da sala, as teclas brilhando sob a luz suave que entrava pela janela. Partituras estavam espalhadas pelo chão, algumas com anotações rabiscadas a lápis. O sofá de couro gasto ficava encostado na parede oposta, e sobre ele, uma guitarra descansava como se tivesse sido deixada ali às pressas. — Desculpe a bagunça — ele disse, fechando a porta atrás dela. O clique da fechadura soou como um ponto final em algo, como se agora estivessem presos juntos naquele espaço. Clara não respondeu. Estava ocupada demais absorvendo tudo—o calor do ambiente, o som da respiração dele atrás dela, a maneira como o silêncio entre eles parecia pulsar. Então, sem aviso, Lucas passou por ela, roçando levemente seu braço no dela ao se aproximar do piano. — Sente-se — disse, indicando o sofá. Ela obedeceu, afundando no couro macio. O material rangeu levemente sob seu peso, um som que a fez se contorcer por dentro. Lucas não se sentou ao piano imediatamente. Em vez disso, ficou parado ao lado dele, as mãos apoiadas na tampa polida, os olhos fixos nela. — Você é advogada, certo? — perguntou, de repente. Clara piscou, surpresa. — Como você sabe? Ele deu de ombros, um sorriso brincando nos lábios. — Ouvi você falando ao telefone outro dia. Algo sobre um processo. Ela sentiu o rosto esquentar. *Ele prestou atenção.* *Ele ouviu mais do que só os gemidos.* — Sou — confirmou, cruzando as pernas. O movimento fez o tecido da saia subir um pouco, revelando mais da coxa. Lucas acompanhou o gesto com os olhos, e Clara viu a garganta dele se mover quando engoliu em seco. — E você… — ela começou, mas hesitou. — Você é músico. — Sou — ele disse, simplesmente. Então, como se decidisse algo, sentou-se ao piano. As teclas rangeram levemente sob seus dedos. Clara prendeu a respiração. Lucas não começou a tocar de imediato. Primeiro, ele a encarou, os olhos escuros queimando com uma intensidade que a fez se remexer no sofá. Então, lentamente, suas mãos se moveram. A primeira nota foi baixa, quase um sussurro. Uma melodia que começou suave, mas que logo ganhou corpo, preenchendo o espaço entre eles como uma presença física. Clara sentiu o som vibrar em seu peito, nas costelas, como se cada nota fosse um dedo percorrendo sua pele. E então, sem aviso, Lucas começou a cantar. A voz dele era rouca, profunda, carregada de uma emoção que ela não conseguia nomear. As palavras eram em inglês, algo sobre desejo e paredes finas, sobre sons que escapavam sem permissão. Clara sentiu o corpo inteiro reagir—os mamilos endurecendo sob a blusa, o calor se acumulando entre as pernas, a respiração ficando mais rápida, mais superficial. Ela não percebeu que estava se inclinando para frente até que suas mãos se apoiaram no sofá, os dedos cravando no couro. Lucas a observava enquanto cantava, os olhos nunca deixando os dela, como se cada palavra fosse um convite, uma provocação. E então, de repente, ele parou. O silêncio que se seguiu foi tão denso que Clara quase gemeu. Ela queria mais. Precisava de mais. — Por que parou? — perguntou, a voz trêmula. Lucas não respondeu. Em vez disso, levantou-se do banco do piano e caminhou em sua direção. Clara sentiu o coração disparar, o sangue pulsando nas têmporas. Ele parou na frente dela, tão perto que ela podia sentir o calor do corpo dele, o cheiro da pele misturado ao perfume da madeira do piano. — Porque — ele disse, a voz um rosnado — eu não quero que você ouça a música. Ela franziu a testa. — Não? — Não. — Ele se inclinou, apoiando as mãos nos braços do sofá, prendendo-a entre seus braços. — Eu quero que você *sinta*. E então, antes que ela pudesse responder, ele a beijou. Os lábios de Lucas eram mais macios do que Clara