Laços Desatados

**Laços Desatados**
A sala estava mergulhada em uma penumbra aconchegante, iluminada apenas pelo brilho âmbar do abajur de canto e pelas chamas dançantes da lareira. O fogo crepitava baixinho, lançando sombras móveis sobre os móveis de madeira escura e as estantes repletas de livros que testemunhavam anos de conversas, silêncios e noites como aquela. Do lado de fora, a chuva fina batia contra as janelas, um ritmo constante que se misturava ao tique-taque do relógio de parede, como se o tempo mesmo respirasse entre eles.
Clara estava encolhida no sofá de couro, os pés descalços apoiados na mesinha de centro, os dedos longos e delicados enrolados em uma taça de vinho tinto. O líquido escuro refletia a luz, quase negro sob a pouca claridade, e ela o girava lentamente, observando as pernas do vinho escorrerem pelas paredes do cristal. O cheiro de baunilha e canela pairava no ar, vindo das velas que ela acendera mais cedo, uma tentativa de afastar o peso da rotina que os sufocava nos últimos meses. O robe de seda preta escorregava por seus ombros, deixando à mostra a curva suave da clavícula e a renda preta do sutiã por baixo, como se ela mesma flertasse com a ideia de se despir por completo.
Rafael estava de pé, perto da lareira, as mãos enfiadas nos bolsos da calça de linho clara. A camisa branca, ligeiramente aberta no colarinho, deixava entrever o contorno dos músculos do peito, ainda definidos apesar dos anos de escritório e noites em claro. Ele observava Clara com um olhar que oscilava entre a ternura e algo mais sombrio, algo que ela não conseguia decifrar. Havia uma tensão ali, não de raiva, mas de fome—uma fome que nenhum dos dois ousava nomear em voz alta.
— Você acha que a gente ainda se deseja? — A pergunta escapou dos lábios de Clara antes que ela pudesse segurá-la. A taça parou a meio caminho da boca, e ela sentiu o peso do silêncio que se seguiu, quebrado apenas pelo estalo de um graveto na lareira.
Rafael virou-se lentamente, os olhos verdes fixos nela. Havia algo de predatório na maneira como ele a olhava, como se estivesse avaliando cada centímetro dela, cada palavra não dita.
— Por que você pergunta isso? — A voz dele era baixa, rouca, como se as palavras tivessem que atravessar uma barreira de desejo antes de chegar até ela.
Clara deu um gole no vinho, sentindo o líquido queimar levemente na garganta. Não era só o álcool. Era a verdade nua e crua que ela não conseguia engolir.
— Porque faz meses que a gente transa como se fosse um compromisso. — Ela pousou a taça na mesa com um clique suave. — Como se fosse uma obrigação, algo para marcar na agenda: *quarta-feira, 22h, sexo mecânico*. — Os dedos dela brincaram com a borda do robe, puxando-o levemente para cobrir os joelhos. — E eu sinto falta de quando a gente se olhava e sabia que ia ser suado, bagunçado, *necessário*.
Rafael soltou uma risada seca, passando a mão pelos cabelos castanhos, ligeiramente grisalhos nas têmporas. Ele se aproximou, sentando-se na ponta do sofá, perto o suficiente para que ela sentisse o calor do corpo dele, mas sem tocá-la.
— Você acha que eu não sinto falta disso? — Ele inclinou a cabeça, os olhos percorrendo o corpo dela como se a estivesse despindo mentalmente. — Mas a gente não é mais aqueles universitários que transavam no chão da cozinha depois de uma festa. A gente tem contas para pagar, reuniões, jantares com clientes… — A voz dele foi sumindo, como se até ele soubesse que aquelas desculpas soavam vazias.
Clara estendeu a mão, os dedos roçando o joelho dele. Era um toque leve, quase casual, mas carregado de intenção.
— E se a gente *inventasse* uma maneira de voltar a ser aqueles universitários? — Ela deixou a pergunta no ar, observando a reação dele. — Só por uma noite. Só para lembrar como é.
Rafael prendeu a respiração. Ela viu a garganta dele trabalhar, engolindo em seco, e soube que tinha acertado em cheio. Ele queria. *Claro que ele queria.* Mas havia algo segurando-o, algo que não era apenas o cansaço.
— Você está falando de quê, Clara? — A voz dele saiu mais áspera do que pretendia.
Ela sorriu, um sorriso lento, perigoso. Deslizou a mão pelo joelho dele, subindo pela coxa, sentindo o músculo se contrair sob o toque.
— Estou falando de *liberdade*. — Os dedos dela pararam a centímetros da virilha dele, e ela sentiu o calor irradiando dali, mesmo através do tecido da calça. — De a gente não ter que se prender a rótulos. De a gente poder *querer* outras pessoas… e ainda assim voltar pra casa e transar como se fosse a primeira vez.
Rafael fechou os olhos por um segundo, como se estivesse tentando conter algo dentro de si. Quando os abriu, o verde estava mais escuro, mais intenso.
— Você já pensou nisso antes? — A pergunta saiu quase como um sussurro.
Clara não respondeu de imediato. Em vez disso, inclinou-se para frente, os lábios roçando a orelha dele enquanto falava:
— Eu sonho com isso. — A respiração dela estava quente, úmida. — Com a gente transando com outras pessoas… e depois se encontrando aqui, nesse sofá, com o gosto deles ainda na nossa boca.
Rafael gemeu baixinho, um som que ela sentiu vibrar no peito dele. As mãos dele encontraram a cintura dela, puxando-a para mais perto, até que ela estivesse quase em seu colo. O robe se abriu um pouco mais, revelando a renda preta do sutiã e a curva dos seios.
— Você é perigosa — ele murmurou, os lábios roçando o pescoço dela.
— E você adora isso. — Clara arqueou as costas, pressionando-se contra ele. — Adora a ideia de me ver com outro homem. De imaginar como seria me tocar depois que ele já me tocou.
Rafael a empurrou de volta contra o sofá com um movimento brusco, as mãos segurando os pulsos dela acima da cabeça. O fogo da lareira refletia nos olhos dele, tornando-os quase dourados.
— Você não faz ideia do que está pedindo. — A voz dele era um rosnado, mas havia excitação ali, crua e inegável.
Clara sorriu, desafiadora.
— Então me mostre.
Por um longo momento, eles apenas se encararam, o ar entre eles carregado de eletricidade. Então, Rafael soltou os pulsos dela e se afastou, respirando fundo.
— Não hoje. — Ele passou a mão pelo rosto, como se estivesse tentando se recompor. — Preciso pensar nisso. Preciso *entender* o que isso significa.
Clara não insistiu. Ela sabia que ele estava certo. Aquilo não era algo para se decidir no calor do momento. Mas também sabia que a semente já havia sido plantada. E que, mais cedo ou mais tarde, ela germinaria.
Ela se levantou, ajustando o robe, e caminhou até a janela. A chuva havia parado, deixando o mundo lá fora úmido e brilhante sob a luz dos postes. Do outro lado da rua, um bar elegante piscava suas luzes neon, convidativo.
