Silêncio Entre Nós

Chefe e SecretáriaPor Tonkix14 leituras
Silêncio Entre Nós
O ar-condicionado do carro ronronava baixinho, um som quase imperceptível sob o silêncio pesado que se instalara entre os dois. Lá fora, a cidade de São Paulo respirava em seu ritmo caótico, buzinas distantes, motores acelerando, o zumbido constante da vida urbana. Mas dentro do veículo, o mundo parecia ter encolhido até caber apenas no banco de trás, onde Clara Viana ajustava a alça da bolsa de couro italiano contra o ombro, os dedos longos e bem cuidados tamborilando levemente sobre o tecido caro. Seus olhos, verdes e afiados como lâminas, percorriam a tela do tablet com a mesma precisão com que analisava relatórios financeiros — rápida, implacável, sem espaço para distrações. Do outro lado do vidro escurecido, o trânsito da Avenida Faria Lima se arrastava, um mar de carros parados sob o sol da tarde. Ela não precisava olhar para saber que Daniel estava ali, imóvel no banco da frente, as mãos grandes e firmes segurando o volante com uma paciência que beirava a resignação. Clara o observava pelo espelho retrovisor quando achava que ele não estava atento, estudando a linha do maxilar coberto por uma barba por fazer, os ombros largos que preenchiam o paletó do uniforme de motorista particular com uma elegância discreta. Havia algo nele, uma quietude quase perigosa, como se soubesse que o silêncio era a melhor forma de provocá-la. Eles se conheciam havia dois anos, desde que Clara assumira o cargo de diretora financeira da Viana Corp, a empresa que seu pai fundara e que ela agora comandava com mão de ferro. Daniel fora contratado pela antiga assistente pessoal dela, uma mulher eficiente que sabia reconhecer um profissional competente quando via um. Desde o primeiro dia, ele se mostrara impecável: pontual, discreto, sempre um passo atrás, antecipando suas necessidades antes mesmo que ela as verbalizasse. Mas havia algo mais. Algo que Clara só percebera meses depois, quando, em uma noite de chuva torrencial, ele a levara para casa e ela, bêbada de cansaço e vinho, deixara escapar um comentário sobre como odiava a solidão do seu apartamento. Daniel não dissera nada. Apenas dirigira em silêncio, os nós dos dedos brancos de tanto apertar o volante. A tensão entre eles crescera devagar, como uma corda sendo esticada até quase arrebentar. Clara era uma mulher que não pedia permissão para nada, muito menos para sentir desejo. Mas Daniel não era um subordinado qualquer. Ele era um homem que entendia as regras não escritas do jogo — sabia quando falar, quando se calar, quando olhar e quando desviar os olhos. E, acima de tudo, sabia como deixá-la louca com apenas um gesto, um toque acidental, uma respiração mais profunda quando ela passava por ele no corredor da empresa. Clara o queria. E, mais do que isso, queria que ele soubesse o quanto o queria. Naquela tarde, porém, algo estava diferente. O trânsito parecia mais lento, o ar mais denso, como se o universo conspirasse para mantê-los presos naquele espaço confinado por mais tempo. Clara fechou o tablet com um estalo seco e o guardou na bolsa, os dedos roçando distraidamente no fecho de metal. O carro estava parado há quase dez minutos, e a imobilidade a deixava inquieta. Ela ergueu os olhos para o espelho retrovisor e encontrou os de Daniel fixos nela, escuros, intensos, como se ele estivesse esperando por aquele momento há muito tempo. — Algum problema? — A voz dela saiu mais rouca do que pretendia. Daniel não desviou o olhar. — Nenhum, senhora. Só o trânsito. Clara sorriu, um gesto lento e calculado. — Você sempre me chama de *senhora* quando está irritado. — Não estou irritado. — Mentiroso. Ele não respondeu. Apenas sustentou seu olhar pelo espelho, os lábios ligeiramente entreabertos, como se estivesse prestes a dizer algo, mas se contivesse no último segundo. Clara sentiu o calor subir pelo pescoço, uma onda lenta e deliciosa que se espalhou pelo peito. Ela sabia que estava brincando com fogo, mas não conseguia parar. Não agora. — Vire-se — ela ordenou, a voz baixa, mas firme. Daniel hesitou por uma fração de segundo antes de girar o corpo no banco, os músculos dos braços se contraindo sob o tecido da camisa. Clara se inclinou para frente, os dedos roçando levemente no apoio de braço entre eles, o perfume caro que usava misturando-se ao cheiro de couro e ao aroma mais quente, mais masculino, que emanava dele. Ela podia ver a pulsação acelerada na base do pescoço dele, a forma como a respiração se tornara mais superficial. — Você gosta de me provocar, não é? — ela murmurou, os lábios quase tocando a orelha dele. Daniel engoliu em seco, mas não recuou. — Não sei do que está falando. — Sabe, sim. — Clara deslizou a mão pelo encosto do banco, os dedos traçando um caminho lento até o ombro dele. — Você sabe