imaginara, mas a urgência com que a beijava não deixava espaço para delicadezas. Era um beijo de fome antiga, daquelas que se acumulam em noites insones e suspiros abafados contra travesseiros. Ela correspondeu com a mesma intensidade, as mãos subindo pelos braços dele até encontrarem os ombros largos, sentindo a tensão dos músculos sob a camisa. O sofá rangeu levemente quando ela se inclinou ainda mais, buscando mais proximidade, mais pressão, mais *ele*. Lucas gemeu contra sua boca, um som rouco que vibrou entre eles, e Clara sentiu o corpo inteiro reagir—os mamilos endurecendo sob o tecido fino da blusa, o calor se espalhando entre as pernas. Ele mordeu de leve o lábio inferior dela antes de afastar o rosto apenas o suficiente para murmurar: — Você não faz ideia do quanto eu quis fazer isso. — Então me mostra — ela desafiou, a voz saindo mais ofegante do que pretendia. Ele não precisou de mais incentivo. As mãos de Lucas deslizaram pelas costas dela, puxando-a para mais perto, enquanto a boca descia pelo pescoço, deixando uma trilha de beijos úmidos e mordiscadas que faziam Clara arquear o corpo. Ela sentiu os dentes dele roçarem a pele sensível logo abaixo da orelha e estremeceu, um gemido escapando antes que pudesse contê-lo. O som ecoou pelo apartamento, e por um segundo, ambos congelaram. As paredes finas. A lembrança do que os separava—e do que os unia—acendeu algo ainda mais selvagem entre eles. Clara agarrou os cabelos de Lucas, puxando-o de volta para sua boca, enquanto ele a levantava do sofá com um movimento fluido. Ela envolveu as pernas ao redor da cintura dele, sentindo a dureza da ereção pressionando exatamente onde mais precisava. — Porra — ele rosnou, as mãos apertando a bunda dela enquanto a carregava pelo apartamento. — Você vai me matar antes da noite acabar. — Melhor morrer feliz — ela respondeu, rindo baixinho, mas o riso se transformou em um suspiro quando ele a encostou contra a parede ao lado do piano. O corpo dela deslizou devagar até os pés tocarem o chão, mas Lucas não a soltou. Em vez disso, segurou seu rosto entre as mãos e a beijou de novo, mais devagar dessa vez, como se quisesse memorizar o gosto dela. Clara sentiu os dedos dele deslizarem pelo seu braço, deixando arrepios em seu rastro, até entrelaçarem-se aos seus. Ele guiou a mão dela para baixo, pressionando-a contra a própria virilha, e Clara não precisou de mais instruções. Apertou-o por cima do jeans, ouvindo-o xingar baixinho contra sua boca. — Você gosta de me provocar, não é? — ele perguntou, a voz rouca, enquanto mordiscava o queixo dela. — Só estou retribuindo o favor — ela sussurrou, apertando-o de novo. Lucas gemeu, os quadris empurrando involuntariamente contra a mão dela. Então, de repente, ele a soltou, dando um passo para trás. Clara quase protestou, mas ele apenas sorriu—um sorriso lento, perigoso—e estendeu a mão. — Dança comigo. Ela hesitou por um segundo, mas o brilho nos olhos dele era irresistível. Pegou a mão oferecida, deixando-se ser puxada para o centro da sala. O apartamento estava quase escuro, iluminado apenas pela luz âmbar que vazava da luminária ao lado do piano. A música ainda ecoava em algum lugar da memória dela—uma melodia sensual, sem palavras, mas carregada de promessas. Lucas a puxou para perto, uma mão na cintura dela, a outra segurando a sua contra o peito. O corpo dele era quente, firme, e Clara sentiu o coração dele batendo acelerado sob a palma da mão. Eles começaram a se mover devagar, quase sem ritmo, como se estivessem aprendendo os passos um do outro. Mas logo a dança se tornou mais intensa, os corpos colando-se, os quadris roçando de um jeito que fazia Clara morder o lábio para