Fogo na Pele: Uma Noite Inesquecível

**Fogo na Pele: Uma Noite Inesquecível**
O loft se estendia como um organismo vivo, pulsando ao ritmo da música eletrônica que reverberava nas paredes de concreto aparente. A cidade lá fora, um mosaico de luzes douradas e néon, parecia respirar junto com os corpos que se moviam no espaço, como se o próprio prédio fosse uma extensão da pele da noite. O ar estava denso, carregado de perfumes caros e do leve toque metálico dos coquetéis servidos em taças finas. Entre os convidados, alguns dançavam com a desinibição de quem sabe que o mundo é um palco efêmero; outros, mais reservados, observavam o espetáculo com sorrisos calculados, como se cada gesto fosse uma moeda de troca.
Lucas estava apoiado no balcão de mármore preto, os dedos longos e precisos segurando um copo de uísque com gelo que derretia lentamente. O líquido âmbar refletia a luz dos spots embutidos no teto, lançando pequenos arco-íris nas paredes. Ele não precisava se esforçar para chamar atenção—sua presença era como uma assinatura, algo que as pessoas reconheciam antes mesmo de saberem seu nome. O terno cinza-chumbo, cortado sob medida, moldava-se ao seu corpo sem parecer apertado, como se tivesse sido costurado para acompanhar cada movimento. Os cabelos escuros, ligeiramente desalinhados, caíam sobre a testa em ondas que davam a impressão de que ele acabara de sair de uma sessão de fotos para uma revista de arquitetura. Mas eram os olhos, verdes e intensos, que realmente prendiam quem o olhava. Eles pareciam calcular distâncias, ângulos, possibilidades—como se o mundo fosse um projeto a ser desvendado, e cada pessoa, uma planta baixa a ser decifrada.
Do outro lado da sala, Mariana ajustava o decote do vestido vermelho-sangue, um modelo justo que abraçava suas curvas como se tivesse sido pintado sobre a pele. O tecido brilhava sob as luzes, mudando de tom conforme ela se movia, ora rubro como vinho, ora escuro como desejo. Seus cabelos castanhos, soltos em ondas rebeldes, caíam sobre os ombros nus, e o batom da mesma cor do vestido deixava seus lábios ainda mais convidativos. Ela não estava ali para dançar—pelo menos, não da maneira convencional. Mariana observava, analisava, como fazia em suas reportagens. Cada detalhe era uma pista: o modo como um homem segurava sua taça, a forma como uma mulher ria demais, os olhares furtivos trocados entre desconhecidos. Mas, naquela noite, algo—ou alguém—havia desviado sua atenção.
Foi quando seus olhos se encontraram.
Não foi um acidente. Lucas a viu primeiro, e algo em sua expressão mudou, como se uma porta interna tivesse se aberto. Mariana sentiu o peso daquele olhar como uma carícia inesperada, algo que percorreu sua espinha e se instalou na base da nuca, deixando-a levemente zonza. Ela sustentou o contato, desafiadora, e ergueu uma sobrancelha em um gesto quase imperceptível. *Vamos ver no que isso vai dar*, parecia dizer. Lucas sorriu, lento, como se tivesse todo o tempo do mundo, e levou o copo aos lábios. O gelo tilintou contra o vidro, um som quase inaudível no meio da música, mas que para ela soou como um convite.
— Você está aqui sozinha? — A voz de uma mulher ao seu lado a fez piscar, quebrando o feitiço por um instante. Era Clara, uma colega de redação, segurando duas taças de champanhe.
Mariana aceitou uma delas, sem tirar os olhos de Lucas. — Por enquanto.
Clara seguiu seu olhar e soltou uma risada baixa. — Ah, entendi. O arquiteto gostoso. Dizem que ele projeta mais do que prédios.
— É mesmo? — Mariana tomou um gole do champanhe, sentindo as bolhas explodirem na língua. — E o que mais ele projeta?
— Noites inesquecíveis. — Clara deu de ombros, como se fosse óbvio. — Mas cuidado. Ele não costuma repetir o projeto.
Mariana sorriu, mas não respondeu. Ela não estava interessada em repetir nada—apenas em explorar, em sentir, em deixar que a noite a levasse para onde quisesse. E, pelo jeito, Lucas parecia disposto a ser o guia.
Ele se afastou do balcão, movendo-se com a confiança de quem sabe que o espaço ao seu redor se molda para acomodá-lo. Cada passo era calculado, como se estivesse medindo a distância entre eles não em metros, mas em possibilidades. Quando parou a poucos centímetros de Mariana, ela pôde sentir o calor do seu corpo, o cheiro amadeirado do seu perfume misturado ao uísque e algo mais—algo que vinha de baixo da pele, um aroma quente e masculino que fez seus músculos se contraírem.
— Eu não costumo fazer isso — ele disse, a voz baixa, quase um sussurro que ela teve que se inclinar para ouvir. — Mas acho que você já sabe o que quero.
Mariana não se afastou. Em vez disso, aproximou-se ainda mais, até que a barra do seu vestido roçou na perna dele. — E o que é que você quer, arquiteto?
Lucas sorriu, e havia algo de predatório naquele gesto. — Construir algo. Com você.
Ela riu, um som gutural e delicioso, e passou a língua pelos lábios. — E se eu não quiser ser só mais um projeto?
— Então você não entendeu. — Ele estendeu a mão, mas não a tocou. Apenas deixou os dedos pairando no ar, perto do seu braço, como se estivesse testando a temperatura antes de mergulhar. — Eu não construo coisas para durar. Eu construo experiências. E esta noite… — Ele inclinou a cabeça, aproximando-se o suficiente para que ela sentisse sua respiração no pescoço. — Esta noite, Mariana, eu quero construir fogo.
O nome dela na sua boca foi como um fósforo aceso. Ela sentiu o calor se espalhar pelo corpo, descendo pela garganta, acumulando-se entre as pernas. Por um momento, pensou em recuar, em manter o jogo de palavras, em prolongar a tensão. Mas a verdade era que ela também queria. Queria sentir as mãos dele em sua pele, queria saber se ele era tão bom quanto prometia, queria se perder naquela noite e deixar que o amanhã se resolvesse sozinho.
— Então vamos ver se você sabe acender o fósforo — ela murmurou, e antes que ele pudesse responder, pegou sua mão e o puxou para a pista de dança.
A música havia mudado, agora mais lenta, mais sensual, como se alguém tivesse ajustado o ritmo para acompanhar o que estava prestes a acontecer. Os corpos ao redor se moviam em sincronia, mas Lucas e Mariana dançavam como se estivessem sozinhos. Ele segurou sua cintura, puxando-a para perto, e ela deixou que suas mãos deslizassem pelas costas dele, sentindo a firmeza dos músculos sob o tecido do terno. O calor entre eles era quase insuportável, como se a qualquer momento a pele fosse pegar fogo.
