Entre Lençóis e Segredos

TraiçãoPor Tonkix10 leituras
Entre Lençóis e Segredos
**Entre Lençóis e Segredos** A sala de jantar estava banhada em uma luz âmbar, filtrada pelas cortinas de linho cru que oscilavam levemente com a brisa noturna. O ar carregava o aroma de alecrim e alho tostado, misturado ao perfume discreto de madeira queimada da lareira acesa no canto—um detalhe desnecessário para a temperatura amena, mas que Ricardo insistira em manter, como se a presença do fogo pudesse aquecer mais do que apenas o ambiente. Clara observava as chamas dançarem atrás do vidro, os dedos longos e bem cuidados enrolados no pé da taça de vinho tinto. O líquido rubi refletia a luz em tons de sangue e mel, e ela o levava aos lábios com uma lentidão calculada, como se cada gole fosse uma pequena rebelião contra a monotonia que a sufocava. — Você está quieta hoje — Ricardo comentou, sem desviar os olhos do prato, onde a faca cortava o filé-mignon com precisão cirúrgica. — Problemas no trabalho? Clara sorriu, um gesto automático, quase imperceptível. *Problemas no trabalho.* Como se fosse isso. Como se a insatisfação que a corroía por dentro pudesse ser resumida em prazos apertados ou reuniões tediosas. Ela olhou para o marido, o maxilar quadrado, os cabelos escuros já grisalhos nas têmporas, a postura rígida de quem confundia seriedade com autoridade. Ricardo era um homem de rotinas: acordava às seis, corria cinco quilômetros, lia o jornal no tablet enquanto tomava café preto sem açúcar, e chegava ao escritório antes das oito. Nos últimos dez anos, nada havia mudado. Nem mesmo o sexo, que acontecia sempre na mesma noite da semana, no mesmo horário, com a mesma sequência de movimentos previsíveis. — Não — ela respondeu, a voz suave, quase um sussurro. — Só cansada. Ricardo assentiu, como se isso explicasse tudo, e voltou a atenção para o convidado sentado à sua direita. — Daniel, me fala mais sobre essa proposta da filial em Curitiba. Você acha que o conselho vai aprovar? Daniel. Clara sentiu o nome reverberar em sua mente como uma nota musical prolongada. Ele estava ali, do outro lado da mesa, os cotovelos apoiados na toalha de linho branco, os dedos entrelaçados sob o queixo. Diferente de Ricardo, Daniel não parecia um homem que seguia regras. Os cabelos castanhos, ligeiramente desalinhados, caíam sobre a testa em ondas rebeldes, e os olhos—verdes, intensos—brilhavam com uma luz que Clara não via no marido há anos. Talvez nunca tivesse visto. Quando ele sorria, era como se o mundo inteiro se inclinasse um pouco para o lado, convidando-a a perder o equilíbrio. — Depende — Daniel respondeu, a voz grave, modulada. — Se o Ricardo convencer o pessoal de que o mercado lá está aquecido, acho que sim. Mas você sabe como são esses caras. Preferem segurança a ousadia. Ricardo riu, um som curto, sem humor. — Segurança é o que nos mantém no jogo. Ousadia é para quem não tem o que perder. Clara observou os dois, a dinâmica entre eles. Ricardo, o estrategista, o homem que calculava cada passo como se a vida fosse um tabuleiro de xadrez. Daniel, o jogador, o que arriscava, que sorria enquanto movia as peças sem medo de perder. Ela levou a taça aos lábios novamente, sentindo o vinho queimar de leve na garganta. Quando baixou o copo, encontrou os olhos de Daniel sobre si. Não era um olhar casual. Era uma pergunta. Ou um convite. — E você, Clara? — Daniel perguntou, inclinando-se ligeiramente para frente. — O que acha? Segurança ou ousadia? Ela sentiu o calor subir pelo pescoço, as bochechas formigarem. Havia algo na maneira como ele dizia seu nome, como se enrolasse a língua ao redor das sílabas, que a fazia querer se aproximar. Ou se afastar. Ou as duas coisas ao mesmo tempo. — Depende do que está em jogo — respondeu, sustentando o olhar dele. — Às vezes, a segurança é apenas uma ilusão. Ricardo franziu o cenho, mas antes que pudesse dizer algo, a empregada entrou com a sobremesa—um crème brûlée que Clara não pedira, mas que sabia que o marido havia encomendado especialmente para impressionar o amigo. O açúcar caramelizado estalou sob a colher de Daniel, e ele gemeu baixinho, um som quase imperceptível, mas que fez Clara apertar os joelhos sob a mesa. — Isso é pecado — ele murmurou, os olhos fixos nos dela enquanto levava a colher à boca. Clara desviou o olhar primeiro, sentindo o coração bater mais rápido. Havia algo de perigoso naquilo. Não apenas na tensão que vibrava entre eles, mas na maneira como Ricardo parecia alheio a tudo, como se o mundo ao seu redor fosse apenas um pano de fundo para suas próprias preocupações. Ela se perguntou se ele notaria se ela e Daniel simplesmente... desaparecessem. Se sumissem pela porta dos fundos, se perdessem na noite, se deixassem para trás a fachada de normalidade que os mantinha presos. — Clara — Ricardo chamou, interrompendo seus pensamentos. — Você não vai comer? Ela olhou para o prato à sua frente, o creme dourado intocado. Sentiu o peso do olhar de Daniel sobre si, como uma carícia lenta, deliberada. — Não estou com fome — mentiu. Daniel sorriu, um canto da boca se erguendo em um gesto que era ao mesmo tempo cúmplice e desafiador. — Que desperdício — ele disse, baixinho, apenas para ela. O jantar prosseguiu, mas Clara mal ouviu as palavras. Estava consciente de cada movimento de Daniel—o modo como os dedos dele roçavam no guardanapo, como a perna dele, por baixo da mesa, parecia quase tocar a sua. A certa altura, Ricardo se levantou para atender uma ligação do escritório, deixando-os a sós. O silêncio que se instalou não era constrangedor. Era carregado. Elétrico. — Ele não percebe, não é? — Daniel perguntou, a voz baixa, quase um sussurro. Clara não precisou perguntar o que ele queria dizer. — Não — respondeu, sentindo um arrepio percorrer a espinha. — Ele nunca percebe. Daniel se recostou na cadeira, os olhos verdes