não gemer alto. — Você sente isso? — ele murmurou, a boca perto da orelha dela. — Como se as paredes estivessem nos ouvindo? Clara estremeceu. Sim, ela sentia. Cada suspiro, cada roçar de tecido, cada batida do coração deles parecia amplificado, como se o apartamento inteiro estivesse vibrando com a tensão entre eles. Ela inclinou a cabeça para trás, expondo o pescoço, e Lucas não perdeu tempo—beijou a pele sensível, depois a clavícula, enquanto as mãos deslizavam pelas costas dela, puxando-a ainda mais para perto. — Eu queria que você soubesse — ele disse, a voz rouca — o quanto eu te ouvi. Todas as noites. Clara fechou os olhos, sentindo o hálito quente dele contra a pele. As mãos dela subiram pelos braços de Lucas, sentindo os músculos tensos, até encontrarem o pescoço, puxando-o para um beijo. Dessa vez, não havia pressa. Era um beijo lento, profundo, exploratório, como se tivessem todo o tempo do mundo. Mas o corpo dela gritava por mais, e Clara sentiu as unhas cravarem-se levemente nos ombros dele quando ele mordeu seu lábio inferior. — Lucas — ela gemeu, o nome dele saindo como uma súplica. Ele respondeu puxando-a com mais força, os quadris colando-se aos dela de um jeito que não deixava dúvidas sobre o que ele queria. Clara sentiu a umidade entre as pernas, o corpo inteiro latejando de desejo. As mãos dele deslizaram para baixo, segurando a bunda dela, erguendo-a levemente, e ela não resistiu—enrolou as pernas ao redor da cintura dele de novo, sentindo a ereção pressionar exatamente onde precisava. — Porra, Clara — ele rosnou, os lábios contra o pescoço dela. — Você vai me deixar louco. Ela riu baixinho, mas o som se transformou em um gemido quando ele a empurrou contra a parede mais uma vez, as mãos subindo pela blusa dela, puxando-a para cima. Clara levantou os braços, deixando-o tirá-la, e logo sentiu o ar fresco da noite contra a pele nua. Lucas não perdeu tempo—os lábios encontraram um mamilo, sugando-o com força, enquanto a mão livre apertava o outro seio. Clara arqueou as costas, as unhas cravando-se nos ombros dele, o prazer tão intenso que quase a fez perder o equilíbrio. Ela sentiu os dentes dele roçarem o mamilo sensível e gemeu alto, sem se importar se o vizinho do outro lado da parede poderia ouvir. Lucas ergueu a cabeça, os olhos escuros de desejo, e por um segundo, eles apenas se encararam, ofegantes. — Eu quero você — ele disse, a voz rouca. — Agora. Clara não respondeu. Em vez disso, puxou-o para outro beijo, as mãos descendo para o botão do jeans dele. Lucas ajudou, afastando-se apenas o suficiente para tirar a camisa, revelando um peito musculoso, levemente coberto por uma fina camada de pelos. Clara passou as mãos por ele, sentindo a pele quente, os músculos tensos sob os dedos, antes de empurrar o jeans para baixo. Ele chutou a peça para longe, ficando apenas de cueca, a ereção evidente sob o tecido fino. Clara mordeu o lábio, os olhos fixos nele, antes de se ajoelhar devagar. Lucas gemeu quando ela puxou a cueca para baixo, liberando-o, e não hesitou—envolveu-o com a mão, sentindo a textura sedosa e a dureza pulsante, antes de levar a boca até a ponta. — Clara — ele rosnou, as mãos enroscando-se nos cabelos dela. Ela não parou. Lambeu-o devagar, sentindo o gosto salgado, antes de levá-lo mais fundo, as mãos trabalhando em sincronia com a boca. Lucas gemeu alto, os quadris empurrando levemente, e Clara sentiu o poder daquele momento—ele estava à sua mercê, e ela adorava isso. Mas então ele a puxou para cima, beijando-a com uma urgência renovada. — Chega — ele murmurou contra a boca dela. — Eu preciso estar dentro de você. Clara não discutiu. Deixou-se ser carregada até o