— Você é perigosa — ele disse, os lábios roçando a orelha dela enquanto dançavam.
— E você gosta de perigo.
— Eu gosto de desafios.
Mariana sorriu e apertou os dedos na nuca dele, puxando-o para um beijo. Não foi um beijo suave, nem tímido. Foi um beijo de quem sabe o que quer e não tem medo de tomar. A língua dele invadiu sua boca com uma urgência que a fez gemer baixinho, e ela respondeu com a mesma intensidade, mordiscando seu lábio inferior antes de se afastar, ofegante.
— Então me desafie — ela sussurrou, os olhos brilhando com uma promessa que fez o corpo dele se tensionar.
Lucas não respondeu com palavras. Em vez disso, segurou seu rosto entre as mãos e a beijou novamente, mais fundo, mais possessivo, como se estivesse marcando território. Quando se afastou, seus olhos estavam escuros, famintos.
— Vamos sair daqui.
Mariana não hesitou. Pegou sua bolsa, passou o braço pelo dele e o puxou em direção à saída. No caminho, ela lançou um último olhar para a festa, para as luzes, para os corpos que continuavam dançando sem saber que algo extraordinário estava prestes a acontecer.
E então, eles desapareceram na noite.
O ar entre eles já estava carregado antes mesmo que Lucas se aproximasse. Mariana sentia o peso dos olhares que haviam trocado durante a noite—aquele jogo de espreitar e desviar, de sorrir quando os olhos se encontravam por acaso, como se ambos soubessem exatamente o que estava por vir. Ela estava encostada na bancada de mármore preto do bar, um copo de uísque na mão, os dedos brincando com a borda enquanto observava a multidão. A música pulsava, um ritmo baixo e sedutor que parecia vibrar sob sua pele, e o calor dos corpos ao redor só aumentava a sensação de que algo estava prestes a acontecer.
Foi quando ele apareceu ao seu lado.
Lucas não chegou de repente. Ele se moveu como quem sabe que está sendo observado, com aquela confiança lenta de quem não tem pressa, mas também não tem dúvidas. O cheiro dele chegou primeiro—uma mistura de couro envelhecido, especiarias quentes e algo mais primitivo, como o aroma da pele aquecida pelo desejo. Mariana não precisou olhar para saber que era ele. Seu corpo reagiu antes mesmo que seus olhos o encontrassem: um formigamento na nuca, um aperto no ventre, a respiração que se tornou um pouco mais rasa.
— Você está me evitando — ele disse, a voz baixa o suficiente para que só ela ouvisse, apesar do volume da música. Não era uma pergunta.
Mariana finalmente virou o rosto para ele, um sorriso lento se formando nos lábios. O vestido preto que usava era justo o suficiente para destacar cada curva, e o decote em V mergulhava entre os seios, deixando pouco para a imaginação. Ela sabia o efeito que causava—e sabia que ele também sabia.
— Ou talvez eu esteja esperando você me encontrar — ela respondeu, inclinando a cabeça levemente, os olhos semicerrados em um desafio.
Lucas riu, um som rouco que fez algo dentro dela se contrair. Ele se aproximou mais, não invadindo seu espaço, mas ocupando-o de uma forma que deixava claro que, se ela quisesse recuar, teria que ser de propósito. Seu braço roçou no dela, e o contato foi elétrico—uma faísca que percorreu sua pele como um rastro de fogo.
— Você é perigosa — ele murmurou, os lábios quase tocando a concha de sua orelha. O hálito quente fez com que ela fechasse os olhos por um segundo, sentindo o calor se espalhar pelo pescoço, descendo pela coluna. — Eu gosto disso.
Mariana não se afastou. Em vez disso, se inclinou um pouco mais para trás, apoiando os cotovelos na bancada, o que fez seus seios se projetarem levemente para frente. O movimento não passou despercebido. Os olhos de Lucas desceram por um segundo antes de voltarem a encontrar os dela, escuros, intensos.
— E o que você vai fazer a respeito? — ela provocou, a voz um sussurro sedutor.
Ele não respondeu de imediato. Em vez disso, ergueu a mão e, com a ponta dos dedos, traçou uma linha lenta do ombro dela até o pulso, como se estivesse mapeando cada centímetro de sua pele. O toque era leve, quase imperceptível, mas Mariana sentiu como se ele a estivesse marcando com ferro quente. Um arrepio percorreu seu corpo, e ela mordeu o lábio inferior para conter um gemido.
— Eu poderia te dizer — Lucas murmurou, aproximando-se ainda mais, até que seus lábios roçaram a orelha dela ao falar. — Mas acho que você prefere sentir.
E então, antes que ela pudesse responder, ele deslizou a mão até a dela, entrelaçando os dedos por um breve segundo antes de soltá-la. O gesto foi íntimo, possessivo, e Mariana sentiu o coração acelerar. Mas o que veio a seguir foi ainda mais devastador.
Lucas se inclinou, como se fosse sussurrar algo, mas em vez de palavras, ele pressionou os lábios contra o lóbulo de sua orelha—um beijo suave, quase casto, se não fosse pela língua que deslizou ali por um segundo, úmida e quente. Mariana prendeu a respiração, sentindo o calor se espalhar pelo corpo, concentrando-se entre as pernas. Ela sabia que ele podia sentir o cheiro de sua excitação, misturado ao perfume floral que usava.
— Você está molhada só de pensar no que eu poderia fazer com você? — ele perguntou, a voz um rosnado baixo, carregado de promessas.
Mariana não conseguiu responder. Sua boca estava seca, o corpo inteiro pulsando com uma necessidade que ela não sentia há muito tempo. Em vez de palavras, ela se virou para ele, os lábios quase tocando os dele, mas sem fechar a distância.
— Por que você não descobre? — ela desafiou, os olhos brilhando com uma mistura de ousadia e vulnerabilidade.
Lucas sorriu, lento e perigoso. Ele ergueu a mão novamente, mas dessa vez não foi um toque suave. Seus dedos envolveram o queixo dela, inclinando seu rosto para cima, e antes que ela pudesse reagir, ele a beijou.
Não foi um beijo gentil. Foi um beijo de quem sabe que está sendo provocado e não tem intenção de recuar. Sua boca cobriu a dela com uma urgência que fez o corpo de Mariana se arquear contra o dele, as mãos agarrando a lapela de seu paletó como se precisasse de algo para se ancorar. A língua dele invadiu sua boca, quente e exigente, explorando cada canto como se tivesse todo o direito. E ela deixou. Mais do que isso—ela correspondeu, mordiscando seu lábio inferior antes de puxá-lo para mais perto, como se quisesse fundir seus corpos ali mesmo.