— Amanhã à noite — ela disse, sem olhar para ele. — Vamos sair. Só nós dois. E aí a gente decide.
Rafael não respondeu. Mas quando Clara finalmente se virou, viu que ele a observava com uma expressão que misturava desejo, medo e uma curiosidade voraz.
E ela soube que, de uma forma ou de outra, as coisas entre eles nunca mais seriam as mesmas.
O bar era um daqueles lugares que existiam para serem descobertos, não anunciados. Um espaço estreito entre prédios antigos no centro da cidade, com uma fachada discreta de madeira escura e uma placa de latão polido que dizia apenas *"Nocturne"* em letras cursivas. Lá dentro, o ar cheirava a bourbon envelhecido, couro macio e o perfume cítrico das cascas de laranja que queimavam lentamente em um cinzeiro de cristal. As luzes eram baixas, douradas, como se filtradas por uma névoa de desejo, e o som do jazz ao vivo—um saxofone choroso, um piano sussurrando notas soltas—preenchia os silêncios entre as conversas.
Clara entrou primeiro, os saltos finos de seus sapatos de cetim batendo contra o piso de mármore negro. Ela havia escolhido o vestido com cuidado: um modelo justo, de seda cor de vinho, que moldava suas curvas como uma segunda pele e deixava os ombros nus, revelando a linha delicada da clavícula. Rafael a seguiu dois passos atrás, as mãos enfiadas nos bolsos do blazer, os olhos percorrendo o ambiente com uma mistura de apreensão e fascínio. Ele não disse nada, mas Clara sentia o peso do seu olhar nas costas, como se ele estivesse tentando memorizar cada detalhe dela antes que algo—ou alguém—mudasse tudo.
Eles se acomodaram em um canto discreto, perto de uma mesa alta de mogno, onde um candelabro de três velas lançava sombras dançantes sobre os copos de cristal. Rafael pediu um uísque puro, Clara um gim-tônica com uma fatia de pepino e uma pitada de pimenta rosa. O primeiro gole queimou sua garganta de um jeito bom, como se estivesse acordando algo dentro dela que há muito tempo dormia.
— Você está linda — Rafael murmurou, inclinando-se para falar perto do ouvido dela. — Mas já sabia disso.
Clara sorriu, girando o copo entre os dedos.
— Você também não está mal. — Ela passou a ponta da unha pelo dorso da mão dele, um gesto pequeno, mas carregado de promessas. — Mas acho que hoje não é sobre nós.
Rafael soltou uma risada baixa, mas seus olhos traíram a tensão. Ele bebeu metade do uísque de uma vez, como se precisasse da coragem líquida.
— Você realmente quer isso?
— Querer é uma palavra forte — ela respondeu, olhando para o outro lado do bar, onde um homem de terno escuro conversava com uma mulher de cabelos platinados. — Mas estou curiosa. E cansada da rotina.
Rafael não teve tempo de responder. Foi nesse momento que Daniel apareceu.
Ele não se aproximou de imediato. Primeiro, foi apenas uma presença na periferia da visão de Clara—a sombra de um homem encostado no balcão, um copo de conhaque na mão, os dedos longos e elegantes girando a bebida com uma lentidão deliberada. Quando finalmente se virou, foi como se o ar no bar tivesse ficado mais denso. Daniel tinha aquele tipo de beleza que não gritava, mas sussurrava: pele morena, olhos verdes levemente amendoados, uma barba por fazer que dava a ele um ar de quem acabara de sair de uma viagem longa. O terno era de corte impecável, mas a gravata estava frouxa, como se ele não se importasse muito com as formalidades.
Ele olhou para Clara. Não um olhar casual, mas uma avaliação lenta, demorada, que percorreu seu corpo como uma carícia invisível. Quando seus olhos finalmente encontraram os dela, havia neles um brilho que Clara reconheceu na hora: *fome*.
— Posso? — A voz dele era grave, levemente rouca, como se tivesse passado a noite anterior gritando em um show de rock.
Clara hesitou por apenas um segundo antes de assentir. Rafael apertou o copo com mais força, mas não disse nada.
Daniel puxou um banco e se sentou ao lado dela, não muito perto, mas perto o suficiente para que Clara sentisse o calor do seu corpo. Ele não pediu permissão para tocar, mas quando estendeu a mão e roçou os nós dos dedos contra o ombro nu dela, foi como se uma corrente elétrica percorresse sua pele.
— Você está aqui sozinha? — ele perguntou, embora soubesse que não.
— Não — Clara respondeu, sem tirar os olhos dele. — Mas meu marido está me observando.
Daniel não se virou para olhar Rafael. Em vez disso, sorriu, um sorriso lento e perigoso, e aproximou a boca do ouvido dela.
— E ele gosta do que vê?
Clara sentiu o hálito quente contra a pele, o cheiro de conhaque e algo mais—algo amadeirado, masculino. Ela não respondeu. Em vez disso, levou a mão ao joelho dele, sob a mesa, e apertou de leve.
Rafael, do outro lado, viu tudo. Viu a forma como os dedos de Clara desapareceram sob a toalha de linho, viu a expressão de Daniel se fechar por um segundo antes de se abrir em algo entre surpresa e prazer. Ele sentiu o sangue pulsar nas têmporas, o coração batendo tão forte que quase abafava a música. Parte dele queria se levantar, puxar Clara pelo braço e levá-la para casa. Outra parte—uma parte que ele nem sabia que existia—queria ficar ali, assistindo.
— Você é sempre tão direta? — Daniel perguntou, a voz baixa, quase um sussurro.
— Só quando vale a pena — ela respondeu, afastando a mão devagar, deixando os dedos deslizarem pela coxa dele antes de voltar para seu próprio copo.
Daniel riu, um som profundo e vibrante, e finalmente olhou para Rafael. Não foi um olhar de desafio, mas de cumplicidade—como se dissesse: *eu sei o que você está sentindo, e não vou te julgar por isso*. Rafael sustentou o olhar, mas não sorriu. Apenas ergueu o copo em um brinde mudo, antes de beber o resto do uísque de uma vez.
— Vocês têm um acordo? — Daniel perguntou, voltando-se para Clara.
— Ainda não — ela disse, girando o gelo no copo. — Mas estamos trabalhando nisso.
Daniel assentiu, como se entendesse exatamente o que aquilo significava. Então, sem aviso, inclinou-se e beijou o ombro dela. Foi um beijo rápido, quase casto, mas Clara sentiu a língua dele roçar sua pele por uma fração de segundo, e isso foi o suficiente para fazer seu corpo inteiro se arrepiar.
— Eu me chamo Daniel — ele disse, como se o nome fosse uma oferta.
— Clara.
— Clara — ele repetiu, como se estivesse experimentando o som na boca. — Gosto do seu nome. Combina com você.