sofá, onde Lucas a deitou com cuidado, antes de se ajoelhar entre as pernas dela. Ele puxou a calcinha para baixo, os dedos roçando a pele sensível das coxas, e Clara sentiu o corpo inteiro tremer de antecipação. Quando ele finalmente tocou seu clitóris, ela gemeu alto, as costas arqueando-se. — Tão molhada — ele murmurou, os dedos deslizando com facilidade. — Tão pronta. Clara não conseguia falar. Só conseguia sentir—os dedos dele explorando-a, provocando-a, até que ela estava à beira do precipício. Mas então ele parou, deixando-a ofegante, os olhos fixos nos dela enquanto levava os dedos à boca, lambendo-os devagar. — Deliciosa — ele disse, a voz rouca. Ela quase gozou ali mesmo. Lucas se levantou, pegando algo na carteira antes de voltar para ela. Clara observou, hipnotizada, enquanto ele colocava a camisinha, os movimentos precisos, urgentes. Então ele estava sobre ela, o corpo quente pressionando-a contra o sofá, e Clara abriu as pernas, recebendo-o. Por um segundo, ele apenas a encarou, os olhos escuros, intensos. — Você tem certeza? — ele perguntou, a voz baixa. Clara respondeu puxando-o para mais perto, os lábios encontrando os dele em um beijo desesperado. — Nunca tive tanta certeza na minha vida. E então ele a penetrou. Clara gemeu alto, as unhas cravando-se nas costas dele enquanto ele se movia devagar, deixando-a se acostumar com a sensação. Mas logo a lentidão deu lugar a algo mais selvagem, mais urgente, e ela correspondeu a cada investida, os corpos colando-se e separando-se em um ritmo que fazia as paredes do apartamento tremerem. — Mais — ela pediu, a voz quebrada. — Mais forte. Lucas obedeceu. Os movimentos se tornaram mais profundos, mais intensos, e Clara sentiu o orgasmo se aproximando como uma onda. Ela agarrou-se a ele, os lábios encontrando o pescoço dele, mordendo-o levemente enquanto o prazer a consumia. — Porra, Clara — ele gemeu, a voz rouca. — Eu vou gozar. — Goza comigo — ela sussurrou, sentindo o próprio corpo se contrair ao redor dele. E então aconteceu. O orgasmo a atingiu com força, fazendo-a arquear as costas, os gemidos ecoando pelo apartamento. Lucas a seguiu logo depois, os movimentos perdendo o ritmo enquanto ele se enterrava nela uma última vez, o corpo tremendo. Por um longo momento, eles ficaram ali, ofegantes, os corpos entrelaçados. Clara sentiu o coração dele batendo contra o seu, rápido, descompassado, e sorriu contra a pele dele. Mas então, como se de repente se lembrasse de onde estavam, Lucas ergueu a cabeça, os olhos encontrando os dela. — As paredes — ele murmurou, um sorriso lento se formando nos lábios. Clara riu baixinho, mas o som morreu na garganta quando ele a beijou de novo, suave dessa vez, como se prometesse que aquilo era apenas o começo. E, pela primeira vez em muito tempo, ela acreditou. Lucas a puxou para dentro do apartamento com um movimento ágil, as mãos firmes em sua cintura enquanto a porta se fechava atrás deles com um clique suave. O espaço era pequeno, iluminado apenas pela luz âmbar de um abajur no canto, que lançava sombras dançantes sobre as paredes cobertas de partituras e pôsteres de bandas obscuras. O ar cheirava a café velho, madeira envernizada e algo mais—o perfume masculino de Lucas, uma mistura de sândalo e suor limpo que a fez respirar fundo, como se pudesse absorvê-lo. — Você tem certeza? — ele murmurou contra sua boca, os dedos já deslizando sob a barra da blusa dela, tocando a pele quente da cintura. Clara não respondeu com palavras. Em vez disso, puxou-o para mais perto, os lábios encontrando os dele em um beijo faminto, as mãos enroscando-se nos cabelos escuros e levemente úmidos da nuca dele. Sentiu o gosto de menta e