O Último Toque da Noite

MassagemPor Tonkix13 leituras
O Último Toque da Noite
**O Último Cliente da Noite** O relógio na parede do estúdio marcava meia-noite e quinze quando Clara finalmente desligou as luzes da recepção. O dia tinha sido longo—oito clientes seguidos, músculos tensos, ombros carregados de estresse, e agora, só restava ela, o silêncio da sala de massagem e o cheiro persistente de lavanda e sândalo no ar. Passou a mão pelos cabelos castanhos, presos em um coque frouxo, e suspirou. *Mais um dia*, pensou, enquanto verificava o celular. Nenhuma mensagem nova. Nenhum imprevisto. Nenhum motivo para não ir para casa e cair na cama. Foi quando a campainha tocou. Um som agudo, quase estridente, cortando o silêncio como uma lâmina. Clara franziu o cenho. *Quem diabos ainda estaria na rua a essa hora?* Olhou pela janela da recepção, mas a névoa noturna e a iluminação fraca das lâmpadas da rua não deixavam ver nada além de uma silhueta masculina, alta, encostada na porta de vidro. O homem parecia hesitar, como se também não tivesse certeza se deveria estar ali. — Desculpe, estamos fechados — disse Clara, aproximando-se da porta, mas sem abri-la. — O horário é até meia-noite. O homem ergueu a cabeça, e mesmo através do vidro fosco, ela pôde ver o brilho de seus olhos escuros. Uma voz grave, levemente rouca, respondeu: — Eu sei. Mas… é urgente. — Ele hesitou, como se procurasse as palavras certas. — Tenho uma viagem longa amanhã cedo, e meu ombro está me matando. Não consigo nem levantar o braço direito. Clara mordeu o lábio inferior. Não era a primeira vez que um cliente aparecia fora de hora, desesperado por alívio. E, afinal, ela ainda estava ali, com as mãos doloridas e a mente cansada, mas… *por que não?* Um último cliente, rápido, só para não deixar alguém na mão. Ou talvez, no fundo, porque ela também não queria ir para casa ainda. Porque, às vezes, o cansaço era tão grande que até o silêncio de um apartamento vazio parecia sufocante. — Tudo bem — cedeu, destrancando a porta. — Mas só trinta minutos. E pago em dinheiro, sem recibo. O homem sorriu, um sorriso lento, quase tímido, e entrou. Clara fechou a porta atrás dele, trancando-a novamente. A luz da recepção era suave, amarelada, e lançava sombras longas sobre o rosto do desconhecido. Ele era mais jovem do que ela imaginara—talvez uns trinta e poucos anos—, com cabelos escuros levemente despenteados e uma barba por fazer que lhe dava um ar de quem não se importava muito com formalidades. Usava uma camisa social azul-marinho, as mangas arregaçadas até os cotovelos, e calças de alfaiataria que moldavam pernas longas e musculosas. — Meu nome é Daniel — disse ele, estendendo a mão. — Clara — respondeu ela, apertando-a. A pele dele era quente, os dedos calejados, como se estivesse acostumado a trabalhar com as mãos. Um músico, talvez? Ou um artesão? — Pode me seguir — indicou, guiando-o pelo corredor estreito até a sala de massagem. O ambiente era pequeno, mas aconchegante: paredes em tom terroso, uma maca no centro coberta por lençóis brancos imaculados, e uma pequena estante com frascos de óleos essenciais. O ar estava carregado com o perfume de bergamota e patchouli, uma mistura que costumava acalmar até os clientes mais ansiosos. — Tire a camisa e deite de bruços, por favor — instruiu Clara, enquanto ligava o aquecedor portátil ao lado da maca. — Vou preparar o óleo. Daniel obedeceu sem hesitar. Desabotoou a camisa devagar, revelando um torso definido, com músculos que se moviam sob a pele bronzeada. Clara desviou o olhar por um segundo, sentindo um calor inesperado subir pelo pescoço. *Profissionalismo, Clara*, lembrou a si mesma. Mas era difícil ignorar a forma como os ombros largos dele se contraíam enquanto ele se deitava, ou o modo como a luz suave da sala dançava sobre as costas nuas, destacando cada curva, cada linha. Ela pegou um frasco de óleo de amêndoas doces misturado com extrato de gengibre—perfeito para relaxar músculos tensos—e despejou uma quantidade generosa nas palmas das mãos, esfregando-as para aquecê-lo. O líquido escorreu entre seus dedos, viscoso e perfumado, e quando finalmente tocou a pele de Daniel, um arrepio percorreu os dois. — Você está muito tenso — murmurou Clara, pressionando os polegares na base do pescoço dele. — Aqui, principalmente. Daniel soltou um gemido baixo, quase inaudível, mas que fez o estômago de Clara se contrair. — É o estresse — admitiu ele, a voz abafada pelo rosto pressionado contra a maca. — E o computador. Passo horas curvado sobre ele. — Então vamos ver se conseguimos desatar