Sob Luzes Frias

No TrabalhoPor Tonkix15 leituras
Sob Luzes Frias
O depósito da *GlobalTech* ficava nos fundos do prédio principal, um labirinto de prateleiras metálicas que se estendiam até o teto alto, iluminado apenas por lâmpadas fluorescentes de luz fria. Era um lugar onde o silêncio reinava depois do expediente, quebrado apenas pelo zumbido ocasional dos freezers industriais e pelo rangido das empilhadeiras estacionadas em um canto. As caixas de papelão empilhadas formavam corredores estreitos, e o cheiro de plástico, papel e metal se misturava ao ar condicionado mal regulado, criando uma atmosfera densa, quase opressiva. Lara tinha vinte e dois anos, cabelos castanhos presos em um rabo de cavalo desleixado e olhos verdes que brilhavam com uma curiosidade quase infantil. Era sua primeira semana como estagiária no setor de logística, e embora tivesse sido avisada sobre a rigidez do gerente do departamento, não esperava encontrar alguém como Daniel. Ele tinha trinta e cinco anos, ombros largos sob o tecido fino da camisa social, sempre impecavelmente passada, e uma voz grave que parecia ressoar nas paredes do depósito. Desde o primeiro dia, Lara notou a maneira como ele a observava quando achava que ela não estava olhando—um olhar rápido, quase imperceptível, mas carregado de algo que ela não conseguia decifrar. Naquela sexta-feira, o expediente havia terminado às seis, mas Lara ainda estava no depósito, organizando um relatório de inventário que o chefe havia pedido com urgência. Daniel, por sua vez, estava revisando documentos em sua mesa improvisada no canto do galpão, uma escrivaninha de metal cercada por pilhas de pastas. O lugar estava vazio, exceto pelos dois, e o silêncio entre eles parecia mais pesado do que o normal. Lara sentia o suor escorrer pela nuca, não só pelo calor, mas pela tensão que se instalara no ar desde que ele havia pedido para ela ficar até mais tarde. — Você não precisa terminar isso hoje — Daniel disse, sem levantar os olhos dos papéis. Sua voz era calma, mas havia um tom diferente, algo que fez Lara erguer o olhar. — Eu prefiro adiantar — ela respondeu, tentando soar profissional, mas sua voz saiu mais baixa do que pretendia. Ele finalmente a encarou, e por um segundo, Lara sentiu o peso daquele olhar escuro, intenso. Daniel tinha uma cicatriz fina acima do lábio superior, quase imperceptível, mas que dava um ar de mistério ao seu rosto angular. — Você é dedicada — ele murmurou, fechando a pasta com um estalo. — Isso é bom. Lara engoliu em seco. Não era só dedicação que a fazia querer ficar ali, mas a maneira como o corpo dela reagia à presença dele—o calor que subia pelas coxas, a respiração que ficava mais curta quando ele se aproximava. Ela voltou a digitar no notebook, mas seus dedos tremiam levemente sobre o teclado. Foi quando a luz piscou. Um clarão breve, seguido por um estalo seco, e de repente, o depósito mergulhou na escuridão. Lara soltou um gritinho abafado, os dedos apertando a borda da mesa. — Calma — Daniel disse, sua voz próxima. Tão próxima que ela sentiu o hálito quente contra a orelha. — Deve ser só um fusível. A luz volta em um minuto. Mas o minuto se estendeu, e a escuridão se tornou quase palpável. Lara conseguia ouvir a própria respiração, acelerada, e o som dos passos de Daniel se aproximando. Ele não acendeu a lanterna do celular. Em vez disso, deixou que a escuridão os envolvesse, como se soubesse que, sem a luz, as barreiras entre eles se dissolveriam. — Você está bem? — ele perguntou, e sua mão encontrou o braço dela no escuro. Lara estremeceu com o toque, a pele arrepiada sob os dedos dele. — Estou — ela sussurrou, mas a palavra saiu trêmula. Daniel não afastou a mão. Em vez disso, deslizou os