algo mais doce, talvez o vinho que ele havia bebido antes, e gemeu baixinho quando os dentes dele roçaram seu lábio inferior. — Eu quero você — ela sussurrou, a voz rouca de desejo. — Desde a primeira vez que ouvi você do outro lado da parede. Lucas soltou um som gutural, quase um rosnado, e a empurrou contra a parede mais próxima. As mãos dele exploraram seu corpo com uma urgência que a deixou sem fôlego—os dedos traçando o contorno dos seios por cima do tecido fino da blusa, descendo pela curva do quadril, apertando-a contra ele para que sentisse a ereção rígida contra sua coxa. — Você não faz ideia do que fez comigo — ele disse, a voz áspera, os lábios deslizando pelo pescoço dela, deixando um rastro de fogo. — Eu ficava acordado, ouvindo você se tocar, imaginando como seria te provar. Clara arqueou o corpo contra o dele, as unhas cravando-se nos ombros largos de Lucas. A parede fria às suas costas contrastava com o calor que emanava do corpo dele, e ela se entregou à sensação, os quadris se movendo instintivamente contra os dele. — Então me prova — ela desafiou, puxando a blusa pela cabeça e deixando-a cair no chão. Lucas não perdeu tempo. Os lábios encontraram o vale entre os seios dela, a língua traçando círculos lentos e úmidos sobre a pele sensível, enquanto as mãos desabotoavam o sutiã com uma destreza que denunciava prática. Quando o tecido caiu, ele recuou por um segundo, os olhos escuros percorrendo o corpo dela com uma intensidade que a fez estremecer. — Porra, Clara — ele murmurou, a voz carregada de admiração. — Você é linda. Ela não teve tempo de responder. Lucas a ergueu nos braços com facilidade, carregando-a até o sofá gasto no centro da sala. Deitou-a sobre os almofadões, o corpo cobrindo o dela enquanto os lábios desciam pelo estômago, deixando beijos molhados e mordiscadas leves que a fizeram se contorcer. — Lucas… — ela gemeu, as mãos enroscando-se nos cabelos dele quando a boca encontrou o botão sensível do mamilo, sugando-o com força. Ele riu baixinho, o hálito quente contra a pele dela. — Shhh — ele sussurrou, os dedos deslizando para dentro da calça dela, encontrando-a já úmida, pronta. — As paredes, lembra? Clara mordeu o lábio para conter um gemido quando os dedos dele começaram a se mover em círculos lentos e torturantes. O prazer era quase insuportável, e ela se arqueou contra a mão dele, os quadris se movendo em sincronia com o ritmo que ele impunha. — Você gosta disso? — ele perguntou, a voz um sussurro rouco contra o ouvido dela. — Sim — ela ofegou, as unhas cravando-se nas costas dele. — Mais. Lucas não a fez esperar. Com um movimento rápido, tirou a calça dela, deixando-a apenas de calcinha, e se ajoelhou entre as pernas dela. Os olhos escuros encontraram os dela por um segundo, como se pedindo permissão, e Clara assentiu, as pernas se abrindo instintivamente. Ele não a provocou dessa vez. A boca desceu sobre ela com uma voracidade que a fez gritar, os lábios e a língua trabalhando em um ritmo implacável. Clara agarrou os cabelos dele, os quadris se movendo contra o rosto dele enquanto o prazer a consumia, cada toque enviando ondas de calor pelo corpo. — Lucas, eu… — ela tentou avisar, mas as palavras se perderam em um gemido quando ele a levou ao limite, o orgasmo explodindo em ondas intensas que a deixaram ofegante. Ele não parou. Continuou a lamber e sugar, prolongando o prazer até que ela estivesse mole, os músculos tremendo. Só então ele se afastou, os lábios brilhando, um sorriso satisfeito nos lábios. — Você é deliciosa — ele murmurou, subindo pelo corpo dela e capturando sua boca em um beijo profundo. Clara sentiu o gosto de si mesma nos lábios dele e gemeu, as mãos