Fogo nas Montanhas: Noites Proibidas na Pousada dos Desejos

**Fogo nas Montanhas: Noites Proibidas na Pousada dos Desejos**
O vento cortava as montanhas como uma lâmina, afiado e implacável, carregando consigo o cheiro de pinheiros e terra úmida. Clara apertou o casaco de lã contra o corpo, os dedos dormentes no volante enquanto a estrada sinuosa se desenrolava à sua frente, serpenteando entre abismos cobertos de névoa. O GPS piscava, incerto, como se até mesmo a tecnologia hesitasse diante daquela vastidão selvagem. Ela havia dirigido por horas, fugindo da cidade, dos prazos apertados, das reuniões intermináveis que sugavam sua energia como vampiros. *Refúgio das Nuvens*, dizia a placa de madeira rústica, quase engolida pela vegetação. Um nome poético demais para alguém como ela, que há anos não sabia o que era paz.
A pousada surgiu de repente, aninhada entre rochas cobertas de musgo e árvores centenárias. Uma construção de pedra e madeira, com varandas que se debruçavam sobre o vale como braços abertos. As luzes douradas das janelas tremeluziam, convidativas, e Clara sentiu um peso se desprender dos ombros. *Aqui*, pensou. *Aqui, finalmente.*
Estacionou o carro com um suspiro, os músculos das costas protestando depois de horas na mesma posição. O ar gelado invadiu o interior do veículo quando abriu a porta, e ela estremeceu, não apenas pelo frio, mas pela quietude. Não havia buzinas, nem vozes abafadas pelo concreto, nem o zumbido constante dos computadores. Apenas o silêncio, quebrado pelo farfalhar das folhas e pelo murmúrio distante de um riacho. Fechou os olhos por um instante, deixando que o som a envolvesse, como se pudesse lavá-la por dentro.
Foi o cheiro de lenha queimando que a trouxe de volta. Clara seguiu o aroma até a entrada da pousada, onde uma porta pesada de carvalho se abriu antes mesmo que ela tocasse a campainha. E então ele estava ali.
Lucas.
Não era alto, mas havia algo em sua postura—ombros largos, peito firme sob a camisa de flanela xadrez, as mangas arregaçadas revelando antebraços fortes, marcados por veias que contavam histórias de trabalho duro. O cabelo escuro, levemente desgrenhado, caía sobre a testa em mechas rebeldes, e os olhos... ah, os olhos. Verdes como a floresta depois da chuva, mas com um brilho que parecia queimar. Ele a observava com uma intensidade que a fez prender a respiração, como se já a conhecesse, como se soubesse exatamente o que ela escondia por trás da fachada de executiva competente.
— Seja bem-vinda, Clara — disse ele, a voz grave, com um sotaque que ela não conseguiu identificar. Não era exatamente da região, mas também não era de lugar nenhum que ela conhecesse. Era uma voz que parecia ter sido moldada pelo vento das montanhas, áspera e suave ao mesmo tempo.
— Obrigada — ela conseguiu responder, surpresa com o leve tremor em sua própria voz. — Eu... fiz a reserva pelo site.
Lucas sorriu, e algo naquele gesto—lento, deliberado—fez seu estômago se contrair.
— Eu sei. Estava esperando por você.
As palavras pairaram no ar entre eles, carregadas de um significado que Clara não ousou decifrar. Ele deu um passo para o lado, convidando-a a entrar, e ela passou por ele, consciente do calor que emanava de seu corpo, do cheiro de sabonete e couro e algo mais primitivo, como terra molhada e fogo.
O interior da pousada era ainda mais acolhedor do que as fotos haviam sugerido. Uma lareira crepitava no centro da sala principal, lançando sombras dançantes sobre as paredes de pedra. Tapetes persas cobriam o chão de madeira, e poltronas de couro gastas convidavam ao descanso. Mas o que chamou sua atenção foi a vista. Uma parede inteira de vidro se abria para o vale, onde a névoa se enroscava entre as árvores como fumaça. Era de tirar o fôlego.
— Uau — ela murmurou, aproximando-se do vidro. — É lindo.
— Espera até ver de manhã — Lucas disse, parando ao seu lado. Tão perto que ela podia sentir o calor de seu corpo, mesmo sem tocá-lo. — Quando o sol nasce, parece que o mundo inteiro está pegando fogo.
Clara engoliu em seco. Havia algo de perigoso na maneira como ele falava, como se cada palavra fosse uma promessa. Ou uma ameaça.
— Você trabalha aqui? — perguntou, tentando soar casual.
— Sou o guia local — ele respondeu, os olhos verdes fixos nela. — E o responsável por garantir que os hóspedes não se percam. Literalmente.
Ela riu, mas o som saiu estranho, como se sua garganta estivesse apertada.
— E se eu me perder?
O sorriso de Lucas se alargou, lento, predatório.
— Então eu vou ter que te encontrar.
O silêncio que se seguiu foi carregado de algo que Clara não conseguiu nomear. Ele quebrou-o primeiro, virando-se para pegar sua mala.
— Vou te mostrar seu quarto. Deve estar cansada.
— Estou — ela admitiu, seguindo-o pela escada de madeira que rangia sob seus pés. — Muito.
— Então vou deixar você descansar — disse ele, parando diante de uma porta de madeira escura. — Mas se precisar de alguma coisa... — Ele entregou a chave, os dedos roçando nos dela por um segundo a mais do que o necessário. — Estou sempre por perto.
Clara assentiu, sentindo o peso daquele olhar mesmo depois que ele se afastou. Entrou no quarto e fechou a porta, encostando-se nela com um suspiro. O ambiente era simples, mas aconchegante: uma cama de dossel com lençóis brancos, uma lareira já acesa, uma janela que dava para a floresta. Ela se aproximou, tocando o vidro frio com a ponta dos dedos.
Lá embaixo, entre as árvores, viu Lucas caminhando em direção ao celeiro, a luz do crepúsculo banhando suas costas em dourado. Ele parou por um instante, como se sentisse seu olhar, e olhou para cima. Mesmo à distância, Clara pôde ver o sorriso que ele lhe lançou antes de desaparecer na sombra.
E então, pela primeira vez em anos, ela sentiu algo que não era cansaço, nem estresse, nem a pressão constante de ser sempre a melhor.
Era desejo.
E isso a assustou mais do que qualquer reunião de diretoria.