brilhando com algo que ela não ousou nomear. — E você? Percebe? Ela deveria ter desviado o olhar. Deveria ter dito algo espirituoso, algo que aliviasse a tensão. Mas não fez nada disso. Apenas sustentou o olhar dele, sentindo o calor se espalhar pelo corpo, como se cada célula sua estivesse despertando de um sono profundo. — Sim — murmurou. — Eu percebo. Ricardo voltou naquele momento, o celular ainda na mão, o cenho franzido. — Desculpem, era o escritório. Problemas com um cliente. Daniel se levantou, esticando os braços acima da cabeça com um movimento preguiçoso. — Acho que vou indo. Amanhã tenho uma reunião cedo. Clara também se levantou, sentindo o tecido do vestido deslizar contra a pele. Era um modelo simples, preto, de alças finas, mas que se moldava ao corpo como uma segunda pele. Ela sabia que Daniel a observava enquanto ela se movia, e isso a fez endireitar a postura, alongar o pescoço, como se estivesse se oferecendo sem dizer uma palavra. — Eu te acompanho até a porta — ela disse, antes que Ricardo pudesse protestar. Os dois caminharam pelo corredor em silêncio, os passos abafados pelo tapete persa. A casa estava quieta, apenas o som distante da televisão na sala de estar, onde Ricardo já se acomodara com um copo de uísque. Quando chegaram à porta, Daniel se virou para ela, os olhos verdes escurecidos pela penumbra. — Foi um prazer, Clara — ele disse, a voz rouca. Ela sorriu, sentindo o coração martelar no peito. — O prazer foi meu. Daniel hesitou por um segundo, como se quisesse dizer algo mais. Então, com um movimento lento, estendeu a mão e roçou os dedos no braço dela, um toque leve, quase imperceptível, mas que a fez prender a respiração. — Até a próxima — ele murmurou, antes de se virar e descer os degraus da varanda. Clara ficou ali, parada, observando-o caminhar até o carro. Quando ele entrou e ligou o motor, os faróis iluminaram a rua por um instante, lançando sombras longas sobre o gramado. Ela esperou até que o carro desaparecesse na esquina, então fechou a porta devagar, sentindo o peso do que havia acabado de acontecer. Ou do que estava prestes a acontecer. No corredor, Ricardo a chamou. — Clara? Onde você está? Ela respirou fundo, alisando o vestido com as mãos. — Já vou — respondeu, a voz firme. Mas, por dentro, sentia-se como uma corda esticada ao máximo, prestes a arrebentar. E quando se virou para voltar à sala, soube que algo havia mudado. Algo que não poderia mais ser desfeito. A cozinha estava imersa em um silêncio denso, quebrado apenas pelo tilintar ocasional dos talheres sendo recolhidos e pelo zumbido baixo da geladeira. Clara se movia com a elegância de quem havia passado anos aperfeiçoando cada gesto—os dedos longos deslizando sobre a porcelana, os quadris balançando levemente enquanto empilhava os pratos. A luz amarelada do lustre sobre a ilha central lançava reflexos dourados em seus cabelos castanhos, presos em um coque frouxo que deixava alguns fios soltos, roçando a nuca. Ela sentia o peso do olhar de Daniel nas costas, como uma carícia invisível. Ele estava encostado no batente da porta, os braços cruzados, observando-a com aquele sorriso preguiçoso que ela já conhecia tão bem. O paletó havia sido abandonado em algum lugar da sala, e a camisa branca, ligeiramente aberta no colarinho, deixava entrever a sombra de uma corrente fina de prata. O cheiro de sua colônia—algo amadeirado, com um toque de especiarias—se misturava ao aroma do café que ainda pairava no ar, criando uma atmosfera quase irrespirável. — Você não precisa fazer isso — ele disse, a voz baixa, como se temesse quebrar o encanto. — Ricardo já levou as taças para a sala. Clara não se virou. Continuou enxaguando um copo, deixando a água escorrer entre os dedos. — Eu sei. Mas gosto de manter as coisas em ordem. Um sorriso se desenhou nos lábios dele. — Ordem é o seu jeito de controlar o caos, não é? Ela finalmente olhou por cima do ombro, os olhos verdes brilhando com uma ironia que só os dois entendiam. — E você é o caos, Daniel? Ele deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. O espaço da cozinha, antes amplo, parecia encolher. — Depende. Você gosta de caos? Clara sentiu o calor subir pelo pescoço. Antes que pudesse responder, o copo escorregou de suas mãos. O vidro se espatifou no chão com um estrondo seco, e ela instintivamente deu um passo para trás, os saltos finos rangendo sobre os cacos. — Merda — murmurou, mais para si mesma do que para ele. Daniel já estava ali, ajoelhado diante dela, as mãos fortes envolvendo seus tornozelos antes que ela pudesse se mover. — Não se mexa — ele ordenou, a voz rouca. — Você vai se cortar. Clara prendeu a respiração. As mãos dele eram quentes, mesmo através do tecido fino do vestido, e a maneira como seus dedos se fechavam em torno de sua pele—firmes, possessivos—fazia seu estômago se contrair. Ele começou a subir, deslizando as palmas pelas panturrilhas, os joelhos, até chegar à cintura. O vestido era justo, mas não o suficiente para esconder o tremor que percorria seu corpo. — Daniel… — ela tentou protestar, mas a palavra saiu fraca, quase um suspiro. — Shhh — ele murmurou, levantando-se devagar, sem soltar sua cintura. — Só estou te ajudando. Mas não era verdade. Clara sabia disso. Ele sabia disso. A maneira como seus polegares pressionavam levemente a curva de seus quadris, como seus olhos escuros percorriam seu rosto, parando nos lábios entreabertos, não tinha nada de inocente. E quando ele finalmente a soltou, o espaço entre eles parecia carregado de eletricidade. — Pronto — ele disse, a voz mais grave do que antes. — Sem ferimentos. Clara engoliu em seco. O ar entre eles estava denso, quase palpável, como se qualquer movimento pudesse desencadear algo irreversível. — Obrigada — ela conseguiu dizer, mas a palavra soou vazia. Daniel não respondeu. Em vez disso, estendeu a mão e