Entre Lençóis de Seda e Suspiros

LésbicoPor Tonkix2 leituras
**Entre Lençóis de Seda e Suspiros** O bar *Maré Alta* respirava ao ritmo das ondas que quebravam lá fora, um suspiro salgado misturado ao aroma de madeira envelhecida e uísque de malte. As paredes, revestidas de mogno escuro, absorviam a luz âmbar dos abajures, criando uma atmosfera de intimidade forçada—como se cada cliente ali fosse um segredo prestes a ser revelado. No centro do salão, um piano de cauda Steinway, polido até refletir o brilho das velas, dominava o espaço. Era ali que Clara se sentava, os dedos longos e pálidos dançando sobre as teclas com uma precisão quase religiosa. Ela não olhava para a plateia. Não precisava. A música que fluía de suas mãos era suficiente para preencher o silêncio, para fazer os copos tremerem levemente sobre as mesas e os sorrisos se desfazerem em expressões de algo próximo à devoção. Clara tocava como quem confessa um pecado: com a cabeça levemente inclinada, os lábios entreabertos em uma concentração que beirava o êxtase. Seu vestido preto, de seda crua, deslizava sobre os ombros estreitos como uma segunda pele, e os cabelos castanhos, presos em um coque frouxo, deixavam escapar mechas rebeldes que roçavam seu pescoço a cada movimento. Do outro lado do salão, quase escondida pela sombra de uma coluna de mármore, Isabel a observava. Ela não era do tipo que se deixava impressionar facilmente. Como artista plástica, estava acostumada a dissecar o mundo em cores, texturas, formas—mas ali, naquele momento, sentia-se como uma tela em branco, pronta para ser marcada pela primeira vez. Isabel segurava um copo de vinho tinto, os dedos manchados de tinta seca, as unhas curtas e sem esmalte. O líquido escuro rodopiava no cristal, espelhando o fogo das velas, mas seus olhos não se desviavam de Clara. Havia algo na maneira como a pianista se entregava à música, como se cada nota fosse um suspiro contido, que a fascinava. Não era apenas técnica—era entrega. Era fome. A melodia mudou. Uma peça de Debussy, talvez, ou algo mais contemporâneo, com harmonias que se desmanchavam como açúcar na língua. Clara fechou os olhos, e Isabel pôde jurar que viu seus cílios tremularem, como se a música a tocasse de volta. O ar entre elas parecia carregado, pesado, como se o próprio salão estivesse prendendo a respiração. — Você sempre toca assim? — A voz de Isabel, baixa e rouca, cortou o silêncio antes que ela pudesse se conter. Ela não pretendia falar. Não ainda. Clara não se assustou. Seus dedos continuaram a deslizar sobre as teclas, mas um sorriso quase imperceptível surgiu nos cantos de sua boca. Era o tipo de sorriso que não prometia nada, mas insinuava tudo. — Assim como? — ela perguntou, sem olhar para trás. Isabel deu um passo à frente, saindo da penumbra. A luz das velas iluminou seu rosto anguloso, os olhos verdes—quase âmbar sob aquela luz—e os lábios cheios, pintados de um vermelho escuro que combinava com o vinho em seu copo. — Como se estivesse fazendo amor com o piano. Clara riu, um som suave que se misturou à música. Seus ombros relaxaram, como se a tensão de antes fosse apenas um jogo. — Talvez eu esteja. Isabel sentiu o calor subir pelo pescoço. Ela não era de se intimidar, mas havia algo em Clara—algo que a fazia querer se aproximar, tocar, descobrir se sua pele era tão macia quanto parecia. Ela deu mais um passo, até que o cheiro de jasmim e suor leve de Clara a envolveu. — E se eu dissesse que quero fazer amor com você? A pergunta pairou no ar, crua, direta. Clara parou de tocar. Por um segundo, o silêncio foi absoluto, até que o som de uma onda quebrando lá fora o preencheu. Ela se virou no banco do piano, os olhos castanhos encontrando os de Isabel pela primeira vez. Não havia surpresa neles, apenas uma curiosidade calculada. — Eu diria que você está sendo muito ousada para alguém que acabou de me conhecer. Isabel sorriu, inclinando-se levemente, como se fosse compartilhar um segredo. — Eu não sou de perder tempo. Clara sustentou seu olhar. Havia algo de predatório na maneira como Isabel a observava, como se já soubesse exatamente o que queria—e como queria. Mas Clara não era presa fácil. Ela se levantou devagar, o vestido de seda sussurrando contra suas coxas, e estendeu a mão. — Então prove. Isabel não hesitou. Seus dedos se entrelaçaram aos de Clara, e o toque foi elétrico—como se uma corrente passasse entre elas, despertando algo que nenhuma das duas sabia que estava adormecido. O vinho no copo de Isabel tremeu, mas ela não se importou. Seus olhos estavam fixos nos de Clara, e naquele momento, o mundo ao redor deixou de existir. — Depois do show — Isabel murmurou, a voz rouca de desejo. — Me encontre no bar. Clara sorriu, um sorriso lento e perigoso. — Vou considerar. E com isso, ela se afastou, deixando Isabel com a sensação de que acabara de ser desafiada—e que, de alguma forma, já estava perdendo. A última nota do piano ecoou pelo salão como um suspiro prolongado, dissolvendo-se no ar carregado de perfume de jasmim e uísque envelhecido. Clara permaneceu imóvel por um instante, os dedos ainda pairando sobre as teclas, como se relutasse em abandonar a música que acabara de nascer entre eles. O público irrompeu em aplausos, mas ela mal os ouviu. Seu corpo ainda vibrava com a ressonância das cordas, cada terminação nervosa desperta, como se a melodia tivesse deixado marcas invisíveis sob sua pele. Foi então que a viu. Isabel estava encostada no balcão do bar, um copo de cristal entre os