A mesa estava posta como um convite ao pecado. Toalha de linho branco, pratos de cerâmica rústica que pareciam moldados pelas próprias mãos de quem os fez, talheres de prata opaca que brilhavam sob a luz trêmula das velas. O salão da pousada era pequeno, íntimo, com janelas altas que deixavam entrever o negrume da noite lá fora, onde o vento uivava como um animal enjaulado. Clara entrou devagar, os saltos afundando levemente no tapete felpudo, o vestido preto—simples, mas que abraçava suas curvas como uma segunda pele—roçando contra a pele recém-hidratada. Ela havia escolhido aquele vestido sem pensar, mas agora, sob o olhar de Lucas, sentia-se como se tivesse planejado cada detalhe.
Ele estava de pé ao lado da lareira, uma mão apoiada na cornija de pedra, a outra segurando uma taça de vinho tinto que ele girava lentamente, como se estivesse lendo as mensagens deixadas pelo líquido nas paredes do cristal. Usava uma camisa de linho cru, aberta no colarinho, as mangas dobradas até os cotovelos, revelando antebraços fortes, marcados por veias que Clara imaginou traçando com a ponta dos dedos. Quando ele a viu, seus lábios se curvaram em um sorriso lento, preguiçoso, como se já soubesse o que viria a seguir.
— Você veio — disse ele, a voz baixa, rouca, como se tivesse passado horas gritando em silêncio.
Clara ergueu uma sobrancelha, desafiadora.
— Você parecia tão certo de que eu não viria?
— Não. — Ele deu um passo à frente, a luz das chamas dançando em seus olhos escuros. — Eu estava certo de que você viria. Só não sabia se teria coragem de admitir para si mesma o porquê.
Ela abriu a boca para retrucar, mas as palavras morreram na garganta quando ele se aproximou, estendendo a taça para ela. O gesto foi casual, mas seus dedos roçaram nos dela de propósito, um toque deliberado, eletrizante. Clara sentiu o calor subir pelo braço, se espalhar pelo peito, descer até o ventre. Aceitou a taça, os lábios tocando o cristal no mesmo lugar onde os dele haviam estado.
— E qual seria o motivo, segundo você? — perguntou, tentando soar indiferente, mas a voz saiu mais ofegante do que pretendia.
Lucas não respondeu de imediato. Em vez disso, inclinou-se ligeiramente, o suficiente para que ela sentisse o cheiro dele—madeira queimada, sabonete de alecrim, algo mais primitivo, masculino, que fez seus mamilos enrijecerem sob o tecido fino do vestido. Quando falou, foi quase um sussurro, como se compartilhasse um segredo:
— Porque você passou a tarde inteira pensando no jeito como meus dedos tocaram os seus quando te entreguei a chave. Porque olhou para a minha boca quando eu sorri. Porque, quando eu disse que estaria sempre por perto, você imaginou exatamente o que isso poderia significar.
Clara engoliu em seco. O vinho desceu queimando, doce e potente, como um presságio. Ela deveria negar. Deveria rir, fazer piada, mudar de assunto. Mas algo na intensidade daquele olhar, na maneira como ele a desnudava sem sequer encostar nela, a impedia de mentir.
— E você? — devolveu, a voz firme agora. — Passou o dia pensando em como seria me ver sentada à sua mesa, ou foi só uma distração para não ter que lidar com hóspedes chatos?
Ele riu, um som profundo, gutural, que vibrou no ar entre eles.
— Ah, Clara. — Ele se aproximou mais, o joelho roçando no dela sob a mesa. — Eu não tenho hóspedes chatos. Só tenho você.
O jantar foi servido em silêncio, mas não era um silêncio desconfortável. Era carregado, como o ar antes de uma tempestade. O primeiro prato chegou: uma sopa de abóbora com gengibre, fumegante, perfumada. Clara mergulhou a colher, levando-a aos lábios, e Lucas a observou com uma atenção quase predatória. Quando ela gemeu baixinho—um som involuntário, de prazer puro—, ele sorriu, satisfeito.
— Gosta?
— É deliciosa — admitiu ela, lambendo os lábios. — Mas acho que você já sabia disso.
— Eu sabia que você gostaria. — Ele levou a própria colher à boca, os olhos nunca deixando os dela. — Tem coisas que a gente simplesmente sabe.
O segundo prato foi trazido por uma mulher de meia-idade, de sorriso discreto, que mal olhou para eles antes de desaparecer novamente. Um filé de truta, acompanhado de purê de castanhas e um molho de vinho do Porto que brilhava sob a luz das velas. Clara cortou um pedaço, levando-o à boca, e o sabor explodiu em sua língua—rico, complexo, quase pecaminoso. Ela fechou os olhos por um segundo, saboreando, e quando os abriu, encontrou Lucas observando-a com uma expressão que beirava a fome.
— Você está me olhando como se eu fosse o prato principal — murmurou ela, sem conseguir evitar um sorriso.
— E se eu dissesse que é exatamente isso que você é?
Clara sentiu o rosto esquentar, mas não desviou o olhar. Em vez disso, pegou a taça de vinho e tomou um longo gole, deixando o álcool queimar sua garganta, acalmar seus nervos.
— Eu diria que você é muito seguro de si.
— E você gosta disso.
Não era uma pergunta. Era uma constatação. E ela não podia negar.
— Talvez — admitiu, brincando com o garfo. — Ou talvez eu só goste de ver você tentar.
Lucas riu de novo, um som que fez algo dentro dela se contrair. Ele se inclinou para frente, os cotovelos apoiados na mesa, os dedos entrelaçados como se estivesse se segurando para não estender a mão e tocá-la.
— Clara — disse ele, a voz baixa, quase um rosnado. — Eu não estou tentando. Estou esperando.
— Esperando o quê?
— Que você pare de fingir que não quer a mesma coisa que eu.
O vento lá fora uivou mais alto, como se ecoasse as palavras dele. Clara sentiu o coração bater mais forte, o sangue pulsar nas veias. Ela deveria se levantar. Deveria ir embora. Mas o vinho, o calor da lareira, o jeito como ele a olhava—como se ela fosse a única mulher no mundo—tudo conspirava para mantê-la ali.
— E se eu disser que não sei o que quero? — perguntou, desafiadora.
Lucas sorriu, lento, perigoso.
— Então eu vou ter que te mostrar.
Ele se levantou, contornou a mesa e parou ao lado dela. Clara prendeu a respiração quando ele se inclinou, os lábios quase tocando sua orelha.