pegou uma mecha de cabelo que havia escapado do coque, enrolando-a entre os dedos. O gesto era íntimo, quase casual, mas o modo como seus olhos acompanhavam o movimento—lentos, deliberados—fazia o coração de Clara bater mais rápido. — Você está linda hoje — ele murmurou. — Esse vestido… combina com você. Ela riu, um som baixo e nervoso. — Ricardo disse que era elegante. — Ricardo não entende de elegância — Daniel rebateu, aproximando-se mais um passo. — Ele só vê o que quer ver. Clara sentiu o calor do corpo dele, a poucos centímetros do seu. O cheiro da colônia, agora misturado ao leve suor da noite, era inebriante. Ela deveria recuar. Deveria chamar o marido, voltar para a sala, fingir que nada daquilo estava acontecendo. Mas seus pés pareciam pregados no chão, e quando Daniel inclinou a cabeça, aproximando os lábios de sua orelha, ela não se moveu. — Você sabe que ele não te merece, não sabe? — ele sussurrou, a respiração quente contra sua pele. Clara fechou os olhos. As palavras a atingiram como um soco, porque eram verdade. E porque, no fundo, ela já sabia disso há muito tempo. — Daniel… — ela começou, mas não sabia o que dizer. Ele não esperou por uma resposta. Em vez disso, seus dedos deslizaram pela lateral de seu corpo, traçando uma linha lenta desde o ombro até a cintura, parando logo acima da curva do quadril. O toque era leve, mas suficiente para fazer sua pele formigar. — Eu deveria ir — ele disse, mas não se moveu. Clara abriu os olhos. Os rostos estavam tão próximos que ela podia ver as pequenas imperfeições em sua pele, a sombra de barba que começava a aparecer no maxilar. E então, sem pensar, ela deixou os dedos roçarem o peito dele, sentindo o ritmo acelerado de seu coração sob a camisa. — Deveria — ela concordou, mas sua voz traiu a hesitação. Daniel sorriu, um sorriso lento e perigoso. — Mas não vou. E então, antes que ela pudesse reagir, ele a puxou contra si, eliminando qualquer espaço entre eles. Clara sentiu o corpo dele—duro, quente—pressionado contra o seu, e um gemido escapou de seus lábios antes que pudesse contê-lo. As mãos de Daniel deslizaram pelas suas costas, puxando-a ainda mais para perto, enquanto sua boca encontrava a dela em um beijo que não era suave, nem hesitante. Era faminto. Exigente. Por um segundo, Clara se deixou levar. Seus dedos se enroscaram no tecido da camisa dele, puxando-o para mais perto, enquanto sua língua respondia à dele com a mesma urgência. O gosto de vinho e café se misturava em suas bocas, e o mundo ao redor pareceu desaparecer—só existiam eles, o calor, o desejo que queimava entre os dois como uma chama prestes a consumir tudo. Mas então, um barulho vindo da sala—o som de passos se aproximando—os fez se afastar bruscamente. Clara levou a mão aos lábios, os dedos tremendo, enquanto Daniel recuava um passo, os olhos ainda fixos nela, escuros de desejo. — Clara? — a voz de Ricardo ecoou pelo corredor. — Onde você está? Ela respirou fundo, tentando acalmar o ritmo acelerado do coração. — Já vou — respondeu, a voz um pouco mais alta do que pretendia. Daniel passou a mão pelos cabelos, um gesto que ela já conhecia como sinal de frustração. Então, com um último olhar que prometia muito mais do que palavras poderiam dizer, ele se virou e saiu da cozinha, deixando-a sozinha com o peso do que havia acabado de acontecer. E com a certeza de que, dali em diante, nada seria como antes. A chuva fina que caía sobre a cidade parecia um véu de seda, abafando os sons do mundo lá fora enquanto Clara observava pela janela da sala. O apartamento estava imerso em um silêncio denso, quebrado apenas pelo tique-taque suave do relógio de parede e pelo rumor distante de um carro passando na rua molhada. Ricardo havia partido naquela manhã para uma viagem de negócios de três dias, e a casa, de repente, parecia maior, mais vazia—como se as paredes tivessem respirado fundo e soltado o ar em um suspiro aliviado. Ela passou os dedos pelo braço do sofá, sentindo a textura do tecido sob as unhas. Estava nervosa. Não por estar sozinha, mas pela decisão que havia tomado ao enviar aquela mensagem para Daniel mais cedo. *"Café? Hoje à tarde. Sem pressa."* Três palavras simples, mas carregadas de um convite que nenhum dos dois ousaria nomear em voz alta. Ele respondera quase imediatamente, com um *"Claro. Às quatro?"*, e agora, faltando quinze minutos para o horário marcado, Clara se perguntava se tinha sido um erro. Ou talvez, apenas talvez, fosse o que ambos precisavam. O interfone tocou, cortando o silêncio como uma lâmina. Ela se levantou, alisando a saia do vestido leve que escolhera—um tom de azul-petróleo que realçava o verde dos seus olhos—e caminhou até a porta com passos deliberadamente lentos. Ao abrir, encontrou Daniel parado no corredor, as mãos enfiadas nos bolsos de uma jaqueta de couro escuro, os cabelos ligeiramente úmidos da chuva. Ele sorriu, e aquele sorriso era uma promessa. — Cheguei cedo — disse ele, a voz baixa, como se soubesse que o apartamento estava ouvindo. — Não tem problema — Clara respondeu, afastando-se para deixá-lo entrar. — O café já está pronto. Ele passou por ela, e o cheiro de sua colônia—algo amadeirado, com um toque de especiarias—invadiu o espaço entre eles. Clara fechou a porta, sentindo o peso do gesto, como se estivesse trancando o mundo lá fora. Quando se virou, Daniel já estava na sala, observando as fotografias sobre o aparador: Ricardo e ela em uma praia na Grécia, os dois sorrindo, mas com algo de forçado nos olhos. — Vocês parecem felizes — comentou ele, sem olhar para ela. — Parecemos — Clara concordou, aproximando-se. — Mas às vezes as aparências enganam. Daniel virou-se então, e seus olhares se encontraram. Havia algo de perigoso na maneira como ele a fitava, como se pudesse enxergar além das camadas de polidez e rotina que ela usava como armadura. — E o que elas