deslizando pela camisa dele, puxando-a pela cabeça. Os corpos se encaixaram perfeitamente, pele contra pele, e ela sentiu a ereção dele pressionando contra sua coxa, quente e dura. — Sua vez — ela sussurrou, empurrando-o de costas no sofá e montando nele. Lucas riu, mas o som se transformou em um gemido quando ela desabotoou a calça dele e libertou a ereção, os dedos envolvendo-o com firmeza. Ele fechou os olhos, a cabeça caindo para trás enquanto ela começava a se mover, os quadris roçando contra os dele em um ritmo lento e provocante. — Clara… — ele gemeu, as mãos apertando os quadris dela. — Eu não vou durar se você continuar assim. Ela sorriu, inclinando-se para beijá-lo, a língua deslizando contra a dele enquanto os movimentos se tornavam mais rápidos, mais urgentes. — Então não dure — ela sussurrou contra os lábios dele. Lucas não precisou de mais incentivo. Com um movimento rápido, ele a virou de costas no sofá, os corpos se encaixando novamente. Clara sentiu a ponta da ereção dele pressionando contra ela e arqueou as costas, ansiosa. — Por favor — ela pediu, as unhas cravando-se nos ombros dele. Ele não a fez esperar. Com um único movimento, entrou nela, preenchendo-a por completo. Clara gritou, os dedos se enroscando nos cabelos dele enquanto ele começava a se mover, os quadris batendo contra os dela em um ritmo implacável. — Você é tão apertada — ele gemeu, os lábios encontrando o pescoço dela, mordiscando a pele sensível. — Tão perfeita. Clara não conseguia responder. O prazer era avassalador, cada estocada enviando ondas de calor pelo corpo. Ela envolveu as pernas ao redor da cintura dele, puxando-o para mais perto, mais fundo, enquanto os gemidos ecoavam pelo apartamento. — Mais forte — ela pediu, a voz rouca. — Eu quero sentir você. Lucas obedeceu. Os movimentos se tornaram mais rápidos, mais intensos, os corpos se chocando em um ritmo frenético. Clara sentiu o orgasmo se aproximando novamente, o corpo todo tremendo enquanto ele a levava ao limite. — Goza comigo — ele sussurrou, a voz rouca de desejo. E então aconteceu. O prazer a atingiu com força, fazendo-a arquear as costas, os gemidos ecoando pelo apartamento. Lucas a seguiu logo depois, os movimentos perdendo o ritmo enquanto ele se enterrava nela uma última vez, o corpo tremendo. Por um longo momento, eles ficaram ali, ofegantes, os corpos entrelaçados. Clara sentiu o coração dele batendo contra o seu, rápido, descompassado, e sorriu contra a pele dele. Mas então, como se de repente se lembrasse de onde estavam, Lucas ergueu a cabeça, os olhos encontrando os dela. — As paredes — ele murmurou, um sorriso lento se formando nos lábios. Clara riu baixinho, mas o som morreu na garganta quando ele a beijou de novo, suave dessa vez, como se prometesse que aquilo era apenas o começo. E, pela primeira vez em muito tempo, ela acreditou. Mas quando a respiração deles finalmente se acalmou e o suor começou a esfriar sobre a pele, Clara sentiu um frio na barriga. Não era apenas o ar da noite. Era algo mais profundo, uma pergunta que ela não sabia como responder. Lucas rolou para o lado, puxando-a contra o peito, os dedos traçando círculos preguiçosos nas costas dela. — O que foi? — ele perguntou, a voz suave. Clara hesitou. Não era o momento para dúvidas, mas elas estavam ali, insistentes. — E agora? — ela murmurou, os dedos brincando com os pelos do peito dele. Lucas ficou em silêncio por um segundo. Então, com um suspiro, ele a puxou para mais perto, os lábios roçando a têmpora dela. — Agora — ele disse, a voz baixa —, a gente vê o que acontece. E, embora as palavras fossem simples, Clara sentiu o peso delas. Porque, pela primeira vez, não era