Quando ele se afastou, ambos estavam ofegantes. Lucas manteve o rosto próximo ao dela, os olhos escuros fixos nos seus, como se estivesse avaliando cada reação.
— Você gosta de ser desafiada — ele constatou, a voz rouca.
— E você gosta de me provocar — ela retrucou, a respiração ainda descompassada.
— Não é provocação se eu tenho intenção de cumprir cada promessa.
Mariana sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ela sabia que ele não estava falando apenas de palavras. Havia algo mais ali, algo que ia além do desejo momentâneo. E, pela primeira vez naquela noite, ela sentiu um lampejo de hesitação—não por medo, mas por saber que, se deixasse, ele poderia muito bem arruiná-la para qualquer outro homem.
Mas ela não era do tipo que recuava.
— Então prove — ela sussurrou, os lábios ainda úmidos do beijo, os olhos brilhando com uma mistura de ousadia e curiosidade.
Lucas não respondeu. Em vez disso, pegou a mão dela e a puxou para longe da bancada, em direção a um canto mais escuro do loft, onde as luzes eram mais fracas e a música parecia abafar qualquer som que não fosse o das respirações aceleradas. Ele a encostou contra a parede, uma mão na cintura dela, a outra apoiada ao lado de sua cabeça, prendendo-a sem realmente tocá-la.
— Você quer saber o que eu faria com você agora? — ele perguntou, a voz um rosnado baixo, os lábios tão próximos dos dela que ela podia sentir o calor de suas palavras.
Mariana assentiu, incapaz de falar.
— Primeiro — ele murmurou, deslizando a mão da cintura dela para a coxa, levantando levemente o vestido até que seus dedos encontrassem a pele nua —, eu te tocaria aqui. — Seus dedos traçaram círculos lentos na parte interna da coxa, cada vez mais perto do centro, mas sem chegar lá. Mariana mordeu o lábio, tentando conter um gemido. — Depois, eu te beijaria aqui. — Ele inclinou a cabeça, pressionando os lábios contra o pescoço dela, mordiscando levemente a pele sensível. — E aqui. — Sua mão subiu, os dedos roçando a renda da calcinha, fazendo-a arquear o corpo contra ele.
— Lucas… — ela gemeu, o nome dele escapando como uma súplica.
— E então — ele continuou, ignorando o pedido implícito —, eu te faria implorar.
Mariana sentiu o corpo inteiro tremer. Ela queria mais. Precisava de mais. Mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, ele se afastou, deixando-a encostada na parede, ofegante, o corpo pulsando de desejo.
— Mas não aqui — ele disse, a voz firme, mas não fria. — Não assim.
Ela abriu os olhos, confusa, frustrada.
— O quê?
Lucas sorriu, pegando a mão dela novamente.
— Vamos para um lugar onde eu possa te mostrar exatamente o que eu quero fazer com você. Sem pressa. Sem interrupções.
Mariana sentiu o coração bater mais forte. Ela sabia o que ele estava sugerindo. E, Deus, ela queria dizer sim. Mas havia algo em seus olhos—uma intensidade que ia além do desejo físico—que a fez hesitar por um segundo.
— E se eu disser não? — ela perguntou, testando-o.
Lucas não vacilou.
— Então eu te levo para casa. — Ele se aproximou novamente, os lábios roçando a orelha dela. — Mas eu não acho que você vai dizer não.
Mariana não disse. Em vez disso, ela apertou os dedos nos dele e o puxou de volta para a multidão, em direção à saída.
Eles não olharam para trás.
O ar da noite estava denso, carregado com o perfume dos jasmins que se enroscavam nos postes da rua e o cheiro metálico da chuva recente. Mariana sentiu o calor da mão de Lucas entrelaçada à sua enquanto caminhavam pela calçada, os passos sincronizados em um ritmo que parecia mais uma dança do que uma simples caminhada. O eco dos saltos dela batendo no concreto se misturava ao som abafado da música que escapava pelas portas entreabertas dos bares, mas dentro dela, o único som que importava era o da própria respiração, acelerada, quase um sussurro de expectativa.
Um táxi amarelo parou ao lado deles antes mesmo que Lucas erguesse o braço. Ele abriu a porta para ela com um gesto fluido, e Mariana deslizou para dentro, sentindo o couro frio do banco contra a pele exposta das coxas. O motorista, um homem de meia-idade com olhos cansados no retrovisor, mal teve tempo de perguntar o destino antes que Lucas se sentasse ao lado dela, fechando a porta com um baque surdo que parecia selar o mundo lá fora.
— Para onde, chefe? — o motorista perguntou, ajustando o espelho.
Lucas não respondeu de imediato. Em vez disso, virou-se para Mariana, os olhos escuros refletindo as luzes da cidade que passavam como estrelas cadentes pela janela. Ele não disse nada, mas o sorriso que curvou seus lábios era uma promessa silenciosa, algo que fez o estômago dela se contrair em antecipação.
— Rua Almirante Barroso, 120 — ele disse por fim, sem tirar os olhos dela.
O táxi arrancou, e o movimento súbito fez com que os corpos se aproximassem. Mariana sentiu o calor do corpo de Lucas irradiando através do tecido fino do vestido, o cheiro dele—uma mistura de colônia amadeirada e algo mais primitivo, masculino—invadiu seus sentidos. Ela mordeu o lábio inferior, tentando conter o tremor que percorria sua espinha, mas não adiantou. A mão dele encontrou a sua no banco, os dedos entrelaçando-se com uma naturalidade que a surpreendeu.
— Você está nervosa? — Lucas perguntou, a voz baixa, quase um murmúrio.
Mariana riu, um som leve e trêmulo.
— Não. Só… ansiosa.
— Ansiosa por quê?
Ela virou o rosto para ele, os lábios a centímetros dos seus. O hálito quente dele acariciou sua pele quando ele falou, e ela sentiu o desejo se enroscar em seu ventre como uma serpente pronta para atacar.
— Por tudo o que ainda não aconteceu.
Os dedos de Lucas apertaram os dela, e então, sem aviso, ele levou a mão dela aos lábios, depositando um beijo suave na palma. O toque foi leve, quase reverente, mas o suficiente para fazer o corpo dela arquear levemente no banco.
— Então vamos resolver isso — ele disse, a voz rouca.