dedos, os olhos escuros fixos nela com uma intensidade que fez Clara sentir o peso daquele olhar como um toque físico. Não era a primeira vez que alguém a observava assim—com admiração, com fome—, mas havia algo diferente no modo como Isabel a fitava. Não era apenas desejo. Era reconhecimento. Como se já soubesse exatamente o que Clara escondia por trás da postura elegante, dos dedos hábeis, daquela máscara de serenidade que usava como armadura. Clara se levantou, alisando o vestido de seda preta que moldava seu corpo como uma segunda pele. O tecido sussurrou contra suas coxas, um som quase imperceptível, mas que pareceu ecoar no silêncio que se instalou entre elas. Ela caminhou até o bar, cada passo calculado, consciente de que Isabel não desviava os olhos nem por um segundo. Quando parou diante dela, o cheiro de tinta a óleo e algo mais—algo quente e amadeirado, como sândalo—invadiu seus sentidos. — Você toca como se estivesse fazendo amor com o piano — Isabel disse, a voz baixa, quase rouca. Não era um elogio vazio. Havia verdade ali, uma sinceridade crua que fez Clara sentir um calor subir pelo pescoço. — Cada nota é um suspiro. Clara arqueou uma sobrancelha, mas não conseguiu conter o sorriso que se formou nos lábios. — E você observa como se quisesse devorar a cena inteira. Isabel não negou. Em vez disso, ergueu o copo em um brinde silencioso, os lábios se curvando em um sorriso lento, perigoso. — Talvez eu queira. O barman se aproximou, interrompendo o momento com uma pergunta educada, mas Clara mal o ouviu. Seu foco estava inteiramente em Isabel, na maneira como seus dedos longos envolviam o cristal, na sombra que o decote da blusa de seda azul-marinho lançava sobre a clavícula. Ela pediu um vinho tinto—algo encorpado, com notas de frutas escuras e especiarias—, e quando o copo chegou, Isabel o empurrou suavemente em sua direção. — Prove. Clara hesitou por um segundo, mas aceitou. O primeiro gole foi uma explosão de sabores: taninos aveludados, um toque de baunilha, o calor do álcool deslizando pela garganta. Ela fechou os olhos por um instante, permitindo-se saborear não apenas o vinho, mas a tensão que crescia entre elas, densa como o ar antes de uma tempestade. — Bom? — Isabel perguntou, a voz um murmúrio. — Perfeito — Clara respondeu, abrindo os olhos. — Mas acho que você já sabia disso. Isabel riu, um som baixo e gutural que fez Clara se inclinar um pouco mais para perto, como se puxada por um fio invisível. — Gosto de coisas que valem a pena ser apreciadas lentamente. — E eu gosto de pessoas que sabem o que querem. Os olhos de Isabel escureceram, e por um momento, Clara pensou ter visto algo selvagem passar por eles—algo que fez seu pulso acelerar. Então, Isabel estendeu a mão, os dedos roçando de leve no dorso da mão de Clara antes de se afastarem, como se testando o terreno. — Você sempre é assim? — Isabel perguntou, inclinando a cabeça. — Ou só comigo? Clara não respondeu de imediato. Em vez disso, levou o copo aos lábios novamente, deixando que o vinho lhe desse coragem. Quando falou, sua voz era suave, mas firme. — Depende. Você sempre é assim? Isabel sorriu, um sorriso que prometia pecado e prazer em igual medida. — Só quando vale a pena. O silêncio que se seguiu foi carregado, preenchido apenas pelo tilintar distante de copos e pelo murmúrio abafado das conversas ao redor. Clara sentiu o peso do olhar de Isabel sobre ela, como se cada centímetro de sua pele estivesse sendo mapeado, memorizado. Então, sem aviso, Isabel se inclinou para frente, os lábios quase tocando a orelha de Clara quando falou: — Você sabe que eu poderia te beijar agora, não sabe? O hálito quente de Isabel fez Clara estremecer. Ela não se afastou. Em vez disso, virou o rosto apenas o suficiente para que seus lábios quase se tocassem, o vinho ainda doce em sua boca. — E você sabe que eu deixaria. Por um segundo, o mundo pareceu parar. Isabel respirou fundo, como se estivesse se controlando, e então recuou apenas o suficiente para que Clara pudesse ver o desejo queimando em seus olhos. — Depois do show — Isabel repetiu, a voz rouca. — Me encontre no bar. Clara não respondeu. Em vez disso, levou o copo aos lábios mais uma vez, deixando que o vinho lhe desse a coragem que precisava. Quando terminou, colocou o cristal sobre o balcão com um clique suave e se afastou, os saltos altos ecoando no piso de madeira. Mas não foi embora. Ficou ali, perto o suficiente para sentir o calor do corpo de Isabel, perto o suficiente para que, quando seus braços se roçassem acidentalmente, um choque elétrico percorresse sua espinha. Isabel não se moveu. Apenas observou, os olhos escuros seguindo cada movimento de Clara, como se estivesse decidindo exatamente por onde começar. — Você é perigosa — Clara murmurou, sem olhar para ela. — E você gosta disso. Não era uma pergunta. Clara não negou. Elas ficaram assim por mais alguns minutos, compartilhando o mesmo espaço, o mesmo ar, a mesma tensão que crescia a cada segundo. Então, Isabel se aproximou novamente, desta vez com uma lentidão deliberada, como se estivesse dando a Clara tempo para recuar. Mas Clara não recuou. Quando os dedos de Isabel roçaram os seus, foi como se uma faísca tivesse sido acesa, espalhando fogo por suas veias. — Você sente isso? — Isabel perguntou, a voz pouco mais que um sussurro. Clara não precisou responder. Seu corpo já o havia feito por ela. E então, sem aviso, Isabel segurou sua mão, os dedos entrelaçando-se aos seus com uma firmeza que não admitia