Água, Desejo e Silêncio

VizinhosPor Tonkix11 leituras
Água, Desejo e Silêncio
**A Água e o Desejo** O apartamento de Lucas era um daqueles espaços pequenos, mas bem planejados, onde cada móvel parecia ter sido escolhido para caber perfeitamente no lugar. Ele gostava da rotina: acordava cedo, tomava café preto enquanto lia as notícias no celular, e depois seguia para a academia no térreo do prédio. Às segundas, quartas e sextas, seu treino era mais pesado, com pesos e barras que deixavam seus músculos doloridos, mas satisfeitos. Nos outros dias, preferia corrida na esteira ou natação na piscina do condomínio. A água sempre o acalmava. À noite, depois do trabalho como designer gráfico em um estúdio no centro, ele gostava de cozinhar algo simples—um filé de frango grelhado, arroz integral, salada—enquanto ouvia jazz ou bossa nova em volume baixo. O prédio era silencioso, e ele apreciava isso. Os vizinhos eram discretos, a maioria casais mais velhos ou profissionais como ele, que mal trocavam mais do que um aceno no elevador. Exceto por ela. Clara havia se mudado para o apartamento ao lado três meses antes. Ele a vira pela primeira vez no dia da mudança, quando ela saiu do táxi com uma caixa nos braços e os cabelos loiros presos em um rabo de cavalo desgrenhado. Vestia uma camiseta branca justa e shorts jeans, e mesmo com o rosto levemente suado, havia algo nela que o fez parar por um segundo a mais do que deveria. Desde então, os encontros no corredor ou no elevador se tornaram mais frequentes. Ela sempre sorria, perguntava como ele estava, e ele respondia com educação, tentando não deixar transparecer o modo como seu corpo reagia à proximidade dela. Clara trabalhava como fisioterapeuta em uma clínica próxima e tinha um horário irregular. Às vezes, ele a via saindo de manhã cedo, com uma mochila nas costas e os fones de ouvido plugados, pronta para uma corrida. Outras vezes, voltava tarde, com os cabelos ainda úmidos do banho pós-treino e o cheiro doce de algum perfume floral que parecia grudar no ar mesmo depois que ela passava. Lucas começou a prestar atenção nos sons do outro lado da parede—o barulho da televisão, o som da água correndo no chuveiro, a risada baixa quando ela falava ao telefone. Era ridículo, mas ele se pegava imaginando como seria estar ali, ao lado dela, sentindo o calor do corpo dela contra o seu. Uma sexta-feira quente de novembro, ele chegou em casa mais cedo do que o habitual. O estúdio estava vazio, e seu chefe havia liberado a equipe mais cedo por causa de uma reforma no escritório. Ele tirou os sapatos na entrada, jogou as chaves na bancada da cozinha e foi direto para o banheiro. Precisava de um banho frio. O ar estava abafado, e o suor grudava em sua pele como uma segunda camada. Abriu o registro, deixando a água escorrer pelos dedos enquanto ajustava a temperatura. Foi então que ouviu a batida na porta. — Lucas? Você está aí? A voz de Clara atravessou a madeira fina da porta como um sussurro. Ele hesitou por um segundo, mas então desligou o chuveiro e pegou uma toalha, enrolando-a na cintura antes de abrir. Ela estava parada no corredor, com os braços cruzados sobre o peito e uma expressão de desespero leve no rosto. Os cabelos loiros estavam soltos, caindo em ondas sobre os ombros, e ela usava uma blusa fina de alcinhas que deixava pouco para a imaginação. — Desculpa te incomodar— ela disse, mordendo o lábio inferior. — Mas meu chuveiro parou de funcionar do nada. Eu já verifiquei o disjuntor, mas não adiantou. Você entende de encanamento? Lucas sentiu o peso do olhar dela descendo pelo seu peito nu, demorando-se na toalha branca que mal cobria seus quadris. Ele engoliu em seco, tentando ignorar o calor que subia pelo seu corpo. — Posso dar uma olhada— respondeu, tentando soar casual. — Mas não prometo nada. Ela sorriu, aliviada, e deu um passo para o lado, deixando-o passar. O apartamento dela era quase idêntico ao dele, mas decorado de forma mais feminina—cortinas de linho, almofadas coloridas no sofá, um vaso de flores frescas na mesa de centro. O cheiro de baunilha e algo cítrico flutuava no ar, misturando-se com o