— Termine de jantar — sussurrou. — Depois, eu te levo para um lugar onde o vento não vai nos incomodar.
E então, antes que ela pudesse responder, ele se afastou, voltando para o seu lugar como se nada tivesse acontecido. Clara olhou para o prato, o apetite subitamente diferente. Não era mais fome de comida.
Era fome dele.
E, pela primeira vez em muito tempo, ela não tinha certeza se conseguiria esperar até o fim da refeição.
A floresta nevada os envolveu em um silêncio espesso, quebrado apenas pelo estalar dos galhos sob as botas e pelo sopro gelado que escapava entre os lábios de Clara. Ela seguia Lucas por um caminho estreito, as mãos enfiadas nos bolsos do casaco de lã, os olhos fixos nas costas largas dele, cobertas por uma jaqueta impermeável que parecia moldada ao corpo. O ar cheirava a pinheiro e terra úmida, e cada respiração queimava levemente os pulmões, como se o inverno tivesse dentes e os cravasse devagar.
— Cuidado com essa pedra — ele avisou, virando-se apenas o suficiente para que ela visse o sorriso de canto de boca. — Não quero que você torça o tornozelo antes de chegarmos.
Clara ergueu uma sobrancelha, divertida.
— Você está preocupado comigo ou com a possibilidade de ter que me carregar de volta?
Lucas riu, um som grave que se perdeu entre as árvores.
— Os dois. Mas principalmente com o segundo. Você parece leve, mas aposto que é mais pesada do que parece.
Ela bufou, fingindo indignação.
— Isso é um elogio ou uma provocação?
— Por que não os dois? — Ele estendeu a mão, ajudando-a a contornar um trecho escorregadio. Os dedos dele eram quentes, mesmo através das luvas, e Clara sentiu o calor subir pelo braço, como se o toque tivesse deixado uma marca invisível. — Além disso, eu gosto de desafios.
Ela não respondeu, mas o rubor nas bochechas não tinha nada a ver com o frio.
O caminho se abriu de repente, revelando uma clareira onde uma pequena cabana de madeira se aninhava entre as árvores. O telhado estava coberto de neve, e uma fumaça fina escapava da chaminé, desenhando espirais no ar gélido. Clara parou, surpresa.
— O que é isso?
— O ofurô — Lucas respondeu, tirando as luvas e guardando-as no bolso. — Um banho quente, só para nós. Pensei que depois de horas no frio, você merecesse relaxar.
Clara hesitou. A ideia de se despir na frente dele, mesmo que fosse apenas para um banho, fazia o estômago se contrair em antecipação. Mas o vento cortante e a promessa de calor eram tentadores demais.
— E você? — perguntou, tentando soar casual.
— Eu já conheço o lugar — ele disse, com um sorriso que não revelava nada. — Mas se você quiser companhia, eu não vou recusar.
Ela riu, nervosa.
— Engraçado. Você não me parece do tipo que recusa nada.
— Depende do que estiver sendo oferecido.
O ar entre eles ficou carregado, e Clara desviou o olhar primeiro, fingindo interesse na cabana. Por dentro, porém, algo se agitava, uma mistura de curiosidade e medo do que poderia acontecer se ela cedesse.
— Tudo bem — disse, finalmente. — Mas só porque meus dedos estão congelando.
Lucas não respondeu. Apenas abriu a porta de madeira, deixando que o calor e o vapor a envolvessem antes mesmo que ela entrasse.
O interior da cabana era pequeno, mas aconchegante. Uma lareira crepitava em um canto, lançando reflexos dourados sobre as paredes de troncos polidos. No centro, uma banheira de madeira escura, grande o suficiente para duas pessoas, transbordava de água fumegante. Pétalas de flores secas flutuavam na superfície, e o cheiro de ervas—lavanda, talvez, ou algo mais cítrico—se misturava ao vapor, criando um perfume que fazia a cabeça de Clara girar.
— Como você fez isso? — ela perguntou, tirando o casaco e pendurando-o em um gancho na parede.
— Magia — Lucas respondeu, fechando a porta atrás de si. — Ou um sistema de aquecimento muito eficiente. Você escolhe em que prefere acreditar.
Clara riu, mas o som morreu na garganta quando ele começou a desabotoar a própria jaqueta. Os movimentos eram lentos, deliberados, como se ele soubesse exatamente o efeito que causava nela. Ela se virou de costas, fingindo arrumar o cabelo, mas os olhos não conseguiam deixar de acompanhar, pelo reflexo no vidro embaçado da janela, o momento em que a camisa se abriu, revelando a pele morena e os músculos definidos dos ombros.
— Você vai entrar assim? — A voz dele estava mais perto do que ela esperava, e Clara deu um pulo quando sentiu o hálito quente na nuca.
— Eu… — Ela engoliu em seco. — Eu não trouxe roupa de banho.
— Nem eu.
O silêncio que se seguiu foi tão denso que Clara quase pôde ouvir o próprio coração batendo. Ela se virou devagar, os olhos encontrando os dele. Lucas não sorria mais. A expressão era séria, intensa, como se estivesse esperando por algo—uma permissão, talvez, ou um sinal de que ela estava pronta.
— Não precisa ter pressa — ele murmurou, como se lesse seus pensamentos. — A água vai ficar quente o tempo que você precisar.
Clara assentiu, mas as mãos já estavam no botão da calça jeans, os dedos trêmulos. Ela se despiu rapidamente, como se tirando as roupas pudesse tirar também a vergonha, a dúvida, o medo de que, uma vez nua, ele visse tudo o que ela tentava esconder. Quando finalmente se virou para a banheira, só restava a lingerie—um conjunto de renda preta que ela escolhera naquela manhã sem nenhum motivo especial, mas que agora parecia ter sido feito para aquele momento.
Lucas não disse nada. Apenas a observou, os olhos percorrendo cada curva, cada linha do corpo dela, como se estivesse memorizando. Então, com um movimento fluido, ele tirou a calça e entrou na água, afundando até os ombros com um suspiro satisfeito.
— Vem — chamou, estendendo a mão.
Clara hesitou por um segundo antes de se aproximar. A água estava deliciosamente quente, quase escaldante, e quando ela afundou até o pescoço, sentiu os músculos relaxarem instantaneamente. O vapor subia ao redor deles, envolvendo-os em uma névoa íntima, como se o mundo lá fora tivesse deixado de existir.