esses nós — disse ela, começando a massagear em movimentos circulares, firmes, mas cuidadosos. O óleo facilitava o deslizar das mãos, e logo Clara sentiu os músculos dele cederem sob seus dedos, como se cada toque fosse uma chave girando em uma fechadura enferrujada. — Isso… — Daniel suspirou, relaxando ainda mais. — Você tem mãos mágicas. Clara sorriu, mas não respondeu. Em vez disso, concentrou-se em trabalhar os ombros dele, descendo lentamente pelas escápulas, pressionando pontos específicos que sabia que aliviariam a tensão. O corpo de Daniel respondia a cada toque, pequenos espasmos involuntários, a respiração ficando mais profunda, mais lenta. Ela podia sentir o calor emanando da pele dele, misturando-se ao seu próprio calor, criando uma atmosfera densa, quase palpável. Então, sem pensar, seus dedos deslizaram um pouco mais para baixo, seguindo a coluna vertebral, traçando cada vértebra como se fossem contas de um colar. Daniel estremeceu. — Desculpe — murmurou Clara, afastando as mãos por um segundo. — Foi muito forte? — Não — respondeu ele, rápido demais. — Não pare. Ela hesitou, mas voltou a tocar, dessa vez com mais delicadeza, os dedos traçando círculos suaves ao longo das costas dele. O óleo brilhava sob a luz, escorrendo em pequenas gotas que se acumulavam na base da coluna. Clara observou, hipnotizada, enquanto uma gota deslizava lentamente, desaparecendo sob a toalha que cobria a parte inferior do corpo de Daniel. — Você… — A voz dele estava mais rouca agora, quase um sussurro. — Você sempre faz isso com seus clientes? Clara parou. O coração batia forte no peito, e por um segundo, pensou em se afastar, em terminar a sessão ali mesmo. Mas algo na forma como Daniel perguntou—não acusatório, não julgador, apenas curioso—fez com que ela continuasse. — Não — admitiu, baixinho. — Mas com você… é diferente. Daniel virou a cabeça, olhando para ela por cima do ombro. Os olhos dele estavam escuros, intensos, e por um momento, Clara teve a sensação de que ele podia ver através dela, como se todas as suas defesas tivessem sido derrubadas com aquele simples toque. — Por quê? — perguntou ele. Ela não respondeu. Em vez disso, inclinou-se para frente, aproximando os lábios do ouvido dele. — Porque eu quero. O gemido que escapou dos lábios de Daniel foi quase animalesco, um som primitivo que fez o corpo de Clara arder. Antes que ela pudesse se afastar, ele se virou rapidamente, sentando-se na maca e puxando-a para si. As mãos dele encontraram a cintura dela, firmes, possessivas, e então seus lábios se chocaram em um beijo urgente, faminto. Clara não resistiu. Pelo contrário, correspondeu com a mesma intensidade, as mãos enroscando-se nos cabelos dele enquanto o beijo se aprofundava, línguas se encontrando, dentes se chocando levemente. O gosto dele era intoxicante—menta e algo mais escuro, mais masculino—, e ela sentiu o próprio corpo responder, os mamilos endurecendo sob o tecido fino da blusa, o calor se acumulando entre as pernas. — Clara… — Daniel murmurou contra os lábios dela, as mãos deslizando para baixo, puxando-a para mais perto, até que ela estivesse montada sobre ele, sentindo a evidência do desejo dele pressionando contra seu corpo. — Sim — sussurrou ela, arqueando as costas, permitindo que ele explorasse cada curva, cada centímetro de pele exposta. As mãos dele eram hábeis, conhecedoras, como se soubessem exatamente onde tocar para fazê-la perder o controle. Quando os dedos dele encontraram o zíper da saia dela, puxando-o para baixo com um movimento rápido, Clara não protestou. A peça deslizou pelos quadris, caindo no chão em um monte de tecido, deixando-a apenas de blusa e calcinha. — Linda — Daniel murmurou, os olhos percorrendo o corpo dela com uma admiração que fez Clara se sentir poderosa, desejada. — Tão linda. Ela sorriu, sentindo-se corajosa, e puxou a blusa pela cabeça, jogando-a de lado. Agora, só restava a calcinha de renda preta, fina o suficiente para que ele pudesse ver o quanto ela estava molhada, o quanto o queria. Daniel não perdeu tempo. Com um movimento rápido, deitou-a sobre a maca, posicionando-se entre as pernas dela. Clara arqueou o corpo, ansiosa, mas ele segurou seus pulsos, prendendo-os acima da cabeça com uma mão enquanto a outra deslizava pelo corpo dela, explorando, provocando. — Paciência — sussurrou ele, os lábios traçando um caminho de beijos pelo pescoço dela, descendo até os seios. Quando a boca dele encontrou um mamilo, sugando-o através do tecido fino do sutiã, Clara gemeu alto, as costas se curvando involuntariamente. — Por favor — implorou