perfume natural da pele dela. Ele seguiu até o banheiro, onde a luz suave de uma luminária de parede criava sombras dançantes nas paredes azulejadas. — Aqui— ela disse, apontando para o boxe. — Eu estava no meio do banho quando simplesmente parou. Lucas se aproximou, tentando se concentrar na tarefa. Abriu a torneira e a água jorrou com força, mas quando ele tentou ligar o chuveiro, nada aconteceu. Ele se ajoelhou, examinando a conexão, consciente de que Clara estava logo atrás dele, observando cada movimento. O tecido fino da blusa dela roçou em seu ombro quando ela se inclinou para ver melhor. — Acho que é o registro— ele murmurou, girando a válvula. — Deve estar entupido. — Você consegue consertar?— a voz dela era baixa, quase um sussurro. Ele sentiu o hálito quente dela contra a nuca e fechou os olhos por um segundo, tentando controlar a respiração. Quando se virou, ela estava mais perto do que esperava, os l��bios entreabertos, os olhos fixos nos dele. O ar entre eles parecia carregado, como se uma faísca pudesse acender a qualquer momento. — Preciso de uma chave de fenda— ele disse, a voz rouca. Ela assentiu e saiu do banheiro, deixando-o sozinho por um instante. Lucas respirou fundo, passando as mãos pelo rosto. Quando ela voltou, ele já havia se recomposto—ou pelo menos era o que tentava acreditar. — Aqui— ela estendeu a ferramenta, os dedos roçando nos dele. Ele pegou a chave e voltou a se concentrar no registro, mas o toque dela havia deixado uma marca. Cada movimento parecia mais lento, mais deliberado. Quando finalmente conseguiu soltar a peça, a água jorrou com força, espirrando em seu peito e rosto. Ele riu, enxugando os olhos com as costas da mão. — Funcionou— disse, virando-se para ela. Clara estava encostada no batente da porta, os braços cruzados, os olhos brilhando com algo que ele não conseguia decifrar. A blusa molhada grudava em seus seios, delineando os mamilos duros sob o tecido fino. Lucas sentiu o sangue correr mais rápido nas veias. — Obrigada— ela murmurou, sem desviar o olhar. Ele se levantou, ainda segurando a chave de fenda, e deu um passo em direção a ela. O banheiro estava pequeno, e a proximidade era inevitável. O cheiro dela—baunilha, suor limpo, algo mais doce—o envolvia como uma névoa. — De nada— respondeu, a voz baixa. Ela não se moveu. Nem ele. O tempo parecia ter parado, e o único som era o da água caindo no boxe e o ritmo acelerado de suas respirações. Então, Clara ergueu a mão e tocou o peito dele, os dedos deslizando pela pele úmida. Lucas prendeu a respiração. — Você está todo molhado— ela sussurrou. Ele não respondeu. Não precisava. Em vez disso, segurou o rosto dela entre as mãos e a beijou. Foi um beijo lento, exploratório, como se os dois estivessem testando os limites do que poderiam fazer. Os lábios dela eram macios, quentes, e quando ela abriu a boca, ele não hesitou. A língua dela encontrou a sua, e o gemido que escapou da garganta dela fez seu corpo inteiro se contrair. Clara agarrou a toalha em sua cintura e a puxou com um movimento rápido. O tecido caiu no chão, e ele ficou nu diante dela, o pau já duro, latejando. Ela olhou para baixo, os olhos arregalados, antes de morder o lábio inferior. — Eu queria isso desde o dia em que te vi— ela admitiu, a voz trêmula. Lucas não precisou de mais incentivo. Ele a puxou para si, as mãos deslizando pelas costas dela, sentindo a curva da coluna, a maciez da pele sob a blusa molhada. Quando chegou à bainha, puxou o tecido para cima, e ela levantou os braços, deixando-o tirar a peça. O sutiã de renda branca seguiu o mesmo caminho, e então ela estava nua da cintura para cima, os seios cheios, os mamilos rosados e rígidos. Ele se abaixou, levando um deles à boca, sugando com força. Clara arqueou as costas, as unhas cravando em seus ombros enquanto um gemido escapava de seus lábios. Ele alternou entre os dois, lambendo, mordiscando, sentindo o gosto salgado da pele dela. As mãos dela se enredaram em seus cabelos, puxando-o mais perto, como se quisesse fundir os corpos. — Porra, Lucas— ela gemeu, a voz rouca. Ele a empurrou contra a parede, as mãos descendo para o