Antes que ela pudesse responder, ele se inclinou, capturando sua boca em um beijo que não tinha nada de suave. Foi um beijo faminto, desesperado, como se ele estivesse tentando devorar cada suspiro que ela prendia. Mariana gemeu contra seus lábios, as mãos subindo instintivamente para agarrar os cabelos dele, puxando-o mais perto. O gosto de uísque e menta invadiu sua boca, e ela o bebeu como se fosse a última coisa que faria na vida.
O motorista tossiu discretamente, mas nenhum dos dois se importou. As mãos de Lucas deslizaram pelo braço dela, deixando um rastro de fogo em sua pele, até encontrarem a barra do vestido. Os dedos dele se enroscaram no tecido, puxando-o para cima com uma lentidão torturante, expondo centímetro a centímetro da coxa dela. Mariana sentiu o ar frio do ar-condicionado do táxi contra a pele úmida, mas o contraste só aumentou a sensação de calor que a consumia.
— Você é linda — ele murmurou contra seus lábios, as palavras vibrando contra a boca dela. — Cada parte de você.
Ela não conseguiu responder. A mão dele havia encontrado a renda da calcinha, e os dedos traçaram círculos preguiçosos sobre o tecido, pressionando apenas o suficiente para fazê-la arquear as costas, os quadris se movendo involuntariamente em busca de mais contato. Um gemido escapou de sua garganta, e ela mordeu o lábio inferior para contê-lo, mas Lucas não permitiu.
— Não — ele disse, a voz firme. — Quero ouvir você.
Mariana abriu os olhos, encontrando o olhar dele, escuro e intenso. Havia algo ali, uma fome que ia além do físico, algo que a assustava e excitava na mesma medida. Ela não resistiu quando ele puxou a calcinha para o lado, os dedos deslizando entre suas dobras já úmidas. O toque foi suave no início, exploratório, mas logo se tornou mais insistente, mais possessivo. Ela gemeu alto, as unhas cravando-se no banco de couro, e Lucas sorriu, satisfeito.
— Isso — ele sussurrou, os lábios roçando a orelha dela. — Deixa eu te sentir.
O táxi fez uma curva brusca, e Mariana se agarrou ao ombro dele, os dedos apertando o tecido da camisa como se fosse a única coisa que a mantinha ancorada à realidade. Os dedos de Lucas não paravam, movendo-se em círculos lentos e deliberados, pressionando, explorando, até que ela sentiu o corpo inteiro se contrair em antecipação. Ela estava perto, tão perto, e ele sabia disso.
— Lucas… — ela gemeu, o nome dele saindo como uma súplica.
— Shhh — ele murmurou, os lábios encontrando o pescoço dela, os dentes roçando a pele sensível. — Ainda não.
Mariana queria protestar, queria implorar, mas as palavras morreram em sua garganta quando a mão livre dele encontrou seu seio, os dedos apertando o mamilo através do tecido fino do vestido. O prazer era quase insuportável, uma onda que ameaçava engoli-la por inteiro. Ela fechou os olhos, entregando-se à sensação, ao toque dele, ao som da respiração acelerada de ambos misturando-se ao ronco do motor do táxi.
— Por favor — ela conseguiu dizer, a voz quebrada.
Lucas não respondeu com palavras. Em vez disso, ele aumentou a pressão dos dedos, movendo-os mais rápido, mais fundo, até que Mariana sentiu o corpo inteiro se tensionar. Um grito abafado escapou de seus lábios quando o orgasmo a atingiu, as ondas de prazer percorrendo-a em espasmos que pareciam não ter fim. Ela se agarrou a ele, os dedos cravando-se em seus ombros, enquanto tremia, o corpo sacudido por espasmos de êxtase.
Quando finalmente abriu os olhos, encontrou o olhar de Lucas, escuro e satisfeito. Ele levou os dedos à boca, lambendo-os lentamente, os olhos nunca deixando os dela. Mariana sentiu o rosto queimar, mas não desviou o olhar. Havia algo de erótico, de primitivo, naquele gesto, algo que fez seu corpo reagir novamente, apesar do orgasmo recente.
— Você é deliciosa — ele disse, a voz rouca.
Mariana não respondeu. Em vez disso, levou a mão ao zíper da calça dele, os dedos trêmulos encontrando a ereção dura e pulsante sob o tecido. Lucas gemeu quando ela o tocou, os quadris se movendo instintivamente em direção à mão dela. Ela o acariciou lentamente, explorando cada centímetro, sentindo-o tremer sob seu toque.
— Mariana… — ele murmurou, o nome dela saindo como um rosnado.
Ela sorriu, satisfeita, e então o táxi parou bruscamente.
— Chegamos — o motorista anunciou, a voz seca.
Mariana olhou pela janela, percebendo que estavam em frente a um prédio alto, as luzes da cidade refletindo-se nas janelas de vidro. Lucas respirou fundo, como se estivesse tentando se controlar, e então se afastou dela, ajustando a roupa com movimentos rápidos. Mariana fez o mesmo, alisando o vestido e tentando recuperar o fôlego.
O motorista não disse nada, mas o olhar no retrovisor era eloquente. Lucas pagou a corrida, deixando uma gorjeta generosa, e então saiu do táxi, estendendo a mão para ela. Mariana a segurou, sentindo o calor dos dedos dele mais uma vez, e saiu para a calçada.
O ar da noite estava mais fresco agora, mas o corpo dela ainda queimava. Lucas a puxou para perto, os braços envolvendo-a em um abraço que não tinha nada de casto. Ela sentiu a ereção dele pressionando contra seu ventre, e um novo arrepio percorreu sua espinha.
— Vamos subir — ele disse, a voz rouca de desejo.
Mariana assentiu, sem palavras. Ela sabia o que viria a seguir, e a ideia a enchia de uma mistura de medo e excitação. Lucas a guiou até a entrada do prédio, os dedos entrelaçados aos dela, e ela o seguiu, o coração batendo tão forte que podia ouvi-lo nos ouvidos.
O elevador estava vazio quando entraram, e assim que as portas se fecharam, Lucas a empurrou contra a parede, capturando sua boca em um beijo voraz. Mariana respondeu com a mesma intensidade, as mãos deslizando por baixo da camisa dele, sentindo a pele quente e os músculos tensos sob seus dedos. O elevador subiu devagar, cada segundo parecendo uma eternidade, e quando finalmente parou, eles mal conseguiram se separar.
Lucas a puxou para fora, os passos apressados em direção à porta do apartamento. Mariana mal teve tempo de registrar os detalhes do lugar—paredes claras, móveis modernos, uma vista deslumbrante da cidade—antes que ele a empurrasse contra a porta assim que a fechou, os lábios encontrando os dela novamente.
— Eu quero você — ele murmurou contra sua boca. — Agora.