apenas sobre desejo. Era sobre algo mais. Algo que nenhum dos dois estava pronto para nomear. A luz da manhã invadiu o quarto de Lucas como um intruso, filtrada pelas cortinas finas que mal disfarçavam a claridade crua do sol. Clara acordou antes dele, os olhos ainda pesados de sono e de algo mais—uma mistura de saciedade e inquietação que se enroscava no peito como um fio de seda apertado demais. O lençol estava embolado aos pés da cama, e a pele dela, ainda quente da noite anterior, agora sentia o ar fresco do ambiente. Ao seu lado, Lucas respirava devagar, o braço jogado sobre o quadril dela num gesto que parecia ao mesmo tempo possessivo e casual. Ela virou o rosto para observá-lo. Os cílios escuros roçavam as maçãs do rosto, e a boca, levemente entreaberta, exalava um hálito morno que se misturava ao cheiro de suor seco e sexo. Clara sentiu um arrepio percorrer a espinha, não de frio, mas de memória—os gemidos abafados contra o travesseiro, as mãos dele segurando seus pulsos acima da cabeça, a maneira como ele a olhara enquanto a penetrava, como se quisesse gravar cada detalhe dela na retina. Era demais. Era pouco. Era perigoso. Com cuidado, ela se desvencilhou do abraço, sentando-se na beirada da cama. O chão estava frio sob seus pés, e o contato com a madeira lisa a fez estremecer. No banheiro, o espelho refletiu uma mulher que ela mal reconheceu: os lábios inchados, os mamilos ainda sensíveis ao toque do ar, os cabelos emaranhados como se tivessem sido puxados por dedos ávidos. Ela passou os dedos pelo pescoço, sentindo as marcas leves deixadas pelos dentes de Lucas, e fechou os olhos. *O que foi que eu fiz?* Quando voltou ao quarto, ele já estava acordado, sentado contra a cabeceira da cama, os lençóis puxados até a cintura. Os olhos dele a seguiram enquanto ela se movia, e havia algo neles—uma intensidade que não era apenas desejo, mas também uma pergunta silenciosa. Clara hesitou, depois pegou a camisa dele do chão e a vestiu, sentindo o tecido ainda impregnado com o cheiro de ambos. — Bom dia — ela disse, a voz rouca de sono e de algo mais. Lucas sorriu, um sorriso lento e perigoso que fez o estômago dela se contrair. — Bom dia — ele respondeu, estendendo a mão. — Vem aqui. Ela deveria recusar. Deveria pegar suas roupas, vestir-se e sair dali antes que as coisas ficassem ainda mais complicadas. Mas os dedos dele já estavam entrelaçados nos seus, puxando-a de volta para a cama, e Clara se deixou cair ao lado dele, o corpo respondendo antes que a mente pudesse protestar. — Você está quieta — ele murmurou, os lábios roçando a orelha dela enquanto a puxava para mais perto. — Estou pensando — ela admitiu, a respiração acelerando quando a mão dele deslizou pela coxa nua. — Em quê? Clara hesitou. *Em como isso é errado. Em como eu não deveria querer você. Em como eu não consigo parar de te querer.* — Em como as paredes são finas — ela disse, finalmente, desviando os olhos para o ponto onde a parede do quarto encontrava a do apartamento dela. — Em como todo mundo nesse prédio provavelmente ouviu a gente ontem à noite. Lucas riu, um som baixo e vibrante que reverberou contra o peito dela. — Você acha que eu me importo? — Eu me importo. — Por quê? — Ele inclinou a cabeça, os dedos traçando círculos preguiçosos na pele dela. — Você se arrepende? Clara abriu a boca para dizer que sim, que aquilo tinha sido um erro, que eles deveriam esquecer tudo e seguir em frente como se nada tivesse acontecido. Mas as palavras morreram na garganta quando ele a puxou para cima de si, as pernas dela se abrindo naturalmente sobre os quadris dele. O lençol escorregou, revelando a ereção matinal, dura e insistente contra a