Rafael se mexeu na cadeira, desconfortável. Não era ciúme—pelo menos, não apenas ciúme. Era algo mais complexo: excitação, sim, mas também medo. Medo de perder o controle, medo de que Clara gostasse daquilo mais do que dele, medo de que, no fim, ele fosse apenas um espectador da própria vida.
— Vocês querem que eu vá embora? — Daniel perguntou, como se tivesse lido seus pensamentos.
— Não — Clara respondeu, antes que Rafael pudesse dizer qualquer coisa. — Mas talvez a gente precise de um tempo.
Daniel sorriu, entendendo a deixa. Ele se levantou, alisando a lapela do terno, e estendeu a mão para Clara. Ela hesitou por um segundo antes de aceitar, deixando que ele a ajudasse a descer do banco. Seus corpos se aproximaram por um instante, e Clara sentiu o cheiro dele—sândalo, suor limpo, algo animal e selvagem.
— Foi um prazer — ele disse, levando a mão dela aos lábios. O beijo foi demorado, os lábios dele quentes contra sua pele.
— O prazer foi meu — Clara respondeu, a voz um pouco rouca.
Daniel lançou um último olhar para Rafael antes de se afastar, misturando-se à multidão do bar. Clara o observou ir embora, os quadris balançando suavemente ao ritmo da música, até que ele desapareceu pela porta.
Quando se virou para Rafael, encontrou-o com os olhos escuros, a respiração um pouco acelerada.
— E então? — ela perguntou, aproximando-se até que seus corpos quase se tocassem. — Ainda quer pensar sobre isso?
Rafael não respondeu. Em vez disso, segurou o rosto dela entre as mãos e a beijou com uma urgência que surpreendeu os dois. Foi um beijo desesperado, como se ele estivesse tentando marcar território, mas também como se estivesse se despedindo de algo.
Quando se afastaram, Clara estava ofegante.
— Amanhã — ela sussurrou. — Vamos decidir amanhã.
Rafael assentiu, mas seus olhos já estavam voltados para a porta por onde Daniel havia saído.
E Clara soube, naquele momento, que a decisão já estava tomada.
A suíte do hotel *La Royale* cheirava a couro envelhecido e jasmim, um aroma que se enroscava nas paredes de mogno como uma promessa. Clara entrou primeiro, os saltos afundando no tapete espesso, as mãos ainda úmidas de nervosismo. O elevador havia sido um borrão de espelhos e olhares furtivos, Daniel atrás dela, a respiração quente na nuca, os dedos roçando de leve a curva de suas costas quando as portas se fecharam. Ela sentira o peso daquele toque como uma marca, algo que queimava mesmo através do tecido do vestido.
— Você está linda — ele murmurou, a voz baixa, quase um rugido. — Mas eu já sabia disso.
Clara sorriu, virando-se devagar. Daniel estava encostado na parede oposta, as mãos nos bolsos, os olhos escuros percorrendo-a com uma lentidão deliberada. O terno cinza-claro caía perfeitamente sobre seus ombros largos, mas a gravata já estava solta, como se ele tivesse começado a se despir antes mesmo de chegar ali. Ela notou o detalhe e mordeu o lábio inferior, sentindo o calor subir pelas coxas.
— Você fala como se já tivesse me visto antes — ela provocou, jogando a bolsa sobre a mesa de centro de mármore.
— Eu *vi*. No bar. Naquela noite em que você dançou sozinha, como se ninguém mais existisse. — Ele deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. — E agora estou vendo de novo.
Clara riu, um som leve, mas o corpo traía a excitação. Os mamilos já estavam rígidos sob o sutiã de renda, e ela sabia que Daniel percebia, porque seus olhos desceram por uma fração de segundo antes de voltarem a encontrar os dela.
— E o que mais você viu? — ela perguntou, desafiadora.
Ele não respondeu com palavras. Em vez disso, estendeu a mão, os dedos roçando o colar de pérolas que ela usava — um presente de Rafael, anos atrás. Daniel o segurou entre o indicador e o polegar, puxando-o levemente, como se testasse a resistência.
— Que você gosta de ser tocada — ele disse, a voz rouca. — Mas não de qualquer jeito.
Clara prendeu a respiração quando ele soltou o colar e deslizou a mão para a nuca dela, os dedos se enroscando nos cabelos soltos. O toque era firme, possessivo, mas não bruto. Ele inclinou a cabeça dela para trás, expondo a garganta, e antes que ela pudesse reagir, sua boca estava ali, quente, úmida, sugando a pele sensível logo abaixo da orelha.
— *Assim* — ele murmurou contra sua pele. — Ou assim.
A língua de Daniel traçou um caminho lento até a clavícula, e Clara gemeu, as mãos encontrando os ombros dele por instinto. O vestido, um modelo justo de seda preta, de repente parecia apertado demais, sufocante. Ela queria arrancá-lo, queria sentir a pele dele contra a sua, mas algo a deteve — uma hesitação, um último resquício de controle.
— Espera — ela sussurrou, empurrando-o levemente.
Daniel recuou, os olhos escuros brilhando com algo entre diversão e impaciência.
— Medo?
— Não. — Clara engoliu em seco. — Só... quero ver você primeiro.
Ele arqueou uma sobrancelha, mas não protestou. Em vez disso, levou as mãos à gravata e a puxou de uma vez, deixando-a cair no chão. Depois, os botões da camisa, um a um, revelando um peito definido, levemente bronzeado, com uma fina linha de pelos escuros que descia até a cintura da calça. Clara acompanhou o movimento com os olhos, a boca seca.
— Gostou? — ele perguntou, a voz baixa, quase um ronronar.
Ela não respondeu. Aproximou-se, as mãos trêmulas tocando o peito dele, sentindo o calor da pele, os músculos tensionados sob as pontas dos dedos. Daniel não se moveu, deixando que ela explorasse, mas quando ela chegou à fivela do cinto, ele segurou seu pulso.
— Não tão rápido.
Antes que ela pudesse protestar, ele a girou, pressionando-a contra a parede. O corpo de Daniel era uma parede quente e sólida atrás dela, e Clara sentiu o volume duro da ereção contra as nádegas, mesmo através das roupas. Ele afastou os cabelos dela para o lado e beijou a nuca, os dentes roçando de leve a pele sensível.
— Você gosta de ser provocada — ele murmurou, as mãos descendo pelos braços dela até encontrarem os seios. — Gosta de sentir que pode perder o controle a qualquer momento.
Clara arqueou as costas, empurrando os quadris para trás, buscando mais contato. Daniel riu, baixo e satisfeito, e apertou os seios com as mãos, os polegares circulando os mamilos até ela gemer.
— Por favor — ela pediu, a voz quebrada.
— Por favor *o quê*?
— *Isso*.
Ele não precisou de mais incentivo. Com um movimento rápido, puxou o zíper do vestido, deixando-o cair aos pés dela. Clara ficou apenas de lingerie preta, as meias de seda presas por um cinto de liga, os saltos ainda nos pés. Daniel a virou de frente para ele, os olhos famintos percorrendo cada curva.