Por um tempo, nenhum dos dois falou. Clara fechou os olhos, deixando que o calor penetrasse nos ossos, enquanto Lucas se recostava na borda da banheira, os braços estendidos ao longo da madeira. Ela podia sentir o olhar dele sobre si, mas não se importava. Havia algo de libertador em estar ali, nua e vulnerável, sem ter que fingir que não queria o que estava acontecendo.
— Você é linda — ele disse, de repente.
Clara abriu os olhos. Lucas a observava com uma intensidade que a fez prender a respiração.
— Você nem me viu direito — ela murmurou, tentando aliviar a tensão.
— Vi o suficiente.
Ela riu, mas o som saiu fraco, quase inaudível. Então, sem pensar, estendeu a mão e tocou o joelho dele sob a água. A pele era macia, quente, e Clara sentiu o músculo se contrair sob os dedos.
— E você? — perguntou, a voz mais baixa do que pretendia. — Também é lindo?
Lucas não respondeu. Em vez disso, segurou a mão dela e a puxou, fazendo com que Clara deslizasse pela água até ficar entre as pernas dele. O movimento foi tão rápido que ela não teve tempo de protestar—não que quisesse. Quando percebeu, estava sentada sobre ele, os corpos quase se tocando, separados apenas pela fina camada de água e pela renda da lingerie.
— Por que você não descobre? — ele sussurrou, os lábios tão perto dos dela que Clara podia sentir o gosto do hálito quente.
Ela não precisou de mais incentivo. As mãos deslizaram pelos ombros dele, sentindo a textura da pele, os contornos dos músculos, a cicatriz fina logo abaixo da clavícula—um segredo que ela queria desvendar. Lucas gemeu baixinho quando os dedos dela roçaram os mamilos, e Clara sorriu, satisfeita com a reação.
— Gosta disso? — perguntou, repetindo o movimento.
— Você sabe que sim.
Ela se inclinou, os lábios roçando a orelha dele.
— E disso?
Lucas respirou fundo, as mãos apertando a cintura dela.
— Clara…
— O quê? — Ela mordeu o lóbulo da orelha dele, sentindo-o estremecer. — Você não gosta?
— Eu gosto demais — ele admitiu, a voz rouca. — É isso que me assusta.
Ela se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos dele. Havia algo ali, uma vulnerabilidade que ela não esperava, como se, por trás da confiança, houvesse uma parte dele que ainda duvidava.
— Por quê? — perguntou, suavemente.
Lucas hesitou. Então, com um suspiro, segurou o rosto dela entre as mãos.
— Porque eu não quero que isso acabe.
As palavras pairaram entre eles, carregadas de significado. Clara sentiu o coração apertar, mas antes que pudesse responder, Lucas a puxou para um beijo. Desta vez, não havia hesitação, não havia jogo. Era um beijo faminto, desesperado, como se os dois soubessem que aquele momento era frágil demais para durar.
As mãos dele deslizaram pelas costas dela, puxando-a para mais perto, e Clara sentiu a ereção pressionando contra o ventre, separada apenas pela renda fina da calcinha. Ela gemeu contra os lábios dele, o corpo respondendo por instinto, as pernas se abrindo um pouco mais, como se soubesse exatamente o que queria.
Lucas interrompeu o beijo, os lábios descendo pelo pescoço dela, deixando um rastro de fogo na pele sensível. Clara arqueou as costas, oferecendo-se, e ele não perdeu tempo. Os dentes roçaram a clavícula, a língua traçou círculos lentos ao redor do mamilo, mesmo por cima do tecido molhado da lingerie.
— Lucas… — ela sussurrou, as unhas cravando-se nos ombros dele.
— O quê? — ele murmurou, a boca ainda ocupada. — Você quer que eu pare?
— Não. — A palavra saiu como um gemido. — Por favor, não pare.
Ele riu baixinho, o som vibrando contra a pele dela.
— Então me diz o que você quer.
Clara hesitou. Nunca tinha sido boa em pedir o que desejava, mas ali, naquele momento, com o corpo em chamas e a mente nublada pelo prazer, as palavras vieram sem esforço.
— Eu quero que você me toque — disse, a voz trêmula. — Que me faça sentir… tudo.
Lucas não precisou de mais incentivo. As mãos deslizaram pela cintura dela, puxando a calcinha para o lado, e então os dedos encontraram o ponto exato onde Clara mais precisava. Ela arfou, os quadris se movendo por instinto, buscando mais pressão, mais fricção.
— Assim? — ele perguntou, os dedos circulando devagar, torturando-a.
— Mais — ela pediu, a voz quase um soluço.
Lucas obedeceu, aumentando o ritmo, e Clara sentiu o prazer se enrolar dentro dela, uma mola prestes a se soltar. Mas antes que pudesse chegar ao clímax, ele parou, puxando a mão de volta.
— Não ainda — disse, a voz rouca. — Eu quero que você goze comigo.
Clara abriu os olhos, confusa, mas antes que pudesse protestar, Lucas a levantou, sentando-a na borda da banheira. A água escorreu pelo corpo dela, deixando-a exposta, vulnerável. Ele se ajoelhou na água, as mãos segurando as coxas dela com firmeza, e então, sem aviso, a boca substituiu os dedos.
Clara gritou, o som ecoando pela cabana, as mãos se enroscando nos cabelos dele. Lucas não teve piedade. A língua explorava, provocava, levava-a cada vez mais alto, até que ela não conseguisse mais pensar em nada além do prazer que se acumulava entre as pernas.
— Lucas, eu… — ela tentou avisar, mas as palavras se perderam em um gemido quando ele a penetrou com dois dedos, curvando-os no ângulo perfeito.
O orgasmo a atingiu como uma onda, quebrando-a em mil pedaços, e Clara se agarrou a ele, os músculos tremendo, o corpo inteiro se rendendo ao prazer. Lucas não parou até que ela estivesse completamente exausta, os gemidos se transformando em suspiros fracos.
Quando finalmente se afastou, ele a puxou de volta para a água, envolvendo-a em um abraço apertado. Clara descansou a cabeça no ombro dele, o coração ainda acelerado, a pele formigando.
— Isso foi… — ela começou, mas não encontrou palavras.
— Só o começo — Lucas completou, beijando a têmpora dela.