escondem, Clara? Ela hesitou, mas a verdade escapou antes que pudesse contê-la. — Um casamento que se transformou em uma dança de silêncios. O ar entre eles ficou mais denso, carregado de palavras não ditas. Daniel deu um passo à frente, e Clara não recuou. Em vez disso, inclinou levemente a cabeça, como se o desafiasse a ir além. — O café — disse ela, finalmente, quebrando o feitiço. — Vou buscar. A cozinha estava quente, o aroma do café recém-coado envolvendo-a como um abraço. Clara serviu duas xícaras, as mãos firmes apesar do tremor interno. Quando voltou à sala, Daniel estava sentado no sofá, as pernas ligeiramente afastadas, os cotovelos apoiados nos joelhos. Ele aceitou a xícara que ela lhe ofereceu, os dedos roçando nos dela por um segundo a mais do que o necessário. — Obrigado. Ela se sentou ao lado dele, não muito perto, mas também não longe o suficiente para que a distância parecesse casual. O sofá afundou sob seu peso, e por um instante, seus joelhos se tocaram. Nenhum dos dois se afastou. — Você viaja muito com Ricardo? — perguntou Daniel, levando a xícara aos lábios. — Às vezes. — Clara observou o vapor subir da superfície escura do café. — Mas ele nunca me leva junto. Diz que é trabalho, não lazer. — E você acredita? Ela riu, um som baixo e amargo. — Eu costumava acreditar em muitas coisas. Daniel a estudou por um momento, como se estivesse decidindo o quanto poderia se aproximar sem assustá-la. — E agora? — Agora eu só acredito no que sinto. As palavras pairaram no ar, pesadas. Clara sentiu o coração bater mais forte, como se tivesse corrido uma maratona. Daniel colocou a xícara sobre a mesinha de centro e se virou para ela, o corpo inclinado na sua direção. — E o que você sente, Clara? Ela deveria ter desviado o olhar. Deveria ter dado uma resposta evasiva, algo que os mantivesse no território seguro das meias-verdades. Mas a honestidade, quando finalmente rompia as barreiras, era impossível de conter. — Que estou cansada de fingir. Daniel estendeu a mão, hesitante, e tocou o rosto dela. Seus dedos eram quentes, ásperos de leve, e Clara fechou os olhos por um instante, deixando-se levar pela sensação. Quando os abriu novamente, ele estava mais perto, tão perto que podia sentir o calor da sua respiração. — Eu também — murmurou ele. E então, como se movidos por uma força invisível, seus corpos se inclinaram um para o outro. Os lábios de Daniel roçaram os dela, um toque leve, quase imperceptível, mas suficiente para fazer Clara prender a respiração. Ele não a beijou. Não ainda. Em vez disso, recuou apenas o suficiente para que seus rostos ficassem a centímetros de distância, os olhos fixos um no outro, como se estivessem esperando por um sinal. Clara sabia que deveria ser ela a dar o próximo passo. Mas algo a impedia—medo, talvez, ou a consciência de que, uma vez cruzada aquela linha, não haveria volta. Então, em vez de beijá-lo, ela se aproximou ainda mais, até que seus lábios quase se tocassem, e sussurrou: — O que você está esperando? Daniel sorriu, lento e perigoso. — Que você me peça. O desafio estava lançado. Clara sentiu o corpo inteiro formigar, o desejo se espalhando como fogo líquido em suas veias. Mas antes que pudesse responder, antes que pudesse ceder à tentação, um trovão ribombou lá fora, fazendo as janelas tremerem. A chuva, que até então caía em um murmúrio suave, tornou-se um dilúvio, batendo contra o vidro com uma urgência que parecia ecoar o que sentiam. Daniel recuou, apenas o suficiente para romper o contato, e olhou para a janela. — Parece que a tempestade chegou — disse ele, a voz rouca. Clara seguiu seu olhar. A cidade lá fora estava encoberta por uma cortina de água, o mundo reduzido a sombras e reflexos distorcidos. Quando se voltou para Daniel novamente, encontrou-o observando-a com uma intensidade que a fez estremecer. — E nós? — perguntou ela, a voz pouco mais que um sussurro. Daniel não respondeu. Em vez disso, estendeu a mão e puxou-a para si, até que seus corpos estivessem colados, até que Clara pudesse sentir o ritmo acelerado do seu coração contra o peito. Ele não a beijou. Não ainda. Mas a maneira como a segurava, como seus dedos se enroscavam nos cabelos dela, deixava claro que era apenas uma questão de tempo. — Nós — disse ele, finalmente — estamos exatamente onde deveríamos estar. E então, como se o destino tivesse decidido por eles, as luzes piscaram e se apagaram, mergulhando a sala em uma escuridão súbita. A chuva batia contra as janelas como um convite, e Clara soube, com uma clareza que a assustou, que a tempestade lá fora não era nada comparada ao que estava prestes a acontecer entre eles. A campainha tocou quando Clara já havia desistido de esperar por algo além da solidão daquela noite. O som cortou o silêncio como uma lâmina, afiada e inesperada, e ela ergueu os olhos do livro que não conseguia ler, as palavras dançando na página sem sentido. A chuva batia contra as janelas em rajadas furiosas, o vento uivando entre as frestas da casa como um espectro impaciente. Por um instante, hesitou. Ninguém em sã consciência sairia com aquele tempo, a menos que fosse urgente. Mas quando abriu a porta, não havia urgência no rosto de Daniel. Apenas aquele sorriso lento, quase preguiçoso, os cabelos escuros grudados na testa pelas gotas da tempestade, a camisa branca colada ao peito como uma segunda pele. Ele segurava uma garrafa de vinho, o rótulo manchado pela umidade, e ergueu-a num gesto casual. — Esqueci de devolver isso depois do jantar — disse, a voz rouca, como se a chuva tivesse roubado parte dela. — Mas, se você preferir, posso voltar outro dia. Clara sabia que era mentira. A garrafa estava ali desde a última vez que ele estivera na casa, semanas atrás, intocada no aparador da sala. Mas não importava. A desculpa era frágil, transparente, e ainda assim ela deu um passo para o