recusa. Clara não resistiu. Em vez disso, deixou que Isabel a puxasse para mais perto, até que seus corpos estivessem quase se tocando, até que pudesse sentir o calor da pele de Isabel através do tecido fino de suas roupas. — Eu quero te mostrar uma coisa — Isabel murmurou, os lábios tão perto do ouvido de Clara que esta sentiu o ar quente contra sua pele. — O quê? Isabel sorriu, um sorriso lento e cheio de promessas. — Minha arte. Clara deveria ter dito não. Deveria ter se afastado, respirado fundo, recuperado o controle. Mas o vinho, o cheiro de Isabel, o toque de seus dedos—tudo conspirava contra ela. Em vez disso, ela apenas assentiu, os lábios se curvando em um sorriso que não deixava dúvidas sobre o que realmente queria. — Estou ansiosa para ver. A galeria era um espaço de luzes difusas e paredes brancas, onde o silêncio parecia respirar entre as obras. Isabel guiou Clara por entre esculturas de bronze e telas abstratas, seus passos ecoando levemente no piso de mármore. O ar cheirava a tinta fresca e madeira envernizada, um perfume que se misturava ao aroma sutil do perfume de Isabel—algo cítrico, com um toque de especiarias que fazia Clara querer inclinar-se mais perto só para sentir. — Aqui — Isabel disse, parando diante de uma série de quadros em tons de vermelho e ouro. — Estes são meus favoritos. Clara se aproximou, os olhos percorrendo as pinceladas ousadas, as formas que pareciam dançar entre o figurativo e o abstrato. Uma das telas retratava uma mulher de costas, a curva da coluna delineada em traços que sugeriam tanto força quanto vulnerabilidade. A textura da tinta era quase tátil, como se pudesse sentir o relevo das pinceladas sob os dedos. — Você pinta como se estivesse tocando — Clara murmurou, sem desviar os olhos da obra. Isabel sorriu, um sorriso lento que fez o estômago de Clara se contrair. — Talvez porque seja exatamente isso que eu faço. Clara virou-se para ela, surpresa. Isabel estava mais perto do que imaginava, tão perto que podia ver as pequenas sardas no nariz, as íris escuras onde reflexos dourados brilhavam sob a luz indireta. A artista ergueu a mão, hesitante, e roçou os dedos na bochecha de Clara, como se testando a suavidade de sua pele. — Você tem a mesma textura que minhas telas — Isabel sussurrou. — Macia, mas com camadas. Clara prendeu a respiração. O toque era leve, quase imperceptível, mas queimava como uma marca. Ela não se afastou. Em vez disso, inclinou o rosto, buscando mais contato, e Isabel não a decepcionou. Os dedos deslizaram para a nuca de Clara, puxando-a com uma firmeza que não admitia dúvidas. — Você sente isso? — Isabel perguntou, a voz rouca. Clara sentiu. Sentiu o calor subindo pelo pescoço, o formigamento nos lábios, o desejo latejando entre as pernas. Mas antes que pudesse responder, Isabel a puxou para um beijo. Não foi um beijo suave. Foi voraz, como se ambas tivessem esperado por isso desde o primeiro olhar no bar. A língua de Isabel explorou a boca de Clara com uma urgência que a fez gemer baixinho, as mãos agarrando os ombros da artista como se fosse cair. Quando se separaram, ofegantes, Isabel não a soltou. Em vez disso, guiou-a para trás, até que as costas de Clara encontrassem a parede fria da galeria. — Eu quero te mostrar outra coisa — Isabel murmurou, os lábios roçando o maxilar de Clara. — O quê? — Clara conseguiu perguntar, embora sua voz soasse distante, como se pertencesse a outra pessoa. Isabel não respondeu com palavras. Em vez disso, pegou a mão de Clara e a levou até uma escultura de mármore exposta em um pedestal baixo. A peça representava duas figuras entrelaçadas, as curvas fluidas, os corpos fundidos em um abraço que parecia vivo. — Toque — Isabel ordenou, pressionando os dedos de Clara contra a pedra fria. Clara obedeceu, passando as pontas dos dedos pelas superfícies lisas e pelas ranhuras profundas, sentindo a frieza do mármore contrastar com o calor que irradiava de seu próprio corpo. Isabel observava cada movimento, os olhos escuros fixos nas mãos de Clara como se pudesse ver através delas. — Agora toque em mim — Isabel disse, pegando a mão de Clara e levando-a até seu próprio quadril. Clara hesitou por um segundo, mas a curiosidade era mais forte. Os dedos deslizaram sob o tecido da blusa de Isabel, encontrando a pele quente e macia, os músculos firmes sob a superfície. Isabel gemeu baixinho, um som que fez Clara apertar os dedos sem perceber. — Assim — Isabel sussurrou, guiando a mão de Clara para cima, até que os dedos roçassem a lateral do seio. — Como você faria se não houvesse ninguém aqui. Clara engoliu em seco. A galeria estava vazia, mas a ideia de serem pegas, de alguém entrar e vê-las assim, enviava uma onda de excitação pelo seu corpo. Ela apertou o seio de Isabel, sentindo o mamilo endurecer sob o tecido fino do sutiã, e Isabel arqueou as costas, pressionando-se contra a mão dela. — Porra — Isabel murmurou, os dentes mordiscando o lábio inferior de Clara. Clara não conseguia pensar. Cada toque, cada respiração, cada som que escapava da garganta de Isabel a deixava mais molhada, mais desesperada. Ela queria mais. Queria sentir Isabel sem barreiras, queria explorar cada centímetro daquele corpo como se fosse uma de suas telas. Isabel parecia ler seus pensamentos. Com um movimento rápido, puxou a blusa de Clara para cima, expondo a pele pálida do abdômen. Os dedos traçaram círculos preguiçosos ali, fazendo Clara estremecer. — Você é linda — Isabel murmurou, os lábios seguindo o mesmo caminho