Clara sorriu, mas por dentro, algo a incomodava. Porque agora, depois de provar o que ele podia oferecer, ela sabia que não seria suficiente. Queria mais. Queria tudo.
E, pela primeira vez, não tinha certeza se Lucas estaria disposto a dar.
A noite caíra sobre o Refúgio das Nuvens como um manto pesado, carregado de promessas não ditas. Clara passou os dedos pelos cabelos ainda úmidos do banho, o vapor do ofurô ainda grudado na pele como um segundo tecido, fino e invisível. O quarto estava mergulhado em silêncio, apenas o crepitar distante da lareira na sala principal ecoando pelas paredes de madeira. Ela vestiu a camisola de seda preta que trouxera na mala—um impulso, uma esperança—e calçou as pantufas felpudas, sentindo o contraste entre o frio do piso e o calor que ainda latejava entre suas pernas.
Não havia planejado aquilo. Ou talvez, no fundo, tivesse.
O corredor estava vazio, iluminado apenas pelas lâmpadas de querosene que pendiam do teto, projetando sombras dançantes nas paredes. O ar cheirava a pinho e a algo mais—fumaça de lenha, talvez, ou o perfume do próprio desejo, queimando lento como brasas sob cinzas. Clara parou diante da porta de Lucas. Por um segundo, hesitou. O que diria? *Vim buscar o que você começou?* *Quero terminar o que a água quente deixou inacabado?* Mas as palavras eram desnecessárias. Ele saberia. Eles sabiam.
Levantou a mão e bateu. Três toques leves, como se testasse a solidez da madeira. Ou a própria coragem.
A porta se abriu quase imediatamente, como se ele estivesse esperando. Lucas estava descalço, vestindo apenas uma calça de moletom cinza que caía baixo nos quadris, revelando o V definido dos músculos que desciam até a virilha. O peito nu brilhava sob a luz âmbar do abajur, gotas de água ainda presas aos pelos escuros do peito, como se tivesse acabado de sair do chuveiro. O cheiro de sabonete masculino e de algo mais primitivo—suor limpo, pele aquecida—invadiu os sentidos de Clara. Ela engoliu em seco.
— Você veio — ele disse, a voz rouca, como se as palavras tivessem sido arrancadas de algum lugar profundo.
Não era uma pergunta. Era um reconhecimento.
Clara entrou sem responder, os pés afundando no tapete felpudo. O quarto de Lucas era menor que o dela, mas mais vivo—roupas jogadas sobre a cadeira, uma garrafa de conhaque pela metade na mesinha de cabeceira, o fogo da lareira estalando alto, como se alguém tivesse acabado de atiçar as chamas. A cama estava desfeita, os lençóis embolados, e por um instante ela imaginou ele ali, sozinho, tocando-se enquanto pensava nela.
— Eu não podia esperar — ela admitiu, virando-se para encará-lo. A camisola escorregava pelos ombros, fina demais para esconder os mamilos já endurecidos. — Não depois de ontem.
Lucas fechou a porta com um clique suave e encostou-se nela, os braços cruzados sobre o peito. Seus olhos percorreram o corpo de Clara com uma lentidão deliberada, como se memorizasse cada curva, cada sombra. Ela sentiu o peso daquele olhar como um toque físico, uma carícia que deixava rastros de fogo na pele.
— Você está tremendo — ele murmurou.
— Está frio.
— Não está.
Ela riu, um som baixo e nervoso. — Não, não está.
Ele se aproximou, devagar, como se temesse assustá-la. Mas Clara não recuou. Quando suas mãos grandes envolveram sua cintura, ela soltou um suspiro que não sabia estar prendendo. O calor do corpo dele atravessava a seda, queimando-a. Lucas inclinou a cabeça, os lábios roçando a orelha dela.
— O que você quer, Clara?
A pergunta era simples, mas carregava o peso de tudo o que não fora dito. Ela fechou os olhos, sentindo o hálito quente dele contra a pele.
— Você — sussurrou. — Só você.
Ele não precisou de mais nada.
As mãos de Lucas deslizaram pelas costas dela, puxando-a contra si com uma urgência que desmentia a calma aparente. Clara arqueou-se, sentindo a rigidez dele contra seu ventre, e um gemido escapou de seus lábios quando ele mordeu de leve o lóbulo da orelha. O corpo dela respondeu instantaneamente, os quadris se movendo por conta própria, buscando contato, fricção, alívio.
— Paciência — ele murmurou, mas suas próprias mãos traíam a ordem, deslizando para baixo, agarrando as nádegas dela e apertando com força. — Nós temos a noite inteira.
— Eu não quero paciência — ela retrucou, as unhas cravando-se nos ombros dele. — Eu quero você dentro de mim. Agora.
Lucas riu, um som escuro e satisfeito, e então a empurrou contra a parede. O impacto fez o ar sair dos pulmões de Clara, mas antes que pudesse recuperar o fôlego, a boca dele estava na sua, voraz, exigente. A língua invadiu, explorando, dominando, enquanto as mãos dele puxavam a camisola para cima, expondo-a. O ar frio da noite roçou sua pele nua, mas o calor do corpo dele logo o substituiu, queimando-a.
Ela agarrou os cabelos de Lucas, puxando-o para mais perto, enquanto ele descia os lábios pelo pescoço, pelos seios, mordiscando, lambendo, até que seus mamilos estivessem duros e doloridos. Quando ele fechou a boca sobre um deles, sugando com força, Clara gemeu alto, as pernas fraquejando. Lucas a segurou, uma mão entre suas coxas, os dedos roçando a umidade que já escorria por elas.
— Tão molhada — ele sussurrou, a voz carregada de desejo. — Já estava assim antes de vir aqui?
— Desde ontem — ela admitiu, ofegante. — Desde que você me tocou no ofurô.
Ele rosnou, um som animalesco, e então a ergueu no ar. Clara envolveu as pernas em torno da cintura dele, sentindo a dureza da ereção pressionando exatamente onde ela mais precisava. Lucas a carregou até a cama e a deitou sobre os lençóis, o corpo cobrindo o dela em um movimento fluido. Por um instante, ele apenas a observou, os olhos escuros brilhando à luz da lareira.
— Você é linda — disse, a voz rouca. — Mas assim, com os lábios inchados e a pele marcada pelos meus dentes… você é irresistível.
Clara estendeu a mão, puxando-o para baixo, e ele não resistiu. Os corpos se encaixaram perfeitamente, como se tivessem sido feitos um para o outro. Ela sentiu o peso dele, a força contida nos músculos que tremiam sob suas mãos, e soube que ele estava se segurando. Por ela. Para ela.