cós do short dela. Com um movimento rápido, tirou a peça junto com a calcinha, deixando-a completamente nua. Clara estava linda—os cabelos loiros espalhados pelos ombros, a pele corada, os lábios inchados dos beijos. Ele se ajoelhou diante dela, as mãos segurando suas coxas, e olhou para cima. — Eu quero te provar— disse, a voz grossa. Ela assentiu, os olhos escurecidos de desejo. Lucas separou as pernas dela com os ombros e aproximou o rosto, inalando o cheiro doce e almiscarado que vinha de entre suas coxas. Quando a língua tocou seu clitóris, Clara soltou um grito abafado, as mãos apertando seus cabelos com força. Ele lambeu devagar, explorando cada dobra, cada centímetro sensível, sentindo o corpo dela tremer sob seu toque. Quando enfiou dois dedos dentro dela, Clara gemeu alto, as pernas tremendo. — Isso, assim— ela sussurrou, a voz entrecortada. Lucas aumentou o ritmo, a língua trabalhando em círculos enquanto os dedos entravam e saíam, sentindo as paredes internas dela se contraírem. Clara estava perto, ele sabia. Os gemidos se tornaram mais altos, mais urgentes, e então ela gozou, o corpo inteiro se contraindo enquanto um jato quente de prazer a percorria. Ele não parou até que ela estivesse completamente relaxada, os dedos ainda dentro dela, sentindo os últimos espasmos do orgasmo. Quando se levantou, Clara o puxou para um beijo, a língua invadindo sua boca com fome, como se quisesse provar o próprio gosto nele. — Eu preciso de você dentro de mim— ela murmurou contra seus lábios. Lucas não precisou ouvir duas vezes. Ele a pegou no colo, as pernas dela envolvendo sua cintura, e a levou até o quarto. A cama estava desarrumada, os lençóis emaranhados, e ele a deitou com cuidado, cobrindo o corpo dela com o seu. Clara abriu as pernas, convidando-o, e ele se posicionou entre elas, o pau latejando de antecipação. — Tem camisinha?— ele perguntou, a voz rouca. Ela apontou para a gaveta do criado-mudo, e ele se esticou para pegar uma. Rasgou a embalagem com os dentes e rolou o preservativo pelo comprimento, sentindo o prazer quase insuportável do toque. Quando voltou a olhar para ela, Clara estava se tocando, os dedos deslizando entre as pernas, os olhos fixos nele. — Por favor— ela pediu. Lucas se alinhou à entrada dela e empurrou devagar, sentindo as paredes internas dela o envolverem como um punho quente e úmido. Clara gemeu, as unhas cravando em suas costas enquanto ele entrava até o fim. Ele parou por um segundo, deixando o corpo dela se ajustar, antes de começar a se mover. Os primeiros movimentos foram lentos, profundos, cada estocada arrancando um gemido dos lábios dela. Mas logo a necessidade tomou conta, e ele aumentou o ritmo, os quadris batendo contra os dela com força. Clara levantou as pernas, envolvendo sua cintura, e ele afundou ainda mais, sentindo-a se apertar ao redor dele. — Mais forte— ela pediu, a voz entrecortada. Lucas obedeceu, os movimentos se tornando mais rápidos, mais desesperados. O som da pele batendo contra a pele ecoava no quarto, misturando-se aos gemidos e respirações ofegantes. Ele sentia o suor escorrendo pelas costas, o corpo inteiro em chamas, cada terminação nervosa em alerta. Clara gozou primeiro, o corpo se contorcendo sob o dele, os músculos internos apertando-o com força. O orgasmo dela o levou ao limite, e ele se enterrou fundo, gozando com um gemido rouco, o prazer explodindo em ondas intensas. Por um momento, nenhum dos dois se moveu. Apenas ficaram ali, ofegantes, os corpos entrelaçados, a pele úmida de suor e desejo. Quando Lucas finalmente saiu de dentro dela, Clara o puxou para um beijo lento, os lábios macios contra os dele. — Isso foi...— ela começou, mas não terminou a frase. — Eu sei— ele respondeu, sorrindo. Os dois ficaram deitados na cama, o silêncio confortável entre eles. Mas então, Clara se virou para ele, os olhos brilhando com uma pergunta não dita. — E agora?— ela perguntou, a voz suave. Lucas não tinha uma resposta. Mas sabia de uma coisa: ele queria muito mais do que apenas aquela noite. E, pelo jeito que ela o olhava, ela também.

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