exatamente o que faz comigo quando fica assim, todo silencioso, todo... obediente. Ele soltou um suspiro trêmulo quando ela roçou o polegar na nuca dele, sentindo a pele quente sob a ponta dos dedos. — Clara... — Shhh. — Ela pressionou o indicador contra os lábios dele, sentindo o calor da respiração contra a pele. — Eu não disse que você podia falar. Daniel fechou os olhos por um instante, como se estivesse lutando contra algo dentro de si. Quando os abriu novamente, havia uma chama escura neles, algo que fez o estômago de Clara se contrair. Ela sorriu, satisfeita. Sabia que estava vencendo. — Abra a camisa — ela ordenou, recostando-se no banco, os olhos fixos nele. Daniel hesitou, mas apenas por um segundo. Os dedos dele se moveram com uma lentidão deliberada, desabotoando a camisa branca do uniforme, revelando o peito largo e musculoso, a pele bronzeada marcada por algumas cicatrizes antigas. Clara observou cada movimento, o coração batendo mais rápido, a boca seca de antecipação. Quando a camisa se abriu completamente, ela estendeu a mão e passou as unhas levemente sobre o peito dele, sentindo os músculos se contraírem sob o toque. — Você é lindo — ela murmurou, inclinando-se para frente até que seus lábios estivessem a centímetros dos dele. — Mas eu já sabia disso. Daniel não respondeu. Apenas segurou o pulso dela, os dedos quentes e firmes, guiando a mão dela para baixo, até que os dedos dela roçassem na fivela do cinto. Clara sorriu, entendendo o convite. Com um movimento rápido, ela abriu o cinto e puxou o zíper da calça, sentindo a rigidez sob o tecido fino da cueca. Ele estava duro, quente, e a sensação fez seu próprio corpo reagir, uma umidade lenta se acumulando entre as pernas. — Tão obediente — ela sussurrou, os dedos envolvendo-o com firmeza. — Tão... pronto. Daniel soltou um gemido baixo quando ela começou a mover a mão, os dedos deslizando para cima e para baixo em um ritmo lento e deliberado. Clara observava o rosto dele, os lábios entreabertos, os olhos semicerrados, a forma como os músculos do abdômen se contraíam a cada movimento. Ela se inclinou mais para perto, os lábios roçando o lóbulo da orelha dele. — Você gosta quando eu faço isso, não é? — ela murmurou, acelerando o ritmo. — Gosta quando eu te toco assim, no escuro, sem ninguém saber... Daniel agarrou o apoio de braço com força, os nós dos dedos brancos. — Clara... porra... — Shhh. — Ela parou o movimento, os dedos ainda envolvendo-o, sentindo o calor pulsante sob a pele. — Você não manda aqui. Eu mando. Ele soltou um suspiro trêmulo, mas não discutiu. Clara sorriu, satisfeita, e voltou a mover a mão, desta vez mais devagar, mais deliberadamente, como se tivesse todo o tempo do mundo. Daniel fechou os olhos, a cabeça caindo para trás contra o encosto do banco, os lábios entreabertos em um gemido silencioso. Clara observava cada reação, cada tremor, cada respiração mais profunda, sentindo o próprio corpo responder, a excitação crescendo como uma onda lenta e inexorável. — Você quer gozar? — ela perguntou, a voz baixa, rouca. Daniel assentiu, os olhos ainda fechados. — Então peça. Ele hesitou, mas apenas por um segundo. — Por favor — ele murmurou, a voz rouca de desejo. Clara sorriu e acelerou o ritmo, os dedos movendo-se com mais firmeza, mais rapidez, sentindo-o pulsar sob o toque. Daniel agarrou o apoio de braço com mais força, os músculos das pernas se contraindo, o corpo inteiro tenso como uma corda prestes a arrebentar. Clara se inclinou para frente, os lábios roçando o pescoço dele, sentindo o gosto salgado da pele. — Goza pra mim — ela ordenou, a voz um sussurro quente contra a orelha dele. E ele obedeceu. Daniel soltou um gemido rouco, o corpo arqueando levemente enquanto o calor se espalhava entre os dedos dela, quente e pulsante. Clara manteve o ritmo até que ele estivesse completamente relaxado, os músculos cedendo sob o toque, a respiração voltando ao normal. Ela se recostou no banco, observando-o com um sorriso satisfeito nos lábios. — Bom menino — ela murmurou, levando os dedos à boca e lambendo-os lentamente, sem desviar os olhos dos dele. Daniel a observava, os olhos escuros agora mais suaves, mas ainda cheios de algo que ela não conseguia decifrar. Clara sabia que aquilo era apenas o começo. Havia muito mais entre eles, uma tensão que não seria resolvida com apenas um toque, um momento roubado no banco de trás de um carro. O trânsito começou a se mover novamente, o carro avançando devagar pela avenida. Clara ajustou a saia do tailleur, os dedos ainda formigando com o calor do toque. Daniel se virou para frente, ajeitando a camisa e fechando o zíper da calça com movimentos precisos. Nenhum dos dois falou. Não precisavam. Porque ambos sabiam que aquilo não tinha acabado. Ainda não.

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