— *Porra* — ele sussurrou.
Clara sorriu, satisfeita, e estendeu a mão para o botão da calça dele. Dessa vez, Daniel não a impediu. Ela o despiu devagar, saboreando cada centímetro de pele revelada, até que ele estivesse nu diante dela, a ereção grossa e pulsante, apontando para ela como uma acusação.
— Sua vez — ele disse, a voz áspera.
Clara não hesitou. Desabotoou o sutiã, deixando os seios livres, e depois deslizou a calcinha pelas pernas, chutando-a para longe. Daniel a puxou para si, as mãos grandes envolvendo sua cintura, e a ergueu com facilidade, levando-a até a cama. Ela caiu sobre os lençóis de algodão egípcio, o corpo se abrindo para ele como uma flor.
Daniel não se deitou de imediato. Ficou de pé ao lado da cama, olhando para ela, os dedos traçando um caminho lento da coxa até o joelho, depois subindo novamente, mais perto do centro pulsante entre suas pernas.
— Você está molhada — ele constatou, a voz carregada de satisfação.
Clara mordeu o lábio, assentindo. Ele se ajoelhou na cama, as mãos espalmadas nas coxas dela, abrindo-as ainda mais. Quando sua boca encontrou o sexo dela, Clara arqueou as costas, um gemido escapando dos lábios.
— *Daniel* — ela gemeu, as mãos agarrando os lençóis.
Ele não respondeu. A língua dele era implacável, explorando cada dobra, cada ponto sensível, até que Clara estivesse se contorcendo, as pernas tremendo. Quando ele finalmente parou, ela estava ofegante, os olhos vidrados de desejo.
— Eu quero você dentro de mim — ela pediu, a voz rouca.
Daniel sorriu, lento e perigoso, e se posicionou entre as pernas dela. Mas em vez de penetrá-la de uma vez, ele roçou a cabeça do pau contra a entrada, provocando, testando.
— Assim? — ele perguntou, malicioso.
Clara gemeu, frustrada, e ergueu os quadris, tentando forçá-lo a entrar. Daniel riu e recuou, deixando-a vazia.
— Ou assim?
Dessa vez, ele a penetrou com um dedo, depois dois, esticando-a devagar, enquanto a boca encontrava um mamilo, sugando com força. Clara gritou, as unhas cravando nas costas dele.
— *Agora* — ela implorou.
Daniel não resistiu mais. Com um movimento rápido, enterrou-se nela até o fim, fazendo-a gritar de novo. O prazer era quase doloroso, tão intenso que Clara sentiu os olhos arderem. Ele começou a se mover, lento no início, depois mais rápido, os quadris batendo contra os dela com uma urgência crescente.
— Você é *perfeita* — ele grunhiu, a voz rouca de desejo.
Clara não respondeu. Não conseguia. O corpo dela estava em chamas, cada estocada levando-a mais perto do limite. Quando gozou, foi com um grito abafado contra o ombro dele, as unhas marcando sua pele. Daniel não parou. Continuou se movendo, perseguindo seu próprio prazer, até que finalmente gemeu, enterrando-se fundo e derramando-se dentro dela.
Por um longo momento, os dois ficaram imóveis, ofegantes, os corpos suados colados um ao outro. Clara sentia o coração de Daniel batendo contra o seu, rápido, descompassado. Ele beijou o ombro dela, depois o pescoço, depois os lábios, um beijo lento e profundo que a fez gemer de novo.
— Ainda quer mais? — ele murmurou, a voz cheia de promessas.
Clara sorriu, os dedos traçando círculos preguiçosos nas costas dele.
— Sempre.
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Enquanto isso, a quilômetros dali, Rafael estava sentado no sofá da sala, um copo de uísque intocado na mão. A casa estava silenciosa demais, o eco dos próprios pensamentos ensurdecedor. Ele havia tentado assistir a um filme, depois ler um livro, mas as palavras dançavam na página sem sentido. Tudo o que conseguia imaginar era Clara, naquele exato momento, com *ele*.
O ciúme era uma coisa viva, rastejando sob sua pele, mas havia algo mais — uma curiosidade mórbida, uma excitação doentia. Ele se perguntou como seria. Se Clara estaria gemendo, se estaria pedindo por mais, se estaria olhando para outro homem do jeito que costumava olhar para *ele*.
Rafael fechou os olhos e passou a mão pelo rosto, tentando afastar as imagens. Mas elas voltavam, insistentes. Clara nua, Clara suada, Clara com os lábios entreabertos em um gemido. Ele apertou o copo com força, os nós dos dedos ficando brancos.
Então, seu celular vibrou. Uma mensagem.
*Sofia: "Você ainda está acordado?"*
Ele olhou para a tela por um longo momento antes de responder.
*Rafael: "Sim."*
A resposta veio quase instantaneamente.
*Sofia: "Quer companhia?"*
Rafael hesitou. Mas apenas por um segundo.
*Rafael: "Sim."*
E quando desligou o celular, soube que não havia volta.
O elevador subiu em silêncio, os números dos andares piscando como estrelas distantes. Rafael sentia o peso do celular no bolso, quente contra a coxa, como se a mensagem de Sofia ainda queimasse ali. A porta se abriu com um *ding* suave, e ele saiu para o corredor acarpetado, os passos abafados pelo tecido espesso. O quarto 1204 ficava no final do corredor, uma porta preta com maçaneta dourada, discreta e elegante.
Ele bateu duas vezes, o som ecoando no vazio do hotel. A porta se abriu quase imediatamente.
Sofia estava ali, envolta em um robe de seda vermelha que mal cobria as coxas. O tecido brilhava sob a luz amarelada do abajur, destacando o contorno dos seios, o decote profundo que revelava a curva suave dos mamilos. Ela sorriu, lento, como se soubesse exatamente o efeito que causava.
— Você demorou — disse, a voz baixa, quase um sussurro. — Eu já estava começando a pensar que tinha mudado de ideia.
Rafael entrou, os olhos presos nela. O quarto era pequeno, mas luxuoso: uma cama king-size com lençóis de algodão egípcio, um espelho no teto, uma garrafa de champanhe em um balde de gelo sobre a mesa de cabeceira. O ar cheirava a baunilha e algo mais, algo doce e levemente metálico, como feromônios.
— Eu não mudo de ideia — respondeu, a voz rouca.
Sofia fechou a porta atrás dele e girou a chave na fechadura com um clique seco. Então, sem pressa, caminhou até a cama, os quadris balançando de um jeito que fez Rafael engolir em seco. Ela se sentou na beirada, cruzou as pernas e o observou, os olhos escuros brilhando com uma intensidade que ele não conseguia decifrar.
— Você está nervoso — constatou, inclinando a cabeça. — Isso é fofo.
— Não estou nervoso.
— Mentiroso. — Ela riu, um som musical, e estendeu a mão. — Vem cá.