dos dedos, beijando a pele sensível logo abaixo do umbigo. Clara fechou os olhos, os dedos enroscando-se nos cabelos de Isabel. Ela podia sentir o hálito quente contra a pele, a língua úmida traçando linhas invisíveis que a faziam tremer. Quando Isabel desceu ainda mais, os dentes roçando a cintura da calça de Clara, esta soltou um gemido baixo, as pernas fraquejando. — Isabel… — ela sussurrou, sem saber se era um pedido ou um aviso. Isabel olhou para cima, os lábios brilhando, os olhos escuros cheios de promessas. — Eu sei — ela disse, a voz rouca. — Eu também quero. E então, sem aviso, Isabel se levantou, pegando a mão de Clara e puxando-a para longe das esculturas, para longe das telas, em direção a uma porta discreta nos fundos da galeria. Clara a seguiu, o coração batendo tão forte que podia ouvi-lo nos ouvidos. A porta se abriu para um pequeno ateliê, cheio de cavaletes, tintas e pincéis espalhados. No centro, uma mesa de trabalho coberta por um lençol branco manchado de tinta. Isabel não hesitou. Empurrou Clara contra a mesa, as mãos firmes nos quadris, e a beijou novamente, com uma fome que deixava claro que não haveria volta. — Eu quero você — Isabel murmurou contra os lábios de Clara. — Aqui. Agora. Clara não respondeu. Em vez disso, puxou Isabel para mais perto, as mãos deslizando sob a blusa da artista, sentindo a pele quente, os músculos tensos. Isabel gemeu contra sua boca, os dedos trabalhando no botão da calça de Clara com uma urgência que fazia tudo parecer mais intenso. E então, quando a calça caiu aos pés de Clara, Isabel parou. Seus olhos percorreram o corpo exposto, a calcinha de renda preta, as coxas pálidas que tremiam levemente. Com um sorriso lento, ela se ajoelhou, os dedos enganchando-se na borda da calcinha. — Deixe-me te mostrar como minha arte realmente é — Isabel sussurrou, antes de puxar o tecido para baixo. Clara não teve tempo de responder. Os lábios de Isabel já estavam nela, a língua explorando com uma precisão que a fez arquear as costas, as mãos agarrando-se à beira da mesa. Cada movimento era calculado, cada toque uma promessa de prazer que se acumulava em ondas cada vez mais intensas. E quando Clara pensou que não aguentaria mais, Isabel parou. Levantou-se devagar, os lábios brilhando, os olhos escuros fixos nos dela. — Ainda não — ela murmurou, a voz rouca. — Quero que você me sinta por inteiro. Clara não precisou perguntar o que isso significava. Isabel já estava puxando-a para longe da mesa, em direção a uma porta no fundo do ateliê. Uma porta que, Clara sabia, levaria a algo muito mais íntimo. E ela mal podia esperar. A porta se abriu com um clique suave, revelando um quarto banhado pela luz âmbar de um abajur de cristal. O ar estava carregado com o perfume de Isabel—uma mistura de tinta a óleo, jasmim e algo mais primitivo, como o cheiro da pele aquecida pelo desejo. Clara sentiu o coração bater contra as costelas enquanto seus olhos percorriam o espaço: paredes de um tom profundo de vinho, cortinas de seda negra que filtravam a luz da lua, e, no centro, uma cama vasta, coberta por lençóis que brilhavam como água sob a luz tênue. Isabel não disse nada. Apenas segurou a mão de Clara com mais firmeza, puxando-a para dentro do quarto como se a conduzisse para um território já conhecido. O toque era quente, os dedos entrelaçados com uma intimidade que fazia Clara sentir como se cada centímetro de sua pele estivesse prestes a se incendiar. Quando chegaram à beira da cama, Isabel parou, virando-se para ela com um sorriso lento, os lábios ainda úmidos do gosto de Clara. — Você tem ideia do que faz comigo? — perguntou, a voz baixa, quase um sussurro. Os dedos de Isabel deslizaram pelo braço de Clara, traçando um caminho de fogo até o ombro, onde os dedos se enroscaram no tecido fino do vestido. — Desde a primeira nota que você tocou, eu soube que queria isso. Queria *você*. Clara não respondeu com palavras. Em vez disso, ergueu a mão e segurou o rosto de Isabel, os polegares acariciando as maçãs do rosto salientes, os lábios entreabertos em um convite silencioso. Isabel não hesitou. Inclinou-se e capturou a boca de Clara em um beijo profundo, lento, como se tivesse todo o tempo do mundo para explorá-la. A língua de Isabel era quente, insistente, dançando com a de Clara em um ritmo que fazia seus joelhos fraquejarem. As mãos de Isabel deslizaram pelas costas de Clara, puxando-a para mais perto, até que não houvesse espaço entre elas, até que Clara pudesse sentir cada curva do corpo de Isabel pressionado contra o seu. — Eu também — Clara murmurou contra os lábios de Isabel, as palavras saindo entre beijos. — Eu também queria você. Isabel riu baixinho, um som rouco e satisfeito, antes de empurrar Clara suavemente para trás, fazendo-a cair sobre os lençóis de seda. O tecido era fresco contra a pele aquecida de Clara, uma sensação deliciosamente contrastante que a fez arquear as costas, os dedos agarrando-se aos lençóis como se buscassem ancoragem. Isabel subiu sobre ela, os joelhos apoiados de cada lado dos quadris de Clara, os olhos escuros fixos nos dela enquanto desabotoava lentamente o vestido. — Você é linda — Isabel murmurou, os dedos traçando o contorno dos seios de Clara assim que o tecido se abriu. — Cada centímetro de você. Clara estremeceu quando os lábios de Isabel substituíram os dedos, beijando a pele exposta com uma reverência que a fez gemer. A boca de Isabel era quente, úmida, e quando seus dentes roçaram de leve o mamilo de Clara, ela