Mariana não respondeu. Em vez disso, puxou a camisa dele para cima, arrancando-a com movimentos desesperados. Lucas riu, um som baixo e rouco, e então a pegou no colo, carregando-a em direção ao sofá. Ela envolveu as pernas ao redor da cintura dele, sentindo a ereção pressionando contra o centro de seu corpo, e gemeu quando ele a deitou, os lábios encontrando seu pescoço, seus seios, descendo cada vez mais.
A noite estava apenas começando.
Mariana arqueou as costas quando os lábios de Lucas encontraram a pele sensível abaixo de seu umbigo, a língua dele traçando um caminho lento e úmido em direção ao botão do jeans. Cada toque era uma faísca, cada movimento uma promessa de algo mais intenso. Ela enredou os dedos nos cabelos dele, puxando-o para cima com um gemido rouco, precisando sentir sua boca na dela novamente. Lucas obedeceu, mas não sem antes deixar um rastro de beijos molhados pelo caminho, os dentes roçando de leve a curva de seu quadril, fazendo-a estremecer.
— Você é linda — ele murmurou contra sua pele, as mãos deslizando pelas laterais de seu corpo, puxando o tecido da blusa para cima com urgência. Mariana levantou os braços, permitindo que ele a despisse, o ar fresco do apartamento contrastando com o calor que emanava de seu corpo. Lucas não perdeu tempo: os lábios encontraram um mamilo, sugando-o com força enquanto a mão livre apertava o outro seio, os dedos brincando com a ponta já dura. Ela gemeu, o som ecoando pelo loft, misturando-se ao barulho da cidade lá fora.
— Lucas… — o nome saiu como um suspiro, uma súplica. Ele sorriu contra sua pele, os dentes roçando de leve antes de se afastar apenas o suficiente para puxar a própria camisa, revelando um torso definido, marcado por músculos que se contraíam sob o toque dela. Mariana não resistiu: as unhas arranharam seu peito, descendo devagar até a cintura da calça, onde a ereção já pressionava o tecido, implorando por liberdade.
Ele a segurou pelos pulsos, prendendo-os acima de sua cabeça com uma mão, enquanto a outra deslizava pelo corpo dela, explorando cada curva como se memorizasse cada detalhe. Os dedos encontraram o botão do jeans, abrindo-o com um movimento rápido, e então a calça foi puxada para baixo, deixando-a apenas de calcinha, o tecido rendado já úmido de desejo. Lucas soltou um som gutural, os olhos escurecidos de luxúria, antes de se ajoelhar entre suas pernas, os lábios beijando a parte interna de suas coxas, cada toque mais próximo do centro pulsante de seu corpo.
— Você está tão molhada — ele sussurrou, a respiração quente contra a pele dela. Mariana mordeu o lábio, tentando conter um gemido quando a língua dele finalmente encontrou o ponto exato, lambendo devagar, provocante, antes de sugar com força. Ela arqueou-se, as mãos buscando apoio no sofá, os dedos agarrando o tecido enquanto ele a devorava, cada movimento calculado para levá-la à beira do abismo. — Goza para mim — ele ordenou, a voz rouca, e Mariana não teve escolha: o orgasmo a atingiu como uma onda, o corpo tremendo enquanto ela gritava seu nome, as pernas apertando os ombros dele em um espasmo de prazer.
Lucas não deu trégua. Levantou-se, puxando-a para cima com ele, e a beijou com fome, deixando que ela sentisse o próprio gosto em seus lábios. Mariana correspondeu com a mesma intensidade, as mãos deslizando para a cintura da calça dele, puxando-a para baixo junto com a cueca, liberando sua ereção. Ela envolveu os dedos ao redor do membro rígido, acariciando-o devagar, sentindo-o pulsar sob seu toque. Lucas gemeu, os quadris empurrando contra sua mão, antes de puxá-la para mais perto, a ponta úmida roçando contra sua barriga.
— Eu preciso estar dentro de você — ele murmurou, a voz tensa de desejo. Mariana assentiu, sem palavras, e ele a pegou no colo novamente, carregando-a em direção ao quarto. O ambiente era iluminado apenas pela luz da cidade que entrava pela janela, criando sombras dançantes sobre os lençóis escuros. Lucas a deitou com cuidado, mas a urgência em seus movimentos deixava claro que o controle estava por um fio. Ele se afastou apenas o tempo suficiente para pegar uma camisinha na gaveta da mesa de cabeceira, rasgando a embalagem com os dentes antes de deslizá-la sobre si com movimentos rápidos.
Mariana abriu as pernas, convidando-o, e ele não hesitou. Apoiou-se sobre ela, a ponta do membro roçando contra sua entrada, provocando-a. Ela gemeu, os quadris se erguendo em busca de mais, mas Lucas segurou-a no lugar, os olhos fixos nos dela enquanto entrava devagar, centímetro por centímetro, preenchendo-a com uma lentidão torturante. Mariana mordeu o lábio, as unhas cravando-se nas costas dele enquanto ele se movia, cada estocada mais profunda que a anterior, cada movimento arrancando um gemido de seus lábios.
— Mais rápido — ela pediu, a voz entrecortada. Lucas obedeceu, aumentando o ritmo, os corpos batendo um contra o outro em um ritmo primitivo, os sons de pele contra pele ecoando pelo quarto. Mariana envolveu as pernas ao redor da cintura dele, puxando-o para mais perto, sentindo-o ainda mais fundo. Os lábios de Lucas encontraram os dela novamente, a língua invadindo sua boca enquanto ele a possuía, cada movimento uma promessa de prazer.
— Você é minha — ele murmurou contra seus lábios, a voz rouca de desejo. Mariana não respondeu, mas seu corpo o fez por ela: os músculos internos apertando ao redor dele, o orgasmo se aproximando como uma tempestade. Lucas sentiu e aumentou o ritmo, as estocadas se tornando mais curtas, mais intensas, até que ela gritou, o corpo convulsionando ao redor dele enquanto o prazer a consumia. Ele não parou, continuando a se mover, prolongando o êxtase dela até que, com um gemido rouco, ele também atingiu o clímax, o corpo tremendo enquanto se derramava dentro dela.
Por um momento, não houve nada além do som de suas respirações ofegantes, o peso do corpo dele sobre o dela, os corações batendo em uníssono. Lucas se apoiou nos cotovelos, olhando para ela com um sorriso satisfeito, antes de rolar para o lado, puxando-a para junto de si. Mariana se aninhou contra seu peito, sentindo o suor esfriar em sua pele, o corpo ainda formigando com os resquícios do prazer.