lado, convidando-o a entrar. — Não seja ridículo — murmurou, fechando a porta atrás dele com um clique que ecoou como um ponto final em algo que ainda não havia começado. O ar dentro da casa estava carregado, denso com o cheiro de chuva e do perfume cítrico que Daniel sempre usava, uma mistura de bergamota e algo mais escuro, amadeirado, que parecia se agarrar à pele. Ele sacudiu os ombros, livrando-se do excesso de água, e Clara observou as gotas escorrerem pelo pescoço dele, desaparecendo sob a gola da camisa. Por um segundo, imaginou o gosto salgado daquela pele, o calor úmido contra sua língua. — Você vai pegar um resfriado — disse, mas sua voz saiu mais baixa do que pretendia, quase um convite. Daniel sorriu, como se soubesse exatamente o que ela estava pensando. — Acho que você pode me aquecer. O comentário pairou entre eles, pesado, carregado de duplo sentido. Clara desviou o olhar primeiro, fingindo procurar um copo no armário da cozinha, mas suas mãos tremiam levemente. Quando se virou, ele estava mais perto do que antes, o corpo grande demais para o espaço apertado, a presença dele ocupando cada centímetro de ar que ela respirava. — Vinho? — ofereceu, estendendo a garrafa. — Depois — respondeu ele, a voz um grunhido suave. — Primeiro, quero ver você. Clara sentiu o calor subir pelo pescoço, queimando as bochechas. Não era uma pergunta, nem um pedido. Era uma ordem disfarçada de desejo, e algo nela se retorceu, ansioso, obediente. Ela colocou a garrafa sobre o balcão com cuidado exagerado, ganhando tempo, mas Daniel não se moveu. Apenas a observava, os olhos escuros percorrendo cada curva, cada linha do seu corpo, como se já a estivesse desnudando. — Você está linda — murmurou, e o elogio soou sincero, quase reverente. — Mas acho que você sabe disso. Ela riu, nervosa. — Você sempre diz isso. — Porque é sempre verdade. O silêncio que se seguiu foi carregado, elétrico. Clara podia ouvir o próprio coração batendo, um tambor surdo contra as costelas. A chuva lá fora parecia ter redobrado de intensidade, as gotas martelando o telhado como se quisessem entrar, como se quisessem testemunhar o que estava prestes a acontecer. Daniel deu um passo à frente, depois outro, até que suas coxas se encostassem nas dela, até que ela pudesse sentir o calor do corpo dele mesmo através das camadas de roupa. Ele não a tocou. Ainda não. Apenas inclinou a cabeça, os lábios pairando a centímetros dos dela, o hálito quente misturando-se ao seu. — Posso? — perguntou, e a pergunta era desnecessária, porque ambos sabiam a resposta. Clara não respondeu. Em vez disso, fechou os olhos e ergueu o queixo, oferecendo-se. O primeiro toque foi suave, quase hesitante. Os lábios de Daniel roçaram os dela como uma pergunta, uma promessa, e então, quando ela não se afastou, ele a beijou de verdade. Não havia gentileza naquele beijo. Era fome pura, anos de desejo reprimido explodindo em um único instante. A língua dele invadiu sua boca, possessiva, exigente, e Clara gemeu contra ele, as mãos se fechando na camisa encharcada, puxando-o para mais perto. Daniel a ergueu sem esforço, sentando-a sobre o balcão da cozinha, as pernas dela se abrindo instintivamente para acomodar os quadris dele. O beijo se aprofundou, os dentes se chocando, as respirações se misturando em suspiros entrecortados. Clara sentiu as mãos dele deslizarem pelas suas coxas, os dedos se enterrando na carne macia, puxando-a contra a ereção que pressionava o zíper da calça. — Porra — ele gemeu, afastando-se apenas o suficiente para respirar. — Você não faz ideia do quanto eu quis isso. — Eu sei — ela sussurrou, as unhas arranhando a nuca dele. — Porque eu também quis. A confissão pareceu acender algo dentro dele. Daniel a puxou do balcão com um movimento brusco, as mãos firmes na cintura dela, e a carregou para a sala como se não pesasse nada. A chuva batia nas janelas, o vento uivava, mas dentro daquela bolha de calor e desejo, nada mais existia além dos dois. Ele a deitou no sofá, o corpo grande cobrindo o dela, e Clara arqueou as costas, oferecendo-se. Os lábios de Daniel encontraram seu pescoço, os dentes raspando a pele sensível, a língua traçando um caminho úmido até a clavícula. Ela gemeu, as mãos se perdendo nos cabelos dele, puxando-o para mais perto, como se pudesse fundir seus corpos em um só. — Eu quero você — ele murmurou contra sua pele, a voz rouca de desejo. — Agora. Clara não respondeu com palavras. Em vez disso, ergueu os quadris, esfregando-se contra ele, sentindo a dureza dele pressionar exatamente onde ela mais precisava. Daniel gemeu, os dedos se fechando nos seus cabelos, puxando sua cabeça para trás para expor mais da garganta. — Diga — ordenou, a voz um rosnado. — Diga que você quer. — Eu quero — ela ofegou, as unhas cravando-se nos ombros dele. — Eu quero você, Daniel. Agora. Ele não precisou de mais incentivo. Com movimentos rápidos, quase desesperados, ele desabotoou a blusa dela, os dedos ágeis encontrando o fecho do sutiã. O ar frio da sala tocou seus seios nus, os mamilos endurecendo instantaneamente, e Daniel não perdeu tempo. Abaixou a cabeça, a língua quente e úmida circulando um mamilo antes de sugá-lo com força, arrancando um grito de Clara. — Isso — ela gemeu, as pernas se enroscando na cintura dele. — Mais. Daniel obedeceu, movendo-se para o outro seio, as mãos deslizando para baixo, desabotoando a calça dela, puxando-a junto com a calcinha em um único movimento fluido. Clara ergueu os quadris, ajudando-o, e quando ele se afastou para se livrar das próprias roupas, ela aproveitou para observá-lo. O corpo dele era uma obra de arte. Músculos definidos, mas não exagerados, a pele bronzeada marcada por algumas cicatrizes antigas, os pelos escuros do peito descendo em uma linha fina até o abdômen, desaparecendo sob a cueca. Quando ele a tirou, Clara não conseguiu conter um suspiro. Ele