não pôde evitar um arquejo, as unhas cravando-se nos ombros de Isabel. Isabel gemeu em resposta, o som vibrando contra a pele de Clara, antes de descer ainda mais, os lábios deixando um rastro de fogo pelo estômago, pelo umbigo, até chegar à borda da calcinha. — Isabel… — Clara sussurrou, o nome saindo como uma súplica. Isabel ergueu os olhos, os lábios curvados em um sorriso perverso. — Shhh — ela murmurou, os dedos enganchando-se na renda preta. — Deixe-me cuidar de você. E então, com um movimento lento e deliberado, Isabel puxou a calcinha para baixo, expondo Clara por completo. O ar fresco do quarto roçou contra sua pele úmida, fazendo-a estremecer, mas antes que pudesse sentir qualquer vergonha, os lábios de Isabel já estavam nela novamente, a língua explorando com uma precisão que a fez arquear as costas, as mãos agarrando-se aos lençóis com força. — *Porra* — Clara gemeu, a palavra saindo entrecortada enquanto Isabel a levava cada vez mais alto, cada movimento da língua uma promessa de prazer que se acumulava em ondas intensas. Os dedos de Isabel se juntaram à boca, dois deles deslizando para dentro de Clara com uma facilidade que a fez gritar, o corpo se contraindo em torno deles. — Isso, amor — Isabel murmurou, os lábios ainda contra a pele de Clara. — Goza para mim. Clara não teve escolha. O prazer a atingiu como uma onda, forte e implacável, fazendo seu corpo tremer enquanto gritava o nome de Isabel, as unhas cravando-se nos lençóis. Isabel não parou, não até que Clara estivesse completamente exausta, o corpo mole e saciado, os olhos semicerrados enquanto tentava recuperar o fôlego. — Você é incrível — Isabel sussurrou, subindo pelo corpo de Clara até capturar seus lábios em um beijo lento, profundo, compartilhando o gosto de Clara como se fosse o mais doce dos vinhos. — Mas ainda não terminei com você. Clara sorriu, os dedos deslizando pelo cabelo de Isabel, puxando-a para mais perto. — Nem eu com você. Isabel riu baixinho, os lábios roçando o pescoço de Clara antes de se afastar apenas o suficiente para tirar a própria roupa. Clara observou, fascinada, enquanto Isabel se despia com uma lentidão deliberada, revelando um corpo esculpido por anos de trabalho manual—músculos definidos, curvas suaves, a pele marcada por pequenas cicatrizes e manchas de tinta que contavam histórias que Clara mal podia esperar para descobrir. Quando Isabel finalmente ficou nua, Clara estendeu a mão, os dedos traçando o contorno dos seios, a barriga, até chegar ao quadril. — Deite-se — Clara murmurou, a voz rouca de desejo. Isabel obedeceu, deitando-se ao lado de Clara, os corpos se encaixando como peças de um quebra-cabeça. Clara não perdeu tempo. Inclinou-se sobre Isabel, capturando seus lábios em um beijo faminto enquanto suas mãos exploravam cada centímetro do corpo dela. Os mamilos de Isabel estavam duros sob seus dedos, a pele tão sensível que ela gemeu quando Clara os beliscou de leve. Clara desceu ainda mais, os lábios seguindo o mesmo caminho que suas mãos haviam traçado, até chegar ao umbigo, onde sua língua brincou antes de continuar para baixo. — Clara… — Isabel gemeu, o nome saindo como uma súplica quando os lábios de Clara finalmente encontraram seu centro. Isabel estava molhada, quente, e Clara não perdeu tempo em explorá-la com a mesma devoção que Isabel havia mostrado a ela. A língua de Clara era implacável, os dedos deslizando para dentro de Isabel enquanto seus lábios sugavam com uma intensidade que fazia Isabel arquear as costas, as mãos agarrando-se aos lençóis com força. — *Porra, Clara* — Isabel gritou, o corpo tremendo enquanto o prazer a consumia. Clara não parou, não até que Isabel estivesse completamente exausta, o corpo mole e saciado, os olhos fechados enquanto tentava recuperar o fôlego. — Você… — Isabel murmurou, puxando Clara para cima, os lábios encontrando os dela em um beijo lento, profundo. — Você é uma deusa. Clara riu baixinho, os dedos traçando círculos preguiçosos no quadril de Isabel. — E você é insaciável. Isabel sorriu, os olhos escuros brilhando com uma promessa. — Ainda não acabamos. E então, com um movimento rápido, Isabel virou Clara de costas, subindo sobre ela com um sorriso perverso. — Agora é a minha vez de te mostrar como se faz. Clara não teve tempo de responder. Os lábios de Isabel já estavam em seu pescoço, os dentes roçando de leve a pele sensível, enquanto suas mãos exploravam cada centímetro do corpo dela. Clara arqueou as costas, os gemidos escapando sem controle enquanto Isabel a levava cada vez mais alto, cada toque uma promessa de prazer que se acumulava em ondas intensas. E quando Clara pensou que não aguentaria mais, Isabel parou. Levantou-se devagar, os olhos fixos nos dela, os lábios brilhando. — Ainda não — ela murmurou, a voz rouca. — Quero que você me sinta por inteiro. Clara sabia exatamente o que Isabel queria dizer. E mal podia esperar. Isabel não precisou dizer mais nada. Clara já sentia o corpo inteiro vibrar, cada nervo à flor da pele, como se até o ar entre elas estivesse carregado de eletricidade. A pianista se ergueu sobre os cotovelos, os seios pesados roçando contra os lençóis de seda enquanto Isabel se posicionava entre suas pernas, os dedos deslizando com uma lentidão torturante pela parte interna de suas coxas. O toque era leve, quase imperceptível, mas suficiente para fazer Clara arquear as costas e soltar um gemido entrecortado. — *Por favor* — ela sussurrou, a voz rouca, os olhos semicerrados fixos em Isabel. Isabel