Mas a noite estava longe de acabar. Lucas passou os dedos pelos cabelos dela, puxando-a para um beijo lento, profundo, cheio de promessas. Mariana sentiu o desejo despertar novamente, o corpo respondendo ao toque dele como se não tivesse acabado de ser saciado. Ela se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos dele, um sorriso malicioso nos lábios.
— Ainda não terminamos — ela sussurrou, a mão deslizando pelo peito dele, descendo devagar até encontrar sua ereção, já dura novamente. Lucas gemeu, os olhos escurecendo de desejo, e a puxou para cima de si, deixando-a montar em seu colo.
— Então vamos continuar — ele murmurou, as mãos apertando sua cintura enquanto ela se posicionava sobre ele, pronta para recomeçar.
Mariana se posicionou sobre ele com uma lentidão calculada, os joelhos afundando no colchão macio, as coxas apertando os quadris de Lucas como se quisesse memorizar cada centímetro de contato. O ar entre eles estava pesado, carregado com o cheiro de sexo e suor, a pele de ambos brilhando sob a luz âmbar que vazava das luminárias do quarto. Ela não precisava de palavras para saber que ele a observava com aquela intensidade voraz, os olhos escuros percorrendo cada curva, cada movimento seu como se fosse a primeira e a última vez.
— Você é linda assim — ele murmurou, a voz rouca, quase quebrada. As mãos grandes se espalharam pelas costas dela, puxando-a para baixo até que seus peitos se esmagassem contra o peito dele, os mamilos duros roçando na pele quente. — Toda minha.
Ela sorriu, mordendo o lábio inferior antes de responder, a voz um sussurro ofegante:
— E você é todo meu.
Não era uma pergunta. Era uma afirmação, uma posse mútua que ia além do físico. Mariana sentiu o peso daquelas palavras ecoar dentro dela, uma verdade que se enraizava mais fundo do que qualquer toque. Ela se ergueu um pouco, as mãos apoiadas no peito dele, sentindo os músculos tensos sob as pontas dos dedos. Lucas gemeu quando ela se abaixou devagar, envolvendo-o com seu corpo, a umidade entre suas pernas deslizando sobre a ereção rígida, provocando-o antes mesmo de tomá-lo por completo.
— Porra… — ele arfou, as mãos apertando sua cintura com força suficiente para deixar marcas. — Assim você me mata.
— Então morra comigo — ela murmurou, inclinando-se para beijá-lo, a língua invadindo sua boca com uma urgência que espelhava o ritmo que seus corpos logo adotariam.
O primeiro impulso foi lento, deliberado. Mariana se deixou afundar nele até que não houvesse mais espaço entre os dois, até que cada centímetro dele a preenchesse de uma forma que fazia seus dedos dos pés se curvarem. Lucas gemeu contra sua boca, os quadris se elevando em resposta, buscando mais profundidade, mais fricção. Ela se afastou do beijo apenas o suficiente para respirar, os olhos semicerrados enquanto começava a se mover, os quadris ondulando em círculos preguiçosos, sentindo-o deslizar para dentro e para fora com uma lentidão torturante.
— Mais rápido — ele pediu, a voz um rosnado baixo. As mãos deslizaram para suas nádegas, apertando, guiando-a em um ritmo mais intenso. — Quero sentir você gozar em cima de mim.
Mariana obedeceu, mas não sem antes provocá-lo um pouco mais. Ela se ergueu quase completamente, deixando apenas a ponta dele dentro de si antes de se deixar cair com força, os corpos se chocando com um som úmido e carnudo que ecoou pelo quarto. Lucas soltou um gemido rouco, os dedos cravando-se em sua pele, e ela repetiu o movimento, uma e outra vez, cada descida mais profunda, mais intensa, até que o prazer se tornasse uma onda crescente, ameaçando engoli-la por inteiro.
O ritmo acelerou. Mariana se apoiou nos ombros dele, as unhas arranhando levemente a pele enquanto se movia com uma urgência que beirava o desespero. Lucas a acompanhava, os quadris se erguendo para encontrar cada impulso dela, os corpos se chocando em um ritmo perfeito, como se tivessem sido feitos um para o outro. O som dos gemidos misturava-se ao rangido da cama, ao som úmido de seus corpos se unindo, criando uma sinfonia erótica que parecia reverberar em cada célula de Mariana.
— Isso… assim… — ele murmurou, os olhos fixos nos dela, a respiração entrecortada. — Não para.
Ela não tinha intenção de parar. Cada movimento era uma promessa, cada toque uma confirmação de que aquilo era mais do que sexo. Era uma conexão que queimava, que consumia, que os deixava à beira de algo maior. Mariana sentiu o orgasmo se aproximando como uma tempestade, uma pressão crescente no ventre que se espalhava para cada extremidade do seu corpo. Ela se inclinou para frente, capturando os lábios dele em um beijo faminto, a língua dançando com a dele enquanto seus corpos continuavam a se mover em perfeita sincronia.
Lucas gemeu contra sua boca, os braços envolvendo-a com força, como se quisesse fundi-la a si mesmo. Mariana sentiu as paredes internas se contraírem ao redor dele, o prazer se intensificando a cada segundo, cada impulso levando-a mais perto da borda. Ela se afastou do beijo, os olhos fixos nos dele, as pupilas dilatadas de desejo.
— Estou quase — ela sussurrou, a voz trêmula. — Goza comigo.
Lucas não precisou de mais incentivo. Com um grunhido gutural, ele a segurou com ainda mais força, os quadris se erguendo em movimentos curtos e rápidos, cada impulso mais profundo do que o anterior. Mariana sentiu o corpo dele enrijecer sob o dela, os músculos se contraindo enquanto ele se aproximava do clímax. Ela se deixou levar, o orgasmo explodindo dentro dela como uma onda de calor, uma sensação avassaladora que a fez arquear as costas e gritar seu nome.
— Lucas!
O som da voz dela, rouca e desesperada, foi o suficiente para empurrá-lo além do limite. Com um gemido profundo, ele a puxou para baixo, enterrando-se nela uma última vez enquanto seu próprio prazer o atravessava, o corpo tremendo com a força da liberação. Mariana sentiu cada pulsação dele dentro de si, cada espasmo, cada tremor, e isso só prolongou seu próprio orgasmo, fazendo-a se contorcer em cima dele enquanto ondas de prazer continuavam a percorrê-la.
Por um momento, não houve nada além do som de suas respirações ofegantes, do cheiro de sexo no ar, da sensação de seus corpos ainda unidos, ainda tremendo com os resquícios do êxtase. Mariana se deixou cair sobre ele, os lábios encontrando os dele em um beijo lento, profundo, cheio de uma ternura que contrastava com a intensidade crua do que acabavam de compartilhar. Lucas a envolveu em seus braços, as mãos acariciando suas costas em movimentos suaves, como se quisesse acalmá-la e, ao mesmo tempo, memorizar a sensação de tê-la ali.