Rafael hesitou por um segundo. O peso da aliança no dedo parecia maior do que nunca. Mas então ele se aproximou, sentou-se ao lado dela, e o perfume de Sofia o envolveu—floral, com um toque de especiarias, como jasmim e cardamomo. Ela segurou seu queixo com os dedos, virando seu rosto para encará-la.
— Você nunca fez isso antes, não é?
— Não.
— Mas quer fazer.
Ele não respondeu. Não precisava.
Sofia sorriu, satisfeita, e deslizou a mão pelo seu peito, parando sobre o coração. Ele batia rápido, descompassado.
— Relaxa — murmurou, os lábios quase tocando os dele. — Eu não mordo. A menos que você peça.
Antes que Rafael pudesse reagir, ela o beijou. Não foi um beijo suave, de reconhecimento. Foi voraz, exigente, a língua invadindo sua boca com uma confiança que o deixou sem ar. Ele sentiu o gosto do vinho que ela havia bebido, doce e ácido, e algo mais, algo que ele não conseguia nomear—talvez o sabor da transgressão.
As mãos de Sofia deslizaram para baixo, desabotoando sua camisa com movimentos precisos. Quando os dedos tocaram sua pele, ele estremeceu. Ela riu contra seus lábios.
— Gostoso — sussurrou. — Eu sabia.
Rafael fechou os olhos por um segundo, tentando se concentrar nas sensações: o calor do corpo dela contra o seu, a seda do robe roçando em sua pele exposta, o som da respiração acelerada dos dois preenchendo o silêncio do quarto. Mas então, como um fantasma, a imagem de Clara invadiu sua mente—Clara com *ele*, Clara gemendo, Clara se entregando a outro homem.
Ele se afastou bruscamente, o peito arfando.
— O que foi? — Sofia perguntou, os olhos semicerrados.
— Nada.
— Não minta para mim. — Ela segurou seu rosto com as duas mãos, forçando-o a encará-la. — Se você quiser parar, paramos. Mas não finja que não está aqui.
Rafael respirou fundo. Ela tinha razão. Ele estava ali. E, por mais que a culpa o corroesse, havia algo mais forte—algo que o fazia querer continuar, mesmo que doesse.
— Eu só… preciso de um minuto.
Sofia assentiu e se levantou, caminhando até a mesa de cabeceira. Pegou a garrafa de champanhe, encheu duas taças e voltou para ele. Entregou uma, os dedos roçando nos seus.
— Bebe. Isso ajuda.
Ele tomou um gole. O líquido gelado desceu pela garganta, deixando um rastro de formigamento. Sofia observou enquanto ele bebia, os olhos fixos nos seus lábios.
— Melhor?
— Um pouco.
— Bom. — Ela se aproximou novamente, desta vez mais devagar, como se soubesse que ele precisava de tempo. — Porque eu não vou deixar você fugir dessa.
Desta vez, quando ela o beijou, Rafael não se afastou. Deixou que as mãos dela explorassem seu corpo, que os dedos deslizassem pela sua barriga, que a seda do robe se abrisse, revelando a pele nua por baixo. Sofia era experiente, sabia exatamente como tocar, como provocar, como fazer seu corpo reagir mesmo quando a mente resistia.
Ela o empurrou contra a cama, montando em seu colo, os joelhos de cada lado dos seus quadris. Rafael sentiu o peso dela, o calor entre suas pernas, e gemeu baixinho. Sofia sorriu, satisfeita, e começou a desabotoar a própria roupa, deixando o robe cair aos poucos, revelando um corpo esculpido, os seios firmes, os mamilos já duros.
— Você gosta do que vê? — perguntou, a voz rouca.
Rafael não respondeu. Em vez disso, segurou seus quadris e a puxou para mais perto, sentindo o atrito da seda contra sua ereção. Sofia riu, um som baixo e gutural, e se inclinou para beijá-lo novamente, desta vez com mais urgência.
— Você é mais safado do que parece — murmurou contra seus lábios.
— E você é mais… — ele procurou a palavra certa — …intensa.
— Isso é um elogio?
— É uma constatação.
Sofia riu e se levantou, deixando-o deitado na cama. Ela caminhou até a mesa de cabeceira e abriu uma gaveta, tirando de lá um frasco de óleo perfumado. Rafael a observou, o coração batendo forte, enquanto ela voltava para a cama, os olhos brilhando com uma promessa.
— Vira de costas — ordenou.
Ele obedeceu, sentindo o colchão afundar quando ela se ajoelhou atrás dele. As mãos dela tocaram suas costas, espalhando o óleo morno sobre sua pele. O cheiro de amêndoas e baunilha se espalhou pelo quarto, misturando-se ao aroma do sexo que já começava a pairar no ar.
Sofia massageou seus ombros, os dedos pressionando pontos que ele nem sabia que estavam tensos. Rafael fechou os olhos, deixando-se levar pela sensação. Mas então, as mãos dela deslizaram para baixo, contornando sua cintura, descendo até a borda da calça.
— Você é lindo — sussurrou, os lábios roçando sua orelha. — Eu sabia que você seria assim.
Rafael não respondeu. Não conseguia. As mãos dela eram mágicas, fazendo seu corpo reagir de maneiras que ele não sabia serem possíveis. Quando ela finalmente o tocou, ele arqueou as costas, um gemido escapando de seus lábios.
— Isso — ela murmurou, acelerando o ritmo. — Deixa eu ver você.
Ele se entregou, deixando que ela o guiasse, que o levasse ao limite. E quando chegou lá, foi com o nome de Clara nos lábios—mesmo que não o tivesse dito em voz alta.
Sofia não pareceu se importar. Ela apenas sorriu, satisfeita, e se deitou ao seu lado, puxando-o para mais perto.
— Você foi melhor do que eu esperava — disse, passando os dedos pelo seu peito suado.
Rafael não respondeu. Ainda estava ofegante, o corpo tremendo levemente. Olhou para o teto, para o espelho que refletia os dois, entrelaçados, e sentiu uma mistura de vergonha e excitação.
— Você vai me contar o que estava pensando? — Sofia perguntou, brincando com os pelos do seu peito.
— Não.
— Tudo bem. — Ela se aninhou contra ele, a cabeça apoiada em seu ombro. — Mas eu sei.
Rafael fechou os olhos. Sabia que ela estava certa. E sabia também que, de alguma forma, isso mudaria tudo.
Quando finalmente se levantou para ir embora, horas depois, o céu já começava a clarear. Sofia o observou da cama, o lençol enrolado no corpo, um sorriso preguiçoso nos lábios.
— Você vai voltar? — perguntou.
Rafael vestiu a camisa, sentindo o cheiro dela impregnado no tecido.
— Não sei.
— Eu espero que sim.
Ele não respondeu. Apenas saiu do quarto, deixando para trás o eco de uma noite que não tinha volta.
No táxi, a caminho de casa, ele olhou para o celular. Uma mensagem de Clara piscava na tela.