barriga dela. — Não — ela sussurrou, a voz falhando. — Não me arrependo. Lucas sorriu, satisfeito, e a puxou para um beijo. Foi lento, profundo, como se ele tivesse todo o tempo do mundo para explorar a boca dela, para memorizar o gosto do café da manhã que ainda não haviam tomado. Quando se afastou, os olhos dele brilhavam com algo que ia além da luxúria. — Então qual é o problema? — O problema — ela disse, as mãos apoiadas no peito dele, sentindo o coração bater forte sob as palmas — é que isso não era para ser só uma noite. — Quem disse? — Eu. Você. A situação. Lucas segurou o rosto dela entre as mãos, obrigando-a a olhar para ele. — Clara, eu não sou um garoto. Não vou fingir que não quero você só porque a gente se conheceu de um jeito… pouco convencional. — Ele fez uma pausa, os polegares acariciando as maçãs do rosto dela. — E você também não é uma garota. Então por que a gente está fingindo que isso é só sexo? Ela sentiu as lágrimas queimarem os olhos, mas não deixou que caíssem. Porque ele tinha razão. Porque, no fundo, ela sabia que não era só isso. Não para ela. Não depois da maneira como ele a olhara enquanto a fazia gozar, como se ela fosse a única coisa que importava no mundo. — Eu não sei — ela admitiu, a voz quebrando. — Eu só… não quero me machucar. Lucas a puxou para mais perto, envolvendo-a num abraço que era ao mesmo tempo reconfortante e possessivo. — Eu também não quero te machucar — ele murmurou contra o cabelo dela. — Mas a gente não precisa decidir nada agora. A gente pode só… deixar acontecer. Clara fechou os olhos, inalando o cheiro dele—sabonete, suor, sexo. Era tentador. Era assustador. Era exatamente o que ela queria. — E se a gente se arrepender? — ela perguntou, a voz abafada contra o peito dele. — Então a gente se arrepende junto — ele respondeu, simples. — Mas eu não acho que vai ser o caso. Ela não respondeu. Em vez disso, beijou-o de novo, dessa vez com mais urgência, como se quisesse provar a si mesma que ainda tinha controle sobre aquilo. Mas quando as mãos dele deslizaram para baixo, puxando a camisa que ela vestia e expondo os seios ao ar frio da manhã, Clara soube que não havia controle nenhum. Havia apenas eles, e o desejo que queimava entre os dois como uma fogueira impossível de apagar. Lucas a deitou de costas, cobrindo o corpo dela com o seu, e Clara arqueou as costas quando ele tomou um mamilo na boca, sugando com força suficiente para fazê-la gemer. As paredes eram finas. Os vizinhos provavelmente estavam acordando. Mas naquele momento, não importava. — Lucas… — ela sussurrou, as unhas cravando-se nos ombros dele. — Shhh — ele murmurou, a boca deslizando para o outro seio. — Deixa eles ouvirem. E ela deixou. Mais tarde, quando os dois estavam deitados lado a lado, exaustos e satisfeitos, Clara percebeu que não havia mais constrangimento entre eles. Apenas uma calma estranha, como se tivessem cruzado uma linha e descoberto que, do outro lado, não havia arrependimento, apenas alívio. — O que você vai fazer hoje? — ela perguntou, os dedos brincando com os pelos do peito dele. — Compor — ele respondeu, pegando a mão dela e beijando a palma. — Talvez escrever uma música sobre uma vizinha que me enlouquece. Clara riu, mas o coração disparou. — Não ouse. — Por quê? — Ele sorriu, malicioso. — Você não gostaria de ser imortalizada numa canção? — Eu prefiro ser imortalizada de outras maneiras — ela respondeu, montando nele de novo. Lucas gemeu, as mãos agarrando os quadris dela. — Isso pode ser arranjado. E assim, sem pressa, sem promessas, eles se perderam de novo—dessa vez, com a certeza de que não seria a última.

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