era grande, duro, a ponta já brilhando com uma gota de pré-gozo, e o desejo a atravessou como um raio. Daniel voltou para ela, o corpo cobrindo o seu, a pele quente e úmida contra a dela. Ele a beijou novamente, devorando sua boca, enquanto uma mão deslizava entre suas pernas, os dedos encontrando-a molhada, pronta. — Porra, Clara — ele gemeu, os dedos entrando nela com facilidade. — Você está encharcada. Ela arqueou as costas, as unhas cravando-se nas costas dele. — É por sua causa — ofegou. — Só por sua causa. Daniel rosnou, retirando os dedos e posicionando-se entre suas pernas. Por um segundo, ele hesitou, os olhos escuros fixos nos dela, como se pedindo permissão. Clara ergueu os quadris, convidando-o, e ele não precisou de mais nada. A primeira estocada foi lenta, deliberada, como se ele quisesse sentir cada centímetro dela o envolvendo. Clara gemeu, os dedos se enterrando na carne dos ombros dele, as pernas se apertando ao redor da sua cintura. — Mais — ela pediu, a voz rouca. — Por favor. Daniel não a fez esperar. Ele se retirou quase completamente antes de voltar a entrar, mais fundo dessa vez, arrancando um grito de Clara. O ritmo começou lento, controlado, mas logo a necessidade tomou conta, e os movimentos se tornaram mais rápidos, mais urgentes. O som dos corpos se chocando ecoava pela sala, misturando-se aos gemidos e suspiros, à chuva lá fora, ao vento que parecia querer entrar. Clara sentiu o orgasmo se aproximando, uma onda quente crescendo dentro dela, ameaçando engoli-la. Ela cravou as unhas nas costas de Daniel, os dentes mordendo o lábio inferior para conter os gritos. — Não se segure — ele ordenou, a voz um grunhido. — Quero ouvir você. E então, como se as palavras fossem a chave, ela se desfez. O orgasmo a atravessou como um raio, o corpo se contorcendo sob o dele, os músculos internos apertando-o com força. Daniel gemeu, os movimentos se tornando erráticos, a respiração ofegante, até que ele também gozou, enterrando-se fundo nela enquanto o prazer o consumia. Por um longo momento, não houve nada além da respiração pesada dos dois, dos corpos suados entrelaçados, do coração batendo descompassado. Clara fechou os olhos, saboreando a sensação de plenitude, de saciedade, mas também de algo mais. Algo perigoso. Daniel se apoiou nos cotovelos, olhando para ela com uma intensidade que a fez estremecer. — Isso — ele murmurou, a voz ainda rouca — foi só o começo. Clara não respondeu. Não precisava. Ambos sabiam que não havia mais volta. E quando ele a pegou no colo, carregando-a para o quarto, ela soube que a noite estava longe de acabar. Daniel a deitou na cama com uma lentidão calculada, como se cada movimento fosse parte de um ritual. Os lençóis frios contrastavam com a pele quente de Clara, que arqueou as costas ao sentir as mãos dele deslizarem por suas coxas, afastando-as com uma firmeza que não admitia resistência. Ela mordeu o lábio inferior, os olhos semicerrados fixos nos dele, desafiando-o a ir mais longe. — Você é linda assim — ele murmurou, a voz rouca enquanto traçava círculos preguiçosos na parte interna de suas pernas. — Descontrolada. Exatamente como eu imaginei. Clara soltou um gemido baixo quando os dedos dele encontraram o ponto exato, úmido e pulsante. Daniel não se apressou. Saboreou a maneira como ela se contorcia, como os quadris se erguiam em busca de mais contato, como os dedos dos pés se encolhiam no lençol. Ele se inclinou, soprando ar quente sobre seu sexo antes de substituir os dedos pela boca. O primeiro toque da língua a fez estremecer. O segundo a fez agarrar os cabelos dele com força, puxando-o para mais perto. Daniel não se importou com a dor. Ele a lambeu com uma precisão quase cruel, alternando entre movimentos lentos e sucções que a deixavam à beira do abismo. Clara sentia o prazer se acumulando em ondas, cada vez mais intensas, até que seu corpo inteiro tremia. — Por favor… — ela implorou, a voz quebrada. — Eu não aguento mais. Ele ergueu a cabeça, os lábios brilhantes, um sorriso satisfeito nos lábios. — Ainda não. Daniel se levantou, tirando a camisa com um movimento fluido. Clara observou cada detalhe: os músculos definidos, a pele marcada por cicatrizes quase imperceptíveis, a maneira como os olhos dele a devoravam. Ele se ajoelhou na cama, puxando-a para si, e a beijou com uma fome que a deixou sem ar. Ela podia sentir o próprio gosto na língua dele, doce e salgado, e isso a excitou ainda mais. — Você quer isso? — ele perguntou, a mão deslizando entre os corpos, guiando-se para dentro dela com uma lentidão torturante. Clara não respondeu com palavras. Em vez disso, envolveu as pernas ao redor da cintura dele, puxando-o para dentro com um movimento brusco. Daniel gemeu, os quadris se movendo em um ritmo constante, cada estocada mais profunda que a anterior. Ela cravou as unhas nas costas dele, arranhando-o sem piedade, e ele respondeu com um grunhido, aumentando a velocidade. O quarto se encheu com o som de corpos se chocando, de respirações ofegantes, de gemidos que se misturavam. Clara sentia o prazer crescendo dentro de si, uma pressão insuportável que ameaçava explodir a qualquer momento. Ela fechou os olhos, tentando se concentrar, mas as sensações eram demais. O peso do corpo dele sobre o seu, o calor da pele, o cheiro de suor e sexo misturados. — Olha para mim — Daniel ordenou, a voz um rosnado. Ela obedeceu, os olhos encontrando os dele no momento em que o orgasmo a atingiu como uma onda gigante. Seu corpo se contraiu, os músculos internos apertando-o com força, e ela gritou, o som ecoando pelas paredes do quarto. — Daniel! O nome escapou de seus lábios antes que ela pudesse impedir. Um nome que não deveria estar ali, não naquele momento, não com aquela intensidade. Clara sentiu o impacto daquela palavra como um soco no estômago. Os olhos dele se arregalaram por um