*"Chego amanhã. Precisamos conversar."*
Rafael suspirou e guardou o telefone no bolso. Sim, eles precisavam conversar. Mas ele não fazia ideia do que diria.
O apartamento estava imerso em um silêncio denso quando Rafael chegou. A luz da manhã se infiltrava pelas cortinas entreabertas, pintando listras douradas no piso de madeira, como se o sol hesitasse em invadir aquele espaço carregado de palavras não ditas. Ele tirou os sapatos na entrada, o som do couro contra o chão ecoando alto demais, e deixou a chave sobre a bancada da cozinha. O cheiro de café fresco ainda pairava no ar, misturado ao perfume cítrico que Clara costumava usar—algo que agora lhe parecia estranhamente distante, como se pertencesse a outra vida.
Ela estava na varanda, enrolada em um robe de seda azul-marinho que ele não reconheceu, os cabelos úmidos caindo em ondas soltas sobre os ombros. O vento da manhã brincava com as pontas, levantando-as em pequenos redemoinhos. Rafael parou na porta de vidro, observando-a por um instante. Clara olhava para a cidade, os dedos enrolados no copo de café, a expressão indecifrável. Quando finalmente o viu, não sorriu. Apenas inclinou a cabeça, como se o convidasse a entrar em um território desconhecido.
— Você chegou cedo — ela disse, a voz baixa, rouca.
— O trânsito estava bom.
Uma mentira. Ele havia parado em uma padaria no caminho, comprado pãezinhos que agora queimavam em um saco de papel sobre a mesa da cozinha, intocados. Não sabia se ela estaria com fome. Não sabia se ele mesmo estava.
Clara deu um gole no café e pousou o copo na mesa de ferro da varanda. O som do vidro contra o metal foi como um sinal. Rafael se aproximou, puxando uma cadeira. O tecido do robe dela roçou em seu braço quando ele se sentou, e ele sentiu o calor da pele dela através da seda fina. Um calor que não era apenas do banho.
— Você está diferente — ela murmurou, os olhos percorrendo o rosto dele, como se procurasse marcas.
— Você também.
Era verdade. Havia algo nos lábios dela, uma curva mais definida, como se tivessem sido beijados com mais força do que ele costumava fazer. E nos olhos—aquela sombra de algo selvagem, algo que ele reconhecia porque também carregava dentro de si agora.
— Eu transei com ele — Clara disse, sem rodeios. — Duas vezes.
Rafael não se moveu. Apenas respirou fundo, sentindo o ar entrar nos pulmões como se fosse a primeira vez. Não era surpresa. Não era nem mesmo ciúme. Era algo mais complexo, uma mistura de alívio e excitação, como se finalmente pudesse nomear o que sentia.
— Eu também — ele admitiu. — Com uma mulher chamada Sofia.
Clara ergueu as sobrancelhas, um sorriso quase imperceptível tocando seus lábios.
— Sofia?
— Ela é… — Rafael procurou a palavra certa. — Experiente.
— E como foi?
A pergunta pairou entre eles, carregada de uma curiosidade que ia além da mera informação. Era um convite. Rafael olhou para as mãos dela, pousadas sobre a mesa, os dedos longos e elegantes, as unhas curtas. Lembrou-se de como aqueles dedos haviam explorado o corpo de outro homem, e sentiu o sangue pulsar mais forte.
— Foi intenso — ele disse, a voz mais grave. — Ela me mostrou coisas que eu não sabia que queria.
Clara inclinou o corpo para frente, o robe se abrindo levemente na altura das coxas. Rafael viu a sombra entre elas, o contorno suave da pele, e desviou os olhos por um segundo, como se aquilo fosse demais.
— Tipo o quê? — ela perguntou, a voz quase um sussurro.
— Tipo… — Ele hesitou, mas a verdade já estava ali, latejando entre eles. — Tipo ser tocado de um jeito que eu não sabia que precisava. Tipo não ter que pedir. Tipo sentir que meu corpo não era só meu, mas também dela, por algumas horas.
Clara mordeu o lábio inferior, os dentes brancos afundando na carne rosada. Rafael sentiu o próprio corpo reagir, a memória do toque de Sofia se misturando à presença dela ali, tão perto.
— Eu senti falta de você — ela confessou, de repente. — No meio de tudo. Quando ele estava dentro de mim, eu fechei os olhos e pensei em você me olhando.
Rafael engoliu em seco. A imagem era tão vívida que quase podia sentir o gosto.
— Eu também — ele admitiu. — Quando ela me chupou, eu imaginei que eram suas mãos. Que era você me olhando daquele jeito que só você sabe.
O ar entre eles ficou mais denso, carregado de eletricidade. Clara se levantou devagar, o robe se abrindo um pouco mais, revelando a curva dos seios, os mamilos já rígidos sob a seda. Ela contornou a mesa e parou na frente dele, os joelhos quase tocando os seus.
— Eu quero te contar tudo — ela disse, a voz rouca. — Cada detalhe. Mas primeiro, eu preciso que você me beije.
Rafael não hesitou. Levantou-se e segurou o rosto dela entre as mãos, os polegares acariciando as maçãs do rosto. O primeiro toque dos lábios foi suave, quase tímido, como se estivessem se reencontrando depois de anos. Mas então Clara gemeu contra sua boca, os dedos se enroscando nos cabelos dele, puxando-o para mais perto, e o beijo se transformou em algo faminto, desesperado.
Ele a empurrou contra a parede da varanda, o robe se abrindo completamente, revelando o corpo nu por baixo. Rafael percorreu cada centímetro dela com as mãos, como se quisesse memorizar novamente a textura da pele, o contorno das curvas, a umidade entre as pernas. Clara arqueou as costas, os seios se oferecendo para ele, e Rafael abaixou a cabeça, capturando um mamilo entre os lábios, sugando com força.
— Porra — ela gemeu, as unhas cravando em seus ombros. — Eu senti sua falta dentro de mim.
Rafael a levantou, as pernas dela envolvendo sua cintura, e a carregou para dentro do apartamento. O sofá estava ali, convidativo, mas ele a levou para o quarto, jogando-a na cama com um movimento brusco. Clara riu, um som baixo e gutural, enquanto ele tirava a camisa, os olhos fixos nos dela.
— Você vai me contar tudo — ele ordenou, a voz rouca. — Cada detalhe. Como ele te tocou. Como você gozou.
Clara se apoiou nos cotovelos, os seios balançando levemente com a respiração acelerada.
— Primeiro, você — ela disse, os olhos brilhando. — Quero saber como ela te fez gozar.
Rafael tirou o resto das roupas, o pau já duro, latejando. Ele se ajoelhou na cama, puxando Clara para perto, guiando-a para que ela se sentasse sobre ele. A sensação da pele dela contra a sua era quase insuportável.
— Ela me chupou até eu não aguentar mais — ele disse, os lábios roçando o ouvido dela. — E então me montou devagar, como se quisesse me torturar.