dedos pelo antebraço dela, devagar, como se testando até onde podia ir. Lara não se moveu. Não queria que ele parasse. O coração batia tão forte que ela tinha certeza de que ele podia ouvir. — Você é nova aqui — ele murmurou, a voz rouca. — Mas já percebi como olha para mim. Lara sentiu o rosto queimar. — Eu não… — Não minta — ele interrompeu, a mão subindo até o ombro dela, os dedos traçando círculos lentos sobre o tecido fino da blusa. — Eu também olho para você. Ela não respondeu. Não conseguia. O ar entre eles estava carregado, denso, como se cada palavra pudesse quebrar o feitiço. Daniel se aproximou mais, e Lara sentiu o calor do corpo dele contra o seu, mesmo sem encostar. O cheiro dele—uma mistura de colônia amadeirada e algo mais primitivo, masculino—encheu seus sentidos. — Se eu te beijar agora — ele disse, a boca quase roçando a orelha dela —, você vai me impedir? Lara fechou os olhos. A escuridão tornava tudo mais intenso, mais perigoso. Ela deveria dizer não. Deveria se afastar, acender a lanterna, terminar o relatório e ir para casa. Mas as palavras não saíram. — Não — ela sussurrou, finalmente. Daniel não hesitou. Sua mão deslizou para a nuca dela, os dedos se enroscando nos cabelos soltos do rabo de cavalo, puxando-a para mais perto. Lara sentiu o hálito quente contra os lábios antes mesmo de ele a beijar, e quando finalmente aconteceu, foi como se uma represa se rompesse. O beijo foi voraz, faminto, como se ele estivesse esperando por aquele momento há semanas. Lara correspondeu com a mesma intensidade, as mãos agarrando a camisa dele, puxando-o para mais perto. A língua de Daniel invadiu sua boca, explorando, dominando, e Lara gemeu baixinho, o som abafado contra os lábios dele. Ele a empurrou contra a mesa, o corpo pressionando o dela, e Lara sentiu a rigidez dele contra sua coxa. O desejo a atravessou como uma corrente elétrica, deixando-a sem fôlego. — Você não faz ideia do que eu quero fazer com você — Daniel murmurou contra a boca dela, os dentes mordiscando o lábio inferior antes de descer pelo queixo, pelo pescoço. Lara inclinou a cabeça para trás, expondo a pele sensível, e ele não perdeu tempo. Sua boca quente encontrou o ponto pulsante na base da garganta, sugando com força suficiente para deixar uma marca. — Daniel… — ela gemeu, as mãos deslizando pelos ombros largos, sentindo os músculos tensos sob os dedos. — Diga meu nome de novo — ele ordenou, a voz rouca de desejo. — Daniel… Ele a levantou com facilidade, sentando-a sobre a mesa, e Lara abriu as pernas instintivamente, permitindo que ele se encaixasse entre elas. A saia do uniforme subiu até a metade das coxas, e Daniel não perdeu tempo. Suas mãos grandes deslizaram pelas pernas dela, os dedos ásperos contra a pele macia, subindo até a borda da calcinha. — Você está molhada? — ele perguntou, a voz um rosnado baixo. Lara mordeu o lábio, envergonhada, mas não negou. Ele riu, um som escuro, satisfeito, e deslizou um dedo sob o tecido, encontrando-a já úmida, pulsando. — Porra — ele gemeu, os dedos explorando, circulando, pressionando. Lara arqueou as costas, as unhas cravando nos ombros dele. — Isso… — ela sussurrou, a voz quebrada. — Não pare. Daniel não parou. Ele a beijou de novo, a língua invadindo sua boca enquanto os dedos trabalhavam entre as pernas dela, lento no começo, depois mais rápido, mais profundo. Lara sentiu o prazer se enrolando dentro dela, uma pressão deliciosa que ameaçava explodir a qualquer momento. Ela se agarrou a ele, os quadris se movendo no ritmo dos dedos dele, buscando mais, mais, mais. — Goza para mim — ele ordenou, a boca contra a orelha dela. — Agora. E Lara obedeceu. O orgasmo a atingiu como uma onda, forte, avassalador, e ela gritou, o som