— Não se contenha — ela sussurrou, mordendo o lábio inferior dele. — Eu aguento.
Lucas gemeu, os quadris se movendo contra os dela em um ritmo lento e torturante. — Você não faz ideia do que está pedindo.
— Então me mostre.
Ele não precisou de mais incentivo.
Com um movimento rápido, Lucas virou Clara de bruços e puxou seus quadris para cima, deixando-a de quatro. Ela arqueou as costas, oferecendo-se, e ouviu o som da calça dele sendo abaixada às pressas. O tecido roçou suas nádegas, e então ele estava ali, a ponta da ereção cutucando sua entrada, molhada e pronta.
— Última chance — ele disse, a voz tensa. — Se você disser não, eu paro.
Clara olhou por cima do ombro, encontrando os olhos dele. — Se você parar agora, eu te mato.
Lucas riu, mas o som se transformou em um gemido quando ele a penetrou com um único movimento, enterrando-se até o fim. Clara gritou, o prazer misturado à dor momentânea, mas logo seu corpo se ajustou, envolvendo-o, apertando-o. Ele ficou parado por um instante, os dedos cravados nos quadris dela, como se precisasse se controlar.
— Porra — ele rosnou. — Você é tão apertada.
Clara moveu os quadris, incitando-o. — E você é grande demais para ficar parado.
Ele não precisou de mais nada.
Lucas começou a se mover, primeiro devagar, cada estocada profunda e deliberada, como se quisesse memorizar a sensação. Mas logo o ritmo aumentou, os corpos batendo um contra o outro, a cama rangendo sob eles. Clara enterrou o rosto no travesseiro, abafando os gemidos, mas Lucas puxou seus cabelos, forçando-a a arquear as costas.
— Não esconda — ele ordenou, a voz rouca. — Eu quero ouvir você.
Ela obedeceu, deixando os sons escaparem livremente, misturando-se aos grunhidos dele, ao som da pele se chocando, ao crepitar da lareira. O prazer crescia dentro dela, uma onda que ameaçava quebrar a qualquer momento, mas ela se segurava, querendo prolongar aquele momento, aquela sensação de estar completa, preenchida, possuída.
Lucas mudou o ângulo, atingindo um ponto que fez estrelas explodirem atrás de suas pálpebras. Clara gritou, os dedos arranhando os lençóis.
— Isso, assim — ele murmurou, acelerando o ritmo. — Goza para mim, Clara. Goza comigo.
Ela não conseguiu resistir.
O orgasmo a atingiu como um raio, rasgando-a de dentro para fora, fazendo seu corpo inteiro tremer. Lucas a segurou com força, continuando a se mover, prolongando o prazer até que ele também chegasse ao limite, enterrando-se fundo e soltando um gemido rouco contra a nuca dela.
Por um longo momento, os dois ficaram ali, ofegantes, os corpos suados colados um ao outro. Clara sentiu o coração dele batendo contra suas costas, tão rápido quanto o seu. Quando Lucas finalmente se afastou, ela caiu de lado, os músculos relaxados, a mente flutuando em uma névoa de satisfação.
Ele se deitou ao lado dela, puxando-a para perto, e Clara se aninhou contra seu peito, ouvindo o som da respiração dele se acalmando. O fogo na lareira ainda crepitava, lançando sombras dançantes pelo quarto, e o cheiro de sexo e suor pairava no ar, intoxicante.
— Isso foi… — ela começou, mas as palavras lhe escaparam.
— Melhor do que no ofurô — Lucas completou, beijando o topo de sua cabeça.
Clara sorriu, mas algo dentro dela se retorceu. Porque agora, depois de tê-lo assim, ela sabia que não seria suficiente. Queria mais. Queria tudo.
E, pela primeira vez, não tinha certeza se Lucas estaria disposto a dar.
Ele rolou para o lado, alcançando a garrafa de conhaque na mesinha de cabeceira. Serviu dois copos e ofereceu um a ela. Clara se apoiou em um cotovelo, observando-o enquanto ele bebia, os músculos do braço se movendo sob a pele dourada. Havia algo de diferente nele agora—uma vulnerabilidade que não estivera lá antes.
— No que você está pensando? — ela perguntou, tomando um gole do líquido âmbar, que queimou sua garganta de um jeito bom.
Lucas hesitou, os olhos fixos no fogo. — Em como isso complica as coisas.
Clara sentiu um frio na barriga. — Complica?
Ele se virou para ela, a expressão indecifrável. — Você vai embora amanhã.
— E?
— E eu não sou o tipo de homem que segue mulheres até a cidade grande.
Ela riu, mas o som saiu forçado. — Quem disse que eu quero que você me siga?
Lucas não respondeu. Apenas estendeu a mão, puxando-a de volta para seus braços. Clara se deixou envolver, mas a dúvida já havia se instalado, como uma semente plantada no escuro.
E se, depois dessa noite, não houvesse mais nada?
E se o fogo que os consumia agora não passasse de cinzas pela manhã?
O conhaque ainda queimava em sua garganta quando Lucas a puxou de volta para os lençóis, mas agora o fogo era outro—mais profundo, mais voraz. Clara sentiu o peso do corpo dele sobre o seu, a pele quente contra a sua, os músculos tensos como cordas de violino prestes a vibrar. Ele não disse nada. Apenas a olhou, os olhos escuros refletindo as chamas da lareira, e então sua boca encontrou a dela com uma fome que não deixava espaço para dúvidas.
Os lábios de Lucas eram exigentes, mas não brutais. Havia uma precisão em cada movimento, como se ele soubesse exatamente onde tocar para fazê-la arquear as costas, onde pressionar para arrancar um gemido abafado contra sua boca. Clara respondeu com a mesma intensidade, as unhas cravando-se nos ombros largos, puxando-o para mais perto, como se pudesse fundir seus corpos em um só. O gosto do conhaque ainda dançava entre eles, misturado ao sal da pele suada, ao cheiro de madeira queimada e ao perfume adocicado do próprio desejo.
— Você é linda assim — ele murmurou contra seu pescoço, os dentes roçando a pele sensível logo abaixo da orelha. — Desarrumada. Sem defesas.