Clara gemeu, os quadris começando a se mover em círculos lentos, o pau dele deslizando entre os lábios molhados dela.
— E você gozou? — ela perguntou, a voz trêmula.
— Não — Rafael admitiu, as mãos segurando firme os quadris dela. — Eu segurei. Queria que fosse com você.
Clara parou de se mover por um segundo, os olhos arregalados, a respiração presa. Então, com um gemido, ela se abaixou, tomando-o inteiro dentro de si. Rafael gemeu, os dedos cravando na carne dela, sentindo cada contração, cada movimento.
— Me conta o resto — ele pediu, a voz quebrada. — Me conta como foi com ele.
Clara começou a se mover, devagar no início, depois mais rápido, os seios balançando com cada investida. Ela fechou os olhos por um segundo, como se estivesse revivendo a cena.
— Ele me prendeu contra a parede — ela disse, a voz entrecortada. — As mãos dele eram maiores que as suas. Mais ásperas. Ele me levantou como se eu não pesasse nada.
Rafael sentiu uma onda de ciúme misturada à excitação, e empurrou os quadris para cima, enterrando-se ainda mais fundo.
— E você gostou?
— Sim — ela confessou, os olhos se abrindo para encontrar os dele. — Mas não tanto quanto estou gostando agora.
Rafael a virou de repente, colocando-a de quatro na cama, as costas arqueadas, o bumbum empinado. Ele entrou nela por trás, com força, e Clara gritou, as unhas arranhando os lençóis.
— Assim? — ele perguntou, a voz rouca. — Foi assim que ele te comeu?
— Não — ela gemeu. — Foi mais… lento. Mais cuidadoso.
Rafael diminuiu o ritmo, os movimentos se tornando mais profundos, mais deliberados. Ele se inclinou sobre ela, mordiscando o lóbulo da orelha.
— E você gozou assim?
— Não — ela admitiu, a voz trêmula. — Eu gozei quando ele me virou e me beijou. Quando ele me olhou nos olhos e disse que eu era linda.
Rafael sentiu algo se quebrar dentro de si. Ele puxou os cabelos dela, forçando-a a olhar para trás, para ele.
— Você é linda — ele disse, a voz carregada de emoção. — E eu quero que você goze agora. Quero sentir você apertando meu pau enquanto eu te encho.
Clara gemeu, os quadris se movendo em sincronia com os dele, cada investida mais profunda, mais intensa. Rafael sentiu o orgasmo se aproximando, uma pressão quente na base da espinha, e acelerou o ritmo, as bolas batendo contra ela.
— Goza pra mim — ele ordenou. — Agora.
Clara gritou, o corpo inteiro se contraindo, os músculos internos apertando-o com força. Rafael não aguentou mais. Com um gemido rouco, ele se enterrou até o fim, gozando dentro dela, o prazer tão intenso que quase o cegou.
Por um longo momento, só se ouviu o som das respirações ofegantes, o corpo dos dois tremendo levemente. Então Clara desabou na cama, puxando-o para baixo com ela. Rafael se deitou ao seu lado, os corpos ainda conectados, a pele úmida de suor.
— Nós vamos fazer isso de novo? — ela perguntou, depois de um tempo.
Rafael não respondeu de imediato. Olhou para o teto, sentindo o peso da pergunta. Não era só sobre sexo. Era sobre confiança. Sobre limites. Sobre até onde eles estavam dispostos a ir.
— Não sei — ele admitiu, finalmente. — Mas acho que precisamos conversar sobre o que isso significa. Para nós.
Clara se virou para ele, os olhos sérios.
— Eu não quero perder você — ela disse. — Mas também não quero voltar a ser como antes.
Rafael segurou o rosto dela, o polegar acariciando a bochecha.
— Nem eu.
Eles ficaram em silêncio por mais um tempo, os corpos se acalmando, os pensamentos se organizando. Então Clara se levantou, pegando o robe do chão e enrolando-o no corpo.
— Vamos tomar café — ela disse. — E conversar. De verdade.
Rafael assentiu, vestindo a calça. Mas enquanto seguia Clara até a cozinha, uma pergunta pairava em sua mente, insistente: *O que exatamente eles estavam prestes a redefinir?*
A cozinha estava banhada pela luz dourada da manhã, o cheiro de café fresco misturando-se ao aroma cítrico do detergente que Clara usara para lavar as xícaras. Ela se movia com uma tranquilidade que Rafael não via há semanas—os quadris balançando levemente sob o robe de seda, os cabelos ainda desgrenhados da noite anterior. Ele a observava da porta, os dedos tamborilando no batente, o corpo ainda vibrando com a lembrança do toque de Sofia, da boca de Clara, da confusão de sensações que o atravessara como uma corrente elétrica.
— Você vai ficar aí parado ou vem me ajudar? — ela perguntou, sem olhar para trás, enquanto pegava o bule de porcelana.
Rafael sorriu, apesar de tudo. Era típico dela: transformar até a conversa mais difícil em algo doméstico, quase banal. Ele se aproximou, pegando duas xícaras do armário, os dedos roçando nos dela por um segundo a mais do que o necessário. O contato enviou um arrepio pela espinha de Clara, que mordeu o lábio inferior antes de servir o café.
— Preto, sem açúcar — ele disse, como se fosse um ritual.
— Como se eu pudesse esquecer.
Eles se sentaram à mesa da cozinha, a mesma onde, meses atrás, discutiam sobre contas e compromissos sociais, onde Clara deixava bilhetes com listas de supermercado e Rafael rabiscava ideias para projetos de trabalho. Agora, o ar entre eles estava carregado de algo novo, algo que não tinha nome ainda, mas que pulsava como um terceiro corpo na sala.
— Então — Clara começou, girando a xícara entre as mãos —, o que a gente faz agora?
Rafael respirou fundo. As palavras de Sofia ainda ecoavam em sua mente: *"Você não precisa escolher entre o desejo e o amor. Só precisa escolher ser honesto."* Ele estendeu a mão sobre a mesa, cobrindo a dela.
— A gente estabelece regras — ele disse, a voz firme, mas os olhos traindo uma vulnerabilidade que fez Clara apertar seus dedos. — Regras que funcionem para nós dois.
Ela ergueu uma sobrancelha, um sorriso lento se formando nos lábios.
— Tipo um contrato?
— Tipo um acordo — ele corrigiu. — Entre duas pessoas que se amam, mas que também querem… mais.
Clara soltou uma risada baixa, inclinando-se para frente. O robe se abriu levemente, revelando a curva dos seios, e Rafael sentiu o sangue acelerar. Não era apenas sobre sexo. Era sobre a maneira como ela o olhava agora—como se ele fosse um território desconhecido, algo a ser explorado, mas não conquistado.
— Tá bom — ela disse, a voz rouca. — Vamos lá. Primeira regra: nada de mentiras. Nem omissões. Se um de nós transar com alguém, o outro tem que saber. Não necessariamente antes, mas logo depois.