sorriu, os lábios úmidos se curvando em uma expressão de pura malícia. Sem pressa, inclinou-se para frente, os cabelos escuros caindo como uma cortina sobre os ombros de Clara, e beijou-a com uma intensidade que roubou o fôlego da outra. A língua de Isabel explorava sua boca com uma precisão enlouquecedora, enquanto as mãos deslizavam pelos flancos de Clara, apertando-a com firmeza antes de descerem até os quadris. Clara gemeu contra a boca de Isabel, os dedos se enroscando nos lençóis, as unhas cravando-se no tecido macio. Sentia o corpo inteiro queimar, cada toque, cada respiração acelerada de Isabel multiplicando a tensão dentro dela. Quando Isabel finalmente afastou os lábios, deixando um rastro de beijos úmidos pelo queixo e pescoço de Clara, a pianista mal conseguia respirar. — Você é linda assim — Isabel murmurou, a voz grave, os dentes roçando o lóbulo da orelha de Clara. — Descontrolada. Minha. Clara não respondeu. Não conseguia. As palavras se perderam em um gemido longo quando Isabel desceu ainda mais, os lábios agora sobre seus seios, a língua circulando os mamilos rígidos antes de sugá-los com uma pressão que fazia Clara se contorcer. Os dedos de Isabel não paravam, deslizando entre suas pernas, explorando-a com uma intimidade que a fazia tremer. — *Isabel* — Clara arquejou, os quadris se movendo instintivamente contra a mão dela. — *Eu não aguento mais…* Isabel riu baixinho, o hálito quente contra a pele úmida de Clara. — Aguenta sim. — Os dedos se moveram mais rápido, mais fundo, enquanto Isabel mordiscava de leve o mamilo de Clara. — Quero ver você gozar pra mim. Clara fechou os olhos, o corpo inteiro tensionado como uma corda prestes a arrebentar. Cada movimento de Isabel era calculado para levá-la ao limite, cada toque uma promessa de prazer que se acumulava em seu ventre, uma pressão insuportável e deliciosa. Quando Isabel finalmente substituiu os dedos pela boca, a língua quente e ágil encontrando o ponto mais sensível de Clara, ela não conseguiu segurar. — *Ah, Deus*— ela gritou, os dedos se enroscando nos cabelos de Isabel, puxando-a com força enquanto o orgasmo a atravessava em ondas violentas. O corpo inteiro convulsionou, os músculos se contraindo em espasmos que pareciam não ter fim, enquanto Isabel a segurava firme, prolongando cada segundo de prazer com a boca e os dedos. Quando Clara finalmente desabou sobre os lençóis, ofegante e suada, Isabel se ergueu sobre ela, os lábios brilhantes, os olhos escuros cheios de satisfação. Beijou-a devagar, deixando Clara sentir o próprio gosto em sua boca, e então se deitou ao seu lado, puxando-a para perto. Clara se aninhou contra Isabel, o corpo ainda tremendo levemente, os dedos traçando padrões preguiçosos sobre a pele úmida da outra. Por um momento, só o som das respirações ofegantes preencheu o quarto, o cheiro de sexo e suor misturando-se ao aroma do mar que entrava pela janela entreaberta. — Você é incrível — Isabel murmurou, a voz rouca, os lábios roçando a têmpora de Clara. Clara riu baixinho, virando-se para encará-la. — Você que é. — Os dedos deslizaram pelo braço de Isabel, sentindo os músculos tensos sob a pele. — Mas ainda não acabou, não é? Isabel sorriu, os olhos escuros brilhando com uma promessa. — Nem de longe. Antes que Clara pudesse responder, Isabel a virou de bruços, puxando-a para cima até que ela ficasse de quatro, os lençóis de seda escorregando sob seu corpo. Clara sentiu as mãos de Isabel em seus quadris, os dedos apertando com força enquanto Isabel se posicionava atrás dela. Um gemido escapou de seus lábios quando sentiu Isabel entrar nela devagar, preenchendo-a com uma intensidade que a fez arquear as costas. — *Isabel*— ela arquejou, os dedos se cravando nos lençóis. — Shhh — Isabel murmurou, a voz rouca, os quadris começando a se mover em um ritmo lento e profundo. — Só sinta. E Clara sentiu. Cada estocada era uma onda de prazer que a atravessava, cada movimento de Isabel fazendo seu corpo inteiro tremer. As mãos de Isabel deslizaram por suas costas, apertando seus seios, os dedos brincando com os mamilos enquanto os quadris batiam contra os dela com uma força que fazia a cama ranger. Clara não conseguia pensar. Não conseguia fazer nada além de se entregar ao ritmo implacável de Isabel, os gemidos escapando de seus lábios sem controle enquanto o prazer se acumulava novamente dentro dela. Sentia Isabel em cada parte de si, o corpo da outra mulher dominando o seu, levando-a cada vez mais alto. — *Eu vou*— Clara conseguiu dizer, a voz quebrada, os músculos se contraindo ao redor de Isabel. — *Eu vou gozar de novo…* Isabel gemeu, os movimentos ficando mais rápidos, mais urgentes. — Goza pra mim — ela ordenou, a voz rouca. — Goza comigo. E Clara obedeceu. O orgasmo a atingiu como uma tempestade, o corpo inteiro se contraindo em espasmos violentos enquanto Isabel a seguia, os quadris batendo contra os dela uma última vez antes de desabar sobre seu corpo, os dois corpos suados e ofegantes entrelaçados nos lençóis. Por um longo momento, não houve nada além do som das respirações entrecortadas e do coração batendo forte no peito de Clara. Isabel se apoiou nos cotovelos, beijando de leve o ombro de Clara antes de se deitar ao seu lado, puxando-a para perto. Clara se aninhou contra ela, os olhos pesados de satisfação, o corpo ainda tremendo levemente. Isabel acariciou seus cabelos, os dedos deslizando pela pele úmida, e beijou sua testa. — Você é perfeita — Isabel murmurou, a voz suave. Clara sorriu, os