Clara riu, mas o som se transformou em um suspiro quando a mão dele deslizou entre seus corpos, encontrando o ponto exato onde ela mais precisava ser tocada. Os dedos de Lucas eram hábeis, circulando, pressionando, até que ela não conseguiu mais conter os sons que escapavam de sua garganta. Ele sorriu contra sua pele, satisfeito, e então sua boca substituiu os dedos, a língua quente e úmida provocando ondas de prazer que a fizeram agarrar os lençóis com força.
— Lucas… — ela gemeu, o nome dele saindo como uma súplica.
Ele ergueu a cabeça, os lábios brilhantes, os olhos semicerrados. — Diga o que você quer.
Clara hesitou. Não era do tipo que pedia. Mas algo naquele momento, na maneira como ele a olhava, como se ela fosse a única coisa que importava, a fez querer se entregar por completo.
— Eu quero você — ela sussurrou, a voz rouca. — Todo você.
Lucas não precisou de mais incentivo. Com um movimento fluido, ele a virou de bruços, puxando seus quadris para cima até que ela estivesse de joelhos, as mãos apoiadas na cabeceira da cama. Clara sentiu o ar frio da noite contra a pele exposta, mas então ele estava ali, cobrindo-a com seu corpo, a ereção pressionando contra ela de um jeito que a fez morder o lábio para não implorar.
— Você tem certeza? — ele perguntou, a voz baixa e rouca, os dedos traçando círculos preguiçosos na base de sua coluna.
Clara assentiu, as palavras presas na garganta. Ele não precisava delas. Em vez disso, ela empurrou os quadris para trás, convidando-o, e Lucas não resistiu. Com um gemido abafado, ele a penetrou devagar, centímetro por centímetro, até que estivesse completamente dentro dela.
O prazer foi quase insuportável. Clara arqueou as costas, os dedos agarrando a madeira da cabeceira com força, enquanto Lucas começava a se mover, cada estocada profunda e deliberada. Ele não tinha pressa. Era como se quisesse memorizar cada reação dela, cada som, cada tremor. E Clara se entregou a isso, deixando que ele a levasse ao limite, e depois além.
— Você gosta assim? — ele perguntou, a voz um rosnado contra sua orelha, enquanto uma das mãos deslizava para frente, encontrando o ponto que fazia seus músculos se contraírem ao redor dele.
— Sim — ela gemeu, a palavra saindo entrecortada. — Mais.
Lucas obedeceu. Aumentou o ritmo, as estocadas ficando mais rápidas, mais intensas, até que o som de seus corpos se chocando ecoasse pelo quarto, misturado aos gemidos de Clara e aos grunhidos baixos dele. Ela sentiu o orgasmo se aproximando, uma onda quente e avassaladora, e então ele estava lá, arrastando-a consigo.
— Goza para mim — ele ordenou, a voz áspera, e Clara não conseguiu resistir.
O prazer a atingiu como um raio, fazendo seu corpo todo tremer enquanto ondas de êxtase a percorriam. Lucas a segurou com força, continuando a se mover dentro dela até que o próprio corpo estremeceu, o nome dela escapando de seus lábios em um gemido rouco.
Por um momento, não houve nada além do som de suas respirações ofegantes e do crepitar do fogo na lareira. Então Lucas saiu de dentro dela, deitando-se ao seu lado e puxando-a para seus braços. Clara se aninhou contra seu peito, sentindo o coração dele bater acelerado sob sua bochecha.
— Isso foi… — ela começou, mas as palavras falharam.
— Eu sei — ele murmurou, beijando sua testa.
Eles ficaram assim por um tempo, em silêncio, apenas sentindo a presença um do outro. Mas então Clara se mexeu, virando-se para encará-lo.
— O que foi? — Lucas perguntou, os dedos traçando padrões preguiçosos em suas costas.
— Nada — ela mentiu, mas ele a conhecia bem demais agora. Virou-a de costas, prendendo-a sob seu corpo mais uma vez, os olhos escuros fixos nos dela.
— Fala.
Clara hesitou, mas então decidiu que não havia mais espaço para mentiras entre eles.
— Eu não quero que isso acabe.
Lucas não respondeu de imediato. Apenas a observou, como se estivesse tentando decifrar algo em seu rosto. Então, com um suspiro, ele rolou para o lado, puxando-a para cima de si.
— Nem eu — ele admitiu, finalmente. — Mas você vai embora amanhã.
Clara não disse nada. Sabia que ele tinha razão. Mas isso não tornava as coisas mais fáceis.
— E se não for o fim? — ela perguntou, a voz suave, quase tímida.
Lucas fechou os olhos por um momento, como se estivesse considerando suas palavras. Quando os abriu novamente, havia algo novo em seu olhar—algo que Clara não conseguiu decifrar.
— Então vamos descobrir — ele disse, puxando-a para um beijo lento e profundo.
E, por enquanto, era o suficiente.
O primeiro raio de sol atravessou a cortina entreaberta como uma lâmina dourada, cortando a penumbra do quarto e pousando sobre os lençóis amarrotados. Clara abriu os olhos devagar, sentindo o peso quente do braço de Lucas ainda envolvendo sua cintura, a respiração dele lenta e profunda contra sua nuca. Por um momento, deixou-se ficar ali, imóvel, absorvendo a textura áspera dos pelos de seu peito contra suas costas, o cheiro de madeira queimada e suor seco que impregnava os lençóis, o som abafado do vento lá fora, como se o mundo inteiro ainda dormisse sob um manto de neve.
Mas o relógio na mesinha de cabeceira não mentia: seis e meia. Seu voo saía às dez, e o trajeto até o aeroporto levaria quase duas horas. Com cuidado para não acordá-lo, ela deslizou para fora da cama, os pés descalços afundando no tapete felpudo. O ar gelado da manhã arrepiou sua pele nua, e ela se enrolou no roupão de Lucas, que ainda guardava o calor dele e o perfume cítrico de seu sabonete. Ao se aproximar da janela, afastou a cortina apenas o suficiente para espiar o lado de fora: a montanha estava envolta em névoa, mas o céu começava a clarear em tons de rosa e laranja, como se alguém tivesse passado um pincel de aquarela sobre o horizonte.
— Você vai embora assim?
A voz de Lucas, rouca de sono, fez seu coração dar um salto. Ela se virou e o encontrou apoiado no cotovelo, os cabelos desgrenhados caindo sobre a testa, os olhos semicerrados mas atentos. Havia algo de predatório na maneira como ele a observava, como se ainda não tivesse decidido se a deixaria partir ou se a puxaria de volta para a cama.