Rafael assentiu. A ideia de saber dos detalhes da noite de Clara com Daniel o excitava e o aterrorizava na mesma medida.
— Concordo. Mas com uma condição: nada de nomes, a menos que a gente peça. Eu não quero saber quem é, só… o que sentiu.
Clara mordeu o lábio, imaginando Daniel pressionando-a contra a parede do hotel, as mãos dele em seus quadris, a boca quente em seu pescoço. Ela sabia que Rafael estava fazendo o mesmo—lembrando-se de Sofia, da maneira como ela o guiara, da sensação de ser desejado por alguém que não esperava nada além do prazer imediato.
— Segunda regra — ela continuou, a voz mais baixa agora, quase um sussurro. — Nós dois temos que continuar transando. Muito. Não importa com quantas pessoas a gente se envolva, essa cama aqui — ela apontou para o quarto com um movimento de cabeça — é sagrada.
Rafael sentiu o pau endurecer sob a calça. Ele se lembrou da noite anterior, de como Clara o montara com uma fúria que ele não via há anos, como se quisesse marcar território, como se precisasse lembrá-lo de que, no fim, era ela quem ele escolhia. Ele se inclinou, aproximando-se o suficiente para sentir o hálito dela, doce e quente.
— E se eu quiser te contar cada detalhe do que fiz com Sofia? — ele murmurou. — Se eu quiser descrever como ela me chupou, como gozei na boca dela, como ela riu quando eu disse que nunca tinha feito aquilo antes?
Clara estremeceu, os mamilos endurecendo sob o robe. Ela sabia que ele estava testando limites, mas também sabia que era exatamente isso que ela queria—ser desafiada, provocada, forçada a admitir que a ideia a deixava molhada.
— Então eu vou te contar como Daniel me fodeu por trás — ela respondeu, a voz firme, mas os olhos escurecendo de desejo. — Como ele me segurou pelos cabelos e me fez gozar duas vezes antes de ele mesmo gozar dentro de mim.
Rafael gemeu, baixo, e puxou Clara para seu colo. Ela não resistiu, montando-o ali mesmo, na cadeira da cozinha, o robe se abrindo completamente. Ele segurou seus quadris, os dedos cravando na carne macia, e a beijou com uma fome que não era só física. Era uma fome de posse, de reafirmação, de provar que, mesmo com outros corpos, eles ainda eram um do outro.
— Terceira regra — ele disse, entre beijos, a boca descendo pelo pescoço dela. — Nada de ciúme fora de hora. Se um de nós sentir que está passando dos limites, a gente conversa. Mas não pode transformar isso em uma competição.
Clara arqueou as costas, oferecendo os seios a ele. Rafael não perdeu tempo—tomou um mamilo entre os dentes, mordiscando até ela gemer, as unhas arranhando suas costas.
— Quarta regra — ela ofegou. — Nós dois temos que continuar se desejando. Não importa o que aconteça lá fora, quando a gente estiver junto, tem que ser… intenso.
Rafael sorriu contra a pele dela, a mão deslizando entre suas pernas. Clara já estava encharcada, o clitóris inchado, pulsando sob seus dedos.
— Isso não vai ser um problema — ele murmurou, antes de enfiar dois dedos dentro dela.
Clara gemeu alto, os quadris se movendo em um ritmo desesperado. Ela se agarrou aos ombros dele, as unhas deixando marcas vermelhas, e o beijou com uma urgência que fez Rafael perder o fôlego. Ele a fodeu com os dedos ali mesmo, na cozinha, o café esquecido, o mundo lá fora reduzido a nada além do som dos corpos se chocando, dos gemidos abafados, do prazer crescendo como uma onda prestes a quebrar.
— Quinta regra — Rafael disse, a voz rouca, os dedos ainda trabalhando dentro dela. — Nós dois temos que gozar juntos pelo menos uma vez por semana. Só nós dois. Sem distrações. Sem pensar em mais ninguém.
Clara riu, um som ofegante e delicioso, e mordeu o lábio inferior.
— Isso não é uma regra, é um presente.
Ela se levantou abruptamente, puxando-o pela mão. Rafael a seguiu, os olhos fixos no balanço dos quadris dela enquanto caminhavam até o quarto. A cama ainda estava desarrumada, os lençóis cheirando a sexo e suor, a lembrança da noite anterior pairando no ar como um convite.
Clara se deitou, abrindo as pernas para ele, os dedos já brincando com o próprio clitóris.
— Vem — ela ordenou. — Me mostra como você quer que seja.
Rafael não precisou de mais incentivo. Ele tirou a calça em um movimento rápido, o pau duro, latejante, e se posicionou entre as coxas dela. Mas, em vez de entrar de uma vez, ele segurou o pau e o esfregou contra a boceta dela, molhando a glande com seus líquidos, provocando-a.
— Porra, Rafael — Clara gemeu, os quadris se erguendo, tentando forçá-lo a entrar.
— Paciência — ele murmurou, sorrindo. — A gente tem o dia todo.
Ele se inclinou, beijando-a devagar, a língua explorando sua boca enquanto a mão direita continuava a brincar com seu clitóris. Clara se contorcia sob ele, os gemidos ficando mais altos, mais desesperados. Quando ele finalmente a penetrou, foi com uma lentidão agonizante, cada centímetro uma tortura deliciosa.
— Assim — ela sussurrou, as unhas cravando em suas costas. — Assim, bem devagar…
Rafael obedeceu, movendo-se em um ritmo lento e profundo, os quadris se encontrando em um vai e vem que fazia Clara ver estrelas. Ele a observava, hipnotizado pela maneira como ela se entregava—os lábios entreabertos, os olhos semicerrados, o corpo arqueado como uma oferenda.
— Eu te amo — ele disse, a voz embargada, e Clara soube que não era apenas uma frase. Era uma promessa.
— Eu também te amo — ela respondeu, puxando-o para mais perto, os corpos se fundindo em um só.
Eles gozaram juntos, como haviam combinado, os corpos tremendo, os gemidos se misturando no ar. Rafael gozou dentro dela com um grunhido rouco, os dedos enterrados em seus cabelos, enquanto Clara se apertava ao redor dele, ordenhando cada gota de prazer.
Quando finalmente se separaram, os corpos ainda trêmulos, Clara se aninhou contra ele, a cabeça no peito de Rafael.
— Então — ela disse, depois de um tempo, a voz sonolenta. — A gente vai mesmo fazer isso?
Rafael beijou o topo de sua cabeça, sentindo o cheiro de seus cabelos, o peso quente do corpo dela contra o seu.
— Acho que já estamos fazendo.
Clara sorriu, fechando os olhos. Não era um final. Era um começo—um novo tipo de amor, mais livre, mais honesto, mais intenso do que qualquer coisa que eles haviam conhecido antes. E, pela primeira vez em muito tempo, ela não sentia medo. Sentia apenas uma excitação deliciosa pelo que estava por vir.