lábios roçando o pescoço de Isabel. — E você é insaciável. Isabel riu baixinho, os dedos deslizando pela curva da cintura de Clara. — Só com você. O silêncio voltou a preencher o quarto, mas não era um silêncio vazio. Era cheio de promessas, de olhares cúmplices e toques que ainda estavam por vir. Clara fechou os olhos, sentindo o corpo relaxar contra o de Isabel, mas sabia que aquela noite estava longe de acabar. E quando Isabel se inclinou para beijá-la novamente, Clara soube que o amanhecer traria muito mais do que apenas o começo de algo profundo. Traria a certeza de que, entre lençóis de seda e suspiros, elas haviam encontrado algo que nenhuma das duas estava disposta a deixar escapar. A primeira luz da manhã se infiltrava pelas cortinas de linho cru, desenhando listras douradas sobre os lençóis de seda ainda amassados pelo peso dos corpos entrelaçados. Clara acordou devagar, como se emergisse de um sonho profundo demais para ser real, mas o calor de Isabel contra suas costas, o peso do braço dela envolvendo sua cintura, o cheiro de sexo e suor misturado ao perfume cítrico da pele—tudo isso era tangível, inegável. Ela piscou, sentindo os cílios roçarem o travesseiro, e um sorriso lento se formou nos lábios. Isabel ainda dormia, o rosto enterrado na curva do pescoço de Clara, a respiração quente e regular contra sua pele. Um fio de baba escorria pelo ombro dela, e Clara, ao invés de se incomodar, achou aquilo absurdamente íntimo. *Ela babou em mim*, pensou, e a ideia a fez rir baixinho, um som abafado que vibrou em seu peito. Isabel se mexeu, murmurando algo ininteligível, e apertou o abraço, puxando Clara mais para perto, como se temesse que ela fosse desaparecer com a luz do dia. — Você está acordada — Isabel sussurrou, a voz rouca de sono, os lábios roçando a orelha de Clara. — E você está grudenta — Clara respondeu, virando-se devagar para encará-la. Os olhos de Isabel estavam semicerrados, as pupilas ainda dilatadas pela penumbra do quarto, mas havia algo novo neles: uma suavidade, uma vulnerabilidade que Clara não tinha visto na noite anterior. Ou talvez tivesse, mas agora, sob a luz crua da manhã, aquilo a atingia com mais força. Isabel ergueu a mão e afastou uma mecha de cabelo do rosto de Clara, os dedos demorando-se na têmpora, como se memorizasse a textura da pele. — Eu não queria acordar — Isabel admitiu, a voz baixa. — Tive medo de que fosse um sonho. Clara sorriu, inclinando-se para beijar o canto da boca dela, sentindo o gosto salgado do suor seco. — E agora? — Agora eu tenho medo de que você vá embora. O coração de Clara deu um salto. Ela não esperava por essa honestidade, não tão cedo, não depois de apenas uma noite. Mas ali estava, pairando entre elas como um convite—ou talvez uma súplica. Isabel não era do tipo que pedia, Clara já tinha percebido isso. Ela tomava, exigia, seduzia. Mas naquele momento, com a luz da manhã revelando cada sombra sob seus olhos, cada linha de expressão que a noite havia suavizado, ela parecia pequena. Frágil, até. — Eu não vou a lugar nenhum — Clara murmurou, passando os dedos pelo contorno do maxilar de Isabel. — Ainda não. Isabel fechou os olhos por um segundo, como se absorvesse as palavras, e quando os abriu novamente, o fogo tinha voltado. Ela rolou sobre Clara, prendendo-a entre os braços, o peso do corpo quente e firme contra o dela. Clara gemeu baixinho, sentindo a pressão da coxa de Isabel entre as suas, o lençol escorregando para revelar a pele nua, ainda sensível. — Ainda não — Isabel repetiu, a voz um rosnado. — Isso significa que você vai embora em algum momento. — Não é o que eu quis dizer. — Então o que você quis dizer? Clara hesitou. Ela não era boa com palavras, não como Isabel. Sua linguagem era o piano, as teclas sob seus dedos, a música que fluía sem precisar de explicações. Mas agora, com Isabel olhando para ela como se pudesse arrancar a verdade só com o olhar, ela sentiu a necessidade de se explicar. — Eu quis dizer que... — Ela parou, procurando as palavras certas. — Que eu não sei o que isso é. Ainda não. Mas eu quero descobrir. Isabel estudou seu rosto por um longo momento, como se avaliasse a sinceridade daquelas palavras. Então, devagar, ela se inclinou e beijou Clara. Não foi um beijo urgente, como os da noite anterior, mas algo mais lento, mais profundo, como se quisesse provar cada centímetro da boca dela. Clara suspirou contra seus lábios, as mãos deslizando pelas costas de Isabel, sentindo a pele arrepiar sob seus dedos. — Você é perigosa — Isabel murmurou contra sua boca. — Eu? — Você me faz querer coisas que eu não deveria querer. — Como o quê? Isabel não respondeu de imediato. Em vez disso, ela deslizou a mão pelo corpo de Clara, os dedos traçando um caminho lento desde o pescoço até o quadril, como se desenhasse um mapa da pele dela. Clara arqueou-se levemente, sentindo o toque queimar, mesmo sendo suave. — Como acordar ao seu lado todas as manhãs — Isabel finalmente disse, a voz rouca. — Como te ver tocar piano só para mim. Como te levar para a minha cama e nunca mais te deixar sair. Clara prendeu a respiração. Aquilo era mais do que ela esperava. Mais do que ela ousava sonhar. Mas, ao mesmo tempo, uma parte dela se encolheu, assustada com a intensidade daquelas palavras. Isabel percebeu, é claro. Ela sempre percebia. — O que foi? — perguntou, os dedos parando sobre o ventre de Clara. — Nada — Clara mentiu. — Não minta para mim. Clara suspirou, virando o rosto para o lado, como se pudesse encontrar