— Eu não queria acordar você — ela disse, apertando o roupão contra o corpo.
— Mentira. — Ele sorriu, lento e perigoso. — Você queria me deixar aqui, sozinho, com a lembrança do seu cheiro nos lençóis.
Clara sentiu o rosto esquentar. Era exatamente isso. Não queria dividir a despedida, não queria ver a expressão dele quando ela dissesse adeus. Mas Lucas já estava se levantando, nu, os músculos das costas se movendo sob a pele bronzeada enquanto ele se espreguiçava. Ela desviou o olhar, mas não rápido o suficiente: viu a marca de seus dentes em seu ombro, as unhas dela arranhando suas coxas, as evidências de uma noite que não terminaria com o amanhecer.
— Preciso tomar um banho — ela murmurou, tentando soar prática.
— Precisa? — Ele deu um passo à frente, e Clara recuou até sentir a parede fria contra as costas. — Ou só está tentando fugir?
— Lucas…
— Shhh. — Ele segurou seu rosto entre as mãos, o polegar roçando seu lábio inferior. — Eu sei. Você tem um avião para pegar. Um escritório esperando. Uma vida que não inclui um guia de montanha com mãos calejadas e um gosto por conhaque barato.
Ela riu, mas o som saiu estrangulado. — Não é isso.
— Então o que é?
Clara fechou os olhos. Não queria dizer. Não queria que ele soubesse que, pela primeira vez em anos, tinha medo de algo que não fosse um relatório atrasado ou uma reunião com investidores. Medo de que, ao sair daquele quarto, tudo aquilo se transformasse em mais uma lembrança bonita, mas vazia.
— Eu só… não quero que isso seja um adeus.
Lucas não respondeu. Em vez disso, inclinou-se e beijou sua testa, depois o nariz, depois os lábios, lento, como se estivesse memorizando o formato de sua boca. Quando se afastou, seus olhos estavam sérios.
— Então não seja.
Ela não entendeu até que ele se virou e pegou algo na gaveta da mesinha de cabeceira: um pequeno caderno de anotações e uma caneta. Ele o estendeu para ela, silencioso. Clara hesitou, mas então abriu o caderno e escreveu seu nome, seguido de um número de telefone. Quando terminou, arrancou a folha e a dobrou ao meio, sem saber o que fazer com ela.
— Deixa aqui — ele disse, pegando o papel e colocando-o sobre a mesinha. — Quando eu quiser te encontrar, vou ligar.
— E se eu quiser te encontrar antes?
Lucas sorriu, mas havia uma sombra por trás daquele sorriso. — Então você sabe onde me achar.
O banheiro estava frio, o azulejo gelado sob seus pés. Clara abriu o chuveiro e deixou a água quente escorrer pelo corpo, tentando lavar a sensação de que estava cometendo um erro. Mas não importava quantas vezes passasse o sabonete pela pele, ainda sentia o toque dele em cada centímetro—nas marcas dos dedos em seus quadris, no latejar entre as pernas, no gosto salgado que ainda persistia em sua boca.
Quando saiu, enrolada em uma toalha, Lucas já estava vestido, com uma camisa de flanela e jeans gastos. Ele estava de costas, olhando pela janela, mas se virou assim que a ouviu.
— Sua mala está pronta?
Ela assentiu, apontando para a pequena valise ao lado da porta. Ele a pegou sem dizer nada e a levou até a porta do quarto, mas antes de abri-la, parou.
— Clara.
Ela ergueu os olhos, e o que viu no rosto dele a fez prender a respiração. Não era tristeza, nem resignação. Era algo mais perigoso: esperança.
— Não esquece de mim.
As palavras pairaram entre eles, pesadas. Clara sentiu um nó na garganta, mas forçou um sorriso.
— Impossível.
Ele abriu a porta, e o corredor da pousada estava silencioso, apenas o som distante de uma chaleira assobiando na cozinha. Lucas a acompanhou até a recepção, onde a dona da pousada, uma mulher de cabelos grisalhos e olhar perspicaz, já esperava com um café da manhã embrulhado em papel alumínio.
— Para a estrada — ela disse, entregando o pacote a Clara com um sorriso cúmplice.
Clara agradeceu, evitando olhar para Lucas. Sabia que, se o fizesse, não conseguiria sair dali.
O carro alugado estava coberto por uma fina camada de neve, e ela demorou alguns minutos para limpá-lo, as mãos tremendo de frio. Quando finalmente ligou o motor, Lucas ainda estava parado na porta da pousada, os braços cruzados, o vento bagunçando seus cabelos. Ela baixou o vidro.
— Você vai ficar aí até eu sumir de vista?
— Talvez.
Ela riu, mas o som saiu quebrado. — Então vou demorar.
Ele não respondeu. Apenas ficou ali, imóvel, enquanto ela engatava a marcha e começava a descer a estrada sinuosa. No retrovisor, Clara o viu diminuir, até se tornar apenas um ponto escuro contra a fachada de madeira da pousada. E então, quando dobrou a primeira curva, ele desapareceu.
O trajeto até o aeroporto foi uma névoa de pensamentos confusos. Ela ligou o rádio, mas desligou depois de alguns minutos, incapaz de suportar a música alegre. Em vez disso, deixou o silêncio preencher o carro, interrompido apenas pelo rangido dos pneus na neve e pelo som de sua própria respiração. Quando chegou ao estacionamento do aeroporto, já estava quase na hora do check-in. Pegou a mala e o café da manhã esquecido no banco do passageiro, mas ao trancar o carro, algo chamou sua atenção: um pedaço de papel preso sob o limpador do para-brisa.
Com o coração acelerado, ela o puxou. Era uma folha arrancada do mesmo caderno onde havia escrito seu número. Em letras grandes e irregulares, Lucas tinha escrito:
**"Não foi um adeus. Foi um 'até logo'."**
E embaixo, em letras menores:
**"Liga pra mim quando chegar. Ou antes. Ou nunca. Mas saiba que eu vou te esperar."**
Clara apertou o papel contra o peito, sentindo as lágrimas quentes escorrerem pelo rosto. Não era o fim. Não era nem mesmo um adeus. Era uma promessa—uma promessa de fogo, de montanhas, de noites proibidas que ainda estavam por vir.
E, pela primeira vez em muito tempo, ela acreditou em promessas.