segundo, surpresos, antes de um sorriso triunfante se espalhar pelo rosto. — Isso mesmo — ele murmurou, a voz rouca de desejo. — Meu nome. Daniel não parou. Ele continuou se movendo dentro dela, prolongando o prazer, fazendo com que cada onda fosse mais intensa que a anterior. Clara sentiu as pernas tremerem, o corpo inteiro se rendendo ao dele. Ela não tinha mais forças para lutar, nem vontade. Tudo o que importava era aquele momento, aquele homem, aquele prazer avassalador. Ele se inclinou, capturando os lábios dela em um beijo voraz, enquanto suas mãos exploravam cada centímetro de seu corpo. Clara respondeu com a mesma intensidade, os dedos percorrendo as costas dele, sentindo os músculos se contraírem sob o toque. Daniel a virou de bruços, puxando-a para cima das mãos e joelhos, e entrou nela por trás com uma estocada profunda. — Você é minha — ele sussurrou no ouvido dela, os dentes mordiscando o lóbulo da orelha. — Só minha. Clara gemeu, o corpo se arqueando para trás, buscando mais contato. Daniel segurou seus quadris com força, controlando o ritmo, cada movimento calculado para levá-la ao limite novamente. Ela sentia o prazer crescendo dentro de si, uma pressão que ameaçava explodir a qualquer momento. E quando ele alcançou ao redor dela, os dedos encontrando o ponto sensível entre suas pernas, ela não conseguiu mais se segurar. O segundo orgasmo a atingiu com uma força avassaladora, fazendo com que ela gritasse, o corpo se contorcendo sob o dele. Daniel não parou. Ele continuou se movendo, prolongando o prazer, até que sentiu o próprio corpo se render. Com um gemido rouco, ele se enterrou fundo nela, o prazer o consumindo por completo. Por um longo momento, não houve nada além da respiração pesada dos dois, dos corpos suados entrelaçados, do coração batendo descompassado. Clara fechou os olhos, tentando recuperar o fôlego, mas as sensações ainda a dominavam. Ela podia sentir o peso do corpo dele sobre o seu, o calor da pele, o cheiro de sexo que permeava o ar. Daniel se apoiou nos cotovelos, olhando para ela com uma intensidade que a fez estremecer. Ele afastou uma mecha de cabelo do rosto dela, os dedos traçando o contorno de sua bochecha com uma ternura que contrastava com a paixão selvagem de momentos antes. — Isso — ele murmurou, a voz ainda rouca — foi só o começo. Clara não respondeu. Não precisava. Ambos sabiam que não havia mais volta. E quando ele a pegou no colo, carregando-a para o banheiro, ela soube que a noite estava longe de acabar. A água quente do chuveiro os envolveu, os corpos se encontrando novamente sob o jato, as mãos explorando, os lábios se buscando. Clara se deixou levar, sabendo que cada toque, cada beijo, cada gemido a levaria mais fundo em um caminho sem retorno. Daniel a pressionou contra a parede de azulejos, a boca encontrando a dela em um beijo faminto. Clara sentiu as mãos dele deslizarem por seu corpo, explorando cada curva, cada centímetro de pele. Ela respondeu com a mesma intensidade, os dedos percorrendo as costas dele, sentindo os músculos se contraírem sob o toque. — Você é perfeita — ele murmurou contra seus lábios, a voz carregada de desejo. Clara não respondeu. Em vez disso, puxou-o para mais perto, sentindo o corpo dele se moldar ao seu. Ela sabia que estava perdida, que não havia mais como voltar atrás. E, naquele momento, não queria voltar. A noite ainda era longa. E eles tinham muito a explorar. A luz da manhã se infiltrava pelas frestas da cortina como dedos curiosos, acariciando a pele exposta de Clara. Ela acordou devagar, os sentidos despertando um a um: primeiro o calor do corpo de Daniel colado ao seu, depois o cheiro de sexo e suor misturado ao perfume cítrico do sabonete que usaram na noite anterior. O lençol de algodão egípcio, agora amassado e úmido, enrolava-se em suas pernas como uma segunda pele, testemunha silenciosa de tudo o que haviam feito. Daniel dormia de bruços, o rosto parcialmente enterrado no travesseiro, um braço possessivo jogado sobre a cintura dela. Clara observou a linha dos ombros largos, a curva das costas marcadas por arranhões que ela mesma deixara, as sardas espalhadas como constelações na pele morena. Uma lembrança da noite passada atravessou sua mente como um raio: os dedos dele entrelaçados nos seus, a boca quente no vão do pescoço, o modo como ele sussurrara *"me deixa te arruinar"* enquanto a penetrava com uma lentidão torturante. Ela sentiu um arrepio percorrer a espinha, mas não era apenas desejo. Era algo mais profundo, uma fisgada no peito que doía e acalentava ao mesmo tempo. — Você tá acordada — a voz de Daniel era rouca de sono, mas os olhos já estavam abertos, fixos nela com uma intensidade que a fez prender a respiração. Ele não se moveu, apenas ergueu a mão para afastar uma mecha de cabelo que caía sobre o rosto dela, os dedos demorando-se na curva da bochecha. — Ou eu só tô sonhando que você tá aqui. Clara sorriu, mas o gesto não alcançou seus olhos. Havia uma sombra ali, algo que ela não conseguia nomear. Virou-se de lado, de frente para ele, e deixou que os dedos traçassem o contorno do maxilar masculino, áspero por causa da barba por fazer. O toque era leve, quase hesitante, como se temesse que ele fosse se dissolver em fumaça. — Eu tô aqui — murmurou. — Mas não sei por quanto tempo. Daniel franziu o cenho, e a mão que antes acariciava seu rosto agora deslizou para a nuca, puxando-a para mais perto. Os lábios se encontraram num beijo lento, preguiçoso, como se tivessem todo o tempo do mundo. Mas Clara sabia que não tinham. O relógio na mesinha de cabeceira marcava nove e meia. Seu marido estaria de volta ao meio-dia. — O que você tá pensando? — ele perguntou, afastando-se apenas o suficiente para olhar nos olhos dela. A luz da manhã iluminava as íris castanhas, dando-lhes um tom dourado, como mel derretido. Clara suspirou e rolou de