as palavras certas no padrão das cortinas. — É só que... — Ela hesitou. — Eu não sou assim. Não sou do tipo que mergulha de cabeça. Eu preciso de tempo. Isabel não disse nada por um momento. Então, com um movimento suave, ela se afastou um pouco, dando espaço para Clara respirar. Mas não a soltou. Em vez disso, ela se apoiou em um cotovelo e olhou para ela, os olhos escuros e sérios. — Eu não estou pedindo para você mergulhar — Isabel disse, a voz calma. — Estou pedindo para você não fugir. Clara encontrou seu olhar, sentindo o peso daquelas palavras. Ela não sabia o que responder. Não sabia se era capaz de prometer algo assim. Mas, ao mesmo tempo, a ideia de se afastar de Isabel, de nunca mais sentir aquelas mãos sobre sua pele, aquele corpo contra o seu, era insuportável. — Eu não vou fugir — ela disse, finalmente. — Mas não me pressione. Isabel sorriu, um sorriso lento e satisfeito, como se tivesse acabado de ganhar uma batalha que nem sabia que estava travando. — Eu nunca pressiono — ela murmurou, inclinando-se para beijar o ombro de Clara. — Eu só... persuado. Clara riu, empurrando-a de leve. — Persuadir, é? — Sim — Isabel confirmou, os lábios deslizando pelo colo de Clara. — E eu sou muito boa nisso. Clara gemeu quando os dentes de Isabel roçaram seu mamilo, a sensação enviando um choque direto para o meio de suas pernas. Ela arqueou as costas, as mãos se enroscando nos cabelos de Isabel, puxando-a mais para perto. — Você é insuportável — ela sussurrou, mas não havia raiva na sua voz. Isabel riu, o som vibrando contra a pele de Clara. — E você adora isso. Clara não negou. Não podia. Porque era verdade. Ela adorava a forma como Isabel a desafiava, a forma como a fazia sentir viva, desejada, *necessária*. Ela adorava a forma como, mesmo agora, com o sol da manhã iluminando cada detalhe do quarto, Isabel conseguia fazê-la esquecer de tudo—do mundo lá fora, das suas inseguranças, das suas dúvidas. Só existiam elas duas, os lençóis de seda, o cheiro do sexo ainda no ar, o toque das mãos de Isabel explorando seu corpo como se fosse a primeira vez. E talvez fosse. Talvez, de certa forma, cada vez fosse a primeira vez. Porque com Isabel, nada era previsível. Nada era seguro. E Clara, que sempre havia vivido dentro das linhas, das notas escritas no papel, das regras que ela mesma havia criado, estava descobrindo que gostava de se perder. Isabel deslizou a mão entre as pernas de Clara, os dedos encontrando-a já molhada, pronta. Clara gemeu, os quadris se movendo instintivamente contra a mão dela. — Viu? — Isabel murmurou, os lábios roçando a orelha de Clara. — Você não quer ir embora. Clara não respondeu. Não precisava. Seu corpo respondia por ela, cada tremor, cada suspiro, cada arquear dos quadris contra os dedos de Isabel. Ela fechou os olhos, deixando-se levar pela sensação, pela forma como Isabel a conhecia—como se já soubesse exatamente o que ela precisava, antes mesmo que Clara soubesse. E talvez soubesse mesmo. Porque Isabel não era apenas uma artista. Ela era uma observadora. Uma caçadora. E Clara, sem perceber, havia se tornado sua presa favorita. Os dedos de Isabel se moveram mais rápido, mais fundo, e Clara agarrou-se aos lençóis, sentindo o prazer crescer dentro dela, uma onda lenta e implacável. Isabel observava seu rosto, os olhos escuros fixos nos dela, como se quisesse memorizar cada expressão, cada som que escapava dos lábios de Clara. — Goza para mim — Isabel ordenou, a voz baixa e rouca. — Quero ver você. E Clara obedeceu. Ela se desfez nos braços de Isabel, o corpo tremendo, os gemidos ecoando pelo quarto enquanto o orgasmo a atravessava como uma corrente elétrica. Isabel não parou, não até que Clara estivesse completamente exausta, os músculos relaxados, a respiração entrecortada. Então, e só então, Isabel se deitou ao lado dela, puxando-a para perto, os corpos se encaixando como peças de um quebra-cabeça. — Bom dia — Isabel murmurou, beijando a têmpora de Clara. Clara riu, ainda ofegante. — Bom dia. Elas ficaram ali, em silêncio, ouvindo o som das ondas quebrando lá fora, o canto dos pássaros, o barulho distante da cidade acordando. Clara fechou os olhos, sentindo o peso do braço de Isabel sobre sua cintura, o calor da pele dela contra a sua. Era estranho como, em tão pouco tempo, ela já se sentia em casa ali. Como se aquele lugar, aquele momento, fosse exatamente onde ela deveria estar. — O que você vai fazer hoje? — Isabel perguntou, os dedos traçando círculos preguiçosos no quadril de Clara. Clara pensou por um momento. — Eu tenho um ensaio à tarde — ela disse. — Mas antes... — Ela virou-se para encarar Isabel, um sorriso malicioso nos lábios. — Talvez a gente possa tomar café da manhã. Isabel arqueou uma sobrancelha. — Café da manhã? — Sim — Clara confirmou, passando a mão pelo peito de Isabel, sentindo o coração dela bater forte sob seus dedos. — E depois... bem, depois a gente vê. Isabel riu, puxando Clara para mais perto. — Depois a gente vê — ela repetiu, os lábios encontrando os de Clara em um beijo lento e profundo. E naquele momento, entre lençóis de seda e suspiros, Clara soube que, não importava o que o futuro reservasse, ela não queria estar em nenhum outro lugar. Não queria estar com mais ninguém. Porque, pela primeira vez na vida, ela havia encontrado algo que valia a pena arriscar. Algo que valia a pena perder o controle. E Isabel, com seus olhos intensos e suas mãos persuasivas, era apenas o começo.

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