ela, as pernas se abrindo ainda mais, convidando-o a continuar. Daniel riu baixinho, um som escuro e delicioso, antes de finalmente puxar o sutiã para baixo, liberando os seios. A boca dele voltou a trabalhar, alternando entre sucções e mordiscadas leves, enquanto a mão livre deslizava para dentro da calcinha dela, os dedos encontrando o ponto exato onde ela mais precisava dele. — Ah, Deus — Clara arquejou, as unhas cravando-se nos lençóis enquanto os dedos dele a penetravam, lentos no início, depois mais rápidos, mais profundos, acompanhados pelo movimento do polegar sobre o clitóris. — Você gosta disso? — Daniel perguntou, a voz rouca de desejo. — Sim — ela gemeu, as pernas tremendo. — Não pare, por favor, não pare. Ele não parou. Continuou até que Clara estivesse à beira do abismo, o corpo todo tenso, os músculos se contraindo em antecipação. E então, quando ela estava prestes a gozar, ele parou. — O quê…? — Clara abriu os olhos, confusa, o corpo pulsando de frustração. Daniel sorriu, malicioso, e puxou a calcinha dela para baixo, jogando-a de lado. Em seguida, desceu da maca, ajoelhando-se no chão, puxando as pernas dela para a beirada. — Agora — disse ele, os olhos fixos nos dela —, você vai gozar na minha boca. E antes que ela pudesse responder, a língua dele estava lá, quente e úmida, explorando cada dobra, cada centímetro sensível, enquanto os dedos voltavam a penetrá-la. Clara agarrou os lençóis com força, os quadris se movendo instintivamente contra o rosto dele, buscando mais, sempre mais. O prazer se acumulava, uma onda crescente que ameaçava engoli-la, e quando finalmente chegou, foi como uma explosão, um grito abafado contra o próprio braço enquanto o orgasmo a atravessava, deixando-a trêmula, sem fôlego. Daniel não a deixou recuperar o controle. Assim que os espasmos cessaram, ele se levantou, puxando-a para cima e virando-a de bruços, posicionando-a de quatro na maca. Clara mal teve tempo de processar o que estava acontecendo antes de sentir a ponta do pau dele pressionando contra sua entrada, molhada e pronta. — Você quer isso? — perguntou ele, a voz tensa, como se estivesse se segurando por um fio. — Sim — Clara respondeu, sem hesitar. — Por favor. E então ele entrou, devagar no início, dando tempo para que ela se ajustasse, antes de começar a se mover, cada estocada mais profunda, mais intensa, até que os dois estivessem ofegantes, perdidos no ritmo primitivo dos corpos se unindo. Clara apoiou as mãos na cabeceira da maca, empurrando-se de volta contra ele, encontrando cada movimento com igual intensidade. O som da pele batendo contra pele, dos gemidos abafados, dos suspiros entrecortados, enchia a sala, misturando-se ao cheiro de sexo e óleo, criando uma sinfonia de prazer. — Clara… — Daniel gemeu, as mãos segurando os quadris dela com força, os dedos cravando-se na carne. — Eu vou… — Goza comigo — pediu ela, virando a cabeça para olhá-lo por cima do ombro. — Agora. Foi o suficiente. Com um gemido rouco, Daniel se enterrou fundo, o corpo todo tremendo enquanto gozava, e Clara sentiu o calor dele preenchê-la, um segundo orgasmo a atingindo quase simultaneamente, os músculos internos se contraindo ao redor dele, prolongando o prazer. Por um longo momento, os dois ficaram ali, imóveis, recuperando o fôlego. O suor escorria pelas costas de Clara, misturando-se ao óleo, e ela podia sentir o coração de Daniel batendo contra suas costas, rápido, descompassado. Finalmente, ele se retirou, deitando-se ao lado dela na maca estreita, puxando-a para seus braços. — Isso foi… — Daniel começou, mas não terminou a frase, como se não houvesse palavras para descrever o que acabara de acontecer. — Inesperado — Clara completou, sorrindo. Ele riu, um som leve, quase tímido, e beijou a testa dela. — Posso te ver de novo? — perguntou, os dedos traçando círculos preguiçosos no braço dela. Clara hesitou. Não era algo que costumava fazer—misturar trabalho e prazer. Mas, olhando nos olhos dele, sentindo o calor do corpo dele contra o seu, soube que não poderia dizer não. — Sim — respondeu, finalmente. — Mas não aqui. Na próxima vez, em um lugar onde não tenhamos que nos preocupar com horários ou clientes batendo na porta. Daniel sorriu, satisfeito, e puxou-a para mais perto. — Combinado — murmurou, antes de capturar os lábios dela em um beijo lento, doce, cheio de promessas. E enquanto a noite avançava, e o silêncio da cidade os envolvia, Clara percebeu que, às vezes, os melhores encontros eram aqueles que começavam com um toque inesperado.

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