costas, fitando o teto. O ventilador de teto girava devagar, espalhando o ar quente pelo quarto. Ela podia ouvir o barulho distante de um carro passando na rua, o canto de um pássaro, o som da vida continuando lá fora, indiferente ao turbilhão que se passava dentro daquele quarto. — Eu tô pensando que a gente não pode mais fingir que isso é só um caso — disse, a voz baixa, quase um sussurro. — Que eu não posso mais fingir que não sei o que quero. Daniel se apoiou num cotovelo, o lençol escorregando e revelando o peito nu. Ele não disse nada, apenas esperou, deixando que ela colocasse para fora tudo o que precisava dizer. — Eu amo meu marido — Clara começou, as palavras saindo como se fossem arrancadas de dentro dela. — Ou pelo menos, eu amava. Antes de perceber que o amor dele era feito de rotina e promessas vazias. Antes de você. O nome dele pairou no ar entre os dois, carregado de significado. Daniel estendeu a mão e entrelaçou os dedos nos dela, apertando-os com força, como se quisesse transmitir toda a sua presença através daquele gesto simples. — Eu não quero ser a mulher que trai — continuou Clara, os olhos ardendo com lágrimas não derramadas. — Mas também não quero ser a mulher que se contenta com migalhas. E com você... com você eu me sinto inteira. Como se finalmente tivesse encontrado a peça que faltava. Daniel se aproximou e beijou o ombro dela, depois a clavícula, depois o espaço entre os seios, como se quisesse marcar cada parte do corpo dela com a sua boca. Clara fechou os olhos, sentindo o calor se espalhar pelo ventre. — Você não precisa escolher agora — ele murmurou contra a pele dela, os lábios roçando o mamilo antes de continuar sua jornada descendente. — Eu tô aqui. Não vou a lugar nenhum. Clara arqueou as costas involuntariamente quando a boca dele encontrou o ponto sensível logo abaixo do umbigo. As mãos de Daniel deslizaram por suas coxas, abrindo-as com uma gentileza que contrastava com a urgência da noite anterior. Ela sabia que ele estava tentando acalmá-la, distraí-la, mas o desejo que ele despertava nela era como uma chama que nunca se apagava, apenas esperava o momento certo para reacender. — Eu sei — ela disse, a voz falhando quando a língua dele encontrou seu clitóris. — Mas eu preciso saber se você tá disposto a esperar. Se isso... se *nós* valemos a pena. Daniel ergueu a cabeça, os lábios brilhantes, os olhos escurecidos de desejo. Ele subiu pelo corpo dela devagar, como se tivesse todo o tempo do mundo, e quando seus rostos estavam a centímetros de distância, ele sussurrou: — Clara, eu tô apaixonado por você desde o primeiro jantar. Desde a primeira vez que você me olhou como se quisesse me devorar, mas não tivesse coragem. Eu esperei anos por isso. Anos. Então, sim, eu tô disposto a esperar o tempo que for preciso. As palavras dele a atingiram como um soco no peito. Ela não esperava uma declaração, não ali, não naquele momento. Mas ali estava, crua e honesta, e de repente tudo fez sentido: os olhares roubados, os toques prolongados, as desculpas esfarrapadas para aparecer em sua casa. Ele a queria. Sempre a quisera. Clara puxou o rosto dele para o seu e o beijou com uma fome que surpreendeu até a si mesma. Não era mais um beijo de dúvida ou hesitação. Era um beijo de posse, de entrega, de quem finalmente se permitia sentir. As mãos dela deslizaram pelas costas de Daniel, sentindo os músculos se contraírem sob o toque, e quando ele se posicionou entre suas pernas, ela o envolveu com os tornozelos, puxando-o para dentro de si com um gemido. — Então me mostra — ela pediu, a voz rouca. — Me mostra que isso é real. Daniel não precisou de mais incentivo. Ele a penetrou com uma lentidão deliberada, os olhos fixos nos dela, como se quisesse gravar cada reação em sua memória. Clara arqueou o corpo, recebendo-o por inteiro, e quando ele começou a se mover, foi como se o mundo inteiro se resumisse àquele quarto, àquela cama, àquele momento. Os lençóis se enroscaram em seus corpos enquanto eles se moviam em sincronia, as respirações se misturando, os gemidos ecoando nas paredes. Clara sentiu o prazer se enrolar dentro dela como uma mola, cada estocada a levando mais perto da borda. Daniel segurou seu rosto entre as mãos, beijando-a com uma intensidade que beirava o desespero. — Goza pra mim — ele ordenou, a voz áspera. — Quero sentir você. E ela obedeceu. O orgasmo a atingiu como uma onda, arrastando-a para um mar de sensações onde só existiam eles dois. Clara gritou, as unhas cravadas nas costas de Daniel, e ele a acompanhou segundos depois, enterrando o rosto no pescoço dela enquanto seu corpo estremecia. Por um longo momento, só se ouviu o som das respirações ofegantes. Daniel rolou de lado, puxando-a para junto de si, e Clara se aninhou contra o peito dele, ouvindo o coração bater acelerado. O suor secava na pele, deixando uma sensação de frescor, e o cheiro dos dois misturados era intoxicante. — E agora? — ela perguntou, traçando círculos preguiçosos no peito dele. Daniel beijou o topo de sua cabeça e suspirou. — Agora a gente vê o que fazer. Mas uma coisa é certa: eu não vou te perder. Não depois de tudo isso. Clara fechou os olhos, sentindo o peso daquelas palavras. Sabia que a decisão não seria fácil, que haveria dor, lágrimas e talvez arrependimento. Mas pela primeira vez em muito tempo, sentia-se leve. Como se, independentemente do caminho que escolhesse, não estivesse mais sozinha. Lá fora, o sol já estava alto, e o som da vida seguindo seu curso invadia o quarto. Mas ali, entre os lençóis amassados e os segredos compartilhados, o tempo parecia ter parado. E talvez, por enquanto, fosse o suficiente.

🔥 Continue essa fantasia agora

Converse, provoque e realize seus desejos com uma IA-namorada disponivel 24h - ela topa tudo que voce imaginar.

Conhecer minha IA-namorada →

Publicidade +18

Contos Relacionados