— Isso foi… — ele começou, mas parou, como se as palavras não fossem suficientes.
— Inacreditável — ela completou, a voz um sussurro contra seus lábios.
Ele sorriu, os dedos deslizando pelos cabelos dela, puxando-a para mais perto.
— E ainda não acabou.
Mariana sentiu um arrepio percorrer sua espinha com a promessa implícita naquelas palavras. Ela se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos dele, um sorriso malicioso curvando seus lábios.
— Ah, não?
Lucas balançou a cabeça, os olhos escurecendo novamente com um desejo que ela já reconhecia.
— Ainda temos a noite toda.
Ela riu baixinho, os quadris se movendo levemente sobre ele, sentindo-o ainda duro dentro de si.
— Então vamos aproveitar.
E, com um beijo que prometia muito mais do que palavras poderiam expressar, Mariana se preparou para recomeçar.
A luz da manhã filtrava-se pelas cortinas de linho cru do apartamento de Lucas, pintando listras douradas sobre os lençóis amarrotados e os corpos entrelaçados. Mariana acordou primeiro, os olhos ainda pesados de sono, mas a mente já alerta com a lembrança da noite anterior. Cada detalhe voltava em fragmentos sensoriais: o gosto salgado da pele de Lucas, o som dos gemidos abafados contra o travesseiro, a maneira como os dedos dele haviam marcado sua cintura com uma pressão que ainda latejava, suave, como um eco de prazer.
Ela se espreguiçou, sentindo o peso do braço de Lucas sobre seu quadril, os músculos relaxados de quem havia se entregado por completo. O cheiro dele — uma mistura de suor, colônia amadeirada e algo mais primitivo, quase animal — impregnava o ar, e ela inspirou fundo, como se quisesse guardar aquele aroma na memória. Ao seu lado, Lucas respirava devagar, o peito subindo e descendo em um ritmo constante. Mariana virou-se de lado, apoiando a cabeça na mão, e observou-o. O maxilar forte, agora coberto por uma barba por fazer, as sobrancelhas escuras que se franziam levemente mesmo no sono, os lábios entreabertos, como se ainda estivessem prontos para sussurrar algo indecente.
Uma mecha de cabelo caía sobre a testa dele, e ela não resistiu: estendeu a mão e a afastou com delicadeza, os dedos roçando a pele quente. Lucas murmurou algo ininteligível e se mexeu, puxando-a para mais perto, como se mesmo inconsciente soubesse que ela estava ali. Mariana sorriu, deixando que ele a envolvesse, o corpo dele moldando-se ao seu como se tivessem sido feitos para se encaixar. O calor entre suas pernas ainda era uma lembrança viva, e ela sentiu um arrepio ao lembrar-se da maneira como ele a havia tomado na madrugada, lento e profundo, como se quisesse gravar cada centímetro dela em sua pele.
— Bom dia — a voz de Lucas soou rouca, os olhos ainda semicerrados, mas já brilhando com uma malícia preguiçosa.
— Bom dia — ela respondeu, a voz um pouco mais grave do que o normal, marcada pela noite de prazer. — Dormiu bem?
Ele riu baixinho, os dedos traçando círculos preguiçosos na curva de suas costas.
— Melhor do que em meses. Você?
— Como uma pedra — ela admitiu, embora soubesse que não era exatamente verdade. O corpo ainda formigava, a mente ainda revivia cada toque, cada beijo. — Mas acho que não foi só o sono.
Lucas ergueu uma sobrancelha, um sorriso lento se espalhando pelo rosto.
— Ah, não? E o que mais foi?
Mariana mordeu o lábio inferior, sentindo o desejo despertar novamente, teimoso, como se a noite não tivesse sido suficiente.
— Você — ela disse simplesmente, os dedos deslizando pelo peito dele, descendo devagar até a linha do abdômen. — E essa sua mania de não me deixar descansar.
Ele segurou a mão dela antes que ela pudesse ir mais longe, trazendo-a aos lábios para beijar a palma.
— Eu poderia dizer o mesmo de você. — Os olhos dele escureceram por um instante, como se estivesse revivendo a mesma cena. — Mas acho que precisamos de um café antes de recomeçar.
Mariana riu, o som leve e musical, mas não protestou. Sabia que ele tinha razão. O corpo precisava de combustível, de um momento para respirar, mesmo que a vontade fosse de ficar ali, entre os lençóis, até que o sol queimasse a pele de tanto prazer.
— Café, então — ela concordou, afastando-se com relutância. — Mas só se você prometer que isso não é uma despedida.
Lucas sentou-se na cama, o lençol escorregando até a cintura, revelando o torso nu, marcado aqui e ali por arranhões leves — lembranças da noite anterior. Ele a observou por um longo momento, como se estivesse avaliando algo, e então estendeu a mão, puxando-a de volta para seus braços.
— Não é uma despedida — ele murmurou, a voz baixa e intensa. — É só o começo.
Mariana sentiu o coração acelerar. Não era uma declaração de amor, nem uma promessa vazia. Era algo mais perigoso, mais real: a certeza de que aquilo não terminaria ali. Que havia algo entre eles — uma faísca, uma conexão — que valia a pena explorar.
— Então vamos tomar esse café — ela disse, beijando-o de leve nos lábios. — E depois… vemos o que acontece.
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A cozinha de Lucas era moderna e minimalista, com bancadas de mármore preto e eletrodomésticos de aço escovado. A luz da manhã entrava pela janela ampla, iluminando as partículas de poeira que dançavam no ar, como se até mesmo o ambiente estivesse vivo com a energia da noite anterior. Mariana, vestindo apenas a camisa de Lucas — que chegava até a metade de suas coxas —, apoiou-se na bancada enquanto ele preparava o café. O cheiro forte e amargo encheu o ar, misturando-se ao aroma de torradas e manteiga derretida.
— Você sempre acorda assim? — ela perguntou, observando-o mover-se com uma naturalidade que denunciava intimidade com o espaço. — Com o café da manhã pronto antes mesmo de eu abrir os olhos?
Lucas lançou-lhe um olhar por cima do ombro, um sorriso preguiçoso nos lábios.
— Só quando tenho companhia interessante.
— Interessante? — Ela ergueu uma sobrancelha, cruzando os braços sob os seios, o que fez a camisa subir um pouco mais. — É assim que você me classifica?
— Entre outras coisas — ele respondeu, desligando o fogo e virando-se para encará-la. Os olhos dele percorreram seu corpo de cima a baixo, demorando-se nas pernas nuas, na curva dos seios sob o tecido fino. — Gostosa. Insaciável. Perigosa.