abafado contra o ombro dele enquanto tremia, os músculos internos se contraindo ao redor dos dedos de Daniel. Ele não parou até que ela desabasse contra ele, ofegante, os lábios inchados, o corpo mole de prazer. Mas Daniel não tinha terminado. Ele a puxou para fora da mesa, virando-a de costas para ele, e Lara sentiu as mãos dele nas costas, abrindo o zíper da saia. O tecido deslizou pelas pernas dela, caindo no chão, seguido pela blusa, que ele desabotoou com pressa, os dedos ágeis. Lara ficou apenas de calcinha e sutiã, o ar frio do depósito arrepiando sua pele, mas o calor do corpo dele atrás dela a mantinha aquecida. — Você é linda — ele murmurou, as mãos deslizando pelos quadris dela, apertando, marcando. — Eu queria te ver assim desde o primeiro dia. Lara mordeu o lábio, o coração ainda acelerado. Ela ouviu o som do cinto sendo aberto, o zíper descendo, e então sentiu a rigidez dele pressionando contra suas nádegas. Daniel afastou a calcinha para o lado, os dedos testando-a de novo, certificando-se de que ela estava pronta. — Você quer? — ele perguntou, a voz rouca. Lara não hesitou. — Sim. Ele não precisou de mais incentivo. Com um movimento rápido, ele a penetrou, preenchendo-a por completo, e Lara gemeu alto, as mãos agarrando a borda da mesa à sua frente. Daniel segurou seus quadris com força, puxando-a para trás enquanto se movia, cada estocada profunda, possessiva. — Porra, você é apertada — ele gemeu, os dedos cravando na pele dela. — Tão gostosa. Lara não conseguia responder. O prazer era intenso demais, cada movimento dele enviando ondas de calor pelo seu corpo. Ela se apoiou na mesa, os seios balançando a cada investida, e Daniel não perdeu tempo. Uma mão deixou o quadril dela e deslizou para frente, os dedos encontrando o ponto sensível entre suas pernas, esfregando em círculos enquanto continuava a se mover dentro dela. — Isso… — ela gemeu, a voz entrecortada. — Assim… Daniel aumentou o ritmo, as estocadas ficando mais rápidas, mais fortes, e Lara sentiu o orgasmo se aproximando de novo, mais intenso do que o primeiro. Ela apertou os olhos, o corpo todo tremendo, e quando chegou ao clímax, foi como se uma explosão a atravessasse, deixando-a sem ar, sem forças. Daniel não demorou a seguir. Com um gemido rouco, ele a puxou contra si, enterrando-se fundo, e Lara sentiu o calor dele dentro dela, marcando-a de uma maneira que ia além do físico. Ele a segurou ali por um momento, os corpos colados, a respiração ofegante, antes de finalmente se afastar. O silêncio voltou a preencher o depósito, quebrado apenas pelo som das respirações pesadas. Lara se virou devagar, os olhos encontrando os dele na penumbra. Daniel a encarava com uma intensidade que a fez estremecer, como se estivesse memorizando cada detalhe dela. — Isso não vai acontecer de novo — ele disse, a voz baixa, mas firme. Lara sentiu um nó se formar no estômago. — Por quê? — Porque eu sou seu chefe — ele respondeu, pegando a camisa do chão e vestindo-a com movimentos rápidos. — E isso foi um erro. Lara não disse nada. Ela se abaixou, pegando a calcinha e a saia, vestindo-se em silêncio. A realidade começava a se infiltrar entre eles, fria, implacável. Quando finalmente olhou para ele de novo, Daniel já estava de costas, ajustando o cinto. — Termine o relatório e vá para casa — ele disse, sem olhar para ela. — E não comente isso com ninguém. Lara assentiu, mesmo sabendo que ele não podia ver. Ela terminou de se vestir, pegou o notebook e saiu do depósito sem olhar para trás. Mas enquanto caminhava pelo estacionamento vazio, uma coisa estava clara em sua mente: aquilo não tinha sido um erro. E ela não ia deixar que fosse a última vez.

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