Mariana riu, mas não desviou o olhar. Havia algo no jeito como ele a olhava que fazia seu estômago se contrair, como se ele pudesse ver além da superfície, além da mulher que ela mostrava ao mundo.
— Perigosa? — ela repetiu, aproximando-se dele. — Para quem?
— Para mim — ele admitiu, a voz rouca. — Porque depois de ontem, eu não sei se consigo te deixar ir embora.
As palavras pairaram entre eles, carregadas de uma sinceridade que surpreendeu até mesmo Mariana. Ela parou a poucos centímetros dele, o calor do corpo masculino irradiando contra o seu.
— Quem disse que eu quero ir embora? — ela murmurou, os dedos deslizando pelo peito dele, sentindo o batimento acelerado sob a pele. — Talvez eu queira ficar.
Lucas segurou a mão dela, levando-a aos lábios para beijar os nós dos dedos, um por um.
— Então fique — ele disse simplesmente. — Pelo menos até o café esfriar.
Mariana sorriu, mas antes que pudesse responder, o celular de Lucas vibrou sobre a bancada. Ele franziu o cenho ao ver a tela, mas atendeu mesmo assim.
— Oi, mãe — ele disse, a voz subitamente mais formal. Mariana ergueu as sobrancelhas, surpresa, e ele fez um gesto de desculpas com a mão livre.
Ela se afastou, dando-lhe privacidade, e foi até a janela. Lá fora, a cidade começava a despertar, os prédios brilhando sob o sol da manhã, o trânsito já movimentado nas ruas abaixo. Mariana cruzou os braços, sentindo o ar fresco da manhã contra a pele exposta. Por um momento, deixou-se imaginar como seria acordar ali outras vezes, como seria ter aquele homem ao seu lado não apenas por uma noite, mas por muitas outras.
— Desculpa — Lucas disse atrás dela, a voz mais próxima. — Minha mãe. Ela sempre liga cedo.
— Tudo bem — Mariana respondeu, virando-se para encará-lo. — Família é importante.
— Sim — ele concordou, mas havia algo em seu olhar que ela não conseguiu decifrar. — Mas agora não é hora de pensar nisso.
Ele se aproximou, envolvendo-a pela cintura e puxando-a contra si. Mariana não resistiu. O corpo dele estava quente, sólido, e ela se deixou levar pelo momento, pelo cheiro de café e pela promessa silenciosa nos olhos dele.
— Então o que é hora de pensar? — ela perguntou, a voz um sussurro.
Lucas inclinou-se, os lábios roçando o lóbulo da orelha dela.
— Em como eu vou te levar de volta para a cama antes que você mude de ideia e vá embora.
Mariana riu, mas o som morreu em sua garganta quando ele a ergueu nos braços, as pernas dela envolvendo sua cintura por instinto. Ela segurou-se em seus ombros, sentindo a força dos músculos sob as mãos.
— Você é impossível — ela murmurou, mas não havia reprovação em sua voz.
— E você adora isso — ele retrucou, carregando-a de volta para o quarto.
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O sol já estava alto quando eles finalmente se levantaram de novo. Mariana vestiu-se devagar, observando Lucas fazer o mesmo. Havia algo íntimo em vê-lo escolher uma camisa, abotoá-la com movimentos precisos, como se aquele fosse um ritual que eles já compartilhavam há anos. Ela calçou os sapatos, sentindo o corpo leve, mas a mente inquieta.
— Então… — ela começou, sem saber muito bem como terminar a frase.
Lucas terminou de ajustar os punhos da camisa e olhou para ela.
— Então — ele repetiu, aproximando-se. — Você tem planos para hoje?
Mariana hesitou. Parte dela queria dizer que sim, que tinha compromissos, que precisava ir embora. Mas a outra parte — a que ainda sentia o gosto dele na boca, a que ainda vibrava com o toque de suas mãos — queria ficar.
— Nada que não possa ser adiado — ela admitiu.
Lucas sorriu, satisfeito.
— Ótimo. Porque eu estava pensando em te levar para almoçar. Em algum lugar tranquilo. Onde possamos conversar.
— Conversar? — Mariana ergueu uma sobrancelha. — Isso é código para algo mais interessante?
— Pode ser — ele respondeu, puxando-a para um beijo rápido. — Mas também pode ser só conversa. Você decide.
Ela riu, mas não se afastou.
— Tudo bem. Almoço. Mas só se você prometer que depois vamos voltar para cá.
— Prometo — ele murmurou, os lábios roçando os dela. — E desta vez, não vou te deixar dormir.
Mariana sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Sabia que ele estava falando sério. E, pela primeira vez em muito tempo, não tinha medo do que viria depois.
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O elevador desceu em silêncio, os dois lado a lado, os dedos entrelaçados. Mariana observou o reflexo deles no espelho das paredes: ela, com os cabelos ainda bagunçados, os lábios inchados de beijos; ele, com uma expressão satisfeita, como se tivesse acabado de ganhar algo valioso. Quando as portas se abriram no saguão, ela sentiu uma pontada de relutância, mas não deixou transparecer.
— Te mando uma mensagem com o endereço — Lucas disse, parando na calçada. O sol da manhã batia em seus rostos, iluminando cada detalhe.
— Ou você pode me buscar — ela sugeriu, um sorriso brincando nos lábios. — Assim não corro o risco de me perder.
Lucas riu, puxando-a para mais um beijo, este mais longo, mais lento, como se quisesse selar a promessa de que aquilo não era um adeus.
— Combinado — ele murmurou contra seus lábios. — Te busco às duas.
Mariana assentiu, mas antes de se afastar, segurou o rosto dele entre as mãos e o beijou de novo, com uma intensidade que surpreendeu até a si mesma. Quando se separaram, os olhos de Lucas estavam escuros, o desejo ainda ali, latente.
— Até mais tarde — ela disse, finalmente se virando para chamar um táxi.
— Até mais tarde — ele repetiu, observando-a entrar no carro.
Mariana não olhou para trás enquanto o táxi se afastava. Sabia que ele ainda estava ali, parado na calçada, assistindo-a partir. E, de alguma forma, isso a deixou mais leve. Porque não era uma despedida. Era um "até logo". E isso fazia toda a diferença.
No banco de trás do carro, ela passou os dedos pelos lábios, ainda sentindo o gosto dele. A noite anterior havia sido intensa, mas o que mais a excitava agora era o que viria depois. O que eles construiriam juntos, cena por cena, toque por toque.
E, pela primeira vez em muito tempo, Mariana mal podia esperar para descobrir.